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Capítulo 29 - Esta Pequena Parte da Minha Vida se Chama Felicidade

A Guerra dos Nove Mundos (GNM)

Capítulo 29 - Esta Pequena Parte da Minha Vida se Chama Felicidade

Autor: Maurício Argôlo | Revisão: Luis Gimenes, Bru, SolidSnake

“Ôhh... Ayduin é você”?

“Sim, sou eu, senhorita Sagwa. Consegui armazenar um pouco de energia e senti que algo estranho estava acontecendo, então resolvi vir observar como as coisas estavam. Quando entendi o que estava acontecendo, para minha surpresa, você já tinha finalizado seu ataque e aquele artista marcial estava morrendo. A senhorita está machucada demais, pegue uma pílula para que você possa se recuperar mais rápido”.

Sagwa sorriu timidamente e falou: “Eu até faria isso, mas esgotei completamente meu Prana com o último ataque, no momento não consigo mover nem um músculo do meu corpo”.

Ayduin olhou para ela com um semblante de compreensão. Infelizmente, por enquanto, ele não conseguiria interferir no mundo material. Afinal, era somente um fragmento de alma, então levitou e sentou-se em posição de Lótus, levitando ao lado de Sagwa.

“Se a senhorita me permitir, ficarei fazendo-lhe companhia até que a senhora recupere um pouco de sua energia. Por sinal, é válido lembrar que apesar da senhorita possuir um Dantian descomunal, seu prana ainda é finito, tente ser um pouco mais prudente da próxima vez”.

Sagwa estava recostada contra o tronco da cerejeira, uma leve brisa estava soprando e as pétalas rosas caiam no rio, que logo as arrastavam com a correnteza. Ela sorriu e falou: “Eu entendo perfeitamente, mas desta vez foi realmente complicado de controlar os acontecimentos, prometo que terei cuidado da próxima vez.

Respondendo a sua pergunta, é claro, por favor faça-me companhia…

Hammm, Senhor Ayduin, o senhor poderia me responder algo”?

“Claro, por favor pergunte!”

“Este tridente, você me falou que era de Shiva. Ele desapareceu e reapareceu hoje de uma forma totalmente diferente”.

Ayduin já tinha reparado o tridente que estava repousando no chão ao lado de Sagwa, mas não sabia ao certo o que estava acontecendo. Ele suspirou e falou: “Eu não sei exatamente o que está acontecendo, logicamente você herdou a linhagem do Senhor Shiva, então, teoricamente, você também pode usar o tridente que uma vez lhe pertenceu. Não sei ao certo onde ele estava e o porquê de ter reaparecido agora. Ouso especular que ele estava repousando em seu Dantian para que conseguisse recuperar sua forma plena. Acredito que o que podemos ver agora é a forma que ele conseguiu obter depois de recuperar um pouco de seu poder, mas devo lhe pedir para que não fique tão feliz. Esta arma ainda tem muito o que evoluir. Antigamente, ele estava no topo das melhores armas do mundo principal, mas, atualmente, mal pode ser comparado a uma de Nível Mortal. Quanto ao motivo de que o fez perder tanto de sua força, eu não sei e também não faço ideia de como o fazer voltar a ter a glória que um dia manifestou”.

Ayduin continuou: “Sinto que iremos descobrir isso aos poucos. Antes, ele estava todo enferrujado e era ainda pior que uma arma feita por mãos mortais. Agora, sua evolução é notável e, apesar de ser uma arma Mortal de Grau Inferior, parece ser mais forte que uma arma Mortal de Grau Médio”.

Sagwa sorriu e falou: “Não tem problema, sinto que quanto mais forte eu ficar, mais forte ele ficará também. Além disso, ele parece ser uma extensão do meu corpo, é como se soubesse o que estou pensando e meus movimentos ficam muito mais fluídos ao portá-lo”.

Um tom de surpresa apareceu no olhar de Ayduin. “Ôhhh? Você possui uma ligação espiritual com o tridente? Isso deixa as coisas mais interessante. Isto é algo que poucos artistas marciais conseguem desenvolver. Então, é por isso que, mesmo sendo do nível Mortal de Grau Inferior, ele consegue desencadear tanto poder, isso também explica o porquê de ter conseguido entrar no seu Dantian para se recuperar.”

Os dois ficaram parados e em silêncio por um tempo tentando digerir e processar todas aquelas novas informações. É preciso saber que armas espirituais eram um tipo de arma rara até mesmo no reino principal. Para elas surgirem ela necessário que a arma fosse forjada com os melhores materiais e que o tempo se encarregasse de formar um laço entre a arma e o cultivador, e isso era mais fácil falar do que fazer.

