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Capítulo 43 - Extraordinário

Corvo Negro (CN)

Capítulo 43 - Extraordinário

Autor: Keven Alves

Percebendo a situação bizarra onde Atlas estava silenciosamente encarando Gabriel, que estava com um olhar ainda mais afiado enquanto olhava para Atlas.

Helena rapidamente comandou a besta demoníaca para se mover em direção a capital. Mesmo enquanto a besta demoníaca estava se movendo, Gabriel continuou olhando fixamente para Atlas que também o estava encarando.

Rapidamente a distância cresceu tanto entre eles que foi impossível de se encararem.

Palito estava silenciosamente pensando em seu coração. 'Meu melhor amigo é mesmo digno. Haha'

Virando-se Palito olhou para Helena e comentou. ― Irmã sênior, parece que vocês também encontraram alguns encontros fortuitos.

― Hehe, é claro. Mas infelizmente não sou tão boa quanto o irmão sênior Gabriel. ― Fazendo uma pausa, ela continuou. ― Até mesmo o irmão júnior Gustavo está quase avançando, ele só precisa entrar em cultivo de portas fechadas e provavelmente vai conseguir avançar para o reino da terra.

― Hahaha, até parece. ― Gustavo riu alto enquanto comentava. ― Você só não avançou por que fica pesquisando tudo o que encontra. Você é a que menos pratica e está no mesmo nível que a gente, como pode ter o talento inferior? ― Questionou ele. ― Se você se focasse só no cultivo, Gabriel já estaria comendo poeira a muito tempo, hahaha.

― Para de me elogiar, essa irmã não vai te dar um abraço. ― Comentou ela com um sorriso esperto. Gustavo imediatamente ficou triste, como os seus planos podem ser vistos de forma tão clara?

O restante da viagem de retorno para a capital foi muito calma, os maiores responsáveis pelos barulhos eram Lizzy e Molenga. Já que Molenga tenta a todo custo fugir dela e Lizzy adora aperta-lo por ser muito bonito e fofo.

Logo, eles começaram a ver a 'silhueta' da enorme e bela capital real.

― Belezas da capital, estou chegando! ― Gritou Palito.

― Como é?! ― Exclamou Rebeca ao se jogar nele.

Atlas estava muito tranquilo sentado no corvo demoníaco. Até que de repente, todo o seu corpo ficou gelado, paralisado no lugar enquanto tremia levemente.

Pendurado no portão da capital, havia um corpo de um homem de meia idade com incontáveis ferimentos e uma aparência desgrenhada.

Olhando para o homem, os olhos de Atlas pousaram lentamente no rosto que estava com um aspecto de agonia estampado nele. Claramente este homem sofreu antes de finalmente morrer.

― Mestre?! ― Lizzy gritou enquanto pulava e abraçava o pescoço de Atlas por trás. Não importa qual tipo de situação ela tenha enfrentado com Atlas, ela nunca o viu chorar.

Mas neste momento, os olhos dele estavam vermelhos enquanto uma gota de lagrima escorria por seu rosto.

Todo o grupo estava olhando para ele em silêncio, está claro que Atlas conhece este homem. Eles não sabem o que fazer ou dizer.

Levantando-se lentamente, os olhos de Atlas caíram sobre os únicos dois guardas que estavam na frente do portão.

― Co-como ousa colocar o meu tio Luiz neste lugar?! ― A voz de Atlas estava mais tranquila do que nunca. Palito que estava atrás, chegou a tremer levemente. Ele nunca viu Atlas tão calmo assim, certamente, essa é a calmaria antes da tempestade.

― Foram as ordens do palácio real! ― Afirmou o guarda de forma tirânica.

― Palácio real... ― Murmurou Atlas.

Rebeca se aproximou de Atlas e sussurrou em seu ouvido. ― Existem mais de 20 guardas escondidos entre a multidão.

Ouvindo a voz de Rebeca, Atlas fechou os olhos e respirou fundo. Quando abriu os olhos novamente, ele comentou em voz baixa. ― Vamos embora.

Ele não estava apertando os punhos, não estava com um olhar de ódio, não estava nervoso, ele estava extremamente calmo. Seus olhos nunca desviaram dos olhos do seu tio Luiz que estava morto, pendurado no portão da cidade.

― Vamos. ― Comentou Helena.

A besta imediatamente partiu, enquanto a besta passava por cima do muro da cidade. Os olhos de Atlas continuavam olhando para o seu tio, ele estava memorizando tudo, ninguém sabe o que ele estava pensando ou sentindo neste momento.

*****

Palácio real.

Neste momento, um homem de vestes luxuosas com uma coroa brilhante na cabeça estava descendo inúmeras escadas.

Quanto mais ele descia, mais úmido, escuro e frio o lugar se tornava. Quando seus pés desceram do último degrau, ele estava de frente para várias celas, todas as grades das celas eram absurdamente grossas e de frente para cada uma havia um guarda fortemente equipado.

Quando os guardas viram o homem que havia chegado, todos eles sem exceções bateram com o punho fechado no próprio peito e comentaram com uma voz firme. ― Eu saúdo sua majestade, o rei.

O homem que foi chamado de ‘sua majestade’ apenas acenou com a cabeça e continuou andando, quando chegou na última cela, ele parou e acenou para o guarda se retirar.

― Oh, receber a visita de sua majestade em pessoa. Que honra! ― Afirmou o prisioneiro em um tom calmo sem levantar a cabeça.

