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Capítulo 2.10 - A fuga

Artemísia (ART)

Capítulo 2.10 - A fuga

Autor: Francélia Pereira

A guerra entre as forças de Yby e de Heitor segue de forma sangrenta, mas como nela só há mercenários, códigos de honra são respeitados. Um deles é não misturar guerreiros muito avançados com guerreiros no começo de seus treinamentos. A batalha do centro é a batalha dos veteranos e as batalhas na periferia acontecem entre os novatos, assim, Artemísia luta em uma batalha distante do conflito principal. 

 Na batalha do centro, todos os guerreiros dão o melhor de si, pois sabem que essa é uma oportunidade rara, de morrer com honra pelas mãos de algum bravo guerreiro. Petra sente um prazer intenso em fazer parte disso e mata seus oponentes com satisfação e muito respeito.

─ Em breve estaremos juntos, irmão! ─ Petra está agachada e de olhos fechados, enquanto põe uma das mãos sobre o peito do guerreiro do qual acabou de tirar a vida. Após se despedir do mercenário, a guerreira se levanta e retorna para seu posto de general. ─ VAMOS! E NÃO TENHAM PRESSA DE DEIXAR ESSE MUNDO... ─ Petra diz aos guerreiros, com sua espada erguida e demonstrando muita bravura.

Os mercenários gritam enfurecidos e se jogam com mais paixão no combate. Petra sorri com prazer, de forma ofegante, e corre para seu próximo oponente, como se fosse um animal feroz prestes a devorar sua presa. As duas espadas se chocam e Petra pode olhar nos olhos do oponente. Ela sorri, ele sorri de volta. Os dois carregam a mesma paixão por testar a morte a cada instante. Os oponentes se empurram e voltam a lutar, em meio aos combates.

Yby e Dandara correm à frente de suas tropas.

─ ESCUDOS! ─ Yby grita, ao ver uma rajada de flechas de energia se aproximando. Os guerreiros acionam seus escudos de energia que, unidos, criam um campo de proteção para todos.

Após caírem as flechas, Dandara convoca seus arqueiros.

─ FLECHAS! ─ Três grupos de arqueiros se revezam, fazendo com que as flechas de suas tropas cheguem em tempos diferentes até as tropas do oponente. Vários guerreiros são feridos no lado de Heitor, que contra-ataca com mais flechas. Os drones, dos dois lados, seguem dando apoio, atirando com seus pequenos canhões a laser.

 Em meio aos ataques de flechas, os dois lados avançam, até que colidem com os guerreiros mais valentes à frente. Yby luta, com sua espada, contra dois oponentes, um homem e uma mulher. Heitor segue matando de forma insana. Os dois vão avançando na batalha, até que ficam frente a frente.

Quando os olhares de Yby e de Heitor se encontram, os dois ficam cegos de ódio. Eles não conseguem ver mais nada ao redor. Os dois estão sujos de poeira e sangue. Há ferimentos em seus corpos. Os dois líderes se olham por um isntante, como se estivessem se matando mentalmente. Yby quebra o silêncio.

─ Será uma grande honra te enviar para o outro mundo... Heitor. ─ Yby fala com raiva.

─ Só acredito neste mundo, Yby, e nele não há espaço para nós dois... mas já que acredita em outro mundo, ficarei feliz em te enviar para lá. ─ Yby avança com ódio, segurando a base de sua espada com as duas mãos. Heitor a aguarda, com expressão séria e postura imponente.

Heitor se prepara para se defender do golpe violento da espada de Yby, mas, ao se aproximar, a mercenária não ataca com a espada, ela se joga no chão, atropelando o oponente, que cai e quase bate a cabeça, mas se recupera logo do tombo e fica de pé, atordoado com o golpe que o pegou de surpresa.

 Antes que Heitor pudesse se recuperar do susto, Yby, que se levanta em um salto, já chega com toda sua fúria e golpeia com sua espada, que passa de raspão na barriga do mercenário; ele se desvia a tempo de impedir sua morte. O sangue jorra, Yby ataca novamente, mas Heitor já está mais consciente e ataca também. As espadas colidem e criam faíscas, representando todo o ódio que os oponentes sentem um pelo outro, os dois parecem se movimentar mais rápido que todos os guerreiros que lutam ao redor.

As espadas se chocam em um golpe, colocando Heitor e Yby bem próximos, se olhando nos olhos, os dois ofegantes e cheios de rancor. Heitor empurra a mercenária, que dá um salto mortal para trás, para não cair no chão. O guerreiro segue, velozmente, em direção à Yby, ele tenta dar um golpe com sua espada, mas a líder mercenária salta e, na descida, quase crava sua espada na cabeça do filho desertor do Clã, que consegue desviar, girando o corpo, o que lhe dá a oportunidade de ferir a mercenária na perna.

Ferida, Yby chuta Heitor, para afastá-lo, ele se desequilibra pisando sobre uma pedra e cai no chão. A guerreira não perde a oportunidade e se move muito rápido, quase se teletransportando para perto de seu oponente. Yby levanta a espada e olha nos olhos de seu inimigo, com um sorriso de satisfação, Heitor teme por sua vida, mas quando Yby já sentia sua espada entrando na carne do inimigo, um drone a acerta no peito, com um tiro certeiro. A mercenária cai desmaiada no chão, Dandara vê, ao longe, e aciona um de seus drones, por comando de voz. O drone envia solicitação para mais dez e eles seguem para proteger Yby até que Dandara chegue para regatá-la. Uma mercenária ajuda Heitor a se levantar e a fugir dos drones, que vigiam Yby desacordada no chão.

