CAPÍTULOS
OPÇÕES
Cor de Fundo
CONTROLE DE FONTE
HOME INDEX
Capítulo 197 - Continente do Sol Celeste

A Guerra dos Nove Mundos (GNM)

Capítulo 197 - Continente do Sol Celeste

Autor: Maurício Argôlo | Revisão: SolidSnake, Lucien Reed | QC: Bru

Era o amanhecer. Os raios do sol já tinham iluminado completamente a cidade que estava muito mais movimentada que normal. No canto oeste da cidade era possível avistar uma longa muralha a qual possuía dois guardas posicionados a cada cinco metros. Os visitantes que a viam pela primeira vez ficavam impressionados com o seu tamanho, pois mesmo olhando para um dos lados, ainda assim não era possível ver seu fim.

A muralha possuía somente uma entrada, na qual estavam dispostos seis guardas e todos do quinto grau da purificação da matéria. Dentro dela estavam dispostos vários lotes separados por pequenos e altos muros, os quais possuíam uma, duas ou mais casas. Dentre estas propriedades, a que mais chamava atenção era a gigantesca e imponente mansão que estava estabelecida no centro daquele território.

Entre as casas existia uma trilha de pedras coloridas, a disposição aleatória de suas cores contrastava perfeitamente com o colorido natural das flores e árvores que estavam espalhadas por todo canto.

Geralmente o número de pessoas que andavam por aquela trilha era bem pequeno. Os moradores daquela região era um grupo seleto de pessoas as quais podiam ultrapassar os limites da muralha estabelecida a milhares de anos.

Contudo, diferente do normal, uma comoção tinha se originado no gigantesco portão, muitas pessoas estavam ali como se quisessem ver um tipo de celebridade que raramente aparecia em público.

Mesmo os discípulos da seita interna mais proeminentes estavam presentes e com os ânimos inflamados.

Naquele exato momento uma trombeta tocou dando o alerta inicial para que a passagem fosse liberada, os guardas do portão auxiliaram na organização e momentos depois o patriarca apareceu, ao seu lado estava seu filho, o senhor da cidade e do outro lado estava Skar com o semblante de cansaço estampado no rosto.

Quando viram o trio das pessoas mais importantes da seita os moradores da cidade juntaram os punhos e se curvaram ao mesmo tempo em sinal de respeito. Skar sorriu sem graça, ele odiava aquele tipo de aparição, mas dada as circunstâncias, era algo que ele não podia evitar.

-------------------------

Uma leve brisa entrou no quarto fazendo com que a cortina de seda balançasse levemente. As pequenas brechas que surgiam eram imediatamente exploradas pelos raios de sol, que ao refletir nos incríveis objetos luxuosos, feitos com uma variedade incrivelmente grande de materiais preciosos, invadiram o recinto criando uma mistura incrivelmente bela de cores.

Sagwa abriu levemente os olhos enquanto sentia uma leve dor em algumas partes de seu corpo. Sua cabeça latejava e sua visão estava levemente embaçada. Em um momento súbito ela finalmente se lembrou da última coisa que recordava e abriu os olhos intensamente enquanto liberava uma intensa aura de morte. Contudo, diferente do que se lembrava, em sua frente estava um quarto luxuoso com um quadro de uma mulher com longos e belos cabelos negros trajando um vestido de seda verde esmeralda.

Em baixo dela uma cama de casal com grossos cobertores brancos cobriam seu corpo seminu, atrás dela luxuosos e confortáveis travesseiros, diferente de tudo que Sagwa tinha visto, estavam dispostos de forma a deixá-la o mais confortável possível na cama.

Por todo o quarto existiam várias cômodas que serviam como suporte para abajures, jarros de jade, e diversos outros itens que Sagwa nem sequer tinha noção do que poderiam ser.

Por um momento ela não entendeu o que estava acontecendo, mas sua curiosidade logo foi saciada quando uma garota de cabelos brancos entrou correndo pela gigantesca porta dourada e subitamente se jogou em cima dela.

