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Capítulo 131 - Qinyue

Deus Imperador dos Taos (DIT)

Capítulo 131 - Qinyue

Autor: General Xin

O balançar do galope dos cavalos intensificava ainda mais o cansaço do grupo. Era como os braços doces de suas mães os colocando gentilmente para dormir durante a infância.

“Ah… Já não sinto mais frio. Isso é bom.” Guiyan ergueu sua cabeça e olhou na direção do céu. O sol, já preparando-se para sumir no horizonte, garantia uma paisagem exuberante. Longas cadeias de pequenas montanhas verdes contrastavam com o degradê dos céus. Ao mesmo tempo, corriam por todos os lados brisas mornas que carregavam o cheiro de arroz misturado ao das flores.

“O ar aqui deve fazer maravilhas para a pele e meus cabelos.” Hanfeng ajeitou sua franja em um majestoso topete. Seus cabelos dourados irradiavam um brilho único graças ao sol poente.

“Isto daria uma pintura incrível… Aliás, dará!” Zhongxuan, fazendo uso de seu suporte, começou a pintar despretensiosamente.

“Oh, como é bom estar em casa.” Xie Quan fechou os olhos e inspirou profundamente, demonstrando prazer em sentir os aromas provenientes de sua cidade.

“Eu ainda acho que deveríamos ter ido checar.” Houbo encarou Lianjie por cima do ombro e suspirou descontente. “Eu não confio em forasteiros.”

“O oficial sou eu. Eu dou mais valor às nossas vidas do que a um conflito de loucos! Zhanluan e o rei podem ir para o inferno desde que Qinyue mantenha-se erguida e nós vivos. Além do mais, nós temos a proteção dos monges, qualquer um dos lados que se atrevesse a atacar nossa cidade sofreria grandes perdas.” Com um sorriso orgulhoso, Xie Quan empinou o nariz e virou-se para Lianjie. “Eu lhes apresento as maravilhosas terras de Qinyue, a terra dos arrozais perfumados e dos melhores óleos de toda Changfeng!” Após subirem um pequeno morro e atingirem seu topo, ele apontou com o dedo indicador em riste para uma grande cidade murada, agora revelada, cercada por vastos campos de arrozais. Curiosamente, entre os cereais cresciam flores diversas.

Além das flores, pequenos arbustos com frutas esféricas pouco maiores que uma unha e casas de madeira, muito robustas, com telhados de palha misturados a uma pasta densa de arroz estavam dispostas do lado de fora da cidade, próximas às lavouras. Porcos corriam soltos pelos arredores, assim como galinhas e patos. Era possível enxergar também um grande lago, cercado por pescadores com roupas simples de pano e chapéus de palha. Eles gritavam alto toda vez que um peixe mordia suas iscas, como se estivessem competindo entre si.

Um grande número de fazendeiros recolhia os grãos de arroz maduros, removia as ervas daninhas e retirava alguns botões das flores. Carroças com grande capacidade perambulavam pelas estradas terra recolhendo todo o material e levando-o ou para a cidade ou para outros lugares. Estes fazendeiros possuíam a pele bronzeada como a de Guiyan, mas seus cabelos eram negros como os de Lianjie. Usavam regatas e calças de pano dobradas até pouco abaixo do joelho. Seus rostos apresentavam as marcas do sol: pele seca e com algumas rugas.

Os jovens se encaravam surpresos com a cidade. Diferente da Cidade da Brisa Gentil, esta exalava uma incomum ternura e receptividade. Era como se os conflitos terrenos não tivessem efeito sobre aquele território, era um lugar de paz aparentemente.

Muito além dos muros da cidade uma vasta montanha parecia guardá-la. Haviam inúmeras construções erguidas coladas às paredes da montanha que se conectavam por escadas e perigosos caminhos às beiras da montanha, no seu pico havia um grande templo quase coberto pelas nuvens.

“É um lugar meio incomum para se construir um templo. Eu nunca tinha ouvido falar de um lugar assim.” Disse Lianjie.

“É verdade… A sensação que eu tenho é como se o vento fosse derrubar tudo aquilo.” Yuanjia também manifestava curiosidade e interesse acerca do monastério.

“Se chama Monastério Celestial Eterno e há diversos outros monastérios como este. Eles foram erguidos por um monge chamado Juk Mouding, mas isso é tudo o que sei. Os monges de lá não compartilham as informações, eles só descem a montanha quando é estritamente necessário. Eu, por exemplo, nunca os vi.” Explicou Xie Quan.

“E como vocês sabem que eles estão lá? Como podem se sentir seguros com pessoas que nunca viram?” Yuanjia deu um leve tapa em seu cavalo, fazendo-o acelerar e parar ao lado de Lianjie e Xie Quan.

Houbo apontou para o pico da montanha e respondeu lentamente: “Todas as manhãs um sino toca lá no alto. Esse sino é um sinal dos monges: três badaladas e está tudo bem, seis e terá início seu processo de recrutamento, doze para informar da troca de grão mestres e vinte e quatro para algum perigo iminente.”

“Oh… Então é assim que funciona!” Yuanjia observava admirado pelo distinto sistema utilizado por estes monges. Meimei, vendo a expressão no rosto dele, enrugou a testa em preocupação e se aproximou o bastante para sussurrar discretamente: “Você não está pensando em se tornar monge. Né?”

“Ãh?” Yuanjia franziu uma das sobrancelhas e respondeu imediatamente: “Não… Por quê?”

Meimei ficou com uma expressão de aborrecida, mordendo os lábios e tensionando a área entre as sobrancelhas. “Se você tentar Meimei vai bater em você sem segundas intenções.” Ela então fechou seu punho esquerdo e o apontou para Yuanjia.

