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Capítulo 06 - Mais um Milagre

A Guerra dos Nove Mundos (GNM)

Capítulo 06 - Mais um Milagre

Autor: Maurício Argôlo | Revisão: Luis Gimenes, Bru, SolidSnake

Sagwa não notou, mas no meio de sua testa, um orbe preto começou a ser formado, ele parecia estar metade dentro do corpo de Sagwa e metade fora. A única coisa que Sagwa percebeu é que ela estava compreendendo toda a informação contida naquelas estranhas palavras. Depois de um tempo as palavras pararam de aparecer.

Apesar de nunca ter cultivado alguma técnica de artes marciais, quando era criança ela gostava de se aventurar desbravando e conhecendo a vila em que morava. Certa vez, ela e suas amigas decidiram invadir a escola de artes marciais que estava fechada há tanto tempo. É importante lembrar aquele era um clã que tinha dificuldades em dar à luz a crianças que conseguissem cultivar, portanto, como não tinha a quem ensinar, a escola vivia fechada. Quando elas entraram na escola, elas encontraram um lugar limpo, parecia que alguém sempre vinha para limpar o local, as estantes do fundo estavam cheias de pergaminhos. Sagwa pegou um deles e leu o título dele ‘Manual de Condensação do Fogo’, este era um manual inicial para aqueles que desejavam cultivar o Dao do Fogo. Antes que ela conseguisse pegar outro pergaminho para olhar, o patriarca da vila chegou e colocou todas para fora da escola dizendo que aquele era um local muito importante para a vila e onde não poderia haver acidentes.

As palavras que estavam flutuando na sua frente passavam o mesmo tipo de sensação que ela sentiu quando leu um pouco do ‘Manual de Condensação do Fogo’, só que em uma proporção muito maior.

“Será que isto está de alguma forma relacionado ao mundo do cultivo das artes marciais?”

Enquanto pensava nisso, ela se sentou na mesma posição em que o homem estava, fechou os olhos e começou a meditar nas palavras que agora estavam gravadas em sua mente.

Ela sentiu sua corrente sanguínea acelerar e seu corpo esquentar, era como se ela estivesse dentro de uma fonte de água termal, seu corpo relaxou e o Prana, recém-fabricado por seu corpo, começou a circular por seus meridianos. A posição que ela estava possibilitou que ela entrasse em um estado Zen, sua mente ficou totalmente focada em circular seu Prana por entre seus meridianos e nas palavras que ela acabou de testemunhar.

Inevitavelmente a noite terminou e o sol da manhã começou a aparecer no horizonte, Sagwa acordou repentinamente com a cama encharcada de suor a ponto de formarem poças, criadas pelas gotas de sua transpiração. Ela se levantou e caminhou em direção ao banheiro, suas irmãs já tinham acordado e estavam preparando o café para sua mãe, que milagrosamente estava melhorando. A primeira coisa que Sagwa viu, foi sua nova aparência. Parecia que ela teria que se acostumar consigo mesma a partir de agora. Ela ficou se admirando por um tempo e notou o quão magnificamente bela havia se tornado, de fato, cada curva do seu corpo estava na proporção ideal. Foi então que ela entrou na banheira de começou a tomar seu banho.

Quando voltou para seu quarto, Esther estava esperando. Ela notou que as roupas da sua cama tinham sidos retiradas e o chão tinha sido limpo.

“Irmã, não precisava, eu iria limpar assim que voltasse.”

Esther respondeu com outra pergunta: “Você teve febre na noite passada? Está doente?”

Sagwa não sabia muito bem como explicar, na verdade ela ainda não entendia muito bem o que estava acontecendo, ela só se lembrava das palavras que tinha visto em seus sonhos, que por sinal continuavam totalmente vívidas em sua memória, então ela simplesmente respondeu: “Não, eu só senti um calor estonteante, deve ser algum efeito do estresse dos últimos dias...”

“Entendo, então tudo bem... A mamãe já acordou, eu tomei a liberdade de informá-la o que aconteceu na noite passada, ela pareceu não acreditar, mas pediu para te ver. Se pudesse ela iria sair correndo da cama para te ver, mas ela ainda está muito fraca.”

