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Capítulo 2.5 - O destino do sábio

Artemísia (ART)

Capítulo 2.5 - O destino do sábio

Autor: Francélia Pereira

─ Heitor enlouqueceu... ─ Dandara fala enquanto se aproxima de Yby, que está na sacada observando o treinamento dos guerreiros no pátio.

─ Heitor sempre foi louco... mas o que ele fez dessa vez?

─ Em Vênus está matando guerreiros de todas as Casas, incluindo seus aliados.

─ Heitor declarou guerra a todas as Casas?

─ Não é uma guerra declarada, as Munakata estão matando por ele, mas Heitor disse aos aliados que elas desertaram e estão agindo por conta própria...

Yby se afasta da sacada e segue pela grande sala. Dandara a acompanha.

─ Precisamos atacar agora... Heitor já deve estar organizando suas tropas pra vir pra Marte.

─ Ainda não temos soldados suficientes pra atacar Heitor em Vênus...

─ Há Casas aliadas de Heitor aqui, devemos atacá-los imediatamente. Não podemos esperar um ataque surpresa daquele louco. ─ Yby entra em seu quarto. ─ Chame Petra, vamos definir a estratégia dos ataques. ─ A mercenária aciona uma grande tela holográfica em um canto do quarto. Um mapa de Marte surge, com regiões destacadas. São os locais onde se encontram as Casas aliadas de Heitor.

 

Malik e Kamikia estão em uma base de tratamento de água. Piratas haviam atacado uma frota de naves dessa base. A frota transportava água para uma base no Cinturão. O diretor convocou a Casa de Kûara, por indicação do Governo, para resgatar a frota e punir os piratas. Ao fim da conversa com o diretor, Kamikia e Malik andam pela base, que fica fora das cúpulas das cidades de Europa.

─ Artemísia iria gostar desses trajes... embora a temperatura aqui fora seja mortal, com esses trajes a sensação térmica é de um dia fresco em Vênus, além de serem leves... ─ Kamikia comenta.

─ O problema é esse capacete... Não sei como os trabalhadores da base suportam usar essas coisas por vários dias terrestres seguidos. ─ Malik faz uma pausa, olhando para frente. ─ E acho que Artemísia pode te dizer a opinião dela sobre esses trajes!

─ Como assim?

─ Olhe!

Kamikia olha para frente e vê Artemísia se aproximando.

─ Artemísia? O que faz aqui?

─ Só posso te dizer dentro da cúpula. Mariah me disse que os capacetes não são seguros... ─ A venusiana meche no capacete. ─ E como isso incomoda! ─ Malik ri.

─ Vamos retornar logo à cidade, então... ─ Kamikia diz.

Os três atravessam a base em um veículo. Artemísia se encanta ao ver todas aquelas máquinas gigantes trabalhando sobre o chão congelado de Europa, retirando a água líquida em perfurações de poços, em alguns pontos, e cortando a água congelada em cubos enormes, em outros pontos. Drones, de diversas formas, se locomovem pelo chão e pelo ar. Seres humanos, em seus trajes especiais, controlam todo o trabalho. Os humanoides, como em todo o Sistema Apolo fora da Terra, são raros.

Quando chegam perto da saída, os três entram em uma sala, onde eles deixam os trajes especiais e o capacete, que lhes permitem transitar do lado de fora da cúpula da cidade. Dentro da sala a temperatura é a mesma do interior das cidades.

Após se despirem dos trajes, eles se dirigem para a recepção. Quando são liberados, os três seguem para os portões da base. Ao deixar os portões, Artemísia transmite o recado a Kamikia, a comunicação feita através dos microfones nos capacetes pode ser interceptada por espiões, por isso Mariah instruiu Artemísia para só entregar o recado após voltarem para a cidade.

