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Capítulo 121 - Esperança e Desespero (Parte 2)

A Guerra dos Nove Mundos (GNM)

Capítulo 121 - Esperança e Desespero (Parte 2)

Autor: Maurício Argôlo | Revisão: SolidSnake | QC: Bru

Alguns minutos antes:

A lua pendia alta e magnânima no céu, porém, sua coloração não era branca, como comumente era vista. Hoje uma fraca cor avermelhada a tomou, denunciando a noite de sangue que seria marcada por sua presença.

Nesse momento três raios de luz puderam ser vistos voando em velocidade total na direção do horizonte, aquela era uma habilidade inerente aos cultivadores que já tinham passado do primeiro reino do cultivo e já tinham alcançado, no mínimo, o segundo reino.

“Ainda falta muito?” – Sagwa perguntou já ansiosa para chegar na cidadela. Ela estava preocupada com todos que ela conhecia, principalmente com Sukh e Yullan, que estavam sozinhos. E já era provável que as forças inimigas possuíam um cultivador tão forte quanto o Mestre Skar.

“Tenha calma, vamos chegar a tempo. Em alguns minutos estaremos na cidadela. Escutem, quando chegarmos vocês vão dar reforço a Sukh e ao Yullan.” – Skar falou com uma voz de cansaço, ainda não acreditava que aquilo tudo estava acontecendo. Ele poderia estar dormindo uma hora dessas, mas agora estava tendo que gastar uma infinidade de prana para voar uma distância gigantesca.

“Hã... E o senhor? O senhor não irá lutar?” – Yumi perguntou.

“Irei lutar somente se necessário, além do mais eu tenho que encontrar a minha águia imperial primeiro. ” – Skar falou ainda soando um pouco sonolento.

“Hô a águia? Mas ela é tão importante assim? ” – Sagwa perguntou ainda tentando compreender a coerência das palavras de Skar.

“A Águia imperial é uma besta demoníaca que possui um intenso sistema de comunicação entre outras águias imperiais. Quando estão em uma situação de perigo, elas enviam um tipo de sinal que somente outras águias imperiais podem receber. Depois de alguns anos de pesquisa conseguimos fazer com que as águias imperiais da nossa seita tivessem comunicação umas com as outras. Como somente as pessoas com os maiores cargos da seita conseguiam controlar uma águia isso se tornou uma ferramenta essencial porque assim, se algum dos nossos anciões fosse atacado, uma mensagem seria passada para as outras águias que iriam agir de uma forma que alertaria a todos os outros anciões e o patriarca. Sendo assim eu irei usar a minha águia imperial para  chamar todas as águias imperiais da Seita, assim conseguiremos alertar as outras cidadelas e a seita interna que algo está errado. Isso é, se eles também não foram atacados.” – Skar falou enquanto tirava o fiapo de trigo da boca, esta foi a primeira vez que ele demonstrou completa preocupação com os atuais acontecimentos.

“Eu entendo...” - Sagwa respondeu, ela queria fazer mais perguntas, mas assim que olhou para o rosto de Skar ela conseguiu, pela primeira vez desde que se conheceram, ver seus olhos completamente abertos. E quando olhou dentro deles, ela sentiu algo estranho, um tipo de ímpeto que estava secretamente escondido - ou melhor, ele parecia estar selado como se isso fosse um tipo de precaução contra uma calamidade de proporções incalculáveis - e por conta disto ela ficou quieta; porém, logo depois os olhos de Skar voltaram ao normal, era como se o olhar demoníaco que ele estava escondendo nunca tivesse existido.

Sagwa começou a abrir a boca para tentar sondar um pouco Skar, mas nos próximos segundos seus olhos finalmente foram saudados pela visão da cidadela do Oeste, porém, a visão que ela teve a deixou completamente desconcertada.

Da primeira vez que tinha visitado a Cidadela do Oeste foi como estivesse tendo o mais lindo e maravilhosos dos sonhos porém, agora a sensação era o completo oposto, ela se sentia como vendo o portão do inferno e vivendo o seu pior pesadelo.

Fogo, casas queimadas, árvores dizimadas e um oceano de entulho puderam ser vistos por todos os lados. Assim que viu aquilo o coração de Sagwa se encheu de revolta e ódio. Ela não perdoaria quem fez aquilo, aquele era seu segundo lar e ela faria com que cada um dos responsáveis lavassem seus pecados com o próprio sangue.