Yuanjia deu um tapa em sua própria testa e balançou a cabeça. “Meimei, Meimei…”

Ao chegarem aos portões da cidade, um cordão de guardas controlava quem entrava e saía dela. Ao verem Xie Quan liderando o grupo de jovens, liberaram a passagem.

Qinyue, se vista por cima, tinha formato quadricular e suas áreas eram bem delimitadas. Ela possuía quatro entradas, uma em cada sentido: norte, sul, leste e oeste, sendo a primeira por onde os jovens vieram.

Logo ao passarem pelos portões viram inúmeras casas construídas com blocos de concreto e cujos telhados piramidais de madeira apresentavam uma parte circular no centro feita de vidro. Segundo, Xie Quan, em Qinyue havia um costume de sempre, antes de dormir, rezar à lua enquanto a encara, pois dela vieram os grandes salvadores do que, à época, era apenas um vilarejo subdesenvolvido.

Estas casas estavam dispostas ao longo de uma razoavelmente extensa avenida pavimentada. Haviam ruelas que se conectavam e ela terminava em uma bifurcação. À direita havia mais casas e lojas que comercializavam animais, duas estalagens grandes, dois ringues para disputa pública, pequenos restaurantes, algumas casas de banho e casas de chá.
A esquerda desembocava em uma longa rua que formava um círculo, o Anel Comercial. No centro deste havia um movimentado e barulhento mercado público, ali era a parte mais movimentada da cidade: feirantes vendendo toneladas de arroz perfumados e novas receitas de óleo, pescadores e açougueiros vendendo os mais nobres pedaços de carne, alquimistas divulgando suas pílulas e elixires milagrosos, ferreiros com o rosto coberto por fuligem e roupas imundas, mas segurando armas impecáveis e lustrosas, odaliscas e bardos cantando e dançando ao preço de poucas moedas.  Mercadores de toda Changfeng anunciavam seus produtos e competiam para ver quem gritava mais alto. Valia tudo, até mesmo usar tambores e instrumentos.
Outra característica marcante era o inebriante perfume da gastronomia local. Cozinheiros de rua e os demais restaurantes chamavam a atenção preparando tudo de melhor que Qinyue tinha a oferecer, como seus tradicionais peixe na argila e a cova de legumes assados.
Além disso, belos jovens adultos caminhavam pelo local convidando os bem abonados a participar da maior casa de leilões da região: a Qiankan.

De arquitetura distinta, ela possuía o formato de um baú e era pintada com um tom metálico de amarelo que fazia-a parecer ser feita de ouro. Janelas caras feitas dos melhores materiais estavam por todos os lados, mas, por causa de cortinas, era impossível ver o que se passava no seu interior. Uma porta de mármore de aproximadamente cinco metros era guardada por um homem enorme, calvo e com uma barba negra cheia.

Havia outra avenida que se ligava ao Anel Comercial e que, em certa altura, se fundia a uma outra a qual os cidadãos chamavam de rota lunar, pois, diferente dos outros pontos da cidade, era feita com uma rocha que demorava séculos para se formar e dependia de ambientes muito úmidos e da lua cheia. Não possuía nenhuma propriedade incrível, sendo usada somente pela estética. Era absurdamente cara, um delimitador ali usado para indicar que tudo que viria dali em diante seria de nível superior.
Logo de cara, a escola dos Dragões do Outono Amarelo fazia-se notar. Ela possuía, no mínimo, o dobro do tamanho da Escola dos Ventos Cortantes. Seus muros eram altos e pintados de laranja. Não dava para enxergar muita coisa a não ser um punhado de grandes torres que ultrapassavam a altura dos muros.

Além desta escola havia o pavilhão militar, onde residiam as tropas do Portão do Dragão; a Escola das Ameixeiras Elegantes; o palácio administrativo; as casas das famílias mais ricas e dois restaurantes de alto padrão: o Hequn e Datong.

Embora em zona nobre, o pavilhão militar estava em derradeiro declínio. Devido à proteção dos monges, os cidadãos passaram a considerá-los o principal mantenedor da ordem. Graças a isso, o pavilhão militar acabou ficando encumbido de furtos e disputas territoriais entre mercadores furiosos. Com porções sem pintura e rachaduras para todo lado, todo o local contrastava com a atmosfera ao seu redor. Dizem que ele só se mantém devido as glórias de um passado tão longínquo que ninguém mais recorda.

Ao seu lado a terceira maior escola feminina de Changfeng: a Escola das Ameixeiras Elegantes. Construída em um plano mais elevado, ela se sobressaía graciosamente em comparação a outra escola. Era rodeada por pequenos jardins de flores e seus muros altos eram pintados de um branco levemente rosa.

O palácio administrativo, robusto, elegante e com seis andares, ostentava toda a tradição da cidade. Chamavam-no de Palácio da Lua, pois a tinta usada era branca com pó de rocha lunar diluído, fazendo com que, a noite, toda a construção reluzisse como uma pérola. Ele era rodeado por esculturas ocas de vidro onde eram colocadas lanternas que brilhavam de forma intensa. Sua arquitetura era como a de uma enorme casa, o diferencial é que seu último telhado era feito inteiramente de vidro e não de cobre e ouro, o que permitia a iluminação natural na parte mais importante da construção: o Hall dos Afortunados, onde eram discutidas todas as políticas da cidade.

“Céus! O que é isto?!” Gritou Lianjie, pasmo com tudo o que via a sua volta.

“Isto é Qinyue! Sejam bem vindos!” Gargalhou Xie Quan de braços abertos.

Por General Xin | 29/08/18 às 04:14 | Ação, Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Sobrenatural, Xianxia, Romance, Brasileira, Magia, Poder, Maduro, Drama