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Capítulo 09 - Menina misteriosa

Corvo Negro (CN)

Capítulo 09 - Menina misteriosa

Autor: Keven Alves

Depois de caminhar por alguns minutos a menina parou de frente para uma enorme pedra que estava cercada por um conjunto de outras pedras menores. Esticando a mão, ela tocou na lateral da pedra e começou a empurrar. Aquela pedra gigante na verdade, começou a se mover lentamente revelando uma entrada que levava diretamente para o subterrâneo. A menina não hesitou e passou diretamente pela entrada, sendo seguida de perto pela cobra que estava com Atlas em sua boca. A pedra voltou a se mover sozinha cobrindo a entrada que tinha sido revelada momentos antes, apesar da pedra ter se movimentado para abrir e fechar a passagem, nenhum som foi emitido por ela.

........

Neste mesmo momento, fora da floresta de pedra, havia um total de cinco pessoas com mantos negros e máscaras de corvos. Eles estavam olhando ao redor como se estivessem procurando por algo.

― Eu não acredito nisso! ― Gritou a pessoa que estava com um machado e uma clava na mão. ― Aquele pirralho desapareceu!

― Depois de tanto esforço para busca-lo, se não o levarmos de volta vai ser realmente uma grande viagem de merda. ― Reclamou o outro membro que portava uma espada.

― Não importa se ele sumiu por vontade própria ou se foi capturado por alguém, a partir do momento em que alguém se inscreveu para fazer o exame de entrada da nossa academia, nós cuidaremos deles. Ninguém, não importa de qual poder seja, tem o direito de tocar em um futuro corvo! ― Falou dominadoramente a pessoa com o arco na mão.

― O irmão sênior Gabriel está certo. ― Comentou a loira que utiliza correntes com lâminas na ponta. ― É melhor fazermos uma busca por todo este local. ― Concluiu a mesma com uma sugestão.

― Sim! Vamos iniciar uma busca agora mesmo! ― Comandou Gabriel, que então continuou. ― Aquele garoto não é normal, conforme a batalha se intensificava ele ficava cada vez mais feroz. Provavelmente foi a primeira vez dele tirando a vida de outra pessoa, mas mesmo assim, seus olhos estavam sem brilho, ele não demonstrou nenhuma reação que uma pessoa comum deveria revelar.

― Eu também notei isso. ― Respondeu o gordão que tinha um enorme martelo apoiado em seu ombro. ― Ele é um bom candidato para se tornar um corvo! ― Concluiu o mesmo com uma gargalhada despreocupada.

― Vamos! ― Comandou Gabriel novamente, que após falar já partiu em uma determinada direção, os outros espelharam seus movimentos saindo em alta velocidade em direções opostas.

........

No subterrâneo, a menina estava andando em volta de Atlas como se estivessem em grande contemplação. Ela sabia que ele estava gravemente ferido, apesar de ser uma criança, ela era muito inteligente. No entanto, ela não fazia ideia do que fazer nesta situação.

Ela tinha uma carranca enquanto caminhava em volta dele. Ela tentou acorda-lo, sacudindo-o, bateu no rosto dele com a sua pequena mão, o que causava uma cena muito cômica e bonitinha apesar de ser um momento tenso de vida ou morte.

Neste momento, ela que estava abaixada ao lado de Atlas tentando acorda-lo, se levantou e começou a emitir sons estranhos enquanto apontava para Atlas. A gigantesca cobra que estava ao lado, revelou um olhar de espanto, ele é uma besta demoníaca e possui inteligência, apesar de não entender o que a garota estava dizendo, ele conseguia imaginar a sua intenção.

A garota continuou emitindo sons enquanto tinha uma cara de brava e apontava para Atlas. A cobra olhou para ela e balançou a cabeça, como se estivesse dizendo que não tinha como salva-lo. A menina ficou ainda mais furiosa, ela pegou um pedaço de madeira que estava no chão e saiu correndo em direção a cobra como se fosse disciplina-lo por desobedecer a sua ordem. A cobra percebendo que a garota estava extremamente brava com ele, se virou espantado e partiu em alta velocidade fugindo daquela pequena fera que queria espanca-lo.

