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Capítulo 10 - Elizabeth

Corvo Negro (CN)

Capítulo 10 - Elizabeth

Autor: Keven Alves

Depois de encarar a pequena menina por alguns instantes, Atlas abriu a boca para se comunicar com ela.

― Olá, meu nome é Atlas. ― Falou ele com um sorriso no rosto. ―  Posso saber o nome da pequena senhorita?

A menina tinha um olhar ainda mais curioso enquanto olhava para Atlas, era como se ela estivesse tentando entender o que ele estava querendo.

Atlas, percebendo que a menina não estava entendendo nada do que ele estava falando, resolveu ficar quieto e tentar absorver energia do céu e da terra para se recuperar.

Conforme às horas iam se passando a menina ia se aproximando dele. Ela estava extremamente cautelosa, em sua mão direita, estava o galho que ela estava batendo na cobra antes. Ela cutucou Atlas com a madeira como se estivesse testando ele, para ver se ele iria atacar. Atlas não conseguiu evitar e deu uma gargalha em voz alta, essa pequena menina era muito adorável.

Depois de mais algumas horas, Atlas já estava conseguindo se sentar tranquilamente. A pequena menina já tinha perdido completamente o medo dele, e agora estava mexendo no cabelo dele, na orelha, o cheirando. Atlas também estava observando essa pequena menina com curiosidade, ele percebeu que a grande cobra demoníaca á obedeceu antes, e a forma como ela estava tão curiosa com ele, era muito peculiar, quase como se nunca tivesse visto um humano antes, o que o levou a pensar, que ela poderia ser uma daquelas crianças que o seu tio contou nas história que eram abandonadas pelos pais. Poderia este ser o caso desta pequena menina? No entanto, se este for realmente o caso, como ela sobreviveu todo este tempo neste lugar.

Depois de mais algum tempo, Atlas finalmente conseguiu se levantar, ele estava muito curioso para explorar o local, no entanto, ao mesmo tempo ele estava muito preocupado com aquela grande besta demoníaca, ele não tinha como saber se ela era sempre obediente à pequena menina, ou se poderia ataca-lo.

Neste momento, Atlas estava parado de frente para a pequena menina enquanto falava com ela. ― Já que você não fala, provavelmente não tem um nome... ― Comentou ele tranquilamente. ― Eu vou dar um nome para você! Já que você se parece com aquelas pequenas princesas das histórias que os meus tios contavam, seu nome vai ser Elizabeth.

A pequena menina entortou a cabeça para o lado enquanto olhava para ele, protagonizando uma cena adorável. Atlas percebendo que ela não entendeu nada, apontou para ela e falou de uma maneira audível e lenta. ― Elizabeth ― Continuou ele, sempre apontando para ela. ― Elizabeth

― Eliz... Th! ― Repetiu com dificuldade a pequenina.

 ― Hahaha ― Rindo da cena cômica, Atlas continuou tentando ensinar ela a falar o próprio nome.

Depois de várias rodadas de repetição a menina finalmente conseguiu pronunciar corretamente o seu próprio nome com a sua voz incrivelmente adorável.

― Elizabeth; Elizabeth; Elizabeth ― Repetiu ela várias vezes com um sorriso encantador no rosto.

Apontando para si mesmo, Atlas falou da mesma forma explicativa. ― Atlas

Desta vez a pequena menina acertou de primeira, repetindo de forma correta o nome dele.

Em pouco tempo a menina já estava chamando ele pelo nome e atendendo quando Atlas a chamava de Elizabeth.

― Essa criança aprende extremamente rápido. ― Pensou Atlas.

E assim em meio a brincadeiras para ganhar a confiança da pequena garota e repetições de palavras, um dia inteiro se passou. No dia seguinte, Atlas tinha acabado de acordar quando percebeu que tinha mais frutas para ele. Extremamente curioso, ele chamou Elizabeth para passear, querendo explorar onde a pequena menina tinha conseguido as frutas.

