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Capítulo 1.9 - Assembleia

Artemísia (ART)

Capítulo 1.9 - Assembleia

Autor: Francélia Pereira

Na décima oitava hora do ciclo, as veteranas se arrumam e seguem para o campo de treinamento das arqueiras. Chegou o momento em que Boadicéia trará de volta as cinco filhas da Casa de Yby.

No primeiro ciclo da terceira noite do ano, Yby está, novamente, no centro do círculo de cristais, na clareira, mas agora ela espera por suas irmãs.

Laura é a primeira a aparecer. Ela surge do meio das árvores e vem, ao longe, caminhando de forma imponente até chegar à Yby, que a recebe com um pequeno medalhão, que tem gravado o símbolo de sua Casa O símbolo da casa de Yby é o ideograma chinês yuè (lua) - .. Somente as iniciadas podem usá-lo.

Yby e Laura continuam no centro do círculo de cristais enquanto as outras guerreiras vão chegando. A segunda é Miko, depois Matsu, então Petra e, por último, Kany.

Após entregar o medalhão às cinco guerreiras, Yby sai do centro do círculo. Boadicéia se aproxima e se posiciona no meio do pequeno círculo formado por suas cinco discípulas. Os treze cristais brilham forte e quando a luz se torna suave, novamente, Boadicéia olha para a líder da Casa.

─ Receba de volta suas irmãs. Agora elas são, assim como você, guardiãs do conhecimento de todas as Casas. Trate-as com o respeito e a dignidade que merecem e esta Casa terá, para sempre, a lealdade delas.

─ Que assim seja por todos os ciclos! ─ Yby responde.

─ Que assim seja por todos os ciclos. ─ Todas as veteranas presentes dizem ao mesmo tempo.

Boadicéia se despede de Dandara e Yby, então segue para a mata, mas, dessa vez, vai em direção à clareira onde ficam as naves da Casa. Lá está sua pequena nave, que a leva para o porto de Vênus.

Petra, e as outras quatro iniciadas, são recebidas com festa na Casa.

No ciclo seguinte, Dandara vai até a Primeira Cidade, o centro de Vênus, e leva Artemísia com ela.

Após deixar o veículo aéreo em uma garagem, Dandara segue pelas ruas da cidade. Artemísia tem péssimas lembranças do lugar.

Enquanto andam, uma pequena ladra tenta roubar o bracelete da jovem discípula, mas sem sucesso. A filha do Clã é mais rápida e, segurando a ladrazinha pelos punhos, Artemísia olha nos olhos dela, como se fosse começar um sermão.

  ─ Ei... deixe a menina! ─ Dandara olha para uma marca no punho dela. Artemísia ignora a marca e presta atenção ao bracelete que a menina usa, que é igual ao que ela foi obrigada a usar enquanto esteve nas ruas. Artemísia solta a menina, que sai correndo e desaparece em meio à multidão.

─ Viu aquele símbolo? É a marca da Casa de Heitor. Ele é meio... excêntrico, ninguém quer confusão com aquela Casa. Venha!

Artemísia tem uma sensação ruim, fica pensativa por alguns segundos, então segue Dandara.

O episódio, envolvendo a ladrazinha, não passou despercebido por um dos generais de Heitor, responsável por vigiar as novatas na fase de sobrevivência nas ruas. Ele reconheceu Artemísia, tirou uma foto dela com Dandara e enviou ao líder de sua Casa. Heitor, que está no dojo treinando alguns guerreiros, recebe a mensagem com indignação.

─ Então... a menina prodígio da Casa de Yby, a famosa Artemísia, é, na verdade, uma desertora da minha casa! ─ Heitor fica enfurecido.

Há uma lei entre as Casas, ninguém pode aceitar um mercenário, mesmo em treinamento, que tenha desertado, a não ser que ele possua uma carta de recomendação. Isso ajuda a impedir traidores de se aninharem nas Casas. Mas há um ano, Artemísia sequer sabia da existência de Casas mercenárias, quanto mais conhecia as regras que elas seguem.

Quando Dandara acolheu a pequena filha do Clã, também não sabia que ela era uma das meninas de Heitor, pois Artemísia, por alguma razão, não tinha a marca em seu punho. E, exatamente por não ter a marca, Artemísia, agora, tinha dúvidas se foi uma desertora da Casa de Heitor ou não. Ela sente que deve contar toda a história para Dandara, mas hesita. Já havia se passado um ano e ninguém a procurou. Ela imaginou que a identificação falsa, à qual as meninas nas ruas tiveram acesso, foi o suficiente para apagar qualquer rastro que tivesse deixado.

