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Capítulo 166 - Por favor… me matem!

A Guerra dos Nove Mundos (GNM)

Capítulo 166 - Por favor… me matem!

Autor: Maurício Argôlo | Revisão: SolidSnake, Atrocittus

Há mais ou menos dois anos atrás:

Era um noite escura, a lua quase não aparecia no céu, as estrelas então… Não havia nenhum sinal delas, era como se elas nunca tivessem existido. Sinais de destruição e crateras gigantes denunciava que uma sangrenta batalha eclodiu naquele mesmo lugar e, se olhassem com atenção, veriam os brasões da Seita a Seita Penas do Caos e da Seita Rio de Sangue espalhados por todos os lados.

Uma tempestade inundava o solo daquele local tentando limpar a terra do banho de sangue que a pouco tempo fora submetida. Uma infinidade de corpos e moribundos jaziam caídos no chão, alguns deles completamente irreconhecíveis e outros sem muitas partes do corpo.

A grande maioria eram corpos sem alma, corpos mortos que já não tinham mais utilidade para ninguém. Porém, uma quantidade pequena deles ainda não tinha atravessado o limiar da morte e tentavam se manter vivos contando com a esperança de serem salvos.

A primeira vez que Dongwa abriu os olhos, ele se deparou com a visão diabólica e horrenda de  uma cabeça que olhava para ele com os olhos arregalados e demonstrando puro medo, a língua do indivíduo também estava pra fora, como se ele estivesse gritando sem parar no momento de sua morte. Outro traço marcante era a quantidade de sangue que ainda saia por sua boca, nariz, olhos e até mesmo pelos ouvidos.

Naquele momento ele tentou gritar de medo e horror, mas descobriu que não tinha forças nem para abrir a boca e nem movimentar as cordas vocais em sua garganta. No mesmo instante, uma dor estonteante percorreu todo seu corpo e somente então ele se deu conta de que estava gravemente ferido e que cada vez mais sangue fluia para fora de seu corpo e mais a dor aumentava.

Ele não sabia especificamente como foi atingido, nem o que tinha acontecido mas nem sequer  conseguia mudar a posição de seu corpo. A única coisa que conseguia ver era a mesma cabeça que insistia em olhar para ele como se estivesse passando pelos sete níveis do inferno.

O tempo passou e conforme isso acontecia, e por conta da perda de sangue, mais a visão dele ficava turva e a única coisa que ainda o mantinha consciente era a esperança de ele conseguir juntar forças o suficiente para gritar por ajuda.

‘E-eu ainda não posso morrer… Minhas irmãs, minha mãe… se os outros morreram, só restou a mim. Eu Não Posso Morrer… Eu Não Posso Morrer… Eu Não Posso Morrer…’

Mesmo diante da morte Dongwa não ousava se render. Em um dado momento, em um de seus ouvidos, alguém parecia sussurrar lhe dizendo que toda aquela dor iria cessar e que ele poderia dormir deixando para trás todas as mazelas e problemas que teria que enfrentar algum dia. Que ele iria para um lugar onde não existia pecado, nem morte, nem dor, nem medo nem angústia, nem qualquer po de sentimento ruim. Mas no outro ouvido alguém parecida sussurrar-lhe lembrando tudo e todos que ele amava e a cada palavra uma imagem de alguém importante para ele surgia em sua mente.

Inicialmente ele estava consciente de que deveria ouvir a segunda voz, mas a cada hora que se passava ficava cada vez mais difícil para ele ignorar a primeira voz, somente a promessa de fazer toda a dor passar já era suficiente para fazer os olhos dele brilharem.

O tempo passou e o momento de ruptura de sua mente finalmente chegou. Dongwa já não aguentava mais, a única coisa que ele pensava no momento era em fazer a dor passar, sua visão já estava completamente escura e as únicas coisas que ele conseguia ver eram pequenos vultos. Finalmente não supotou mais e se entregou totalmente, ele apagou.

