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Capítulo 185 - Maquiavélica, Fria e Calculista

A Guerra dos Nove Mundos (GNM)

Capítulo 185 - Maquiavélica, Fria e Calculista

Autor: Maurício Argôlo | Revisão: SolidSnake | QC: Bru, Atrocittus

“Eu não sei do que isso se trata, mas é bom tomarmos cuidado. Esse negócio fez o corpo de Eckbert, que era um cultivador do quarto grau, morrer de forma horrenda.” - O Patriarca falou enquanto agitava as mãos e criava uma pequena gaiola elétrica com o intuito de ninguém se aproximasse do corpo derretido.

“Reportando ao Senhor Patriarca.” - Um discípulo desconhecido deu um passo à frente e se curvou levemente. “Encontramos diversas gororobas de carne e sangue como essas espalhadas pela mansão.”- O discípulo falou um pouco incerto sobre a melhor maneira de explicar, por não saber como denominar aquela coisa. No final, decidiu por “gororoba” mesmo, era o que realmente parecia...

“Vocês entraram em contato com elas?” - O Patriarca perguntou.

“Sim Senhor Patriarca. Alguns discípulos tocaram para tentar identificar o que é.” - O discípulo falou.

“E o que aconteceu?” - O Patriarca falou.

“Nada Senhor Patriarca. Este discípulo foi um dos que tocou nessas coisas e não senti nada.”

“Entendo…” - O Patriarca penteava a barba com os dedos enquanto pensava nas possibilidades.

“S-Senhor Patriarca, esta discípula tem algo a dizer.” - Susan falou fracamente do colo de David.

“Susan… pode falar.” - O Patriarca falou.

“Esta discípula tem uma ideia do que possa ser isso. Eu fui torturada e quase morta pelo Eckbert a pedido do meu próprio pai. Ele é um dos traidores que planejam o fim da Seita.” - Susan deu uma leve pausa para que todos ao redor pudessem digerir o que ela tinha acabado de falar. Inicialmente ela tinha planejado falar com o patriarca a sós, mas revelar este segredo na frente de tantos poderia fundamentar melhor sua mentira. Na verdade, a traição de seu pai não era bem uma mentira, e por ser verdade, iria lhe dar um grande ás na manga. Claro, este plano tinha um grande risco de ela ser pega, mas devido sua recompensa final, e todos os riscos considerados, era algo que valia a pena.

Durante este meio tempo, como se parecesse desinteressado na conversa, Yullan fechou os olhos lentamente como se tivesse sido apanhado pela síndrome de Skar e sentisse um intenso desejo de dormir.

“Yullan, você está bem?” - Aysha perguntou preocupada.

“Sim, sim... estou perfeitamente bem…” - Yullan falou, mas continuou com os olhos fechados tentando ignorar tudo que acontecia ao seu redor.

Naquele instante Susan voltou a falar. “Eu descobri os planos deles durante uma reunião secreta a qual eu ouvi sem querer. Meu pai é uma das principais pessoas que está a mando da pessoa a quem eles chamam de mestre. Eu não sei a identidade dele nem seu nível de poder, mas sei que ele é muito forte. Em suma, eu não consegui ouvir muito da conversa porque fui descoberta, mas, pelo pouco que eu ouvi, e vendo esta cena acontecer na minha frente, creio que este seja um sistema de autodefesa. Para ser mais especifica, um tipo de selo da alma que funciona como garantia de que os segredos do mestre deles não sejam revelados. Se for assim, sempre que alguém que esteja prestes a revelar algo de importância para os planos do mestre, o selo é ativado e a pessoa morreria horrivelmente.” - Susan falou.

“Susan… Você tem noção do quão graves estas acusações são?” - O Patriarca falou seriamente.

“Sim senhor Patriarca. Eu tenho plena convicção no que digo. Mesmo sendo meu pai, meu compromisso maior é com a Seita! Não posso permitir que ele faça parte de um plano deste grau e saia impune. Eu só peço ao patriarca que não faça uma Verificação da Alma nele porque não desejo que ele tenha sua sanidade comprometida. Mas, irei concordar com qualquer pena severa que o senhor lhe conceder.” - Susan falou ainda com a voz um pouco fraca - “Além do mais, se o senhor for muito longe não conseguirá obter as informações dele, já que ele  teoricamente, se transformaria em uma poça de carne e sangue.”

Assim que Susan terminou de falar, Yullan voltou a abrir seus olhos, mas eles estavam quase fechados como se ele estivessem cansados e fazendo descaso com toda aquela situação.

