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Capítulo 03 - Rebelião

Corvo Negro (CN)

Capítulo 03 - Rebelião

Autor: Keven Alves

Pela manhã, o sol estava brilhando na cidade Cinza, passando entre as residências e gerando uma visão um tanto peculiar. Esta cidade, recebeu este nome por dois motivos, o primeiro motivo é devido a ter sido completamente construída com um dos piores materiais de construções, e como a cidade foi completamente construída utilizando este material, todas as construções da cidade são de cor cinza. O segundo motivo é devido a um ditado popular, já que assim como a cidade, as pessoas que vivem nela, só podem levar vidas 'cinzas'.

Na cidade Cinza, do país do Sol. Não existe luxo e comercio variado como em outras cidades, na verdade, ela foi construída com o único propósito de ser um posto de controle de escravos, as várias famílias que vivem na cidade, são em sua grande maioria comerciante de escravos.

Neste momento, nas celas das minas de mineração controladas pela família Souza, um guarda estava parado de frente para uma determinada cela.

― Levantem-se escravos. Está na hora de trabalhar, o nascimento do sol, significa o começo do expediente! ― Disse um guarda de forma extremamente imponente e arrogante.

Os escravos que estavam na cela, começaram a sair de forma ordenada, com passos lentos e sempre seguindo um atrás do outro, esta mesma cena estava acontecendo em todas as celas, em uma das filas estavam Júlio e Atlas.

Os guardas tinham em suas mãos um pedaço de pão que ainda estava quente, o que poderia ser notado devido a leve fumaça que ainda saia dele. Muitos dos escravos tinham olhares estranhos enquanto olhavam para o pão na mão do guarda, eles nunca poderiam provar de tal comida, fresca e quente, para aqueles que nasceram na escravidão como Atlas, nunca sequer provaram tal comida na vida.

Todos os escravos que estavam caminhando de maneira ordenada, de repente pararam seus passos e olharam para os guardas. Os guardas, que ainda estavam desfrutando do seu café da manhã enquanto acompanhava os escravos para o seu determinado local de trabalho, ficaram completamente espantados. No entanto, este espanto durou apenas alguns segundos, antes que eles dessem um leve sorriso, e neste momento um dos guardas que tinha um posto elevado entre as tropas falou de maneira zombeteira.

― O que houve? ― Fazendo uma pausa, enquanto o sorriso ficava cada vez mais largo, ele continuou. ― Não me diga que vocês ficaram loucos?

― Se esqueceram da coleira em seus pescoços? ― Perguntou um guarda que estava aproximadamente no meio da fila de escravos. ― Se vocês se rebelarem, Boom! ― Falou o mesmo de maneira sarcástica, fazendo gestos exagerados com as mãos, para simbolizar a explosão da cabeça dos escravos.

De repente, este guarda que falou de maneira sarcástica estava pendurado pelo pescoço, tudo aconteceu tão rápido que ninguém percebeu o que estava acontecendo. Virando-se para ele, os outros guardas perceberam que na verdade, o que estava levantando aquele guarda pelo pescoço era Júlio.

― Júlio o que pensa que está fazendo! ― Gritou o comandante dos guardas, que estava na frente guiando as filas de escravos.

― Poderia ser que as minhas ações não são claras o bastante para o comandante da guarda? ― Perguntou Júlio de maneira zombeteira.

― Você... ― O comandante da guarda estava furioso.

Clack. Antes mesmo que o líder da guarda pudesse terminar de falar, um som de ossos se quebrando poderia ser ouvido por todos no local, aquele guarda que estava sendo erguido pelo pescoço caiu no chão, completamente sem vida.

― Você ousa, seu animal!  ― Gritou o líder da guarda, ainda mais furioso. ― Explodam todos pertencentes a cela dele, não poupem ninguém!

No entanto, antes mesmo que eles pudessem acionar os mecanismos, sons de metal colidindo com o chão soavam sem parar. Notasse que todos os escravos estavam retirando suas 'coleiras' sem quaisquer dificuldades.

Muito rapidamente os guardas estavam em completo desespero, os escravos eram implacáveis, matando todos eles da forma mais brutal possível.

― Roberto, vá buscar aquele guarda chamado Lucas e aproveita para trazer a família responsável pelo lugar também. ― Comandou Júlio, de forma calma, como se não tivesse acabado de tirar a vida de uma pessoa.