A garota jogou a madeira com toda a sua força, e começou a emitir barulhos ainda mais altos, como se estivesse xingando e esbravejando com a cobra por não obedecer às suas ordens e ainda fugir do castigo. Ela batia os seus delicados pés no chão com toda a sua força enquanto sinalizava para o cobra voltar, mas foi tudo inútil, a cobra estava cada vez mais longe. Percebendo que a cobra não iria ajuda-la, e percebendo que Atlas estava cada vez mais pálido enquanto o sangue saia do seu corpo, ela parecia perceber que precisava fazer algo e tinha que ser rápido.

Correndo de um lado para o outro, ela foi pegando todos os tipos de matos que achou pelo caminho, se fosse verde e estivesse fincado na terra, ela retiraria e colocaria em seu vestido que estava dobrado para cima para formar uma espécie de bolsa. Depois de conseguir uma grande quantidade, ela voltou correndo para perto de Atlas e foi colocando as 'ervas' em cima do seu ombro que estava perfurado. Ela agarrou o braço dele que estava com fratura exposta e puxou a parte quebrada, como se quisesse que as duas partes se juntassem de novo, mas toda vez que ela puxava, a parte quebrada voltava para fora novamente.

Ela não entendia o que estava fazendo de errado, e ficando cada vez mais nervosa por nada estar funcionando, ela pegou e tacou todo o restante das ervas em cima da fratura exposta. Esperando por alguns poucos minutos, suas pequenas sobrancelhas ficavam cada vez mais fincadas, ela estava percebendo que todo aquele trabalho de pegar as 'ervas' não estava servindo de nada, Atlas estava piorando ainda mais rápido.

Percebendo que não iria funcionar, ela se virou e saiu correndo mais profundamente no subterrâneo, desaparecendo em meio a escuridão. Depois de um breve momento ela voltou correndo ainda mais rápido do que quando partiu, em suas pequenas mãos estava algo parecido com uma corda velha. Na verdade, era uma corda de cor marrom extremamente velha e surrada.

Assim que chegou ao lado do corpo de Atlas, ela se abaixou segurando a corda que estava em suas mãos.

"Huu" ― Um longo e envelhecido suspiro ressoou por todo o subterrâneo. A pequena menina que estava prestes a colocar a corda sobre o pescoço de Atlas, parou suas ações enquanto seu corpo estremecia levemente. Olhando para Atlas com um olhar extremamente adorável, tão adorável que poderia causar a morte de muitos de tamanha fofura. Ela firmou o seu olhar e desceu a sua mão enquanto colocava gentilmente a corda em volta do pescoço de Atlas. Após fazer isto com cuidado, ela enrolou a outra ponta da corda em volta do seu próprio pescoço.

Depois de colocar a corda em Atlas e si mesma, ela colocou as suas duas delicadas e pequenas mãos sobre o peito de Atlas e fechou os olhos. De repente uma enorme luz branca, iluminou todo o subterrâneo, a luz era tão forte e parecia tão pura que não deixou de iluminar nenhum canto do gigantesco subterrâneo. Muito longe de onde Atlas estava, havia uma estátua de uma enorme e imponente cobra, a estátua carregava consigo a majestade de um verdadeiro rei.

A luz durou por aproximadamente três horas, iluminando tudo. A pequena menina não saiu do lado de Atlas em nenhum momento, de tempos em tempos ela pegava o pedaço de espelho que ela tinha e se olhava, depois se virava e olhava para Atlas.

Conforme a luz começou a desvanecer-se, Atlas foi voltando a fica visível, neste momento, era possível ver algo incrivelmente mágico. As feridas no corpo de Atlas estavam se curando com uma velocidade visível a olho nu, até mesmo sua fratura exposta estava voltando para o lugar e se curando, todo o seu corpo estava passando por uma transformação, até mesmo suas cicatrizes antigas da época de escravo estavam desaparecendo como se nunca tivessem estado lá antes.

Todo este processo durou horas, quanto mais a luz desaparecia, melhor Atlas aparentava estar. Suas feridas já estavam completamente curadas, sua pele estava com uma coloração normal, e seu corpo aparentava estar tão cheio de energia quanto antes. Quando toda a luz desapareceu, a pequena menina que estava de pé ao lado Atlas, se abaixou e colocou a mão onde antes estava a enorme fratura exposta. Percebendo que agora estava normal e completamente saudável, ela se levantou.