O patriarca coçou a barba por alguns minutos antes de finalmente voltar a falar - “Discutiremos isso outra hora, no momento temos que lidar com as forças inimigas que estão chegando. David entregue Susan a uma discípula de sua confiança e em seguida ajude nos preparativos para a batalha que iremos enfrentar.” - O patriarca falou olhando para David de um jeito peculiar, mas aquela reação durou apenas alguns milésimos de segundo. Se alguém não tivesse prestando extrema atenção e sabendo o que queria ver, seria impossível notar alguma diferença.

Para o patriarca, toda aquela história parecia estar mal contada, ainda mais diante da reação descabida de Eckbert quando a viu. Aquela não era a reação padrão de alguém que torturou uma pessoa durante horas e até mesmo dias.

“Sim Senhor Patriarca…” - David falou entendendo claramente o que seu avô queria dizer com aquele olhar. Ele imediatamente se virou e escolheu a dedo o discípulo a quem ele entregou Susan para ser tratada. Em seguida voltou para falar com Sagwa. Enquanto isso o patriarca e os dois anciãos que estavam com ele saíram para averiguar o território e se prepararem para a batalha.

“Sagwa, pessoal, preciso ajudar meu avô… Mas retorno para o lado de vocês quando a batalha for se iniciar.” - David falou enquanto juntava os punhos.

“Vamos fazer nossos preparativos também.” - Sagwa falou.

“Uhuuumm, me sinto mais tranquilo com vocês aqui. Eu testemunhei o seu poder, são poucos os discípulos da Seita Interna que lutam tão bem quanto vocês.” - David falou juntando os punhos enquanto agradecia.

“Não seja modesto David. Você é tão forte quanto a gente.” - Yullan falou sorrindo de leve enquanto voltava a seu estado natural.

“Naquele momento Aysha deu um tapa na cabeça de Yullan e o repreendeu: “E agora? Quem é que não está sendo modesto?”

“Hahaha, está tudo bem... De qualquer forma, obrigado. Agora devo me apressar.” - David falou e em seguida se dirigiu para fora do salão.

Assim que David se afastou, Sagwa perguntou - “Yullan, o que você acha?”

“A senhorita se refere a história da Susan?” - ele perguntou.

“Sim, você fechou os olhos e forçou sua visão fazendo seus sentidos se elevarem para avaliar algo referente a isso não? Para mim tem algo estranho nisso tudo. Há alguns meses a Sukh fez algo parecido com o homem que capturamos enquanto íamos na direção do Clã Noonan não foi? Porque ele não virou nada parecido com aquilo? Ainda tem o fato de a Susan ter feito diversas feições que não me pareceram ser de alguém inocente. Algumas pareciam ser bem forçadas. E no final, quando ela viu a degradação do corpo de Eckbert, o sorriso dela foi muito estranho… Apesar de ter parecido que foi devido a realização de uma vingança pelo o que sofreu, ainda tinha algo muito estranho. Era quase como se aquilo fosse algo que ela estivesse esperando acontecer.” - Sagwa falou olhando para a gororoba de carne e sangue.

“Hô... então foi por isso que Yullan estava estranho?” - Thousaka falou impressionado. De acordo com o que Sagwa tinha acabado de falar, para Yullan conseguir investigar aquela situação somente com seus sentidos, isso significava que a percepção dele tinha chegado a um nível totalmente desconhecido. Para um cultivador que ainda não tinha alcançado o terceiro grau conseguir desenvolver aquele tipo de proeza, que tipo monstro ele seria quando passasse pelo sexto grau?

“Não necessariamente.” - Yullan sorriu levemente enquanto falava, ele realmente esperava fazer uma surpresa a Sagwa, mas ela notou tudo que ele tinha feito - “Ela falou que o selo se quebrava se informações de importância ao mestre deles estivessem prestes a serem reveladas. O homem que capturamos não tinha nenhuma informação relevante. Depois dele não capturamos mais nenhum outro pois sabiamos que não teriamos informações importantes com meros peões, por isso nós matamos todos que se meteram em nosso caminho.

O único jeito de comprovar essa teoria seria testando, mas este teste teria que ser feito com alguém tenha informações relevantes, ou seja, uma pessoa de relativa importância para o inimigo. Contudo eu não creio que o patriarca vá tentar fazer algo tipo uma Verificação da Alma com a possibilidade de a pessoa morrer antes de ele conseguir algo, isso geraria mais perdas que ganhos.