Yumi também estava pasma e apesar de Sukh ter avisado que seu avô estava bem, ela ainda mantinha uma enorme preocupação com ele, ela não pode deixar de se preocupar, e esse sentimento só iria passar quando ela o visse.

“Eu deixo vocês aqui. Irei até a águia imperial e voltarei em alguns instantes.” – Skar falou se apressando na direção onde Sukh indicou ter deixado sua águia imperial.

Sagwa e Yumi não perderam tempo, elas entraram na cidadela, porém, diferente do que elas imaginaram, não encontraram nenhum inimigo. Estava tudo deserto, a não ser por alguns moribundos e discípulos tão feridos que já estavam vendo as garras da morte.

Nesse momento Sagwa buscou com seu sentido divino os itens presentes no seu anel espacial, pegou algumas pílulas e também um cristal de Safira. Ela se abaixou e deu algumas pílulas aos discípulos que precisavam enquanto enviava uma mensagem para Sukh - ‘Chegamos, onde vocês estão?’.

‘Distrito Norte, rápido...’ – Sukh respondeu às pressas.

“Yumi vamos. Vocês se escondam e aguardem o nosso retorno. ” – Sagwa se lançou na direção da casa da Loue em velocidade máxima, seu coração palpitava tão rápido que ele estava quase saindo por seu peito.

Demorou poucos minutos para Sagwa percorrer toda a distância. Quando chegaram próximas a área que Sukh indicou elas puderam ver a uma certa distância, um exército gigantesco de pessoas vestidas de negro. Yumi engoliu seco e virou para Sagwa para tentar falar algo mas, no mesmo instante ela viu uma expressão sinistra no rosto da amiga, Poseidon já estava nas mãos de Sagwa e vibrava com sede de sangue.

Assim que viu o exército, alguns flashbacks começaram a aparecer na mente de Sagwa: ela viu Shiva enfrentando um exército mais de dez vezes maior que este, ela viu Poseidon vibrava com toda a sua glória enquanto liberava seu poder máximo em forma de castigo contra aqueles que ousaram ir contra Shiva.

Cenas do massacre vibraram em sua mente e conforme iam aparecendo, o rosto de Sagwa ficava ainda mais sinistro, era como se o próprio Shiva estivesse tentando alertá-la que aquela seria a primeira das muitas guerras que ela teria que enfrentar, e que esta, seria a de menor escala que ela encontraria.

A pérola reapareceu em sua testa e seu Prana começou a exalar por todo seu corpo. Um sentimento de puro desejo de matar começou a emanar do corpo de Sagwa, o ódio em seu coração chegou a taxas alarmantes, ela tomou a decisão de matar todos que ousaram destruir a cidadela. Não importava o número, ela mataria a todos.

“Yumi, vá até o Yullan e a Sukh... Avise-os que o mestre está chegando, depois disso avancem com todos que conseguirem lutar e se encontrem comigo.” – Sagwa falou encarando o exército em sua frente.

“M-mas Sagwa, atacar aquele número de inimigos sozinha é suicídio. ” – Yumi falou.

“Não se preocupe, eu só irei na frente, vocês devem se juntar a mim o mais rápido que conseguirem. Além disso, quero me divertir o máximo que puder antes que o mestre chegue aqui.” – Sagwa falou com um sorriso no rosto - “Esta luta é algo que não podemos ignorar. Se tentarmos fugir, eles nos caçarão e nos matarão. Precisaremos lidar com o problema aqui, encarar eles e mostrar que eles cometeram o pior erro de suas vidas ao nos atacar. Agora vá, se demorarmos mais, vamos todos morrer aqui...” Sagwa falou já se lançando na direção do exército.

Yumi também não perdeu tempo, já que ela ia se separar de Sagwa, ela lhe daria todo o apoio que conseguisse. Ela imediatamente ativou sua técnica Nevasca e subitamente a temperatura do ambiente começou a cair. Flocos de neve começaram a aparecer um a um, cada vez mais espessos e bem desenhados. A técnica não foi o suficiente para atingir todo o exército mas foi o suficiente para atingir o grupo que Sagwa decidiu atacar e um pouco mais.

*Wihhhhhhhhhh* Poseidon avançou na direção de dois inimigos e instantaneamente suas cabeças foram separadas de seus corpos.