"Hunf!"  Com as suas pequenas e delicadas mãos na cintura ela bufou com uma expressão de felicidade, em seu rosto estava um leve sorriso. Era como se ela estivesse dizendo ' Eu não disse que iria curar você'. Com um largo sorriso no rosto enquanto caminhava, ela foi entrando cada vez mais fundo no subterrâneo, depois de um breve momento ela voltou com algumas frutas. Sentando-se perto de Atlas, ela colocou todas as frutas que ela trouxe ao lado dele. As frutas estavam tão perto que mais um pouco e ela teria colocado tudo em cima dele.

E desta forma um dia inteiro se passou e Atlas ainda não tinha despertado, de tempos em tempos a pequena menina dava uns tapas no rosto de Altas, no entanto, de nada isto adiantava, ele continuava inconsciente. Ela ficava cada vez mais brava, era como se Atlas estivesse quebrado, ela não estava entendendo, ela tinha feito tanto para curar ele e mesmo assim, ele continuava a ficar deitado sem nenhuma reação.

No segundo dia em que Atlas estava inconsciente, a menina foi buscar a cobra. Desta vez, a grande cobra não conseguiu escapar dela. A menina estava sentada no topo da cabeça da cobra enquanto batia com uma madeira na mesma e esbravejava. Ela estava muito brava com a cobra por não ajudar em nada.

No terceiro dia em que Atlas estava inconsciente, a pequena menina estava sentada comendo uma maçã enquanto olhava para ele. Foi quando, de repente Atlas abriu os olhos e inclinou a parte de cima do seu corpo, se mantendo sentado.

"Puff" Atlas sentiu um impacto forte em sua cabeça, notasse que a pequena menina levou um susto e tacou a maçã na cabeça de Atlas que tinha acabado de acordar.

― O inferno! ― Resmungou Atlas. Olhando em volta ele percebeu que estava extremamente escuro, era meio difícil de enxergar qualquer coisa, no entanto, ele ainda notou uma pequena e adorável menina que estava olhando para ele com extrema curiosidade, parecia que ela queria se aproximar dele, mas ao mesmo tempo estava avaliando se era seguro. Atlas estava se sentindo extremamente estranho naquele momento, de alguma forma ele sentia uma forte ligação com essa pequena menina, era como se eles estivessem 'amarrados' pelo destino.

Quando Atlas iria falar com ela, ele viu dois pares de olhos enormes brilhando naquela escuridão. Com um movimento rápido ele tentou pegar a sua espada, apenas para descobrir que estava sem ela. Girando ele se levantou e começou a se preparar para lutar, no entanto, antes que pudesse fazer qualquer coisa, ele caiu de novo. Ele estava fraco demais para fazer qualquer coisa, era como se o seu corpo estivesse curado, mas com uma extrema falta de energia.

Os gigantescos olhos que brilhavam na escuridão, começaram a se aproximar cada vez mais, eles estavam vindo em direção a Atlas. O jovem Atlas estava cada vez mais desesperado, sem conseguir se defender, tudo o que ele poderia fazer é depender do destino e torcer para não ser nada que ameace a sua pequena vida. Quando ele viu o dono dos gigantescos olhos, ele ficou ainda mais chocado, era uma gigantesca besta demoníaca do tipo cobra. Ele tentou se levantar várias vezes, mas todas as tentativas foram sem sucesso.

A pequena menina percebendo que Atlas estava tão agitado assim devido à grande cobra, ficou muito brava com a cobra, ela estava tentando entender Atlas e a cobra estava deixando ele em um estado tão estranho. Com um grito de raiva ela jogou uma pedra na cobra, enquanto esbravejava para ela desaparecer da sua vista.

A grande cobra que não queria perturbar a menina, bufou e começou a se retirar. No entanto, ela só fingiu que estava se retirando, ela ficou completamente camuflada se escondendo tanto da menina quanto de Atlas, enquanto observava toda a situação se desenrolar. Atlas percebendo que a menina tinha o controle daquela enorme besta demoníaca, ficou ainda mais espantado e também extremamente curioso. Ela já tinha ouvido histórias dos seus tios sobre humanos que domavam bestas demoníacas para serem suas montarias, poderia esta pequena menina de aproximadamente 6 anos de idade, ser um desses casos?

Por Jhinn | 19/07/18 às 22:59 | Ação, Aventura, Fantasia, Elementos de Cultivo, Romance, Maduro, Guerra, Cultivo