CAPÍTULOS
OPÇÕES
Cor de Fundo
CONTROLE DE FONTE
HOME INDEX
Capítulo 112 - Runas

A Guerra dos Nove Mundos (GNM)

Capítulo 112 - Runas

Autor: Maurício Argôlo | Revisão: Bru | QC: SolidSnake

Há cinco dias Helga tinha partido na direção da Cidade da Boa Fortuna e desde então Sagwa tinha se trancado no seu quarto sem sair para fazer nada.

Na manhã do sexto dia ela finalmente abriu os olhos e em sua boca um leve sorriso se formou demonstrando um leve toque de felicidade.

Ela se levantou, se espreguiçou e momentos depois se levantou, a primeira coisa q ela fez foi andar até a janela do seu quarto e olhar na direção da cordilheira. Enquanto isso ela olhou para baixo e viu as pessoas de seu Clã trabalhando, todas dando duro para que conseguissem prosperarem. Por um momento ela se pegou olhando para a cerejeira próxima à sua casa, inconscientemente pensando em seu pai. Ela pouco se lembrava do rosto dele, mas ainda assim lembrava de tudo que ele lhe ensinou. Seus pensamentos passaram por seus irmãos que também tinham os rostos nebulosos em sua mente, mas o que a deixou perplexa foi que após isso a imagem do homem que quase a matou no Clã Noonan veio a tona em sua mente.

“Nós vamos nos encontrar novamente… E quando isso acontecer, nós teremos uma linda dança…” - Ela estava sorrindo, o sentimento de antes tinha desaparecido completamente, isso a deixou um pouco surpresa, mas lhe deixou muito mais feliz, ela queria experimentar o perigo de enfrentar alguém forte, queria por sua vida em jogo e queria vencer cada um deles. Nesse momento uma força de vontade sem limites começou a crescer dentro dela e o desejo de querer alcançar o ápice se elevou aos céus.

“Eu vou alcançar o topo, e para isso pisarei nos corpos mortos de todos que ousarem se por no meio do caminho…” - Neste ponto a Pérola Negra na testa de Sagwa reapareceu, porém algo estava diferente nela, no centro dela havia um ponto dourado, Sagwa não notou essa simples mudança, mas o sentimento de que algo imensurável e aterrorizante estava despertando se espalhou por distâncias imensas fazendo com que os cultivadores mais relevantes daquele mundo tivessem seus corpos tomados por um inexplicável tremor. Aquele sentimento durou apenas alguns segundos, mas foi o suficiente para fazer com que as Seitas mais poderosas entrassem em total estado de alerta contra qualquer perigo iminente.

Sagwa desceu as escadas de sua casa e foi direto para o banheiro, tomar um longo e demorado banho. Quando terminou, se vestiu com um vestido de uma de suas irmãs e saiu de casa.

Por onde passava Sagwa levava seu estonteante sorriso e a alegria de sua presença. De início as pessoas acharam esse comportamento estranho depois que viram a forma brutal na qual Sagwa era capaz de matar seus inimigos, mas depois de alguns minutos em sua presença, estavam todos rindo com ela.

Aquele sentimento de estar próxima às pessoas que ela amava era fenomenal. Brincar com as crianças e admirar a beleza que o campo de flores exibia era melhor ainda.

Sagwa passou aquele dia ajudando na vila, coisas que precisavam de vários homens para serem feitas, ela fez sozinha, o que adiantou bastante o trabalho.

No final daquele dia finalmente uma águia pôde ser vista voando de volta, em segundos ela alcançou o espaço aéreo da cordilheira dos antepassados e pousou próximo a vila.

Quando começaram a descer da águia, Sagwa já estava ali embaixo lhes esperando, a primeira a descer foi Helga, ela tinha Sheegwa nos braços que estava chorando querendo voltar a mamar. Logo depois foi as irmãs de Sagwa e finalmente Thousaka desceu. Ele sorriu quando olhou para Sagwa, rapidamente foi na direção dela e a saudou respeitosamente, juntando os punhos e se curvando de leve ao dizer: “Senhorita Sagwa, há quanto tempo.”.

“Senhor Thousaka, que alegria tê-lo na minha humilde casa, fico contente que o senhor tenha aceitado meu convite.” - Sagwa falou também juntando os punhos em respeito.

“Não seja modesta, o pedido da Senhorita Sagwa é algo de suma importância para mim, como eu poderia não atendê-lo?” - Thousaka falou. Helga estava ouvindo aquela conversa e ficou desconcertada com a forma respeitosa que Thousaka estava falando com Sagwa, ela mesma experimentou a posição e a riqueza daquele homem, era algo que ia além de sua compreensão, mas ainda assim, um homem em tal posição de poder ainda falava com sua filha escolhendo cuidadosamente as palavras que usaria.