Depois de alguns minutos, enquanto mais pétalas caiam Ayduin quebrou o silêncio “Senhorita Sagwa ... se a senhora me permite ... eu gostaria de lhe pedir dois favores”.

Sagwa já considerava Ayduin como sendo um grande amigo e, mesmo que não fosse, com as informações que ele estava lhe dando, ainda que não respondesse a todas as perguntas, ainda eliminava grande parte das dúvidas de Sagwa. Então, não tinha porque recusar. “Por favor, fale”...

“Senhorita Sagwa, eu lhe peço, por favor, tente não entrar em confronto com pessoas muito mais fortes que a senhorita. Apesar da senhorita ter conseguido matar todos os artistas marciais que possuíam somente um nível de diferença, a senhorita teve dificuldades para enfrentar aqueles que estavam dois níveis acima. Levando em conta que eles eram os piores tipos de cultivadores do seu nível, se a senhorita enfrentar um verdadeiro artista marcial, que seja um talento sem igual e tenha uma base de cultivo forte, é possível que a senhorita morra. E-eu já tenho muito apreço pela senhorita, não conseguirei suportar a morte de mais uma pessoa querida”.

Sagwa se emocionou com a preocupação dele: “Own, Ayduin, não se preocupe. Eu prometi às minhas irmãs que eu não iria mais morrer e agora faço essa promessa a você, eu prometo a você que não morrerei, não importa o que aconteça. Então fique despreocupado, não irei me precipitar e enfrentar pessoas muito mais fortes que eu, a não ser que eu tenha certeza da vitória”.

Ayduin respirou e falou novamente: “Tudo bem, mas tome cuidado com a soberba. Sempre tenha em mente que existe alguém mais forte que você e que não é a única com um talento surpreendente no mundo. Sempre existirão pessoas que podem ser mais surpreendentes que a senhorita”.

“Eu entendo, mas tenha certeza que não deixarei que isso aconteça, a humildade é algo que eu aprendi desde cedo, é algo intrínseco a minha personalidade. Não serei tão hipócrita”.

Ayduin sorriu de leve e continuou falando “Hammm… o segundo pedido… Senhorita Sagwa… por favor... ajude-me a reconstruir minha Seita do Divino Caos”!

Sagwa ficou um pouco chocada com este pedido. É preciso saber que, no momento, ela estava no início do seu caminho marcial. Comparado ao ser supremo que conseguiu matar os três príncipes de Toran, ela não era mais que um pequeno verme que poderia ser morta com um simples olhar. Até alcançar o nível em que fosse capaz de desafiar esta superpotência, que era desconhecida até mesmo por ele, tinha uma caminhada árdua e difícil. Nela, existiam diversas possibilidades e era bastante real a possibilidade de enfrentar um grande gargalo e não conseguir avançar em seu cultivo.

Anteriormente ela disse a Ayduin que iria tomar para si a responsabilidade de restabelecer a Seita dele, mas ela tinha certeza que ele não acreditava naquilo com certeza absoluta, mesmo que quisesse acreditar, no entanto o fato de Sagwa ser uma reles criança mortal o deixou sem esperança. Mas agora as coisas eram diferentes, este pedido… era como se Ayduin estivesse depositando todas as suas esperança em Sagwa, ele acreditaria nela no fundo do seu coração independente do tempo que iria demorar.

Vendo que Sagwa não respondeu, ele continuou falando: “Mesmo que, inicialmente, eu tenha te dado a Semente do Deus Desconhecido considerando que seria um total desperdício, você me deu uma agradável surpresa. Seu coração é puro e sólido e com sua força de vontade será possível alcançar alturas bastantes elevadas”.

Sagwa corou e falou: “E-eu não sei o que dizer. Adoraria ajudar o senhor nesta caminhada, mas o senhor realmente acha que será saudável depositar tantas esperanças em mim? E se eu não for digna”?

“Não acredito nisso, mesmo que a senhora não consiga reconstruir a minha seita, acredito que só o fato de ter tentado já será o suficiente. Eu não ficarei triste ou irritado se a senhorita não conseguir realizar este desejo, pelo contrário, ficarei feliz por ter tentado”.