“Sagwaaaaaaa….” - Yumi falou enquanto dava um intenso e apertado abraço em Sagwa.

“Aiaiaiaiai…” - Sagwa falou baixinho enquanto a dor de seu corpo aumentava por conta do aperto de Yumi. Mas no lugar de uma cara feia de dor estava um sorriso de felicidade. Ela poderia suportar qualquer dor do mundo somente para conseguir abraçar Yumi mais uma vez.

“Yumi, cuidado, ela acabou de acordar!” - alguém cuja voz era desconhecida para Sagwa falou dentro do quarto. Quando ela olhou para o lado seu olhar demonstrou sua surpresa ao ver a linda mulher desenhada no quadro bem diante dela. E surpreendentemente, ela parecia ser muito mais bonita que a imagem do quadro.

Ao lado da mulher estava um garoto de longos cabelos negros e vestindo um robe azulado, Sagwa sorriu ao vê-lo. Ela não sabia porque mas se sentiu feliz ao ver o rosto de David sorrindo para ela.

Também estavam presentes Sukh, Yullan e Aysha. Hito também entrou sem que ninguém percebesse e ficou em um canto mais afastado do grupo principal. Fora do quarto várias pessoas de diversas idades trajando um robe azulado muito parecido com o de David, olhavam curiosamente esperando pelos próximos acontecimentos.

Instintivamente Sagwa ativou seu sentido divino para tentar sentir a aura da mulher e de todos as outras pessoas que estavam fora da sala, mas se surpreendeu. A mulher estava no nível avançado do quinto grau da purificação da matéria - e mais que isso, estava no ápice deste nível. Mais alguns meses de cultivo ela avançaria para o nível supremo.

Os discípulos que estavam fora do quarto estavam no terceiro grau e alguns deles estavam no supremo do terceiro grau. Mas o que mais chamou atenção de Sagwa era a idade deles, alguns pareciam ter quatorze anos de idade. Para Sagwa, que alcançou o terceiro grau com dezesseis anos, aquilo era incrível. Mas claro, todos eles começaram a ser preparados para o cultivo desde que nasceram. Esta era a diferença de um clã que tinha uma quantidade de recursos quase infinita para seus discípulos.

Yumi ainda estava abraçando Sagwa. Nos últimos dias ela quase não saia do quarto onde Sagwa estava repousando, sem perceber, Sagwa já tinha se tornado a pessoa mais importante de sua vida. Ela tinha se tornado sua irmã, a pessoa que poderia ser definida como seu porto seguro.

“O quê aconteceu?” - Sagwa perguntou.

“Vo-você desmaiou e dormiu por quase uma semana…” - Yumi falou desfazendo o abraço e olhando nos olhos da amiga. “Eu fiquei preocupada.”

“Hêêêêêêêêê… uma semana?” - a surpresa de Sagwa era óbvia em sua expressão, contudo não pôde deixar de sorrir levemente enquanto via o olhar meio bravo de Yumi - “Desculpe te preocupar tanto.” - ela sorriu levemente enquanto ajeitava os cabelos brancos de Yumi atrás de uma das orelhas dela.

David olhou um tanto perplexo aquela cena. As atitudes, formas de falar e até mesmo a aura que Sagwa projetava atualmente nunca denunciariam a garota selvagem que existia dentro dela. Era como se ali, naquele momento, em sua frente estivesse uma garota diferente daquela que lutou a dura batalha no território dos Emyas.

“O que houve com os discípulos que nos traíram? E a Susan? O que aconteceu com ela?” - Sagwa perguntou ficando um pouco mais séria.

“Você não prefere discutir essas coisas mais tarde, não? É melhor que você descanse um pouco” - David falou ao lado da mulher de cabelos negros.

“Sim, o David tem razão. Por favor, descanse um pouco mais antes de começar a discutir estes assuntos. Meu marido e o meu sogro gostariam de estar presentes na conversa também.” - A mulher falou.