“Não seja tão modesto, o senhor é um grande amigo, não precisa ser tão educado.” - Sagwa falou enquanto andou na direção da mãe ela, ela a beijou no rosto, pegou Sheegwa no colo e brincou um pouco com a pequena, depois se despediu delas e chamou Thousaka para caminhar com ela.

“O senhor conseguiu todos os itens da lista?” - Sagwa perguntou.

“Sim, deu um pouco de trabalho mas consegui todos. O mais complicado de achar foi o Sangue da Anaconda das Trevas, por ser um animal que tem a mesma força de um cultivador no ápice do sexto grau. Foi bem caro também.” - Thousaka falou.

“Entendo, eu espero que o valor que eu enviei por minha mãe tenha suprido todos o gastos.” - Sagwa falou.

“Na verdade eu não aceitei o dinheiro dela, eu mesmo fiz questão de comprar os itens.”

“Hô… por que o senhor fez isso? Eu insisto, me diga quanto foi que irei reembolsa-lo.”

“Senhorita Sagwa, não precisa, eu insisto. Quando a senhorita foi embora da minha casa na direção do Clã Noonan me deixou dois barris gigantescos contendo um tipo de comida que nunca imaginei ser possível existir. Usar um pouco dela nos pratos que vendemos fez o valor nutricional e o lucros aumentaram de forma inimaginável. Isso deu ao meu restaurante um novo tipo de prestígio e muitos nobres agora fazem fila para jantarem nele. Isso despertou até mesmo o interesse do meu pai. Mesmo comprar e conseguir estes itens para a Senhorita não é o suficiente para pagar o que fizestes por mim.” - Enquanto falava Thousaka tinha parado de caminhar e isso fez Sagwa parar e olhar nos olhos dele.

Ela sorriu de leve enquanto dizia “Sendo assim, eu aceitarei…” - Ela voltou a caminhar e Thousaka a seguiu. - “Mas além disso tem outro motivo que precisamos conversar… Tendo a posição do senhor, eu acredito que já saiba que a Seita Penas do Caos estará passando por momentos de terror. Na verdade já começou, em muitos Clã Mortais várias crianças desapareceram e estão sendo usadas para formar um tipo de exército das trevas. E é neste ponto que precisarei que o senhor use sua rede de influências e descubra o máximo de informações que conseguir a cerca dos nossos inimigos…”

“Pode deixar isso comigo, irei providenciar isso.” - Thousaka falou.

“Bem, tem outro favor que gostaria de lhe pedir. Preciso que o senhor encontre qualquer informação sobre mais anéis selados com selos idênticos àquele que eu comprei no leilão. Eu pagarei qualquer valor por eles.” - Sagwa parou de caminhar quando terminou de falar essa frase e olhou para o céu, aqueles anéis iriam lhe ajudar a fortalecer seu Clã e sua seita, e acima de tudo, lhe ajudaria a restabelecer a Seita de Ayduin.

Ela não tinha esperança de achar todos, mas sabia que a quantidade de anéis que ele trouxe a este mundo era incrivelmente grande. Achar todos sozinha lhe daria um grande trabalho, então, depois do Leilão ela teve a ideia de pagar para quem achasse ou tivesse informações sobre os anéis. Seria um tiro no escuro, mas a tentativa era válida.

“Esses anéis parecem ser bem importantes para a Senhorita…” - Thousaka queria perguntar se ela sabia como tirar os selos daqueles anéis, mas ficou calado, ele preferiu não ser tão indiscreto. Ainda assim, do jeito que as coisas estavam, ele já sabia a resposta para aquela pergunta. Sua única dúvida era como ela conseguia quebrar aqueles selos se mesmo os maiores anciões proficientes em selos antigos não conseguiam chegar nem perto de conseguir tal feito. Isso lhe deixava uma impressão ainda mais profunda de Sagwa. Quanto mais pensava nisso, mais ele desistia de tentar entende-lá.

A conversa não demorou muito, Thousaka decidiu caminhar um pouco pela vila de Sagwa, ele sentia que aquela era uma ótima oportunidade de se aproximar mais dela, - tê-la como amiga era algo de muita importância, ele sabia que seu futuro seria de muita glória e isso poderia mudar o panorama da briga interna dele com o irmão. Além do mais, depois de saber que Skar estava por perto, ele não queria perder a oportunidade de conhece-lo pessoalmente, mesmo com a ajuda da Sagwa isso era algo que nunca mais poderia acontecer.

