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Capítulo 3.5 - O templo de Ártemis parte 03

Artemísia (ART)

Capítulo 3.5 - O templo de Ártemis parte 03

Autor: Francélia Pereira

A energia vital de Eiko é compartilhada com suas irmãs. Hana e Issa se tornam mais fortes. Dandara consegue se desviar das flechas de Hana, enquanto se aproxima dela. Já perto da oponente, a mercenária dá um salto muito alto e desce como um meteoro, acertando com um chute a cabeça de Hana. A Munakata perde o equilíbrio, mas não cai. Dandara rola no chão, após o impacto, e fica de pé, em posição de defesa.

Petra vai ajudar Yby em sua luta contra Issa, a mais forte das Munakata.

 

─ Você não me assusta, mercenária... você é fraca, posso te matar quando quiser.

─ Tenta. ─ Dandara provoca Hana.

A Munakata arma seu arco.

─ Flechas... assim, tão de perto?

Hana sorri com o comentário de Dandara, então atira uma flecha. Danara se desvia.

─ Uau, a moça errou. ─ Dandara debocha.

─ Não, minha cara, eu nunca erro... ─ Hana desliga seu arco e guarda o triendy na cintura. Dandara fica intrigada.

O chão começa a tremer. Um barulho estranho vai ficando mais forte. Dandara olha, séria, para Hana, que sorri sinistramente e corre como uma flecha. Ao olhar para trás, Dandara vê um animal enorme se aproximando, enlouquecido pela dor da flecha de Hana que o atingiu.

─ Um pindó... na Lua?

Dandara mal tem tempo para pensar. Rola no chão para se desviar do caminho da fera gigante. O animal a persegue, ela decide subir nele, escalando pela lateral.

O pindó se debate, pula e faz ruídos como se estivesse sentindo muita dor. Dandara vê o local onde a flecha o atingiu. Ela se lembra que está protegida com o campo regenerador de Athena, então tenta usar o campo para curar a ferida do animal.

─ Não custa tentar, né! ─ Dandara coloca sua mão sobre a ferida do pindó, enquanto se segura em seus longos e grossos pelos. ─ Está dando certo! ─ Dandara se anima, quando vê a ferida se curando. O animal vai se acalmando aos poucos, até que para.

Dandara desce do pindó em um salto. Ele se abaixa e ela pode se aproximar de sua cabeça e olhar no olho dele. O pindó parece agradecido. Dandara passa a mão na grande face do animal.

─ Bichinho bonitinho... Se eu sobreviver aqui, te levo de volta pra Marte.

O pindó faz um barulho alto e forte, como se estivesse respondendo. Dandara tapa os ouvidos e sorri, depois se lembra das Munakata.

─ Tenho que ir... ─ A guerreira se afasta do animal, correndo.

Ao longe, Dandara vê as duas Munakata lutando contra Yby e Petra. Ela pega a base de seu arco, que logo se arma, e começa a atirar flechas contra as Munakata, enquanto vai se aproximando.

─ Cuide da arqueira. ─ Issa diz, séria, para Hana, que dá um salto mortal para trás, fugindo do ataque de Petra. Issa rola no chão, se desviando do ataque de Yby e se posicionando diante de Petra. Yby a segue e as duas mercenárias lutam contra Issa.

Hana atira flechas em Dandara, que vem se aproximando ao longe. Dandara aciona seu escudo de energia e guarda o triendy na cintura, depois pega sua espada e segue correndo em direção à Hana.

Quando Dandara está bem perto, Hana troca o arco por um bastão de energia, na mesma base dourada do triendy. As duas guerreiras se confrontam e lutam ferozmente. Após alguns golpes, Dandara cai no chão. Hana vem com tudo para cima dela. Dandara sente o chão tremer e vê o pindó indo na direção de Hana. A general ri, olhando para a oponente, e rola no chão. O pindó esmaga Hana.

Enquanto o pindó se vinga de Hana, pisoteando a Munakata, Dandara segue para a batalha final. As três guerreiras lutam contra Issa, que agora tem a força das três Munakata e está mais insana que nunca. Ela se movimenta muito rápido, conseguindo se defender e atacar as três guerreiras ao mesmo tempo. Em um dos ataques, ela joga Dandara e Petra longe.

─ Ela tá muito forte... Não vamos conseguir derrotá-la. ─ Petra diz, cansada.

─ Ah! Vamos sim...

─ Como?

Dandara pensa um pouco, depois se levanta e fala gritando com Yby.