Sagwa não respondeu, ela simplesmente se virou e saiu correndo. Quando entrou no quarto da sua mãe os olhos das duas se encontraram, apesar de estar muito fraca Helga ainda ousou levantar seu corpo e se recostar no berço da cama, Sagwa deu um pulo e abraçou sua mãe com lágrimas brotando dos seus olhos. As duas começaram a chorar, suas irmãs vendo esta cena também não puderam se conter, então a casa toda estava chorando, este choro possuía a união de diversos sentimentos que elas sentiam no momento felicidade, amor, fraternidade, paz, tristeza e esperança.

“Fi... filha... vocês tem certeza de que isso não é um sonho?”

“Não mãe, eu estou viva, olha...” Sagwa beliscou de leve o braço de sua mãe e uma leve dor percorreu seu corpo. As lágrimas correram com mais intensidade ainda pelos olhos de Helga.

“Ma-mas como isso é possível? Eu te vi morta!”

“Eu não sei mamãe, talvez os céus decidiram que não era o momento da minha morte e criaram um milagre...”

“Own filha, eu nunca mais quero sentir está dor de novo, eu amo todas vocês, venham cá!”

Neste momento elas se uniram em um abraço aconchegante em família, mãe e filhas unidas, enfrentando as dificuldades daquele momento juntas.

A notícia de que Sagwa ainda estava viva logo se espalhou para vila, muitos duvidaram disso, ainda mais quando viram sua nova aparência, mas logo ela começou a narrar acontecimentos de sua infância, momentos de felicidade pessoal que teve com cada um deles. Isto era uma prova irrefutável de que esta era realmente a Sagwa. Eles não puderam deixar de se sentirem estranhos e felizes. Estranhos pela nova aparência da Sagwa e felizes porque presenciaram um tipo de milagre nunca antes visto no clã e ainda por cima de tudo, um milagre com uma das pessoas mais amada da vila.

O Clã era pequeno, muitos tinham morrido na guerra ou na invasão dos estranhos, então sobraram poucas pessoas na vila, por conta disto em menos de três horas Sagwa recebeu todos os vizinhos em sua casa e provou que era realmente ela. Durante a tarde, ela saiu de casa e as pessoas falaram com ela com todo o respeito do mundo, para eles aquilo tudo era um milagre dos céus e Sagwa, o centro desse milagre, merecia ser tratada com respeito.

Sagwa achou estranho seu novo status, mas não o recusou, ela era uma garota humilde que nunca buscou a fama e, no momento, só queria ficar em paz para pensar em como poderia ajudar a manter seu Clã seguro. Ela sabia que os invasores iriam voltar e sabia que, quando esse dia chegasse, novas calamidades iriam acontecer.

Ela lembrou da cena que aconteceu em um dos armazéns com sua família durante a invasão,  lembrou de com o homem ficou com as pernas bambas ao ser chamado atenção por alguém superior e, consequentemente, mais forte que ele. Ela repetiu para si mesma: “A força é o fator determinante!”

Ela andou em direção ao rio, sentou-se embaixo da cerejeira que seu pai tinha plantado e olhou para o céu azul que estava preenchido por nuvens brancas. Os pássaros brincavam enquanto voavam e as borboletas faziam manobras complicadas em meio ao ar.

Nesse momento, ela lembrou do seu sonho, da posição que tinha ficado e de como fez seu Prana circular dentro do seu corpo ao meditar nas palavras que ela havia visto em cima do homem. Uma inspiração percorreu seu corpo e ela decidiu fazer aquilo mais uma vez.

Sentou-se na posição de Lótus e começou a guiar seu Prana pelos meridianos do seu corpo enquanto meditava nas palavras que estavam gravadas em sua mente. Ela entrou novamente em um estado Zen, sua mente ficou totalmente limpa, a única coisa que estava presente eram as palavras que aprendera durante seu sonho.