Aqueles eram todos inimigos abaixo do terceiro grau da purificação da matéria, seriam todos mortos facilmente por Sagwa e este também foi um dos motivos na qual a fez a avançar na frente. Os inimigos mais fortes estavam mais recuados e, assim como em um jogo de xadrez, se ela deixasse os peões se aproximarem muito poderia significar uma derrota rápida.

O tridente de Sagwa dançava pelo ar enquanto um sentimento de prazer tomava seu corpo. Quando os inimigos tiveram reação para começar o contra ataque, dezenas deles já tinham perecido pelas mãos de Sagwa, um sorriso demoníaco apareceu no rosto dela enquanto ela se deleitava com o sentimento de estar cumprindo sua vingança.

*Zhonnnnnnnn* Uma garra fantasma foi na direção dela e nesse exato momento a estranha aura azul apareceu em seu corpo. Sagwa continuou em frente e segundos depois a Garra fantasma colidiu contra seu tórax enquanto ao mesmo tempo, seu tridente perfurava a barriga do inimigo e assim seu tridente atravessou complementou. Sagwa tocou o local no impacto da garra mas nãos sentiu nada, apenas uma vermelhidão, porém nenhum arranhão pôde ser visto.

Fazia algum tempo que ela tinha sentido que seu corpo ainda estava experimentando mudanças estranhas, e que esta estranha aura ainda continuava a protegê-la. Ela também formulou a hipótese de que ela estava ficando mais forte conforme ela ia progredindo no cultivo. Essa foi a primeira vez que ela conseguiu testar sua hipótese. O inimigo que a tinha atacado estava no nível avançado do segundo Grau e não conseguiu feri-la direito, mesmo acertando um golpe diretamente nela.

Sagwa não tinha muito tempo para ficar pensando sobre isso agora, rapidamente uma chama carmesim vibrante começou a dançar por toda a extensão de Poseidon. As chamas pareciam estar vivas e queimavam tão intensamente que o ar ao redor estava um tanto distorcido.

Sagwa olhou para o lado e ao avistar mais um inimigo, cortou com seu tridente na horizontal e instantaneamente dividiu mais um inimigo ao meio, desta vez era um cultivador do nível inicial do segundo grau; contudo, o mais apavorante aconteceu segundos depois, em cada uma das metades do corpo, uma área vermelha de aproximadamente dez centímetros apareceu, logo em seguida bolhas começaram a aparecer e estourar, mais alguns segundos depois, como um efeito em cadeia mais bolhas começaram a aparecer no corpo morto e pequenas explosões puderam ser ouvidas.

Aquele era o efeito de tal poder usado contra alguém tão inferior: as chamas de Sagwa penetraram o corpo do inimigo e percorreram cada veia espiritual, dilacerando todo e qualquer meridiano e veias espirituais que tinha pela frente. Quando viram aquilo os inimigos se afastaram um pouco e abriram uma roda ao redor de Sagwa.

Era a primeira vez de Sagwa enfrentando um número tão maciço em uma luta de vida ou morte. Este primeiro batalhão tinha cerca de quinhentos inimigos, mas ela estava lidando com eles como se fossem nada. Mesmo ela estava surpresa com aquele rendimento, era como se sempre estivesse preparada para este momento. Foi então que ela lembrou dos incontáveis dias treinando na matriz de simulação, a quantidade infernal de bestas demoníacas que teve que matar, rodada após rodada. Inicialmente ela tinha achado que Skar só a tinha feito treinar naquelas matrizes para solidificar o cultivo, foi somente em uma luta desta proporção que finalmente entendeu o verdadeiro significado de todo aquele treinamento.

Ela sorriu de leve enquanto encarava os inimigos. Não demorou muito para o cerco começar a se fechar e os inimigos atacarem ao mesmo tempo, o sorriso dela ficou ainda maior enquanto um raio serpenteava todo seu corpo. Instantaneamente um punho de raio apareceu entre as nuvens.

‘Sejam deuses, demônios, iluminados ou gênios abençoados pelos céus, qualquer um que ousar machucar aqueles que eu amo, sofrerá um destino pior que a morte…’ Ela pensou consigo enquanto lançava o gigantesco punho feito da fusão do raio e do fogo na direção dos inimigos.

“Punho do Deus do Trovão Infernal” - Ela gritou enquanto o punho ia na direção dos inimigos que ousaram atacar sua tão preciosa Cidadela do Oeste.

Por ScryzZ | 12/03/18 às 20:33 | Ação, Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Sobrenatural, Wuxia, Xianxia, Romance, Brasileira, Protagonismo Feminino