─ YBY! CHAME PELA DEUSA MORRIGAM!

─ Morri... o quê?

─ Morrigam, Petra... uma divindade antiga, que também era trina, assim como as Munakata.

Yby sorri enquanto luta contra Issa e logo Morrigam se manifesta através dela. Agora as duas lutam em pé de igualdade.

─ Mal consigo acompanhar. Os golpes estão muito rápidos.

─ Sim... e vai ficar melhor ainda. ─ Dandara sorri.

Issa e Yby lutam como se tempo e espaço não existissem ao redor delas. De repente, o corpo de Yby é tomado por uma luz intensa e vai se transformando, se tornando um grande lobo branco. Issa se assusta com a criatura que começa a surgir à sua frente. Ela tenta pensar em um ataque, mas o lobo a devora de uma vez, arrancando sua cabeça.

Petra e Dandara só viram uma luz forte ao redor das duas guerreiras e, com a intensidade da luz se reduzindo, elas começam a ver Yby de pé e um corpo no chão.

─ O que Yby está segurando? ─ Dandara pergunta, com o braço na frente dos olhos para protegê-los da luz.

─ A cabeça da última Munakata. ─ Petra responde sorrindo e segue em direção à Yby, que joga a cabeça sobre o corpo.

 

Na nave, Dionísio lamenta pelo resultado da luta.

─ Droga!

─ O que faremos, capitão?

─ Vamos pra Titã.

 

Diante do corpo da Munakata, Yby, Petra e Dandara observam, ofegantes, os restos mortais da guerreira.

─ Acho que agora podemos ir...

─ Ir pra onde? ─ Petra pergunta.

─ Pra Marte... ─ Dandara olha sorridente para o pindó que se aproxima lentamente.  As outras duas mercenárias olham para o animal, sem entender.

─ O que um pindó faz no deserto da Lua? ─ Petra questiona.

─ Ora, provavelmente algum pirata o deixou por aí, após desentendimento com algum cliente. ─ Dandara vai se aproximando do pindó. Yby sorri, depois olha em direção ao templo.

─ Cuidem do animal, ainda há algo que preciso fazer.

Yby segue para as ruínas do templo, devastado pelo ataque de Dionísio.

Diante das ruínas, a relíquia vibra e Yby se torna o avatar da deusa Ártemis, para a qual o templo foi erguido.

Ártemis anda entre os destroços, quando chega no salão onde ficava sua estátua, destruída pelo ataque, a deusa ergue o lugar novamente e reconstrói sua personificação em pedra. A deusa olha ao redor e vê corpos de discípulos do templo, ela os transforma em luz, que se elevam como belas estrelas indo para o céu.

A deusa sai do que restou do templo e, do lado de fora, ergue suas mãos. As ruínas vão se afundando na terra escura do deserto da Lua, como se ela fosse areia movediça. Com as ruínas do templo enterradas, Ártemis leva a consciência de Yby para a dimensão dos deuses.

─ Agora que seus pedidos foram atendidos, a relíquia deve ser devolvida a Epîakara.

─ Mas a relíquia não estava com ele, tive que procurar...

─ Não estava com ele porque alguém a roubou. Ele é o guardião desse objeto, precisou de você para resgatá-lo, por isso lhe permitiu usar a relíquia para trazer sua amiga de volta e garantir sua vitória nessa última batalha, mas você ainda é um avatar fraco, por isso a relíquia deve voltar para as mãos de Epîakara, que saberá a quem deverá entregá-la. Se insistir em utilizar a relíquia, seu corpo vai envelhecer em pouco tempo, talvez em poucos dias, e ainda há o risco de atrair forças de divindades obscuras, às quais você não conseguirá controlar.

─ Entendo... Me desculpe, comecei a me apegar ao amuleto.

─ Sim, é o que o poder faz com todos os mortais que não estão preparados para ele. Para o seu próprio bem, é melhor devolvê-lo logo.

A consciência de Yby retorna ao seu corpo. Ela vê Dandara e Petra se aproximando, as duas estão sobre o pindó. Yby sorri.

─ Vamos, tenho que ver o velho Epîakara, então levamos seu bichinho pra Marte.

Dandara estende a mão do alto do pindó. Yby escala o animal, segurando seu pelo, e pega a mão de Dandara. Os quatro seguem pelo deserto escuro da Lua.

Por FranHDC | 12/03/18 às 11:05 | Ficção Cientifica, Ação, Protagonismo Feminino, Fantasia, Brasileira, Poder, Drama