“Marido?” - Sagwa perguntou curiosamente.

“Desculpe a minha falta de educação. Eu sou Eileen Snake, sou mãe do David e esposa do Senhor da Cidade, Solid Snake”.

SolidSnake: !

A expressão de  surpresa surgiu novamente no rosto de Sagwa. Rapidamente a ficha começou a cair, uma cama luxuosa, um quarto cheio de itens preciosos que ela nem sequer tinha ideia do que poderia ser e um quadro gigantesco com a imagem da esposa do Senhor da Cidade.

“E-esta é a mansão dos Snake?” - Sagwa perguntou com dúvida em seu tom de voz.

“S-sim…” - Yumi respondeu.

Assim que ouviu aquilo, Sagwa rapidamente se descobriu e começou a se mover para fora da cama, contudo, parou no meio do caminho ao perceber que estava seminua.

“Você não precisa ter pressa para ir embora. As notícias dos seus feitos já são conhecidas por toda a Seita. Uma estadia de alguns dias em minha casa nunca será suficiente para pagar as vidas daqueles que foram salvos por sua ações. Além do mais, este é o único lugar que você pode estar para se recuperar mais eficientemente.” - Eileen falou calmamente.

“Como assim?” - Sagwa perguntou.

“A Sagwa-sama teve uma recaída por desgaste. O seu ataque - ‘Amaterasu’ - é assim que a Sagwa-sama o chama né? Pois bem, ele consome muito Prana. Além de utilizá-lo várias vezes a Sagwa-sama gastou muito prana durante as batalhas que se seguiram.

Apesar de ter parado para recuperar um pouco da energia, o tempo não foi suficiente para uma recuperação completa. Isso acontece muito quando não calculamos nosso consumo de Prana e pode ser a causa da morte de muitos gênios que se acham muito fortes - inclusive da Sagwa-sama.

Contudo, o que mais me causou estranheza é que seu Dantian parece muito maior que o de um cultivador de seu nível. Isso fez com que sua recuperação demorasse mais que o normal.” - Hito falou pela primeira vez.

Sagwa olhou para ele um tanto impressionada e só então lembrou que ela não sabia nada sobre aquele homem a quem ela salvou.

“Exatamente… Esta aqui na verdade não é propriamente dita a mansão da família, é um recinto anexo à propriedade da mansão que eu, meu marido e os membros proeminentes do Clã usam para cultivar. Na verdade, este é o recinto de cultivo utilizado por mim e meu marido, os outros membros utilizam outros recintos. Contudo, devido a sua exaustão achamos melhor que você fosse colocada aqui, desta forma sua recuperação foi mais rápida.” - Eileen comentou.

Na verdade o que Eileen se referia como recinto era uma local muito parecido com uma casa normal e possuía somente um quarto, uma sala, um banheiro e um salão de cultivo. Contudo sua estruturas eram feitas com um material raro que conseguia atrair uma maior quantidade de Energia Celestial e retê-la.

Além disso as runas dispostas por cada centímetro do recinto dava forma a uma matriz a qual utilizava Étherion, o que permite ao cultivador absorver energia celestial em abundância e com extrema qualidade. Por conta da quantidade de recursos e raridade dos itens somente aos mais proeminentes do Clã Snake era permitido utilizar tal recinto, e ainda assim, somente três vezes ao ano.

“Entendo…” - Sagwa falou enquanto baixava levemente a cabeça. Desde sempre ela sempre tinha confiado no tamanho de seu dantian e nunca tinha se preocupado com o gasto de Prana. Mas agora ela percebia a importância crucial de ter noção de como utilizar e quando utilizar as habilidades que mais consumiam Prana.

No caso do Amaterasu, ela era capaz de lançar dois por dia, mas isso reduziria drasticamente a quantidade de prana que ela tinha armazenado podendo não ser mais capaz de utilizar muitas outras habilidades. Se usasse três com certeza acabaria desmaiando por exaustão novamente.