“Senhor Ayduin, mesmo que não me pedisse, eu ainda tentaria fazer isso. Sem sua ajuda eu não seria nada mais que uma escrava e meu destino estaria nas mãos de seres nojentos como aquele capitão Valefor ou aquele mercenário que chegou na minha vila há alguns meses. Serei eternamente grata pelo senhor ter me dado a oportunidade de decidir como viverei minha vida. Quanto mais forte ficar, mais segurança poderei dar à minha família e mais conseguirei proteger aqueles que amo. Então, sim, pode contar comigo. Irei fazer o meu melhor e juntos vamos descobrir o porquê do ataque a sua Seita e com certeza iremos reconstruí-la”.

Lágrimas começaram a brotar do olho de Ayduin. A emoção era tanta pois, finalmente, ele tinha esperanças de conseguir realizar o desejo de seu Mestre, e mais uma vez, ver a glória da Seita do Divino Caos.

Neste momento, Sagwa conseguiu se movimentar um pouco. Ela aproveitou e pegou uma pílula de seu anel espacial e jogou-a em sua boca. Alguns momentos depois, suas feridas começaram a se recuperar mais rápido do que antes. Cerca de duas hora depois, suas feridas estavam sessenta por cento curadas e ela começou a reabastecer seu Dantian.

Ayduin olhou para aquela cena com os olhos esbugalhados, esta taxa de regeneração era realmente surpreendente. A única que conseguiria se curar tão rápido era a Senhorita Vishnu, mas mesmo assim, no nível de Sagwa ela não conseguia se recuperar tão rápido.

Sagwa pegou o tridente - que, assim que sentiu o toque dela, parecia vibrar de emoção - e apoiou-se para ficar de pé. Ayduin ficou de pé e, ainda flutuando, acompanhou Sagwa na direção que ela estava indo, a cachoeira.

Devido a suas feridas, Sagwa demorou um pouco para chegar. Quando o som da água pôde ser ouvido, ele se despediu e voltou a repousar no colar. Quando ela viu a primeira pessoa de sua vila, um sentimento estranho começou a percorrer seu ser. Ela não queria, mas começou a chorar.

“Olhe, a Senhorita Sagwa chegou” ...

“Senhorita Sagwa? Ela está viva? Glorificado seja os céus”!

“Que alegria, Senhorita Sagwa”...

Quando as pessoas viram Sagwa, uma catarse de emoções começou ser emanada de todos os integrantes do Clã. Para eles, aquilo era outro milagre.

“Ela está ferida, alguém a ajude”!

Neste momento, dois senhores de idade se posicionaram para carregá-la e um terceiro tentou segurar seu tridente, mas, no momento que suas mãos tocaram a superfície do tridente, um sentimento assolador o invadiu. Era como se alguém devastadoramente forte estivesse jurando-o de morte. Imediatamente, ele largou o tridente e olhou com os olhos cheios de descrença.

Sagwa percebeu o que aconteceu deu um sorriso consolador e disse: “Desculpe por isso, ainda estou com meus nervos a flor da pele, o calor da batalha ainda não diminuiu no meu coração.” - Ela não sabia como explicar o como e porque conseguiu este tridente e preferia não espalhar o que tinha acontecido com ela e sobre Ayduin. Era melhor e mais seguro que eles não soubessem da verdade.

Quando Helga, Esther e suas irmãs souberam que ela chegou, olharam para o lado que Sagwa estava vindo e sentiram algo estranhamente bom. Neste momento, o peso da preocupação foi retirado de suas costas e lágrimas começaram a inundar o rosto de todas elas.

Elas correram ao encontro de Sagwa e, quando se aproximaram, não pronunciaram uma única palavra. A única coisa que fizeram foi envolvê-la em um caloroso abraço de família. Sagwa, que já estava chorando, começou a chorar ainda mais. Rever sua família depois de tudo o que tinha passado lhe deu um sentimento de paz.

Ainda chorando, Sagwa abriu a boca e falou baixinho: “Esta parte da minha vida, esta pequena parte, se chama felicidade”.

Depois de um tempo no abraço apertado que estavam, Helga soltou Sagwa e as suas filhas lhe seguiram. Helga olhou para Sagwa e falou: “Filha... graças aos Céus… você conseguiu escapar com vida”.

Esther não queria falar nada, mas ela não conseguiu se segurar e perguntou: “Sagwa... co-como você conseguiu fugir de Valefor?”.

Esther sabia que sua irmã era forte, mas ela não achava que Sagwa fosse tão forte e feroz a ponto de conseguir matar todos aqueles soldados e ainda ter energia suficiente para matar o Valefor.

