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Capítulo 39 - Essência de Sangue

Corvo Negro (CN)

Capítulo 39 - Essência de Sangue

Autor: Keven Alves

Depois de conversarem por mais alguns momentos, Malia passou a técnica para condensar a essência de sangue para todos eles.

Atlas apressadamente afirmou. ― Vamos cultivar aqui por 1 mês!

Atlas que está cada vez mais empolgado com a ideia de finalmente conseguir domar uma besta demoníaca, já estava se retirando para o final da caverna para cultivar e formar a sua gota de essência de sangue.

― Atlas. ― Ouvindo seu nome, Atlas se virou e viu que Rebeca o estava seguindo.

― Precisa de algo? ― Perguntou.

― Quero sua ajuda com uma coisa...― Comentou Ela.

― Se for para te ajudar a conquistar Palito, eu...

― Não! ― Antes que ele pudesse terminar de falar, Rebeca o interrompeu. ― Palito já é meu namorado, não preciso de ajuda com isso!

Olhando para ela assustado, Atlas pensou silenciosamente. ‘Será que ele sabe disso?’

― Eu quero saber como você aprendeu a sua habilidade inata, poderia me contar?

― Isso... ― Atlas ficou surpreso com a pergunta dela.

― Eu sei que um cultivador não revela seus meios para outros, mas... ― Antes que ela pudesse continuar, Atlas começou a rir alto.

― Hahaha. Não precisa se preocupar com isso. ― Falou ele. ― Antes eu só fiquei surpreso, já que você fez tanto mistério para perguntar algo tão simples.

― Simples? ― Murmurou ela espantada. Provavelmente Atlas é a única pessoa a pensar que isto é simples.

Olhando para ela, Atlas começou a explicar. ― No começo quando eu estabeleci o contrato com o meu espírito marcial senti algumas mudanças em mim. Creio que todos passaram por isso, mas devido ao refinamento corporal, nós não nos atentamos a essas mudanças, até porque elas são obscuras e difíceis de identificar.

― Aconteceu comigo também... ― Afirmou Rebeca.

― Naquela época passei por algumas dificuldades, na qual um pequeno espelho se formou nos meus olhos. Este espelho me permitia enxergar as coisas de forma diferente, mas eu não o entendia, teve algumas vezes na qual eu cheguei a usá-lo sem perceber. ― Fazendo uma pausa, Atlas perguntou. ― Sua habilidade de detectar os inimigos, como aprendeu?

Olhando estranhamente para Atlas, ela contou. ― Foi natural, não lembro como aprendi a usá-la.

― Exatamente! ― Afirmou Atlas, que então continuou. ― Eu acho que essa sua habilidade era como o meu espelho. Eu chamei isto de despertar, mas não sei se existe outro nome.

― Despertar... ― Murmurando, Rebeca tinha seus olhos iluminados, se sua habilidade era como a habilidade anterior de Atlas, então...

Vendo os olhos dela brilhar, Atlas continuou explicando. ― No labirinto do rei, eu comecei a aprender mais sobre o espelho nos meus olhos, a cada meditação, eu descobria algo novo, as vezes me sentia frustrado por não chegar a lugar nenhum, mas na verdade, eu que não sabia onde queria chegar...

Olhando seriamente para ela, ele continuou explicando. ― Foi aí que eu lembrei de uma frase que meu pai havia me dito antes. ‘Não há caminho favorável quando você não sabe onde ir’. ― Com uma pausa, Atlas continuou. ― Então, resolvi criar meu próprio caminho. Peguei todo o entendimento que eu havia reunido e fui aplicando e replicando, até formar minha habilidade inata ‘Olhos de cristal’.

― Obrigada! Muito obrigada! ― Afirmou ela completamente entusiasmada.

― Como eu disse antes, não tome tudo o que eu disse como certo, você precisa criar o seu próprio caminho. Apesar de eu ter desenvolvido minha habilidade inata, não sei onde esse caminho vai me levar, talvez no futuro eu me veja em um lugar sem saída. ― Atlas comentou como se estivesse falando sozinho e não com Rebeca.

― Entendi. ― Afirmou ela. ― Só essa conversa já foi muito esclarecedora!

Enquanto Rebeca partia para cultivar, Atlas começou a andar até o final da caverna enquanto pensava. ‘Quando voltar para a academia preciso ir até o pavilhão de habilidades marciais e aprender algumas coisas.’

― Cada pergunta que eu encontro a resposta, surgem duas novas perguntas... ― Murmurou. ― Talvez este seja o verdadeiro caminho do cultivo?

Depois de chegar ao final da caverna, Atlas se sentou na posição de Lótus e começou a utilizar a técnica de condensação da gota de essência de sangue.

Enquanto cultivava, Atlas logo percebeu que essa técnica não era nem um pouco fácil de praticar. Mesmo tendo sofrido muito anteriormente e pode-se dizer que ele está ‘acostumado’ com dor, ele ainda se sentiu relutante com essa técnica. Não era uma dor comum, era misteriosa, este tipo de dor não parecia ser uma dor física.

Argh! - Mesmo tentando se controlar, Atlas ainda emitiu alguns grunhidos baixos. Depois de 5 dias nesta tortura, ele finalmente sentiu uma sensação de relaxamento por todo o seu corpo, era como se algo estivesse se desprendido e se tornado autônomo.