― Entendido! ― Respondeu Roberto.

― Pai, o que exatamente está acontecendo? ― Perguntou Atlas.

― Atlas, lembre-se do que eu vou te dizer. Ninguém nesta vida nasceu para ser tratado da forma como éramos, as pessoas devem decidir como viver e guiar suas vidas, mesmo que sejam pobres para o resto da vida, ninguém deve ter o direito de escravizar outros, a morte é muito mais digna do que viver como escravo! ― Falou Júlio, com o seu tom calmo e baixo.

Atlas estava com os punhos cerrados, quando ouviu o seu pai continuar. ― Quantos jovens iguais a você nascem como escravos? ― Júlio continuou. ― Quantos deles vivem toda a vida como escravo, e morrem sem conquistar nada. Escravidão é a pior doença do nosso mundo, ela se impregna nas ações mais simples. Em nosso mundo, apenas os fortes possuem o direito de falar, os fracos só podem ser submissos, no entanto, se a escravidão continuar, os fortes podem escravizar quantos quiserem. Isto vai gerar um ciclo vicioso infinito, onde os ricos mesmo não sendo fortes vão se manter no poder, os pobres, serão eternamente escravizados, se eles estão presos, sem sua liberdade, qual a possibilidade de lutarem contra os céus no caminho do cultivo marcial e se tornarem fortes? ― Perguntou Júlio de maneira solene.

Atlas que estava com os punhos cerrados, ouviu tudo calmamente, aquilo era referente a sua própria realidade e não só isto, a realidade de muitas outras pessoas como ele.

― As pessoas sempre acreditam que devem ser salvas, mas nunca param para pensar que elas podem ser os salvadores. ― Disse Júlio olhando para o céu.

Neste momento, Roberto voltou com o guarda Lucas e a família que controlava aquele gigantesco grupo de escravos. Atrás deles, estavam numerosos escravos, alguns deles estavam gritando e assustando a família Souza que era a controladora do lugar, alguns cuspiam, mas ninguém ousou encostar neles.

Parando de frente para Júlio, Roberto fez todos eles se ajoelharem. Júlio levantou levemente a mão e todos no local fizeram silêncio, ele então falou de forma tranquila com o olhar fixo na família Souza. ― Eu irei julgar todos vocês, chegou a hora da punição! ― Disse Júlio em voz alta.

Todos que estavam no local, começaram a comemorar e gritar, a punição da família Souza simbolizaria a remoção de suas 'cicatrizes'.

― Vamos começar com as duas filhas. ― Fazendo uma pausa, Júlio falou em um tom tão calmo como sempre. ― Como estou com preguiça de elaborar, vou apenas sentenciar vocês a morte! ― Assim que o som da voz de Júlio sumiu, duas espadas penetraram na cabeça das filhas da família Souza.

― Já a senhora Souza, será esquartejada, assim como as empregadas que você dizia está enfeitiçando o lixo do seu marido. ― Comandou Júlio, assim como anteriormente, no momento em que sua voz desapareceu a sentença foi executada.

― Já o filho mais velho, esse vai ser interessante. Já que você gostava de testar as suas técnicas marciais em escravos e muitos deles agonizavam por dias antes de morrer. Seus métodos sempre foram brutais, você alimentava o escravo e o mantinha vivo para praticar novamente, repetidas vezes, até que finalmente o escravo tivesse morrido da forma mais miserável possível. ― fazendo uma pausa, Júlio chegou mais perto do filho mais velho da família Souza e continuou. ― Eu vou contar para você como será a sua morte. Primeiro, nós vamos acabar com o seu cultivo, depois vamos te prender em um tronco resistente. Onde você será alimentado com leite e mel, até que desenvolva uma diarreia grave, também passaremos leite e mel no seu corpo.

Júlio fez uma pausa e deu um suspiro, como se lamentasse por ele, o que gerou um medo sem fim no filho mais velho da família Souza. ― Com essa alimentação repetida em intervalos diários, você terá pouca chance de morrer de cede ou fome, e então, finalmente a tortura começará. O mel e as fezes vão atrair milhares de insetos, que vão cavar os seus olhos, ouvidos e nariz. Entrando por sua boca, vermes e parasitas criados na sujeira do tronco, vão se contorcer em suas entranhas, você vai agonizar por quase 15 dias, antes de morrer por infecção. ― Finalizou Júlio com um tapa na cabeça dele, enquanto pessoas entre a multidão já vieram agarrando e arrastando o filho mais velho para executar a punição.

