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Capítulo 78 - Cidade da Boa Fortuna

A Guerra dos Nove Mundos (GNM)

Capítulo 78 - Cidade da Boa Fortuna

Autor: Maurício Argôlo | Revisão: Luis Gimenes, Bru, SolidSnake

O primeiro dia transcorreu com tranquilidade, eles passaram a maior parte do dia correndo ou caminhando, pararam algumas poucas vezes para comer algo e descansar. Apesar de ser mais lento que as garotas, Yullan não chegou a atrasá-las muito e seu condicionamento físico mostrou que ele vinha treinando duramente todos estes anos.

O segundo dia foi o mesmo, logo o terceiro dia chegou. No momento que o sol estava se pondo eles decidiram descansar.

Sagwa, Yumi e Sukh se banharam em um rio próximo ao acampamento. A visão da lua enquanto boiava no rio fez com que Sagwa sentisse saudades de casa, mas ela sabia que ainda faltava algum tempo para ela poder voltar lá.

Quando terminaram, foi a vez de Yullan tomar o banho dele. Ele terminou muito mais rápido que elas.

Quando terminaram de comer, eles tomaram o rumo novamente.

“Eu não entendo, porque o mestre nos enviou para uma missão a pé? Isso atrasa muito o nosso lado.” - Sagwa perguntou, impaciente. Os únicos perigos da viagem até o momento tinham sido algumas bestas de baixo nível que apareceram para atacar. Fora isso, nenhum mercenário ou besta de alto nível apareceu para que ela pudesse matar.

“Isso é para que possamos conhecer o ambiente e o território da Seita. Essas são ideias básicas que podem influenciar na nossa vida ou morte, vitória ou derrota, se alguma guerra eclodir no nosso território.” - Sukh respondeu.

“Hummm… Agora faz mais sentido.” - Yumi falou.

“Além do que, isso ajuda a condicionar nosso físico, pode-se dizer que é um tipo de preparação que irá melhorar o desenvolvimento de vocês durante o terceiro grau.” - Suhk continuou.

“Olhem lá... É a Cidade da Boa fortuna!!!” Yullan falou, ofegante.

Elas olharam para o horizonte e alguns prédios podiam ser vistos, mas mesmo assim pareciam ser muito pequenos.

Os olhos de Sagwa brilharam, esta seria a primeira cidade que ela iria conhecer depois da Cidadela.

“Vamoooos!!!” - Ela gritou quando saiu correndo. Se alguém que não a conhecesse a visse nesse momento, diria que esta era somente uma criança boba bestificada pelo esplendor da Cidade da Boa Fortuna.

O tempo passou rápido enquanto corriam direção à cidade e, quando mais próximas estavam, maior a cidade ficava. Ao meio dia do quarto dia, elas finalmente chegaram no portão principal da Cidade da Boa Fortuna.

“Wooooow… É muito grande.” - Sagwa disse enquanto olhava o gigantesco portão que marcava o limite da cidade. Ela parecia uma criança que acabou de realizar seu maior sonho.

Sukh riu um pouco. Para ela, o contraste da atual aura de Sagwa com a aura dela quando estava lutando era algo muito raro de se encontrar no mundo. Geralmente, não existia o meio termo, ou a aura do cultivador exalava puro desejo de matar ou era um sentimento benigno que não faria mal a nem uma mosca quando necessário. A aura de Sagwa neste momento passava este segundo sentimento, mas quando ela estava lutando a sério… O desejo de matar podia ser sentido de longe.

‘Eu tenho pena dos inimigos dela’ - Sukh pensou enquanto continuava rindo de leve.

Eles entraram na cidade. As casas que estavam mais próximas do portão principal eram simples, porém gigantescas. Uma multidão caminhava para todos os lados, guardas de segurança montavam um tipo de besta demoníaca parecida com o grifo e, quando passavam, as pessoas davam passagem a eles.

“Nós chegamos adiantados aqui, somente dias de fim de semana é que tem leilões na cidade da boa Fortuna. E os leilões do último fim de semana do mês são sempre os mais recheados de itens bons. Vamos procurar algum lugar para comer e outro para descansar. Amanhã, participamos do Leilão e depois continuamos nosso caminho para a Montanha da Espada Celestial.” - Sukh falou.

“Concordo, eu to morto de fome.” - Yullan falou.

A forma que ele falou foi estritamente idiota. As garotas estavam achando estranho essa nova versão da personalidade de Yullan. Da primeira vez que eles se viram, Yullan foi grosso e rabugento. Mas, agora, ele parecia alguém muito diferente de antes, estava mais despojado, mais feliz, sem tanto peso nas costas.

Sagwa sorriu, ela gostava mais ainda de Yullan. Ele era alguém com caráter que não esquecia seus compromissos com outras pessoas. Era respeitoso com quem o respeitava e aqueles que amava e não jogava a responsabilidade para outras pessoas pelo erro que cometeu.

“Senhorita Sagwa, porque a senhorita está sorrindo?” - Yullan perguntou.

“Não é nada, é só que você está tão diferente de quando nos conhecemos.” Sagwa falou.

Yullan corou de leve. A verdade era que, quando eles se conheceram, ele estava sob forte pressão. Ele estava sofrendo por uma tenebrosa culpa e não confiava em ninguém que não conhecesse, com medo de trazer a morte para sua irmã e sua mãe. Mas, agora, estava entre amigos, na verdade tinha para com Sagwa um sentimento ainda mais forte que a amizade. Ele tinha para com Sagwa um sentimento de Dívida de sangue. Era algo que não iria conseguir pagar a não ser que morresse para salvar a vida dela.  