Dandara chega, com alguns guerreiros, Yby já está acordando. Enquanto desperta, ela vê, ao longe, Petra sendo atacada por três oponentes.

─ NÃAAAAAAAAOOOO!!!! ─ Yby grita, chorando, ao ver três espadas atravessando, de uma vez, o corpo de Petra. Dandara, que está abaixada, apoiando Yby para que se levante, olha para a cena e prende o choro.

─ Vamos, não há nada que possamos fazer por Petra agora... ─ Dandara coloca Yby de pé, com a ajuda de outro guerreiro. A general solicita ajuda por seu comunicador. A líder mercenária está fraca, por causa do ferimento, mas consegue reprimir o choro para dar as ordens ao perceber que iria perder a consciência mais uma vez.

─ Nós perdemos... ─ Yby diz, enquanto é carregada em direção à nave de resgate solicitada por Dandara.

─ Ainda estamos em vantagem na periferia, a guerra não acabou.

─ Não... já acabou sim. Eu lidero esse exército e fui abatida... e mataram Petra... na batalha principal já estamos em desvantagem, a periferia cairá após cairmos totalmente por aqui. Avise as tropas que perdemos e estamos em retirada. ─ Yby fala totalmente abatida. Dandara acata a ordem.

As tropas de Yby começam a se retirar. A informação de que ela aceitou a derrota chega até Heitor, que comemora com um grito. As naves de Yby chegam para resgatar os guerreiros; os que ainda lutavam interrompem a luta e os oponentes colocam a mão direita, fechada, sobre o coração, em sinal de respeito, e se despedem.

Algumas naves do lado de Yby já estão deixando o campo de batalha, enquanto outras chegam para levar os guerreiros, mas uma ordem de Heitor gera confusão entre os dois lados.

O líder mercenário ordena aos membros de sua Casa que prendam os emancipados do lado de Yby, alegando que eles não pertencem mais às forças do Governo, já que desertaram ao retirar o chip que lhes dava permissão para atuar como mercenários de forma legal, no Sistema. A intenção de Heitor é criar um exército de escravos. solos.batalha, enquanto outras chegam para levar os guerreiros, mas uma ordem de Heitor gera confusm um sinal d

Os guerreiros da Casa de Heitor começam a cumprir a ordem, mas os mercenários emancipados se revoltam, dos dois lados, com mais essa atitude desonrosa do desertor do Clã. Os emancipados enviam uma mensagem para o Governo, solicitando permissão para atacá-lo, para impedir tal ato desonesto. O Governo, ao perceber que Heitor está praticamente sozinho em sua decisão, permite o ataque, para pôr fim à crise entre os mercenários. Muitos guerreiros da Casa de Heitor mudam de lado.

Heitor tenta fugir. Enquanto segue em direção a uma nave, envia uma mensagem através de seu comunicador, mas um grupo de guerreiros o cerca.

Acuado, o desertor do Clã decide lutar até a morte. Ele empunha sua espada e fica em posição de ataque. Mas uma nave surge e dispersa os guerreiros que o cercavam, com tiros de laser. A pequena nave se aproxima do filho do Clã, que corre para atravessar a porta que se abre. Quando Heitor entra, a pequena nave sobe, deixando um rastro de poeira no chão, e desaparece no céu negro do deserto de Anúbis.

 

Yby foi levada para a enfermaria do acampamento. Ao chegar no local, Kamikia vê o corpo de Petra sendo levado para o lugar onde os corpos serão preparados para o enterro. Ele entra na enfermaria e se aproxima de Dandara, que vela Yby inconsciente.

─ Lamento por Petra e por Yby também... Eu estava muito distante para poder ajudar... ─ Kamikia comenta.

─ Não lamente, isso faz parte da guerra. Eu estava perto e também não pude ajudar. ─ Dandra não desvia o olhar de Yby.

─ O que faremos, agora?

─ Levarei Yby para a Lua, para que se recupere sem que Heitor nos incomode...

─ Heitor não morreu?

─ Não. Uma mercenária me avisou que ele fugiu em uma nave, ao que tudo indica, uma nave pirata.

─ Nave pirata? ─ O líder da Casa de Kûara fica pensativo por um instante. ─ Droga, se for Dionísio essa guerra não terminou aqui. ─ Dandara olha para Kamikia preocupada.

─ Dionísio? Você acha que Heitor se aliou a Dionísio?

─ Foi só uma intuição... espero estar errado. Mas, e Artemísia? O que faremos com ela? Pelo que entendi, essa guerra foi fatal para as Casas, ninguém sabe o que o futuro nos reserva, agora...

─ É... estive pensando nisso também. Acho melhor você levá-la para o templo de Andyrá, quando pudermos, pensaremos no que fazer para ajudá-la.

─ Andyrá! ─ Kamikia pensa alto; Artemísia chega na enfermaria, com expressão preocupada e segurando seu capacete. Ela vê Dandara e Kamikia perto de Yby, então segue até eles.

─ Como ela está? ─ Artemísia pergunta, angustiada.

─ Não se preocupe, Yby está bem! ─ Dandara responde, com um sorriso sereno. Kamikia põe a mão sobre o ombro dela.

─ Arrume suas coisas... O velho mestre a espera.

Por FranHDC | 05/03/18 às 10:30 | Ficção Cientifica, Ação, Protagonismo Feminino, Fantasia, Brasileira, Poder, Drama