Todavia, desde que a Susan insistiu para vir com o David, estive observando o semblante triste dela. Eu queria entender porque em alguns momentos ela parecia feliz e em outros parecia triste. Inicialmente eu imaginei que fosse por conta da mistura de emoções da tortura e do resgate pelas mãos do David, mas quando entramos no salão e ela viu o Eckbert, as feições dela mudavam constantemente. E como a senhorita mesma constatou, algumas eram claramente forçadas.

Outro ponto importante a ser observado foi a forma que o Eckbert reagiu ao vê-la. E mais importante ainda foi a rápida mudança no semblante e no olhar do patriarca enquanto ele passava suas ordens ao David.”

“Você conseguiu perceber isso?” - Jaha perguntou ao lado, surpreso. Mesmo ele no quarto grau não tinha notado nada de diferente no olhar do patriarca.

“Sim… apesar de ter sido muito rápido, aquele foi um olhar muito diferente dos quais o patriarca geralmente exibe. Era importante demais para ele passar batido por mim. Porém o fator crucial é que, enquanto a Susan dava o depoimento dela, eu tentei minimizar o máximo que podia todos os meus sentidos, deixando somente minha audição livre e foquei totalmente na Susan. Posso dizer que as batidas do coração dela aumentaram durante todo o tempo que ela narrou o ocorrido. O ponto estranho é que em alguns momentos, mais especificamente quando ela narrou a relação do pai dela com os inimigos, o coração voltava a palpitar normalmente, em seguida voltava a acelerar e em outros momentos se acalmava novamente.”

“Isso quer dizer...?” - Sagwa perguntou.

“Ela estava mesclando mentiras e verdades.” - Yullan respondeu sucintamente.

“Em outras palavras, ela está tentando controlar a situação... Não sei quais são seus planos, mas, certamente, eu gostaria de descobri-los. Quando acabarmos essa guerra, fique de olho nela e veja se consegue descobrir o que era mentira o que era verdade.” - Sagwa falou.

“Isso não é necessário.” - Yullan sorriu se sentindo vitorioso porque ela primeira vez ele conseguiu se antecipar aos planos de Sagwa. - “Partindo do pressuposto que nosso ataque à esta cidade foi surpresa e colocando a Susan como membro do exército inimigo, ela não deve ter tido muito tempo para criar um plano bem elaborado. Então, de acordo com a insistência dela de nos acompanhar até o salão, das constantes mudanças no semblante dela e da reação do Eckbert... Eu tenho quase certeza de que ambos eram comparsas.

Quando percebeu que provavelmente morreria se fosse encontrada, ela não pensou duas vezes e o traiu na calada da noite, de alguma forma se inflingiu todas aquelas feridas, depois se trancou no calabouço e esperou ser encontrada. E para fechar com chave de ouro ela espertamente ofereceu, como moeda de troca, a informação de que seu pai é um dos traidores com o intuito de despistar qualquer suspeita que poderiam se levantar contra ela.

A única coisa dessa história toda que ainda não bate é como ela sabia que o Eckbert morreria antes de ter sua mente escaneada pelo patriarca, caso contrário, todo o plano iria pelo ralo.” - Yullan falou.

“Isso não é muito teoria da conspiração não? Como que ela conseguiria ter a certeza que o patriarca não iria escanear a mente de outra pessoa?” - Thousaka questionou.

“Senhor Thousaka, até então, o senhor tinha noção de que esses dois se conheciam?” - Yullan perguntou.

“Nenhuma ideia.” - Thousaka respondeu.

“Pois bem, para ter bolado tudo isso em tão pouco tempo, a Susan não é alguém que tropeçaria em algo tão trivial. Possivelmente um número restrito de pessoas sabiam da estadia dela aqui. Aqui eu faço outra pergunta: Nós, exército da seita, matamos todos os inimigos presentes, não fizemos um único refém. Assim sendo, teoricamente fomos nós que matamos todo mundo, correto?” - Yullan perguntou.

“Teoricamente sim…” - Thousaka respondeu.

“Errado… o discípulo da Seita Interna relatou mais cedo que diversas outras gororobas de carne e sangue foram encontradas espalhadas pela mansão. Ou seja, elas já estavam lá antes mesmo de chegarmos, logo, não fomos nós que os matamos. A pergunta é, como eles morreram?