― Você é um demônio! ― Gritou o senhor Souza, líder da mina de escavação e responsável por todo este lugar.

Sorrindo, Júlio respondeu. ― Demônio? ― Olhando de forma zombeteira para o senhor Souza, Júlio continuou. ― Eu não sou nenhum santo, mas também não sou nenhum demônio. Justiça são para os justos!

Terminando de falar, o próprio Júlio penetrou a cabeça do senhor Souza com a mão. Apesar do senhor Souza ser o líder daquele lugar, ele ainda é apenas uma marionete no esquema completo da escravidão, além disto, Júlio não tinha nenhuma punição especial para ele, então apenas o matou no local.

― Já o filho mais novo, violou incontáveis mulheres, sem contar nas que desapareciam sem deixar vestígio. Você nunca pensou ou se importou se elas tinham famílias. ― Olhando para o grupo de pessoas que estavam assistindo o julgamento, Júlio falou. ― Vou deixar esse para vocês, espero que tratem bem o nosso hospede, não esqueçam de mostrar carinho. ― Virando-se para Atlas, Júlio comentou.

― Atlas, vou deixar a punição do Lucas para você decidir. ― Caminhando na direção de Atlas, Júlio continuou. ― Mas, lembre-se de nunca prejudicar os inocentes durante a sua vida, assim como de não mostrar misericórdia para aqueles que sejam seus inimigos. Poupar um inimigo é fazer mal a si mesmo.

― Entendi. ― Disse Atlas. ― A punição dele será, ter sua base de cultivo destruída e depois ser chicoteado até a morte, as primeiras 100 chicotadas serão administradas por mim.

Júlio imediatamente enviou um golpe destruindo a base de cultivo de Lucas, enquanto Roberto já o arrastava para o local onde seriam administradas as chicotadas.

― Malditos! Vocês terão mortes terríveis, vocês realmente acham que as tropas da capital real vão permitir isto. ― Com risadas enlouquecidas Lucas continuou. ― Vocês serão destroçados, escravos sempre serão escravos!

Antes mesmo que Lucas pudesse dizer qualquer coisa a mais, a primeira chicotada caiu sobre ele. Lucas queria aguentar e não gritar, mas foi completamente impossível, com o seu cultivo destruído, ele é apenas um humano comum agora, e a força do chicote rasgava sua pele criando feridas profundas. Logo, gritos horríveis estavam sendo emitidos por ele, Atlas não esboçava ódio nenhum enquanto estava realizando as chicotadas, ele simplesmente estava executando a punição de um inimigo, tendo vivido uma vida de sofrimento desde o nascimento, ele não queria a mesma coisa para ninguém, no entanto, ele não é nenhum santo e não vai mostrar misericórdia para aqueles que resolveram ser seus inimigos.

Júlio, que estava observando a distância tinha um olhar de aprovação ao ver que seu filho não mostraria misericórdia para com os inimigos, isso pode salvar a sua vida inúmeras vezes neste mundo, onde a força predomina, mas, o que mais agradou Júlio, foi o fato de Atlas não esboçar ódio durante as chicotadas, isso significa que mesmo após ter sofrido muito com todas as torturas que Lucas impôs nele durante a sua vida, ele ainda está calmo o bastante para executar o seu inimigo sem deixar o seu julgamento ser afetado por rancores.

― Júlio, os corvos avisaram que estão a caminho. ― Disse Luiz.

― Mnh ― Respondeu Júlio balançando levemente a cabeça. Percebendo que Luiz ainda não tinha saído, Júlio olhou para ele interrogativamente.

― As tropas da capital real começaram a se mover. ― Respondeu Luiz percebendo o olhar de Júlio.

― Entendo, leve os homens e liberte todos os outros escravos na cidade, estabeleça o controle e monte tropas com os que estiverem dispostos a lutar. ― Ordenou Júlio.

Luiz saiu imediatamente para executar as ordens.

Por Jhinn | 19/07/18 às 22:59 | Ação, Aventura, Fantasia, Elementos de Cultivo, Romance, Maduro, Guerra, Cultivo