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Capítulo 2.8 - Uma mensagem importante

Artemísia (ART)

Capítulo 2.8 - Uma mensagem importante

Autor: Francélia Pereira

Em Vênus, Dandara conversa com um mercenário em uma taberna, em uma cidade do interior. Malik a aguarda do lado de fora, sentado em um banco metálico comprido, encostado na parede da taberna, perto da porta de entrada. O capuz do manto cobre o  rosto dele, que vigia o local.

─ Abaeté e a Cidade do Sol estão sob vigia o tempo todo. Os marginais de Heitor controlam quem entra e quem sai das cidades... te aconselho a passar bem longe delas! ─ O jovem mercenário, de cabelos ruivos encaracolados, toma um pouco da bebida azul de seu copo. Dandara, que está sentada à mesa com ele, se joga, lentamente, para frente, para poder conversar aos sussurros com o rapaz.

─ Preciso saber o que Heitor está tramando... Sei que os aliados dele o abandonaram, mas esse verme não deixou Vênus ainda, logo, tem uma estratégia bem definida pra atacar Yby... preciso saber o que é.

O rapaz põe o copo sobre a mesa, espreme os lábios, pensa um pouco e então olha a mercenária nos olhos.

─ Tudo bem... posso ver o que consigo, mas não sairá barato... posso morrer pelo simples fato de fazer perguntas sobre Heitor por aí!

Dandara aciona a tela holográfica de seu bracelete, depois pega um pequeno e fino cartão no bolso de seu manto e o entrega ao mercenário.

─ Tome... aceite esses créditos como metade do pagamento. Quando me entregar a informação que preciso, te dou a outra metade.

O mercenário pega o cartão, sorri para Dandara, se levanta, toma o resto da bebida, bate o copo sobre a mesa e sai da taberna. Na saída, Malik o observa; pouco depois Dandara também sai, cobrindo a cabeça com o capuz de seu manto. Malik se levanta.

─ E então?

─ Ele vai conseguir a informação, não se preocupe. ─ Os dois seguem para o veículo estacionado do outro lado da rua. ─ A Cidade do Sol e Abaeté estão sob a vigilância de Heitor...

─ Então a Primeira Cidade também está...

─ A Primeira Cidade é muito grande e já é vigiada pelo Clã e pelo Governo... estaremos seguros por lá. ─ Dandara diz, enquanto os dois entram no veículo.

─ Até hoje não entendi por que um desertor do Clã formaria uma Casa Mercenária na Primeira Cidade...

─ Heitor é louco, Malik... ─ Dandara sorri. O veículo segue rapidamente pelo ar.

Na Primeira Cidade, Dandara procura por seus contatos de confiança, mas nenhum sabe lhe dizer o que se passa na Casa de Heitor. A mercenária decide não ficar andando pela cidade, para evitar ser reconhecida pelos guerreiros de Heitor, então vai até a loja de Akira, pegar uma encomenda, enquanto espera pela resposta do mercenário ruivo.

Na loja, enquanto observa a nova espada, a luz azul de seu bracelete se acende.

Me encontre na floresta, na fronteira da Primeira Cidade com a área inabitada de Vênus. ─ O jovem mercenário fala através da tela holográfica. 

Dandara sobrevoa a floresta e pousa o veículo em uma pequena clareira. Enquanto esconde o veículo com galhos cheios de folhas, conversa com Malik.

─ A floresta é grande, ele te disse exatamente onde iria nos encontrar?

─ Não... mas ele nos encontrará. Vamos aguardá-lo na saída para o lado inabitado.

Dandara e Malik estão sobre um galho forte de uma grande árvore, observado a vastidão inabitada de Vênus. Nenhuma construção humana é avistada, somente uma área que parece infinita, coberta por uma vegetação baixa e escassa. Ao longe, bem ao longe, se vê montanhas sob o céu azul.

─ Sempre que venho aqui me pergunto como teria sido Vênus quando abrigou a vida pela primeira vez...

─ Era muito parecido com a Terra antes das catástrofes...

Dandara olha para Malik.

─ E como você sabe disso? Não sabemos nem como era a Terra antes das catástrofes... ─ Dandara diz, com tom de ceticismo. Malik se arrepende do comentário e responde com bom humor.

─ Pois é, exatamente como a Terra antes das catástrofes... não sabemos como era! ─ Malik sorri. Dandara sorri também, então recebe uma mensagem do mercenário, seu informante.

─ Vamos, Malik... ele nos espera perto do veículo.

O mercenário conta a Dandara que soube de um informante, que trabalha para o Governo, que Heitor recebeu permissão para convocar os emancipados para uma guerra final contra Yby. O prazo para pôr fim à guerra seriam vinte e quatro horas terrestres, desde a autorização da missão. Já havia se passado seis horas até então.

 Dandara se apressa para ir até a cidadezinha onde havia escondido sua nave, mas ao passar novamente pela Primeira Cidade, seu veículo é atingido por outro veículo, conduzido por uma das generais de Heitor. Devido ao impacto, o veículo de Dandara gira no ar e segue ao encontro de um prédio, mas Dandara e Malik conseguem saltar antes da colisão e caem sobre uma pista suspensa, por onde trafegam pessoas em veículos menores. A mercenária de Heitor envia mensagens para os guerreiros da Casa, que estão por perto. Três deles se juntam na pista onde Dandara e Malik cairam e começam uma perseguição.