“E a Susan?” - Sagwa levantou a questão novamente.

“O corpo da Susan foi recolhido pelo patriarca. Sinceramente, eu não sei se a senhorita conseguiu deixá-la viva, mas eu espero que sim. Contudo, temos que esperar por noticias do patriarca.” - Yullan respondeu.

“Desculpe Yullan, eu me excedi um pouco e acabei pondo em risco seu plano.” - Sagwa falou.

“Um pouco?” - Yumi sorriu levemente - “Imagina quando você se exceder muito.”

“Digamos que não queremos presenciar isso.” - Sagwa respondeu sorrindo.

“Já mostrou o que você descobriu no corpo do Patriarca Snow? O Mestre já saiu do isolamento?” - Sagwa perguntou.

“Não, estávamos aguardando você acordar para conversarmos com o Patriarca Snake sobre o assunto. O Mestre Skar ainda não apareceu.” - Yullan respondeu.

“Entendo… Eu fiquei uma semana desacordada, não posso mais perder tempo. Amanhã pretendo voltar para meu Clã.” - Sagwa pontuou.

“Senhorita Sagwa, você não acha melhor aguardar mais um tempo não? Temos que findar todo o problema da Susan.” - Yulan falou.

“Sim, se o problema for lugar para cultivar, vocês podem usar as dependências do Clã Snake.” - David disse.

Sagwa pensou por alguns minutos, ela estava em conflito. Apesar de saber que tinha que ficar para sanar estes problemas, ela tinha consciência de como precisava voltar ao cultivo e aos treinos. Depois de um tempo ela voltou a falar: “Tudo bem, ficaremos um tempo aqui. Peço a senhora Snake que nos desculpe pelo incomodo.”

“Incômodo nenhum, irei dar seguimento nos preparativos para sua estadia na mansão.” - Falando isso, Eileen sorriu levemente e saiu do cômodo.

“Hitokiri-sama? Correto?” - Sagwa falou.

“A Sagwa-sama me elogia demais me chamando assim. Por favor, quem deve lhe chamar de Sama sou eu.” - Hito falou.

“Hô… Eu não entendo, porque sempre me chama de Sama?” - Sagwa falou em um tom respeitoso e curioso ao mesmo tempo.

“Porque de onde eu venho este prefixo é um sinônimo de extremo respeito.” - Hito respondeu.

“De onde você vem?” - Sagwa perguntou.

“Esta é uma resposta que eu gostaria de dar privativamente.”

“Ahhh…” - Sagwa ia falar que estaria tudo bem de ele falar pois confiava em todos naquela sala, mas assim que virou o rosto ela se lembrou que tinha uma multidão fora do quarto. David viu o olhar de Sagwa e prontamente entendeu o que ela estava pensando.

“Voltem para suas residências para cultivar, lembrem-se que o tempo de uso deste local é limitado, não podemos nos dar o luxo de perder tempo aqui.” - David falou educadamente com todos os discípulos do Clã Snake que estavam do lado de fora da sala.

“Sim Irmão Sênior David.” - Todos falaram ao mesmo tempo, se curvaram levemente e em seguida saíram na direção da mansão.

Assim que todos saíram David fechou a forma e falou : - “Pronto, este cômodo tem uma matriz que impede que os outros escutem o que é falado aqui dentro quando sua porta é fechada, então estamos seguros.”

“Hitokiri, por favor, nos conte sua história. Todos que estão aqui dentro são completamente confiáveis.” - Sagwa falou.

“Perdoe a insolência desse jovem cultivador, mas devo pedir que a Sagwa-Sama, me chame somente se Hito.”

“Tudo bem, Hito…” - Sagwa falou querendo dar continuidade a conversa.

“Eu venho do continente Leste, o Continente do Sol Celeste...” - Hito falou sem delongas.

Por ScryzZ | 10/08/18 às 18:49 | Ação, Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Sobrenatural, Wuxia, Xianxia, Xuanhuan, Protagonismo Feminino, Romance, Brasileira