─ Não me disseram o que é... mas há muita confusão na Casa. Um general recebeu uma mensagem através de uma senhora que apareceu por lá e depois todos os generais foram se reunir em caráter de emergência. Vi muita gente apressada pelos corredores e os veteranos foram treinar, todos de uma só vez. A general Mariah solicitou que eu te encontrasse na base de tratamento e te dissesse que você deve retornar para a Casa imediatamente. ─ Kamikia e Malik se olham.

─ As comunicações não são mais seguras aqui em Europa. Provavelmente é algo relacionado a Heitor... ─ Kamikia comenta. ─ Vamos logo!

Enquanto andam pela calçada, Malik vê Andyrá parado, no lado oposto da rua.

─ Kamikia... ─ Malik diz, o líder de Kûara também vê Andyrá.

─ Nos encontramos na Casa. ─ Kamikia segue andando. Quando Artemísia começa a segui-lo, Malik a segura pelo braço.

─ Você fica. ─ Kamikia, sem olhar para trás, ouve e aperta o passo. Malik e Artemísia atravessam a rua.

Perto de Andyrá, Artemísia fica impressionada com aquele homem alto, forte, com os pés descalço, que levitam sobre o chão. O capuz do manto cobre parte do rosto dele.

─ Desde que trocou o templo pela Casa de Kûara, você já teve muito tempo para comparar os dois caminhos, mas continua insistindo na vida de mercenário, mesmo já tendo reconhecido que você é um sábio... ─ Artemísia se assusta com a informação.

─ Não sou um sábio, sou um tolo, como você bem sabe...

 Andyrá tira o capuz e olha o sobrinho nos olhos.

─ Não é o amor que te faz um tolo e sim o medo que você tem dele... mas não poderá fugir para sempre do seu destino. Uma grande guerra se aproxima e nela você terá que fazer a escolha que vem evitando, todo esse tempo. ─ Andyrá olha para Artemísia. Malik fica pensativo. ─ Há destinos que dependem de você, Malik, não deixe que seus fantasmas o impeçam de honrar com sua missão.

─ A única coisa que posso prometer é fazer o meu melhor, mesmo que não seja o suficiente em certas situações, sou humano e a minha humanidade me limita. ─ Andyrá observa Malik por um instante, depois se aproxima mais de Artemísia.

─ Se Malik falhar com você, um destino de solidão a aguarda. Mas chegará o dia em que sua essência tentará te libertar de um caminho que não é o seu, nesse dia, lembre-se da Cabana! ─ Andyrá toca, com o dedo indicador, a testa de Artemísia. Malik observa, sério. Andyrá se afasta dos dois, levitando. O jovem mercenário e Artemísia observam o sábio desaparecer em meio às sombras em um beco.

Malik e Artemísia andam pela cidade, a caminho da Casa de Kûara. Malik está calado. Artemísia quebra o silêncio.

─ Aquele homem era seu mestre no templo?

─ Sim. Ele se chama Andyrá.

─ Por que você decidiu deixar o templo e se tornar um mercenário?

─ Minha mãe foi uma mercenária, mas não queria o mesmo destino pra mim, então, quando fiz dez anos ela me deixou aos cuidados do meu tio, no templo. Quando completei 15 anos terrestres, minha mãe foi morta em uma batalha. Um sentimento de ódio tomou conta do meu coração, então entendi que não poderia mais viver no templo. Meu tio entendeu que eu precisaria de um tempo para compreender meus sentimentos, mas imaginou que eu retornaria logo para o templo, então me indicou à Casa de Kûara. Só que o destino... enfim, já se passaram três anos e eu ainda não retornei aos meus estudos no templo.

─ Seu tio é... ─ Antes que Artemísia complete a frase, o mercenário a interrompe.

─ Vamos, precisamos chegar logo à Casa. ─ Malik fica sério. Artemísia compreende que ele não quer conversar.

Por FranHDC | 05/03/18 às 10:18 | Ficção Cientifica, Ação, Protagonismo Feminino, Fantasia, Brasileira, Poder, Drama