Helga também olhou para sua filha esperando enquanto esperava por uma resposta. Quando Esther a encontrou e narrou tudo o que tinha acontecido, Larrel e Helga ficaram completamente boquiabertos.

O ancião era o mais estupefato. Ele, mais que ninguém, sabia o nível de diferença que existia entre Sagwa e os soldados de Valefor e, mesmo assim, ela conseguiu matar tantos e alguns de maneira muito cruel. Mas Valefor estava em um nível diferente, o máximo que ela conseguiria fazer era tentar escapar com vida.

Todos olharam para Sagwa, aguardando ansiosamente pela resposta. Apesar de saberem que Sagwa não colocaria suas vidas em perigo, eles ainda estavam preocupados com a possibilidade de Valefor seguir Sagwa até aqui.

“Sobre isso”...

“O quê? Aconteceu algo? Você deixou que ele te seguisse? Estamos em perigo”?

“Oh meu deus, nós vamos morrer”…

“Vamos fugir enquanto ainda há tempo”!

Os integrantes do Clã entraram em desespero, nunca na cabeça deles se passou a ideia de que Sagwa pudesse ter derrotado Valefor. Quando eles começaram a correr para tentar salvar suas vidas, ela continuou: “Acalmem-se… Ninguém me seguiu e ninguém vai morrer!!”

Todos ficaram em silêncio, nesse momento uma voz infantil ecoou.

“Viva, a senhorita Sagwa derrotou o homem malvado”!

“Is-isso é impossível, a senhorita Sagwa não conseguiria derrotar alguém tão forte quanto aquele homem”.

“Sim, esta criança está falando besteira, ela não entende direito o que está acontecendo”.

Sagwa olhou incrédula para o que via em sua frente, nem mesmo seu Clã acreditava na capacidade dela.

Neste momento, Larrel deu um passo à frente e falou: “Calem-se, em nome dos céus, deixem a senhorita Sagwa falar”!

Todos olharam para Sagwa, esperando uma resposta definitiva.

Sagwa corou, ela não queria aparecer ou se gabar das coisas, mas ela acabou falando “É-é, s-sim, eu matei o Valefor”...

Por um momento, parecia que todos tinham ficado mudos. Os únicos sons audíveis eram dos pássaros cantando ao vento passando por seus ouvidos e da cachoeira que estava bem na frente deles.

O primeiro a falar foi Larrel: “O QUÊ? Você realmente matou Valefor... M-m-m-mas como”?

Sagwa olhou para Larrel, sorriu e, corando mais ainda, ela olhou para o tridente, mas não disse nada.

Larrel estava completamente boquiaberto, Helga também não conseguia entender, o que estava acontecendo? Como sua filha se tornou uma máquina de matar? Mas apesar de sentir medo de que Sagwa se tornasse uma fria e cruel assassina, ela ainda se reconfortada em saber que a vingança que ela tanto desejava tinha se tornado realidade.

Sagwa olhou para sua mãe e parecia ler seus pensamentos: “Mãe, não se preocupe, os ensinamentos do Pai e da senhora estão marcados em meu coração, nunca me esquecerei deles. Como a senhora mesma me falou certa vez, o caminho que estou percorrendo agora haverá muita morte, mas também haverá vida. Se eu não matasse eles, quem morreria seríamos nós e, pior ainda, como eu poderia deixá-los vivos depois do que fizeram com a minha irmã e outras garotas da vila”?

Helga ainda estava em choque com o que Sagwa fez, mas sua resposta confortou seu coração e ela abraçou novamente a sua filha.

Larrel logo falou: “Venham, vamos discutir esses assuntos depois, deixem a Sagwa descansar um pouco”.

Depois disto, Sagwa se recostou próxima a uma árvore, rodeada por suas irmãs e outras garotas enquanto os mais velhos começaram a preparar as coisas para voltarem para a aldeia.

Os murmúrios de incompreensão continuaram por todo o tempo. As pessoas ainda estavam descrentes com o fato de Sagwa ter matado tantos soldados e ainda ter matado Valefor. Isso era simplesmente inimaginável. Algumas horas se passaram e estava tudo pronto. Todos começaram a caminhar em direção a vila. Sagwa tinha seu tridente em sua mão e caminhava na frente, junto de sua mãe e Larrel.

Por Luis Gimenes | 29/12/17 às 23:55 | Ação, Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Sobrenatural, Wuxia, Xianxia, Xuanhuan, Protagonismo Feminino, Romance, Brasileira