Elizabeth ainda não entendia exatamente o que Atlas estava dizendo, mas em apenas um único dia, ela já estava entendo muitas coisas e sabia o que ele estava querendo naquele momento, segurando a mão de Atlas ela começou a guiar o caminho, indo mais profundamente no subterrâneo.

Conforme eles caminhavam mais e mais fundo naquele lugar, mais assustado Atlas ficava, aquele lugar era absurdamente estranho. Era como uma caverna, mas ao mesmo tempo não era. Possuía um ar puro e uma sensação de majestade que era difícil de explicar, no entanto, olhando em volta, tudo o que Atlas podia ver era terra e poeira, como uma simples caverna. Isto durou até ele chegar de frente para uma enorme estátua, era uma cobra gigantesca, com um olhar absurdamente maligno, apesar de ser uma estátua, ainda gerava pressão, como se fosse uma besta demoníaca viva. Era ao mesmo tempo magnifico e assustador.

Olhando por trás da estátua, Atlas percebeu que havia um enorme lago, ao redor do lago, várias arvores frutíferas estavam lá. No momento em que Atlas e Elizabeth estavam atravessando a estátua, ele notou que a cobra que o estava observando antes, estava deitada bem próxima da estátua, no entanto, ela não ousava se aproximar demais, e tinha em seu semblante uma espécie de reverência toda vez que olhava para a estátua.

Depois de chegar perto do lago, Atlas se apressou para testar a água, e percebeu que a mesma era extremamente limpa e consumível. Com um sorriso de felicidade ele começou a beber loucamente, afinal, ele tinha saciado a sua cede anterior comendo as frutas que lhe foi entregue.

Apesar de não saber com certeza por quantos dias ele está ali, Atlas ainda não estava tentando avançar no cultivo, devido a seu corpo ainda estar em um estado estranho como se estivesse com extrema falta de energia. De alguma forma, cada gota de energia celestial em seu corpo desapareceu completamente.

E desta forma os dias foram se passando, durante o dia Atlas praticava um pouco de combate, enquanto a pequena pestinha tentava imitar todos os seus movimentos, depois ele tentava ensinar ela a falar, e durante a noite Atlas praticava a sua técnica de refinamento corporal enquanto absorvia energia celestial.

1 Dia; 2 Dias; 3 Dias...

No terceiro dia, Atlas estava cochilando, quando de repente, sentiu uma pressão sem forma dentro do seu próprio corpo, em seu sonho, dois pares de olhos malignos estavam olhando para ele. Era tão real, que ele pensou que tinha morrido, aqueles olhos... Aquela existência, não era algo de deveria existir, era maligno ao extremo.

Após muito esforço, Atlas conseguiu acordar. Com o corpo todo suado e um olhar fundo, ele rapidamente pulou no lago para se limpar e disfarçar a situação estranha em que estava.

No decimo dia, Atlas estava sentado no chão em contemplação enquanto tentava aprimorar a sua técnica da garra do Corvo Negro. Ele estava quase em seu estado perfeito para finalmente poder sair daquele lugar e ir em direção a academia do Corvo Negro, ele não se esqueceu do seu objetivo, mas sair em seu estado anterior era equivalente a cortejar a morte.

Ele estava calmamente meditando sobre diferentes maneiras de utilizar a técnica.

"Poff"  Uma enorme maçã acertou em cheio a sua cabeça.

― Lizzy! ― Falou Atlas com os dentes cerrados. A menina que estava a uma curta distância de Atlas, percebendo que ele estava bravo, já se virou correndo enquanto gargalhava. Atlas se levantou rápido disparando atrás dela.

― Ahhhhh ― Gritou a pequena Lizzy, enquanto gargalhava.

Atlas quando a alcançou, pegou-a pela cintura enquanto fazia cosquinha na barriga desta pequena pestinha. Quando ela se distraiu ele a jogou diretamente dentro do lago.

"Tchuua" Após um enorme barulho, Lizzy saiu do lago completamente encharcada, com a boca cheia d'água ela correu atrás de Atlas tentando cuspir nele.