A energia celestial que circundava o local foi constantemente absorvida por Sagwa, que logo começou a transpirar, mas desta vez era possível encontrar um tipo de lodo preto que estava sendo expulso do seu corpo por entre os poros de sua pele. Algumas horas tinham se passado e ela ainda continuava imóvel, estava se sentindo maravilhosamente bem. Dado o nível de sua concentração, ela não percebeu o tempo passar.

“Olhem, a Sagwa está sentada a tanto tempo debaixo daquela árvore e não se mexeu nem um milímetro, será que aconteceu algo?”

“Eu não sei, não é melhor chamar as irmãs dela para darem uma olhada?”

“Tem razão...”

Algumas pessoas acharam aquilo meio esquisito, Sagwa não tinha movido um único músculo desde que se sentou ali embaixo da cerejeira. Será que ela tinha morrido? Eles prontamente foram chamar Esther e suas irmãs para saberem o que estava acontecendo.

Esther percebeu que Sagwa estava suando do mesmo jeito que na noite passada, a única diferença era que agora ela estava expelindo certas substâncias pretas de dentro do seu corpo. Ela ficou preocupada com sua irmã, há poucas horas, pôde de sentir uma felicidade sem tamanho ao ter sua irmã de volta dos mortos, se ela a perdesse novamente seria o pior tipo de dor que poderia sentir na face da terra, sua mãe então, morreria de tristeza.

Rapidamente uma multidão se formou ao redor da cerejeira.

“O que está acontecendo?”

“Olhe, a Sagwa está ali naquela posição a mais de quatro horas, ninguém sabe o que aconteceu com ela.”

“ Será que ela morreu?”

“Não fale besteiras idiota, você quer que a Helga e suas filhas tenham um dor como esta?”

Neste momento, um dos mais velhos do Clã que conseguiu sobreviver a invasão chegou ao local, por um momento ele ficou estupefato, ele não conseguia acreditar no que seus olhos estavam vendo. Muitas pessoas perceberam o semblante daquele senhor e prontamente começaram a falar.

“Olhem, parece que o senhor Larrel percebeu alguma coisa”

“Senhor Larrel, o senhor sabe o que está acontecendo?”

Larrel pareceu não ouvir as perguntas que estavam fazendo a ele, continuou a olhar para Sagwa com um olhar totalmente esperançoso, na concepção dele, aquele era o segundo milagre que aquela garotinha estava criando.

“E-eu não tenho certeza, mas creio que ela esteja cultivando. Os antigos pergaminhos da nossa escola narram e descrevem acontecimentos como este onde o corpo do cultivador expulsa as impurezas do seu corpo para que o ciclo de Prana passe por entre seus meridianos de uma forma mais intensa, isso faz com que sua base de cultivo se torne aterradoramente forte, e quanto melhor for sua base, maior será seu nível de força.”

“O que? Você está querendo dizer que ela está cultivando?”

“Mas como, o falecido patriarca Zen constatou que, assim como a maioria de nós, ela não tem nenhum tipo de talento, ou até mesmo Prana suficiente para que possa cultivar.”

“Sim, o patriarca Zen nunca esteve errado em suas análises, é impossível que ele tenha se enganado quanto a Sagwa.”

Neste momento, várias pessoas começaram a falar como se não acreditassem no que estava acontecendo. Para eles era impossível que Sagwa, que quando nasceu não deu nenhuma indicação de que poderia refinar a energia celestial, de repente começasse a cultivar.

Larrel prontamente falou: “Vocês acabaram de presenciar um milagre e agora querem supor que milagres não existem? O que seria um milagre senão a realização de algo impossível?”

Todos ficaram quietos, ninguém ousou refutar o raciocínio de Larrel, afinal, se os céus estavam a favor de Sagwa e lhe concederam um milagre, o que o impedia de lhe conceder dois milagres?

Poucos minutos depois de Larrel dar sua resposta, o silêncio foi quebrado por uma poderosa ventania, as pétalas da cerejeira começaram a cair ao redor de Sagwa e as águas do rio começaram a se agitar, algo grandioso estava acontecendo.

Por Luis Gimenes | 29/12/17 às 23:34 | Ação, Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Sobrenatural, Wuxia, Xianxia, Xuanhuan, Protagonismo Feminino, Romance, Brasileira