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Não se sabe exatamente quanto tempo tinha passado desde o momento que Dongwa desmaiou e nem se ele sentiu ou viu quando uma pessoa se aproximou dele.

“Achei mais um…” - Uma voz demoníaca ecoou quando um homem gritou para algumas pessoas que estavam a alguns metros de distância dele.

“É nosso dia de sorte, o chefe vai ficar feliz com a quantidade de moribundos mortais que encontramos por aqui.” - Um segundo homem falou.

“Eu não entendo, porque não atacamos logos as vilas, lá temos muito mais chances de encontrar mortais de boa qualidade.” - Uma mulher falou.

“Você é retardada? Acha que a seita não notaria isso? Ainda somos pequenos demais, se nos descobrirem agora é bem capaz que não consigamos lidar com as forças que a Seita mande, sem falar que o Mestre ainda não tem força suficiente para peitar o Patriarca, muito menos o Skar.” - Outra voz soou enquanto carregavam o corpo quase sem vida de Dongwa.

“Você acha que esse aqui vai conseguir aguentar os Escaravelhos?” - Outro garoto falou.

“Eu não sei, mas, pelo bem dele, eu espero que sim…” - A outra mulher falou.

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Quando Dongwa abriu os olhos novamente ele acreditou que já estava morto, porém, diferente do que ele imaginava que iria acontecer quando chegasse no pós vida, seu corpo ainda parecia pesado, a dor não tinha cessado, pelo contrário, tinha aumentado, e sua visão ainda não tinha normalizado.

Ele tentou entender o que estava acontecendo, porém só viu vultos, nenhuma imagem conseguia se formar completamente diante de seus olhos. Nesse momento, pela primeira vez, ele ouviu alguém falar, tentou mover a cabeça para ver quem estava falando, mas novamente a única coisa que conseguia discernir eram vultos rápidos e desconexos. O sentimento do desconhecido e de tentar falar, querendo saber onde estava, lhe deixou angustiado. Ele até tentou se debater, mas descobriu que ainda estava sem forças para mover qualquer músculo do corpo - e, o pior, mesmo que tentasse começou a sentir certas tiras que cobriam todo seu corpo lhe impedindo de se movimentar.

Nesse momento percebeu que estava completamente coberto por um tipo de atadura usada para mumificar os mortos antes de enterrá-los. Desespero começou a tomar conta de seu coração enquanto ele tentava se mover de todas as formas.

‘Será que elas acham que eu estou morto? Eles vão me enterrar vivo? Ei, ôiiii, eu estou vivo, eu estou vivo…’ - Dongwa pensou consigo mesmo desejando poder chorar, seu coração estava desolado, a esperança e o agradecimento de ter sido achado e salvo foi tomado pelo sentimento de medo e angústia.

Foi nesse momento que ele finalmente conseguiu discernir algumas frases faladas por aqueles homens.

“Está é a nova leva de~...?” - Um homem falou.

“Sim… Nossos bated~ acharam eles qua~ mortos~...” - Outro homem falou.

“Hahahaha… Que sorte a deles, ou nem tanto!” - o primeiro homem falou.

“Es~ … … então pode jogá-los como alimento para os escaravelhos.”

“Hô… Vão alimentar os escaravelhos com uma carne tão podre?”

“Ao menos, no fim da vida deles, eles vão conseguir servir para algo…”

As únicas frases que Dongwa conseguiu ouvir completamente, mas, juntando tudo que ele tinha compreendido, um sentimento de pura amargura e medo tomou conta de todo seu ser. No mesmo instante ele sentiu duas mãos lhe segurando e o jogando dentro de alguma coisa. Momentos depois sentiu um corpo ser jogado em cima dele, e conforme os momentos se passavam sentia o corpo de cima ficar mais pesado, logo ele teorizou que eles estavam sendo empilhados em algum lugar.

