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Capítulo 3.6 - Até a próxima missão

Artemísia (ART)

Capítulo 3.6 - Até a próxima missão

Autor: Francélia Pereira

A caminho de Titã, Dionísio consegue negociar a troca de Muriah por Heitor. Ele explica aos governadores que as Munakata foram derrotadas por Yby, Petra e Dandara e que as três, agora, provavelmente cuidariam de guildas, mas enquanto Heitor estivesse solto, uma nova guerra poderia começar a qualquer momento. O governo ouviu outros líderes mercenários e constatou que, de fato, Heitor era o responsável pelas guerras e que o prendendo tudo voltaria ao normal.

O Governo decidiu liberar as licenças das mercenárias perseguidas pelo filho desertor do Clã. A princípio, o Governo se mostrou irredutível em sua sentença para Muriah, mas diante dos depoimentos contra Heitor, o Governo entendeu que abrir mão de sua prisão seria um prejuízo muito maior à ordem no Sistema que a libertação da irmã de Dionísio. Assim, o capitão pirata segue feliz para Titã, o lar dos governadores de Apolo, para resgatar seu braço direito.

Na Lua, Yby se encontra com o guardião da Relíquia.

─ Obrigada pela confiança, mestre Epîakara. ─ Yby entrega a Relíquia dos Deuses para o vidente.

─ Não agradeça, foi no Dharma que confiei. ─ O ancião guarda a relíquia em uma pequena bolsa amarrada na cintura, se cobre com um manto velho, sem capuz, se vira e segue seu caminho. Yby o observa. Petra se aproxima.

─ Foi esse velho que te falou da relíquia...

─ Sim... Sem ele não teríamos você de volta. ─ Yby olha sorrindo para Petra.

─ Acho que eu devia agradecê-lo, então... ─ Petra abre a boca para chamar por Epîakara, Yby coloca a mão em seu ombro.

─ Não. Deixe que ele se vá. ─ Epîakara vira em uma esquina e desaparece. ─ Onde está Dandara?

─ Embarcando o pindó.

─ Hahaha... aposto que vai adotar aquela fábrica de leite.

─ Hahahaha. ─ Petra e Yby andam pela rua. Dandara espera por elas no porto da Lua. De lá elas seguirão para Marte.

 

Artemísia olha para o céu avermelhado do crepúsculo em Marte. Um vento forte brinca com seus cabelos, agora longos. Ela sorri. Aos dezoito anos não se sentiria feliz em nenhum outro lugar. Enquanto inspira fundo o ar pesado do planeta vermelho, antiga esfera do deus da guerra, a jovem mercenária abre os braços, segurando, com sua mão direita, sua inseparável espada. Ela fecha os olhos por um instante, sentindo toda a energia à sua volta, então se vira de uma vez, cortando a cabeça do inimigo que se aproximava rapidamente.

─ Foi pra isso que nasci! ─ A venusiana diz, com um sorriso sarcástico, enquanto luta, ao lado de seus companheiros de guilda, contra um exército de foras da lei que conspiravam, escondidos no deserto, contra o governo de Marte.

Ao fim da batalha, alguns rebeldes são presos por soldados do Governo e os mercenários seguem para as tabernas marcianas.

─ Hahahaha... o novatinho se escondeu atrás da Artemísia... tava tremendo e chorando. ─ Uma mercenária diz. Todos estão sentados ao redor de uma mesa grande na taberna.

─ Ele não se escondeu atrás de mim... viu que eu estava em desvantagem contra aqueles gigantes e quis me ajudar, certo? ─ Artemísia olha para o novato, sorrindo. O rapaz sorri de volta.

─ Você devia liderar os Tapuia, Artemísia... Momburu já tá ficando velho... hahahaha. ─ Um mercenário comenta, enquanto bate nas costas de Momburu, que está sentado na cadeira ao seu lado.

─ Velho? Eu? ─ Momburu dá um soco no rosto do mercenário. Ele fica zonzo por um instante. Todos ficam em silêncio. ─ Então? ─ Momburu pergunta, sério. O mercenário dá gargalhadas, todos riem.

─ Parem, crianças... todos aqui sabem muito bem que o líder dos Tapuia sempre será Momburu. ─ Artemísia diz sorrindo, enquanto levanta o copo e faz um brinde, à distância, para o líder da guilda, que sorri e brinda de volta. Enquanto olha para Momburu, Artemísia vê um mercenário se levantando de uma mesa um pouco ao longe e indo em direção à saída. A guerreira se levanta e corre atrás dele.

Do lado de fora da taberna, Artemísia segura no ombro do homem.

─ Kamikia!

─ Sim? ─ Kamikia responde, desconfiado, enquanto se vira olhando para a bela jovem que o aborda.

─ Não se lembra de mim?

─ Com certeza me lembraria se a conhecesse. ─ O mercenário observa Artemísia com admiração.

─ Para... é estranho você me olhar assim. Sou eu... Artemísia! ─ Kamikia fica constrangido e começa a tossir. ─ Ei, me desculpe...

─ Tudo bem! ─ Kamikia se esforça para parar de tossir, seus olhos ficam vermelhos e lacrimejando. ─ Eu que peço desculpas, mas, putz! Você se tornou uma bela mulher...

─ Hahahahaha... para! ─ Artemísia dá um tapa forte nas costas de Kamikia, ele se desequilibra.

─ E forte... hehehe.

Os dois caminham pela rua enquanto conversam. Kamikia conta que não quis fazer parte de nenhuma guilda, preferiu seguir seu caminho como um guerreiro autônomo. Ele conta sobre a ressurreição de Petra e que as três guerreiras seguiram caminhos diferentes em Apolo, cada uma liderando uma guilda.

─ É bem provável que um dia todos nós estejamos em uma batalha em comum novamente. ─ O mercenário para e olha para Artemísia, sorrindo.

─ Seria incrível! ─ Artemísia sorri de volta.

─ HEI! ARTEMISIAAAAA... JÁ VAMOS...

Artemísia e Kamikia olham para trás.

─ Seu namorado tá chamando...

─ Momburu é o líder da guilda... e não é meu namorado. ─ Os dois mercenários se abraçam. ─ Se precisar de ajuda um dia, procure pelos Tapuia. ─ Artemísia pisca e se afasta.

─ Então... até a próxima missão... guerreira! ─ Kamikia pisca de volta. Artemísia sorri e segue até Momburu, que a espera na entrada da taberna.

Um vento forte faz Kamikia ouvir sussurros. Ele se lembra de Malik.

─ É... velho amigo. Você tinha razão... ─ Kamikia observa Artemísia por mais um instante, depois se vira e segue seu caminho.

Por FranHDC | 12/03/18 às 11:07 | Ficção Cientifica, Ação, Protagonismo Feminino, Fantasia, Brasileira, Poder, Drama