― Júlio, você não precisa ser sarcástico comigo! ― Afirmou o rei de forma tranquila.

Júlio que estava com um colar em seu pescoço limitando o seu cultivo, tinha vários ferros fincados por todo o seu corpo, braços, pernas, pés e mãos. Todos estavam devidamente imobilizados.

Certamente o rei não está disposto a subestimar este prisioneiro, tendo em vista que cada movimento dele está ‘selado’ e monitorado 24 horas por dia.

A aparência de Júlio era suja e lamentável, o que indica claramente o 'tratamento especial' que ele está recebendo.

― O que sua alteza deseja? ― Perguntou Júlio.

― Já está pronto para entregar as localizações? ― Perguntou o rei.

― Hahaha! ― Júlio deu uma longa gargalhada. ― Você sabe muito bem o tipo de homem que eu sou! ―Afirmou Júlio.

― Realmente... ― Murmurou o rei. ― Para se esconder e viver como um escravo por 18 anos, você é realmente espetacular. ― A voz do rei possuía uma zombaria desenfreada ao citar isso.

Júlio riu baixinho enquanto luzes de insanidade piscavam por seus olhos, mas mesmo assim, ele ainda permaneceu quieto e não respondeu o rei.

― Você realmente acha que pode ganhar dessa vez? ― Perguntou o rei.

― Você acha que não? ― Respondeu Júlio.

Franzindo a testa, o rei afirmou. ― Minha família venceu 18 anos atrás e vai vencer novamente!

― Venceu mesmo? ― Perguntou Júlio, que então continuou com um traço de zombaria. ― Por que eu não vejo o antigo rei?

― Você ousa! ― Gritou o rei, que ficou furioso com o comentário de Júlio. ― Eu deveria matá-lo agora mesmo!

― Por que não tenta? ― Comentou Júlio com um leve sorriso no rosto.

― Você acha que eu tenho medo? ― Perguntou o rei.

― Se você não tivesse, eu já estaria morto! ― Afirmou Júlio. ― Você sabe que não pode me matar, ou nunca poderá governar o país do Sol!

Humpf! - Bufando o rei comentou. ― O que eu não entendo, é como um pai pode manter o filho apanhando em uma senzala todo santo dia.

Júlio franziu a testa e não respondeu.

Vendo isto, o rei continuou. ― Você poderia o ter enviado para o seu antigo professor, o vice-diretor Almeida.

Vendo Júlio em silêncio, ele continuou. ― Você precisava ser tão cruel com uma criança, apenas para não comprometer o seu plano?

― Você acha que eu fui cruel com o meu filho? ― Perguntou Júlio sorrindo. ― As minhas decisões não são algo que você possa entender! ― Afirmou Júlio arrogantemente.

― Agora me diga, por que você está movendo tantos cidadãos comuns? ― encarando o rei, Júlio continuou. ― Por que escravizar o seu próprio povo desta forma?

Olhando para Júlio, o rei respondeu. ― As minhas decisões não são algo que você possa entender!

― Realmente! ― Afirmou Júlio com um olhar de desprezo em seu rosto.

― Quem é você para me olhar assim?! ― Questionou o rei. ― Isso é guerra! ― Enquanto o rei gritava, ele estava encarando Júlio ferozmente. ― 18 anos atrás, apesar de termos vencido, minha família pagou um alto preço. Vocês mataram o meu pai, bem como um grande número de bons soldados que defendiam este país!

Com um olhar ainda mais severo, o rei continuou. ― Naquela guerra as pessoas matavam umas às outras todos os dias. Era certo ou errado? Esse tipo de pergunta é inútil e sem sentido! Quem não mata, morre! ― Segurando firmemente na grade enquanto se aproximava ainda mais, o rei continuou. ― Podemos afirmar que escravizar é errado? Podemos, claro. Em tempos de paz é justo pensar assim, mas eu estou em guerra! E nesta guerra, eu vou permanecer de pé!

― Hahaha ― Rindo. Júlio olhou para ele e perguntou calmamente. ― Você está em guerra contra quem sua majestade? O seu próprio povo?

― Meu próprio povo? ― Perguntou o rei. ― O país do sol é constantemente atacado por dois países, além de enfrentar uma ameaça interna. ― Apontando para Júlio, ele continuou. ― Você e seu pai causaram uma enorme bagunça no meu país do Sol!

― Não precisaríamos causar nenhuma bagunça se a sua família não fosse sem escrúpulos. ― Afirmou Júlio, que continuou. ― Vendendo inúmeras mulheres para deus sabe onde... Uma família real desta é indigna de governar o país do Sol!

Humpf! - Bufando friamente, o rei afirmou. ― Vamos ver se você vai continuar falando besteiras quando o seu filho estiver ajoelhado diante de você, implorando por sua vida.

Clanlang - Júlio se levantou enquanto as correntes e os ferros cravados em seu corpo se esticavam fazendo com que sangue escorresse sem parar.

Olhando para o rei enquanto luzes aterrorizantes passavam por seus olhos, ele afirmou com um olhar que beirava a loucura. ― Você acha que pode matar o meu filho? Besteira! ― Gritou. ― Deixa-me te contar algo, o meu filho é... Extraordinário!

 

 

 

Por Keven Alves | 27/08/18 às 17:24 | Ação, Aventura, Fantasia, Elementos de Cultivo, Romance, Maduro, Guerra, Cultivo