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Capítulo 51 - Movimentos ocultos

Deus Imperador dos Taos (DIT)

Capítulo 51 - Movimentos ocultos

Autor: General Xin

No limiar norte do Reino de Changfeng, no pico de uma majestosa montanha cinzenta, havia uma uma fortaleza feita inteiramente de uma rocha chamada wodaleíta cuja dureza era superior ao diamante. Possuía um formato hexagonal, em cada extremidade havia uma torre muito bem vigiada. No centro, um grande castelo do mesmo material.

Dentro dele, em um salão festivo, haviam centenas de homens e mulheres sentados ao redor de seis longas mesas. Um banquete estava sendo servido, haviam barris e barris de vinho de arroz, carnes de criatura selvagens, aves nobres e pescados caríssimos. O barulho das diversas vozes tomava o lugar. Era como um centro urbano.

O inebriante cheiro de comida viajava pelo salão, assim como o cheiro de vinho. Todos cantavam e celebravam enquanto se esbaldavam em um banquete de grandes proporções.

“Prestem atenção!” Uma voz estrondosa ecoou. Era de um homem grande e forte. Possuía traços insanos, sobrancelhas vastas e uma densa barba negra. Além disso, era um pouco calvo, tendo cabelos compridos somente nas laterais e nuca.

O salão, até então sob estado de balbúrdia, tornou-se quieto. Todas as cabeças se viraram para o homem.

“Quero que saibam que hoje a nossa festa é por uma razão: tomamos as minas do extremo sul! Novos irmãos se juntaram a nós!” Falou o homem de braços abertos, empolgadamente.

Imediatamente a multidão cantou em coro:

“Shan Zhanluan!”

“Shan Zhanluan!”

“Shan Zhanluan!”

Ao ouvir este nome sorriu orgulhoso, gesticulou para que a multidão ficasse em silêncio e continuou: “Há quase três mil anos nossos antepassados foram mortos pelos usurpadores que se encontram hoje no poder! Eles foram massacrados e divididos! Nos tiraram nosso território e nos condenaram ao esquecimento e à sombra das famílias mais importantes. As grandes cidades, assim como a Cidade do Estandarte Dourado, colocam nossos nomes no livro negro da História! Mas isso terá fim! Nós, descendentes dos nativos e dos povos montanheses, tomaremos o que é nosso! Eu, Shan Zhanluan, darei meu corpo e minha alma em prol de vocês! Pois se o mesmo sangue corre em nossas veias, somos ambos parte da herança honrada que os mestres ancestrais deixaram!”

A multidão foi ao delírio e gritava sem parar. Estavam embriagados pelo vinho tal qual pelo discurso de Shan Zhanluan e motivados pela sua causa.

“Em breve traremos guerra a toda Changfeng. Em alguns anos teremos os preparativos necessários para tomarmos o reino, preparem-se. Com a adesão dos irmãos do extremo sul agora possuímos acesso a minérios e possíveis tesouros; com a adesão dos irmãos do leste possuímos bons ferreiros e inscritores capazes de criar equipamentos de excelente qualidade. Ainda precisamos reunir mais pessoas, mas nunca estivemos tão próximos de puxar o tapete do reinado!” Exclamou Shan Zhanluan. Em seguida, ergueu seu copo cheio de vinho e, em um gole, bebeu tudo. Por fim, limpou o bigode encharcado de vinho e completou: “Aos nossos ancestrais!”

“Aos nossos ancestrais!”

“Aos nossos ancestrais!”

“Viva Shan Zhanluan!”

“É! Viva Shan Zhanluan!”

Zhanluan novamente sorriu orgulhoso e levemente se curvou às pessoas daquele salão para depois despedir-se. No momento seguinte, gesticulou para um homem ao seu lado e ambos se dirigiram até uma porta de, no mínimo, cinco metros de altura e deixaram o salão.

“Shaofeng, novidades?” Perguntou Zhanluan, enquanto caminhava por um longo corredor.

“Senhor, os monastérios do norte e do sul dizem que não manifestam interesse em disputas mundanas. Eles só irão intervir se isso acarretar na morte de mortais inocentes. Quanto aquele assunto... Nada ainda...” Respondeu Shaofeng.