Sabendo de tudo que eu já expliquei antes fica fácil ligar os pontos e chegar a conclusão da existência uma conspiração interna. Também sabemos que a Susan está diretamente ligada a esta conspiração, se adicionarmos o ponto de que poucas pessoas sabiam sobre a ligação entre ela e Eckbert, posso supor que estas pessoas que morreram são pessoas de alto escalão do exército inimigo ou pessoas de confiança do Eckbert que tinham total consciência da estadia dela aqui, minha suspeita fica ainda mais forte porque ela mesma disse que este selo é ativado somente se informações relevantes sobre o mestre dela estiver em iminência de ser revelada, ou seja, eles eram importantes, eliminando-os, ela destruiu completamente a possibilidade de descobrirem sua ligação com o inimigo.” - Yullan explicou.

“Incrível… ” - Thousaka falou impressionado com a forma que Yullan conseguiu deduzir tudo que estava acontecendo. “Mas, como você pode ter certeza que foi a Susan que os matou? É possível que o selo que ela mencionou realmente exista.”

“O senhor Thousaka está correto, é realmente possível que tal selo exista. Mas, diante de fatos que sugerem a total ligação de Susan com os inimigos e dado a sua possibilidade de ter arquitetado e colocado em prática sozinha tal plano em um curto espaço de tempo, é possível dizer que o status dela é no mínimo idêntico ao de Eckbert, sendo assim, ela também deveria ter um selo, não? Eu sendo o mestre deles não correria o risco de deixar uma pessoa como ela livre.

Então, se ela possui informações cruciais do plano do inimigo, tal como a questão da traição do pai dela, porque ela não virou uma poça de gororoba? Logo, isso nos leva a crer que este selo não existe, assim sendo só nos resta o fato de que foi ela a responsável pela morte de Eckbert e de todos os outros que sabiam a verdade sobre ela.

Tenho que admitir, esse plano foi quase perfeito. Ela os matou de uma forma desconhecida até mesmo pelos anciões, pelo patriarca e por mim. Junto a isso implantou a dúvida no coração de todos e com essa dúvida em jogo o patriarca não poderia escanear levianamente a mente de qualquer um dos novos inimigos que chegássemos a capturar. Isso diminui substancialmente as chances dela ser descoberta. E para ter certeza de tudo, ainda usou o próprio pai como bode expiatório. Para fazer tudo isso no pouco tempo que teve prova a mente maquiavélica, fria e calculista que ela tem.” - Yullan falou balançando a cabeça em aprovação.

Naquele momento um tapa o acertou na cabeça “Yullan, seu lesado, pare de elogiar nossa inimiga.” - Aysha falou fazendo uma careta.

“Hô… Desculpe, não foi minha intens~... Espere, Yumi, você constatou que o Patriarca Snow de fato conhecia o mestre que Susan se referiu né?” - Yullan perguntou.

“S-sim… ele falou com todas as letras que estava disposto a seguir cada ordem do mestre de forma a conseguir o poder necessário para fazer o Clã Snow se destacar.” - Yumi falou gentilmente.

“Você congelou o corpo dele não foi?” - Yullan perguntou novamente.

“S-sim, congelei… Mas foi sem querer…” - Yumi falou corando de leve, apesar de odiar Raimond, Yumi não desejava matá-lo de uma forma tão brutal.

“Ele ainda pode estar congelado?” - Yullan perguntou novamente começando a ficar animado.

“Eu não tenho certeza, mas considerando que ainda é noite, acredito que sim.” - Yumi respondeu sem jeito.

“Ótimo!...” - Yullan exclamou fazendo com que Yumi o olhasse sem entender o que ele queria dizer.


Nota:

Jovens, como definimos diminuir, por enquanto, a quantidade para quatro capítulos semanais, o novo cronograma de lançamentos será assim: Segunda, Terça, Quinta e Sexta. Quando meu tempo se normalizar voltaremos com os 5 semanais. É bom lembar que antes eu pretendo pagar os 08 capítulos que devo com um combinho, só não sei exatamente quando ele vai sair. Bjs e abraços a todos!!


PS: A pedido de alguns fãs eu fiz um discord par a novel, eu estarei sempre lá, então se quiserem bater papo sobre a novel, ou qualquer outro assunto, podem me encontrar lá, também estarei disponível para conversas por áudio em alguns momentos. Através dele eu darei avisos importantes também ^^ Segue o link: Discord

Por ScryzZ | 31/05/18 às 09:45 | Ação, Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Sobrenatural, Wuxia, Xianxia, Xuanhuan, Protagonismo Feminino, Romance, Brasileira