Malik aciona seu bracelete para chamar um transporte público, que funciona de forma similar aos antigos táxis da Terra. O transporte para em frente a Malik. Os dois mercenários entram no pequeno veículo, que é guiado por inteligência artificial.

O veículo se parece com as antigas motos da Terra, mas é coberto por uma espécie de cúpula em material transparente, que se abre para que os passageiros se acomodem dentro. Malik informa o destino e diz que está atrasado para um compromisso importante. O veículo sai apressado em meio aos demais. Os mercenários de Heitor se apressam na perseguição. Heitor é informado sobre o ocorrido.

─ Incompetentes... não conseguem cumprir uma missão simples e se julgam grandes guerreiros... ─ Heitor fala, enfurecido. As Munakata, que estão no dojo junto com Heitor, escutam a mensagem informando sobre a fuga de Dandara, então vão saindo após o comentário de Heitor. ─ Para onde vão?

─ Vamos resolver esse problema... Se Dandara chegar até Marte com a informação que recebeu, você não terá chance contra Yby. ─ Issa diz, enquanto deixa o dojo. Heitor sorri sarcasticamente.

Na saída da pista, o veículo de Dandara e Malik é cercado pelos guerreiros de Heitor; Malik dá ordem para que o veículo pare de uma vez, seus perseguidores seguem em alta velocidade à frente, mas a freada brusca de Malik faz com que os mercenários percam a concentração e dois deles acabam se chocando um com o outro. O terceiro consegue contornar e vem novamente em direção à Malik e Dandara, mas os dois saem do veículo e aguardam o mercenário com suas espadas na mão.

Ao ver os dois veteranos o aguardando de pé, de forma ameaçadora, o mercenário diminui a velocidade e foge para o lado oposto, enviando mensagens para os demais, solicitando reforço. Mas, assim que o veículo do mercenário inimigo desaparece em uma esquina, as Munakata praticamente surgem à frente dos dois mercenários, a certa distância, saltando as três de uma vez do veículo aéreo que as levou até ali. Nenhum dos cinco se importam com os pequenos veículos que passam naquela rua larga, pois todos são equipados com tecnologia que impede colisões com humanos. Assim, eles começam uma luta em meio aos veículos, que se desviam deles.

De um lado, Malik e Dandara, com seus mantos ao vento, do outro as Munakata, com a mesma expressão de superioridade de sempre. Os cinco se olham por um instante, lendo uns aos outros, então Dandara tira o capuz que cobria sua cabeça; Issa é a primeira a se movimentar e corre em direção ao casal mercenário.

─ Deixe essa comigo, cuide da maluca do chicote... ─ Dandara diz a Malik, que se concentra e se teletransporta até Eiko.

Dandara sorri ao ver a Munakata se aproximando, mas não pega em sua espada, aguarda a oponente de mãos vazias. Issa se ofende com a atitude de Dandara, pois sente que sua oponente a menospreza, ela grita com ódio ao chegar perto da general da Casa de Yby, dá um salto bem alto e na queda mira a espada no pescoço de Dandara, que acompanha todos os movimentos de Issa com o olhar. Os veículos continuam passando velozmente ao redor das duas. Quando a espada de Issa deveria cortar o pescoço de Dandara, ela se desvia como um raio.

─ Vamos, Issa... Você é uma Munakata, ou melhor, é a líder das Munakata, não envergonhe suas irmãs.... sei que pode fazer melhor que isso. ─ Dandara provoca, enquanto Issa vai se virando com ódio, pela forma desrespeitosa com a qual Dandara a está tratando. O ódio também fez Issa perder a concentração, o que a impediu de aprender com Dandara a técnica de fuga utilizada. A Munakata tenta se concentrar, enquanto Dandara a espera, caminhando lentamente para o lado, a observando.

Quando consegue se concentrar, Issa abaixa a espada e segue, lentamente, em direção à mercenária. As duas se olham nos olhos. Quando Issa está a certa distância, Dandara fica séria e, rapidamente, saca sua espada, a tempo de se defender de um golpe veloz de sua oponente. As duas começam a lutar friamente com suas espadas.

Dandara percebe que Issa está aprendendo seus golpes enquanto lutam, então decide não usar tudo que sabe. As espadas se chocam com velocidade, diversas vezes. Saltos sobre a oponente, cambalhotas com intuito de cortar pernas com a espada, giros mortais para se afastar, diversas técnicas são utilizadas pelas duas, enquanto Malik luta contra Eiko, sob uma chuva de flechas de Hana, que não podem feri-lo, pois o sábio mercenário se concentra para fortalecer o campo magnético ao redor de seu corpo, o que impede as flechas de energia de se aproximarem dele.

 Após se defender de mais um golpe, em potência máxima, do chicote de Eiko, Malik se irrita com Hana.