Artemísia olha para Dandara.

─ O que foi, Artemísia? ─ Soldados do Clã passam por elas, mas as ignoram totalmente. Artemísia sorri. Estava salva.

─ Nada! Vamos logo...

Enquanto Artemísia se sente aliviada por não ser mais reconhecida por seus antigos inimigos, Heitor desenvolve a sua vingança.

─ Quero as Munakata Sanjojin aqui, ainda hoje. Tenho uma missão pra elas. ─ Heitor diz a um de seus generais, que sai do dojo imediatamente, e volta a dar instruções aos guerreiros em treinamento.

Dandara foi à Primeira Cidade a pedido de Yby. Ela devia comprar novas espadas.

Em Apolo, somente grandes guerreiros ainda utilizavam espadas de metal. Nas batalhas, o mais comum eram as armas a laser. Arcos, espadas, chicotes, enfim, todo tipo de arsenal que pudesse utilizar a tecnologia a laser era encontrado em Apolo.

Mas os grandes guerreiros ainda lutavam com a alma. Eles passavam por treinamentos intensos, que os ensinava a se fundir com suas armas, como se elas fosse uma extensão de seus corpos, e isso lhes dava grande satisfação. A tradição da espada, surgida na Terra, há milênios, sobreviveu em Apolo e Yby era uma das adeptas mais fiéis. Artemísia seguia o mesmo caminho de sua guardiã.

No grande mercado da Primeira Cidade, Dandara segue até a loja de armas antigas. A loja é só uma faixada, pois o dono é um dos maiores fabricantes de espadas de Apolo. Ele pertence a uma linhagem muito antiga de humanoides.

─ Mestre Akira! ─ Dandra cumprimenta o dono da loja, se curvando um pouco, em sinal de respeito.

─ Jovem Dandara! ─ Akira devolve o cumprimento, depois chama por um rapaz para que cuide do balcão. ─ Venha, o que você veio buscar está lá embaixo. ─ Os dois passam por uma porta perto do balcão, que dá acesso ao porão, lugar onde o humanoide guarda as espadas. Artemísia aguarda no balcão.

 

Na Casa de Heitor, o treinamento termina. Os guerreiros seguem para seus quartos, mas Heitor continua no dojo, meditando. Uma das generais se aproxima.

─ As Munakata já chegaram! ─ Heitor abre os olhos.

─ Peça que venham até aqui.

Alguns instantes se passam, depois, passos são ouvidos, fazendo a madeira do piso gemer. Então, silêncio.

─ A Casa de Yby foi acusada de traição. Quero que verifiquem a informação e, caso seja confirmada, cumpram o dever de vocês. ─ Heitor fala de costas para as Munakata Sanjojin.

Na vigésima segunda hora do ciclo, Dandara e Artemísia chegam à Casa. Algumas guerreiras estão conversando na sala. As mais jovens já estão dormindo. Yby está na cozinha.

─ As espadas estão no armário, no santuário. ─ Dandara diz, ao se aproximar de Yby.

─ E Artemísia?

─ Ela é tão apaixonada por espadas quanto você! ─ As duas riem. ─ Me ajudou a guardar as armas, depois foi dormir.

─ Hum!

Uma luz azul pisca, de forma insistente, no bracelete de Yby. É uma mensagem de Kamikia.

─ Os líderes convocaram uma assembleia urgente. Venha e traga Dandara e Petra. Há algo estranho acontecendo. ─ Yby olha para Dandara.

─ Você ouviu... acorde Petra. ─ A mercenária segue em direção à sala, enquanto Dandara sobe as escadas.

Na sala, Yby chama por Naomi. As duas seguem para a cozinha.

─ Há algo estranho acontecendo entre as Casas. Foi convocada uma assembleia urgente. Tenho que ir, agora. Dandara e Petra irão comigo... deixo a Casa sob os seus cuidados. ─ Naomi fica preocupada.

─ Você tem ideia do que seja?

─ Não. Mas tome cuidado. Estou com um pressentimento ruim...

─ Tudo bem. Vou reforçar as defesas da Casa.

Dandara e Petra, ainda sonolenta, se aproximam.

─ Vamos? ─ Dandara pergunta. As três saem pela porta da cozinha. Naomi as observa saindo, como se estivessem se movendo em câmera lenta.

Após algumas horas, Naomi recebe uma mensagem de Yby. A assembleia seguiria pelas primeiras horas do novo ciclo. Elas chegariam próximo à hora do almoço.

Por ScryzZ | 26/02/18 às 11:36 | Ficção Cientifica, Ação, Protagonismo Feminino, Fantasia, Brasileira, Poder, Drama