“Malditos monges! Que se foda essa tal de poeira vermelha! Nós somos os inocentes também. Por que não nos protegem?!" Zhanluan ergueu seu punho e apertou-o tão forte que produziu estalos. "Sobre o o indivíduo, bem... Se você achá-lo, quero que você o sonde e o convoque.” Zhanluan deu dois tapas no ombro de Shaofeng e sorriu.

“Você sabe que Wei Yifei está caçando-o não? Por que você quer convocá-lo?” Perguntou Shaofeng. Sua sobrancelha direita estava extremamente arqueada.

“Porque, tendo em vista o local onde o fenômeno aconteceu, ele pode estar do nosso lado. Ele pode ter sangue dos povos ancestrais!” Respondeu Zhanluan enquanto enroscava seu bigode.

“Entendi, senhor. Mudando de assunto... Como ficam as tribos do oeste?” Shaofeng cruzou os braços e continuou: “Eles são extremamente rurais... Há poucos vilarejos que possuem praticantes...”

“Melhor ainda! Jovens são preciosos, Shaofeng! Se eu ajudá-los a cultivar, no futuro terei sua lealdade e confiança.” Zhanluan ergueu seu punho direito e o chocou contra sua palma esquerda. “Os jovens serão meu xequemate! Tendo em vista que as mais fortes existências de Changfeng se encontram no pico do estágio espiritual.”

“Senhor... Quase me esqueço... Por falar em jovens, meu informante do oeste relatou que os Yu receberam uma grande quantidade de ouro e estão se expandindo e investindo nas novas gerações. Parece que o filho de um dos Yu entrou na Escola dos Ventos Cortantes e tem os apoiado financeiramente. Seu nome é Yu Lianjie e por solicitação dele eles estão investindo nos jovens.” Shaofeng respondeu.

“Uma família de camponeses pôde enviar um aluno à Escola dos Vento Cortantes? Incrível! Shaofeng, passe a monitorá-lo.” Zhanluan estava extremamente empolgado. Ele abrira um sorriso enorme e agora alisava sua barba.

“Sim, senhor!” Shaofeng se curvou levemente.

“Tenho mais uma coisa a lhe pedir...” Zhanluan se aproximou de Shaofeng e pôs suas mãos sobre seus ombros.

“O que, meu senhor?” Perguntou Shaofeng.

“Envie Guiyan para a Escola dos Ventos Cortantes. Ele será útil lá, faça os preparativos e faça com que ele conheça o jovem Yu lá dentro. Precisamos de alguém fiel à causa para sondá-lo e incentivá-lo.” Responde Zhanluan de braços cruzados.

“Sim, senhor! Enviarei o garoto. Mais alguma coisa?” Perguntou, curvado, Shaofeng.

“Envie periódicas doações a eles e anuncie que estas estão sendo feitas por mim.” Zhanluan respondeu e foi embora, sem sequer despedir-se. Ele seguiu por um longo corredor até sumir. Shaofeng, assim que seu senhor foi embora, deixou a fortaleza para cumprir o que lhe foi pedido.

Longe dali, no Vale dos Ecos, três dias depois.

No centro de um pátio, um adolescente de cabelos brancos praticava as artes da espada. Ele era alto, com uma constituição física bem desenvolvida para sua idade, de pele bronzeada e de olhos dourados. Utilizava roupas negras com detalhes em dourado. Eram roupas finas que denunciavam sua nobreza.

Sua espada era rápida e misteriosa, ícone da sua família; seus passos eram calculados, longos e lentos; seus cortes provocavam o sibilar do vento.

“Shi Guiyan!” Um homem invadiu o pátio onde ele se encontrava e interrompeu-o.

Guiyan rolou os olhos para o lado e olhou o homem com desdém. Logo depois respondeu: “Não está vendo que estou treinando?”

“Shaofeng está aqui! Ele tem uma mensagem de Zhanluan!” Respondeu o homem, ofegante.

“Zhanluan? Mestre? Estou indo!” Shi Guiyan arregalou os olhos ao ouvir a resposta do homem. Em seguida, guardou sua espada, vestiu uma capa de peles tingida de negro e dourado e foi de encontro a Shaofeng.

Por General Xin | 03/01/18 às 01:23 | Ação, Aventura, Fantasia, Artes Marciais, Sobrenatural, Xianxia, Romance, Brasileira, Magia, Poder, Maduro, Drama