Logo depois dessa sensação de relaxamento, uma sensação ainda mais maravilhosa surgiu. Ele sentiu que todas as suas ‘informações’ estavam se juntando e se condensando naquele pedaço que havia se tornado independente.

Por último, um fio completamente negro penetrou diretamente na gota, tornando-a completamente negra como a noite.

***

1 Mês depois.

Quando Atlas estava finalmente saindo do seu treinamento, em seus olhos havia uma luz de excitação muito visível.

― Finalmente vou domar uma besta! ― Murmurando, ele foi caminhando até a entrada da caverna.

Antes de Chegar na entrada, ele ouviu um longo rugido.

Rooawr! - Se apressando em direção ao barulho, ele ouviu barulhos.

Tum; Tum; Tum;

Três barulhos abafados vieram seguidos por uma voz infantil.

― Ai, ai... Cãozinho mal, não pode rosnar para mamãe! ― Olhando para o feroz lobo demoníaco, ela apontou a vareta que estava em sua mão e ordenou. ― Sente-se!

Vendo isto, Atlas quase caiu para trás. ‘O inferno, essa menina é um talento nato.’

Lizzy estava com uma vareta na mão, batendo na cabeça do enorme lobo demoníaco e adestrando-o como se fosse um pequeno animal.

1 Mês que a besta demoníaca passou na caverna e Atlas está pensando se essa besta ousaria desrespeitar Lizzy para obedecer à sua dona, Malia.

― Feroz. ― Murmurou Atlas enquanto olhava para Lizzy.

Malia que havia chegado ao lado de Atlas juntamente com Rebeca, também tinha um olhar estranho no rosto.

Durante este mês ela também ficou praticando, em parte para se recuperar da ferida anterior, bem como esperar que seus benfeitores saíssem do treinamento para se despedir.

Rooawr. - O lobo que viu Malia, deu um baixo rugido que mais parecia um pedido de socorro.

Imediatamente todos desataram em risos. Pouco tempo depois, Malia se despediu de todos e partiu com o seu bom e velho lobo demoníaco.

― Atlas... Você chegou a verificar o saco com os núcleos que Lizzy roubou daquele grupo? ― Perguntou Palito.

Olhando para ele com um olhar de zombaria, Atlas comentou. ― Você acha que eu não conheço a peça?

― Parece que eu sou inocente demais. ― Comentou Palito, que riu zombando de si mesmo.

Quando Palito foi verificar o saco com os núcleos, tudo o que ele encontrou foi um saco cheio de pedras.

― Lizzy, cadê os núcleos? ― Questionou Palito.

― Nunca nem vi. ― Respondeu ela.

Atlas tinha um sorriso no rosto enquanto balançava a cabeça, essa menina...

― Vamos nos preparar para sair! ― Afirmou Atlas, que então continuou. ― Como está a gaiola da besta sagrada?

― Já terminei de preparar! ― Afirmou Palito.

Ficando mais um dia na caverna para finalizar os seus preparativos, o grupo partiu novamente para enfrentar bestas demoníacas, mas desta vez, com o conhecimento adequado Atlas espera ter um resultado melhor.

Enquanto o grupo caminhava pela floresta, Palito perguntou. ― Atlas, quantas gotas você conseguiu?

― Consegui duas.

― Monstro! ― Exclamou Palito enquanto olhava para Atlas. ― Consegui só uma, a segunda estava tão difícil que eu acho que vou precisar de meses.

Olhando para Palito, Atlas assentiu. ― Depois que condensei a segunda, também percebi que está ficando cada vez mais difícil. ― Com um olhar de pesar, ele continuou. ― Antes eu pensei que poderia domar várias bestas. Mas agora, experimentando a dificuldade de condensar uma única gota, percebi que é muito diferente da minha fértil imaginação. Sem mencionar o fato em que no futuro vamos ter que dar a gota para a besta demoníaca que já está domada para ajudá-la a purificar sua linhagem.

― Verdade. ― Assentiu Palito. ― Rebeca, conseguiu alguma?

― Nem tentei. ― Respondeu Rebeca. ― Gastei este mês treinando o cultivo.

Enquanto o grupo conversava, praticava e caçava, os dias foram se passando. Atualmente, já havia se passado 15 dias desde que o grupo saiu da caverna na tentativa de domar uma besta demoníaca.

Atlas, havia perdido toda a sua empolgação. Palito estava frustrado, Rebeca estava implorando aos deuses por uma cachoeira e, Lizzy era a única correndo de um lado para o outro sem se importar com nada, mexia em todos os insetos que encontrava e até mesmo perseguia as fracas bestas demoníacas enquanto gargalhava.

― Acho melhor começarmos a procurar a saída... ― Murmurou Atlas, que estava triste em não ter conseguido domar nenhuma besta demoníaca.

Nestes 15 dias ele tentou de tudo, derrotou, alimentou, até mesmo cuidou de bestas feridas que encontrou e todas elas se recusaram a se submeter. Preferiam a morte do que servi-lo.

O desanimado grupo de Atlas, estava conversando e caminhando entre duas enormes montanhas quando Rebeca começou a tremer. ― Esperem! ― Quando ela falou, sua voz estava tremula.

― Estamos cercados! ― Afirmou ela enquanto recuava um passo tremendo e suando frio.

 

Por Keven Alves | 20/08/18 às 19:41 | Ação, Aventura, Fantasia, Elementos de Cultivo, Romance, Maduro, Guerra, Cultivo