─ Diga à sua irmã que suas flechas jamais irão me atingir, mas a luz delas está me incomodando. Terei que matá-la se continuar com essa besteira...

─ Hahahaha... Quem pensa que é, jovem sábio, para afirmar com tanta convicção que pode matar uma de nós? ─ Eiko diz, rindo, e ataca novamente com o chicote. Malik se teletransporta; Hana, rapidamente, se vira e consegue se defender de um ataque do mercenário, com um escudo de energia acionado a tempo.

─ Hum... vejo que suas habilidades vão além dos fogos de artifício que atira sobre o inimigo... ─ Malik olha nos olhos de Hana. Eiko vem correndo na direção dos dois. Ao ver Eiko se aproximando, Malik se apressa em ferir Hana com a espada, ela se protege do ataque, mas não consegue se desviar da rasteira que Malik lhe dá e cai no chã. Bem rápido, o mercenário eleva a espada para cravá-la no coração de Hana, mas o chicote de Eiko é mais rápido e ele tira a espada das mãos do jovem mercenário. Antes que o chicote acerte Malik, ele se teletransporta novamente.

─ Chame o drone. ─ Eiko diz a Hana, enquanto se levanta em um salto.

Hana envia uma mensagem para o drone, que ficou na Casa de Heitor. Eiko corre até Malik, com muita ira.

Enquanto eleva o chicote para golpear, Eiko provoca o oponente.

─ Já me cansei de você, sábio... ─ Eiko grita pela irmã. ─ HANA!

Quando Malik olha para Hana, que atira, de uma vez, diversas flechas em sua direção, o chicote de Eiko se enrola nele, liberando uma forte descarga elétrica no guerreiro. Sem a devida concentração, Malik fica exposto às flechas de Hana, que o acertam em diversas partes do corpo.

Após o ataque duplo, Malik cai, mortalmente ferido. As irmãs se olham e sorriem.

Do outro lado da larga rua, Issa e Dandara continuam lutando. Eiko segue na direção delas, caminhando lentamente.

Malik abre os olhos e vê o perigo que se aproxima de Dandara, então usa o resto de energia vital que ainda há em seu corpo para abrir um pequeno portal, que levaria Dandara para longe dali. Ele ergue a mão direita em direção à general de Yby, que luta com ódio contra Issa, após ver Eiko golpear Malik mortalmente. Quando percebe que Malik está apontando a mão em sua direção, enquanto Eiko vem andando calmamente, Dandara olha para trás e vê o portal se formando. Ela consegue cortar o rosto de Issa, e cegá-la momentaneamente com o reflexo do Sol em sua espada, Eiko vê o portal e corre para atacar Dandara, mas ela dá três saltos mortais para trás e desaparece junto com o portal. Malik sorri e seus olhos vão se fechando enquanto a vida deixa o seu corpo. 

Por estar muito fraco, o máximo que Malik pôde fazer por Dandara foi deixá-la na fronteira da Primeira Cidade com a estrada que leva ao interior. Após passar pelos portões, com o rosto coberto pelo capuz, Danara segue andando até encontrar uma carona. Já na estrada, a mercenária desativa seu bracelete e seu sistema de identificação. Se um oficial do Governo parar o veículo, ela pode ser presa, mas é a única forma das Munakata não a encontrarem até que saia de Vênus.

Em menos de uma hora terrestre, Dandara chega à sua nave, na cidadezinha onde a havia deixado, e segue para Marte. Na saída de Vênus, a mercenária ativa sua identificação e seu bracelete, para que o Governo libere sua saída. Só então as Munakata as localizam.

─ Hum... Heitor não ficará feliz com isso! ─ Eiko diz.

─ Que se dane o Heitor... vamos! ─ Issa diz. As três seguem para uma taberna. Hana envia uma mensagem para Heitor, informando que Dandara estava indo para Marte.

 

Yby está no jardim da nova Casa, onde estava meditando. Ela lê a mensagem vinda da nave de Dandara. Seus olhos se enchem de ira. Kamikia está se aproximando.

─ Heitor conseguiu enganar o Governo. Virá pra Marte com um exército feito de emancipados. ─ Yby se vira e vai em direção à entrada da casa. Kamikia a segue.

─ Como você sabe disso?

─ Enquanto todos descansavam, Dandara e Malik foram para Vênus ver o que estava acontecendo... Dandara está voltando, não temos muito tempo. ─ Yby sobe as escadas que levam à entrada principal. Kamikia se apressa e para na frente de Yby, a segurando pelos braços.

─ Dandara está voltando... e Malik? ─ Kamikia pergunta, preocupado. Yby fica séria e faz sinal negativo com a cabeça. Kamikia a solta e ela segue pelo corredor principal da casa, para avisar aos mercenários sobre a guerra que enfrentarão em breve. Kamikia sai e olha para o céu.

─ Você me enganou, Malik... você me enganou... ─ Kamikia se lembra do rosto do amigo e dos sonhos que ele jamais irá realizar.

Por FranHDC | 05/03/18 às 10:26 | Ficção Cientifica, Ação, Protagonismo Feminino, Fantasia, Brasileira, Poder, Drama