Sagwa caminhou na direção da cerejeira e sentou-se embaixo de sua copa. Como ela ficava um pouco afastada da vila o silêncio imperava ali. Depois de um longo suspiro Sagwa colocou o anel que Thousaka lhe entregou e o vasculhou, depois de ordenar e ter certeza de que tudo que ela precisava estava ali, ela deu início aos preparativos.

Na verdade, Sagwa tinha todo o material necessário para fazer a matiz dentro do seu anel espacial, porém, ela só tinha quantidade para duas tentativas, se errasse, depois disso seria impossível fazer a matriz. Isso porque, em suma, a maioria dos itens poderiam ser encontradas neste mundo, mas um terço deles só poderiam ser encontrados no mundo principal -ou se ela desse a sorte de encontrar um anel que tivesse os itens. Mas ela não tinha tempo e nem queria arriscar.

O fato era que, ela nunca fez uma matriz, até agora ela só sabia a teoria, mas na prática tinha zero experiência. Para montar as matrizes o mestre de matriz tinha que usar seu prana para desenhar séries de runas antigas, cada runa tinha seu próprio papel e quando estavam ligadas e em sincronia elas davam nascimento a uma matriz. Agora Sagwa precisava ganhar experiência para fazer os símbolos das runas e depois desenhar esses símbolos nas pilastras divinas. Esse era o único item que ela tinha em abundância.

Foi então que ela teve a ideia de pedir ao Thousaka para conseguir alguns itens para ela, eram itens que poderiam ser substituídos funcionando como um tipo de gambiarra para darem origem as runas que ela precisava, mas fazer isso afetaria diretamente a qualidade da matriz, por isso ela preferia treinar com esses itens criando runas que não utilizaria depois, e usaria os itens originais para fazer a matriz.

“Musgo Cannabis de 100 anos.”

“Pó de calcário divino”

“Sangue de besta demoníaca do sexto grau…”

Depois de por todos os itens necessários para a primeira tentativa Sagwa respirou fundo e começou a fazer as misturas como descritas na gravação. Esta era uma das partes mais importantes da criação de runas para matrizes, era necessário o máximo de concentração e qualquer errinho durante o refinamento dos itens, poderia causar um desastre sem tamanho.

Para Sagwa esta parte foi fácil, com a ajuda da pérola em sua testa ela conseguia fazer as misturas e o refinamento com 100% de perícia e não errou em nada. Em alguns minutos tudo estava pronto, ela passou o dedo indicador no produto da mistura e depois começou a desenhar em pleno ar a primeira runa mágica de dezenas de centenas.

Esta era a runa mais simples que compunha aquela matriz, ela era composta de 250 pontos que precisavam ser ligados com total cuidado. O prana de Sagwa começou a circular por seu corpo e a convergir na ponta de seu dedo indicador, que também estava coberto com a mistura que ela tinha feito. Segundos depois traçou em pleno ar uma linha tinha o tom verde esmeralda e brilhava de leve. Era possível sentir o prana passar por ela, o coração de Sagwa palpitou de alegria quando ela viu isso.

Mas por este fato ela se descuidou e acabou liberando mais prana do que devia o que desestabilizou a linha da runa e a fez sumir.

Sagwa respirou fundo e tentou novamente, mas desta vez ela usou menos prana do que deveria. Cada runa, cada segmento, cada linha da runa tinha uma quantidade exata de prana para ser desenhada. No final de cada ligação entre as linhas a runa era formada, Sagwa percebeu agora que aquilo seria muito mais complicado do que imaginou, mas ela não desistiria tão facilmente.

O tempo passou e no que pareceu um piscar de olhos, a lua já estava alta no céu e Sagwa ainda não conseguira terminar a primeira runa, se fosse um cultivador ordinário, seu prana já teria se esgotado há muito tempo. Mas Sagwa ainda tinha muito prana para gastar, aquilo por si só já era um fato capaz de despertar a inveja de muitas pessoas.

A noite passou e o amanhecer veio, Sagwa estava começando a ficar exausta. Ela já tinha perdido as contas de quantas falhas tivera, mas desta vez tinha esperanças que iria conseguir, faltava apenas quatro linhas específicas.

Alguns minutos depois um sorriso apareceu em seu rosto: ela finalmente tinha terminado sua primeira runa.

Por ScryzZ | 26/02/18 às 15:15 | Ação, Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Sobrenatural, Wuxia, Xianxia, Xuanhuan, Protagonismo Feminino, Romance, Brasileira