Depois destes dez dias, a pequena Lizzy estava entendendo muito melhor a fala, ela conseguia se comunicar de uma maneira muito aceitável, a pequena pestinha era verdadeiramente inteligente. Isto por si só muitas vezes assustou Atlas, pois a velocidade com qual ela está aprendendo é completamente sobre-humana.

― Lizzy, precisamos conversar. ― Disse Atlas de maneira séria e solene.

― Mestre, por que você está me chamando de Lizzy hoje? ― Perguntou ela.

― Mestre? ― Questionou Atlas.

― O mestre não disse que quando uma pessoa ensina outra ela é chamada de professor ou mestre ― Disse ela com uma expressão fofa e curiosa, como se estivesse questionando Atlas.

― Hahaha. ― Atlas não conseguiu evitar de gargalhar ao ouvir isso. ― Ok, pode me chamar de mestre se quiser. ― Disse ele sorrindo. Quem diria que ele seria chamado de mestre por uma pequenina que mais se parece com uma princesinha das histórias que o seu tio contava.

― Mestre, por que eu sou Lizzy agora? Não era Elizabeth? ― Perguntou ela confusa.

― Você ainda é Elizabeth. Lizzy é apenas o seu apelido, apenas as pessoas que você mais gostar podem te chamar de Lizzy. ― Respondeu Atlas calmamente.

― Hmm! ― Respondeu ela balançando a cabeça com um sorriso no rosto. Parece que a pequena Lizzy gostou mesmo desta explicação.

― Lizzy, eu preciso ir embora, tem um lugar muito importante que eu preciso ir. ― Disse Atlas olhando para ela.

A expressão da pequena Lizzy congelou na hora, o seu sorriso desapareceu. Apesar de ter muitas coisas que ela ainda não entende, e precisa perguntar para entender o significado, e mesmo com a explicação ela ainda não consegue entender o que significa. Ela conseguiu entender muito bem o que Atlas estava dizendo neste momento, estava dizendo que iria deixa-la sozinha aqui neste lugar.

― Você não gosta da Lizzy? ― Perguntou ela com uma expressão de choro enquanto olhava para ele.

― Eu gosto. É claro que eu gosto da Lizzy, quem não gostaria de uma pequena pentelha como você que parece uma princesa? ― Falou Atlas sorrindo.

― O que é pentelha? ― Perguntou ela ainda com expressão de choro.

― Pentelha é alguém que tem muita energia, mas também é muito adorável e bonita. ― Respondeu Atlas enquanto sorria.

A pequena menina começou a sorrir.

― Lizzy, eu posso levar você, mas quando chegarmos no lugar que eu preciso ficar, eu vou ter que arrumar outro lugar para você. ― Disse ele de uma maneira suave para que ela consiga entender.

― Lizzy não entende... ― Disse ela com a sua expressão de choro voltando. ― O mestre não disse que gosta da Lizzy? Por que Lizzy não pode ficar com o mestre? ― Perguntou a pequenina enquanto as lagrimas caiam do seu rosto.

Ela nunca tinha encontrado outro humano antes, e se apegou muito a Atlas, apesar de ser muito inteligente e ter aprendido a falar extremamente rápido. Eles brincaram muito nestes poucos dias em que ficaram juntos, e para ela, ele já alcançou um lugar insubstituível em seu coração. Sem contar o fato que após usar a corda para salvar Atlas de seus ferimentos, foi criada uma ligação extremamente mística entre os dois.

― Os lugares que eu vou passar... O caminho que eu vou seguir é muito perigoso, eu não posso levar você comigo. ― Respondeu Atlas enquanto acariciava a cabeça da pequena Lizzy.

― Mas Lizzy é forte! ― Afirmou ela chorando.

Por Jhinn | 19/07/18 às 22:59 | Ação, Aventura, Fantasia, Elementos de Cultivo, Romance, Maduro, Guerra, Cultivo