“Não precisa ficar sem graça, nós entendemos que o momento que você estava passando era meio complicado…” - Vendo que Yullan ficou um pouco sem jeito, Sagwa continuou falando e começou a andar na frente - “Vamos, eu estou morta de fome também!”

Restaurante era algo que não faltava na Cidade da Boa Fortuna. Em todo local que iam, os restaurantes estavam completamente cheios. Depois de andar por mais de duas horas procurando um local para comer, eles finalmente acharam um restaurante onde aparentemente havia local para se sentarem.

Era um restaurante muito maior que os outros da cidade, ornamentado com estátuas de Jade em formas de Dragão Chinês, representando bestas divinas. Uma besta Divina era algo que um ser humano comum não podia chegar a se comparar, nem mesmo sequer sonhar em ver um de verdade, mas este restaurante de fato tinha estátuas que representavam bestas tão fenomenais. Isso não seria muita prepotência deles? A única explicação seria que os donos do local eram pessoas importantes da Cidade da Boa Fortuna e dizer que uma família era importante nesta cidade era o mesmo dizer que eles eram imensamente ricos e poderosos. Ou seja, este não era um restaurante comum. Mas Sagwa não estava muito preocupada com este fato, ela simplesmente entrou casualmente e procurou um lugar para se sentarem.

“Sagwa, esse restaurante...” Sukh tentou falar, mas Sagwa não esperou para ouvir, o estômago dela estava roncando e ela queria comer algo além do pão que elas levaram na viagem.

Rapidamente, Sagwa escolheu uma mesa para se sentar e Yumi, Sukh e Yullan a seguiram. Assim que entraram, eles perceberam os olhares estranhos que estavam sendo dados a eles. A única que parecia não se incomodar era Sagwa.

Demorou um pouco para o garçom vir anotar o pedido e, quando chegou, ele não as cumprimentou, simplesmente começou a falar.

“Jovens, devo pedir-lhes que se levantem e vão almoçar em outro lugar.” Ele falou com um olhar frio.

Assim que ele terminou de falar a frase, Sagwa olhou para ele com um olhar feio. Sukh começou a sentir a leve aura assassina que começou a emanar do corpo de Sagwa, o garçom sentiu o mesmo, mas sendo um garçom deste restaurante, nem mesmo os mestre da Seita ousariam ir contra ele.

“O que você quer dizer com irmos embora e almoçar em outro lugar?” - Sagwa falou com um tom de voz um pouco sério.

“Sagwa, não vamos arrumar problemas, vamos para outro lugar!” - Yumi tentou argumentar.

“Yumi, calma, deixe ele me dizer o porquê de termos que ir embora.” - Sagwa falou.

O garçom logo começou a falar: “Olhem a sua volta, este é o Restaurante da Fortuna do Céu, os mesmos donos da principal casa de leilão da Seita Penas do Caos são os donos deste restaurante. Aqui é um lugar onde um prato de comida custa o valor da renda anual de alguns clãs da Seita. Vocês, simples discípulos da Seita externa, acham que podem ter a honra e dinheiro suficiente para comer em um lugar como este?” - O garçom falou com um tom de voz orgulhosa.

Todos do grupo de Sagwa estavam trajando as roupas da Seita Externa. Quantos discípulos nas mesmas condições a Seita Penas do Caos tinha? Uma infinidade! E a maioria deles eram cultivadores de clãs fracos e pobres. Geralmente, os filhos de clãs poderosos, mesmo sendo da seita externa, trajavam vestes que tinham a insígnia de seu clã quando vinham à cidade. Quanto mais nobre o clã, mais posição de destaques eles tinham.

Apesar de Yumi ser de um Clã importante na região oeste da Seita Penas do caos, ela já tinha renegado o seu Clã. No fundo de seu coração, ela nunca usaria o nome do Clã Snow para obter alguma vantagem, isso mancharia sua honra como artista marcial. Yullan não se achava digno de usar as roupas de seu Clã e Sagwa, a insígnia do Clã Étherion já se perdeu a muito tempo. Apesar delas serem discípulas do mestre Skar, como alguém poderia saber como eram os rostos da famosas discípulas do Mestre Skar? O Nome das três ficaram famosos depois de estrearem no ranking das estelas de pedra, mas saber os nomes e a fisionomia eram coisas muito diferentes.

Rugas começaram a aparecer na testa de Sagwa. Sukh começou a pressentir problema chegando. Neste momento, Sagwa olhou para o garçom e falou: “Diga-me… Qual o seu prato mais caro?”

“Porque eu perderia tempo falando algo que vocês não teriam condições de pagar?” - O garçom respondeu.

Sagwa respirou fundo e tentou se acalmar, Sukh tinha lhe dito antes de entrarem na Cidade para não arrumarem confusão sem necessidade, mas neste momento o garçom perdeu a paciência e falou novamente.

“Vamos seus fedelhos, saiam, saiam, eu tenho mais o que fazer!” O garçom falou enquanto ameaçou tocar no braço de Yumi para puxá-la do lugar.

Antes que ele pudesse encostar em um fio de cabelo de Yumi, um punho fechado o atingiu no rosto. O corpo dele saiu da inércia e saiu rodopiando no ar. Ele só parou quando finalmente bateu contra várias mesas e algumas garrafas de bebida verde.

Por Luis Gimenes | 30/12/17 às 01:04 | Ação, Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Sobrenatural, Wuxia, Xianxia, Xuanhuan, Protagonismo Feminino, Romance, Brasileira