Não demorou muito para sentir que estavam em movimento, mas não era ninguém lhe carregando, ele tinha quase certeza que era algum tipo de carroça. Ele não conseguiu dizer exatamente quanto tempo tinha passado desde o momento em que ele fora empilhado junto com os outros corpos, na verdade, ele estava lutando contra a dor que sentia para não desmaiar novamente.

Finalmente a suposta carroça parou. Tudo ficou quieto por um momento, nos minutos seguintes ele sentiu que alguém estava levantando um dos lados da carroça, depois disso sentiu o peso sobre seu corpo diminuir até que finalmente ele sentiu seu corpo escorregar e depois cair em algum lugar que não parecia ter mais fim.

Dongwa não conseguiu contar por quanto tempo continuou caindo, mas a sensação foi que tinha passado basicamente algumas horas até finalmente ele colidir com o chão, ou melhor, com uma montanha de corpos.

Se passaram alguns segundos até ele conseguir controlar a dor gerada pelo impacto, mas não pôde deixar de agradecer por colidir com algo tão macio. Foi então que ele se deu conta de que eram os corpos que foram jogados antes dele.

Quando a ficha dele caiu, lembrou de que ele também não era o último corpo do carroça e a aflição pela possibilidade de ser atingido por outro corpo começou a gerar mais medo dentro de si. Outro corpo caiu em cima dele, depois outro, e mais outro e mais outro.

Logo uma pilha de corpos se acumulou em cima dele. Ele tentou cuspir sangue pela boca, mas as ataduras também a cobriam, então ele rapidamente engoliu o próprio sangue para não morrer asfixiado.

Felizmente o corpo que estava em cima dele caiu em uma posição em que lhe permitiu respirar normalmente, mas a dor só fazia aumentar. A essas alturas ele desejava não ter engolido o sangue somente para conseguir morrer de uma vez.

‘Me matem… por favor… me matem!’ - Era a única coisa que Dongwa conseguia pensar, esses pensamentos também eram as únicas coisas que ainda lhe fazia ter certeza que ele ainda estava vivo.

‘Me matem… por favor… me matem!’

‘Por favor… me matem!’

‘Por favor… por favor… por favor!’

‘Me matem… me matem... por favor…!’

O sentimento de desejo pela morte só aumentou. Dongwa já estava a ponto de perder a lucidez. Nesse momento, para ele, qualquer coisa era melhor que continuar sentindo dor, mesmo que significasse nunca mais reencarnar pelo ciclo do Samsara - se ele tivesse o mínimo de forças suficiente, ele se suicidaria.

Enquanto estava perdido no ciclo sem fim de pensamentos desejando sua morte, um som estranho quebrou o silêncio do local. Um som de um tipo de coisa que Dongwa não fazia ideia do que era, porém, o segundo som que conseguiu ouvir ele sabia bem do que significava.

“Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh…” - Um grito de dor ecoou pelo buraco escuro, segundos depois mais um, e depois outro e outro e outro.  Demorou menos de três minutos para o buraco estar completamente lotado de sons de gritos de dor e angústia.



Como um velho ditado diz: Antes tarde do que nunca, né? hsauhsuasa

Agradecimentos especiais a David Almeida Silva por patrocinar esse capítulo!

PS: Temos R$ 10,00 de doação, com mais vinte fechamos mais um capítulo patrocinado.

PS 2: Paguei 2 Capítulo o qual estava devendo, incluindo o patrocinado, então ainda devo cinco (2/7)!

PS 3: Para a semana provavelmente estarei lançando a imagem oficial do Skar * - * E já iniciaremos a nova * - * Farei uma votação para que vocês participem, democraticamente, da escolha do novo personagem a ter uma imagem oficial \o/

Por ScryzZ | 01/05/18 às 01:51 | Ação, Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Sobrenatural, Wuxia, Xianxia, Xuanhuan, Protagonismo Feminino, Romance, Brasileira