CAPÍTULOS
OPÇÕES
Cor de Fundo
CONTROLE DE FONTE
HOME INDEX
Capítulo 5.2 - Quantos metros para um retorno seguro? (parte 3)

Dungeon ni Deai o Motomeru no wa Machigatte Iru Darou ka (DanMachi)

Capítulo 5.2 - Quantos metros para um retorno seguro? (parte 3)

Tradução: Rodrigon | Revisão: Hazel | QC: Sir

O suor continua escorrendo pelo meu rosto e pingando pelo meu queixo.

Eu acho que parte disso tem a ver com o ar abafado aqui nos níveis intermediários. Claro, eu não tenho ideia se vou sair daqui vivo, mas essa umidade está me matando.

Infelizmente, não tenho escolha a não ser enfrentar o calor enquanto avançamos.

Eu ainda estou emprestando meu ombro para Welf. Fisicamente, meus olhos e ouvidos estão em alerta máximo. Mas mentalmente, estou rezando — quase lamentavelmente — para que nenhum monstro apareça. Lili está andando apenas alguns passos atrás, cuidando para que nada se aproxime.

Nós cobrimos muita distância desde que decidimos ir para o nível dezoito. Infelizmente, não encontramos nenhum dos buracos que levavam para baixo. 

Eu faço o meu melhor para manter a calma e parar com os barulhos de fome que meu estômago fazia.

Estamos sozinhos neste túnel escuro — a única coisa que não podemos fazer é entrar em pânico. Todos nós estamos no limite, mas no momento em que cedermos ao medo será o começo do fim.

Chegamos a uma bifurcação no túnel, um caminho leva a esquerda e o outro caminho a direita. No final de nossa reunião, eu disse a todos que deveríamos ir para a direita sempre que tivermos que tomar uma decisão. Assim como concordamos, todos nós fomos para a direita.

Haa... haa... As pequenas respirações de Lili soam dolorosas atrás de mim. Aposto que ela está realmente cansada. O corpo de Welf está pressionado contra o meu. É realmente quente. Mas não podemos desacelerar, não importa quanta dor estamos sentindo.

"... Pequena L, você não pode fazer algo sobre esse cheiro?"

Welf inclina a cabeça e olha para Lili pelo canto do olho.

Eu dou uma olhada por cima do meu outro ombro. Os olhos de Lili brilham com a pergunta de Welf — talvez ela tenha perdido a vontade de discutir.

"Por favor, aguente... Lili está apenas dizendo, mas o cheiro é muito pior aqui atrás."

O "cheiro" de que eles estão falando é proveniente de uma bolsa pendurada do pescoço da Lili.

É tão podre que quero arrancar meu nariz do rosto. É incrível eu poder segurar as lágrimas que estão brotando dos meus olhos.

"Esse fedor nos incomoda, mas é como respirar veneno para os monstros. Enquanto nada drástico acontecer, o cheiro nos protegerá enquanto durar."

Assim como Lili explicou, esta bolsa de mau cheiro é chamada de "Morbul", e é a principal razão pela qual ainda não encontramos nenhum monstro.

A coisa realmente funciona; Estou vendo os efeitos com meus próprios olhos.

Não importa quão poderosos sejam os monstros nos níveis intermediários, nenhum deles querem ter algo a ver com esse fedor.

"Você conseguiu isso de Nahza, se bem me lembro..."

"Sim, Lili pediu sua ajuda enquanto ainda estávamos trabalhando nos níveis superiores..."

Lili tentou várias vezes criar um item que repelisse monstros, mas falhou. Então ela pediu a ajuda de Nahza.

Nahza está muito familiarizada com os ingredientes encontrados fora de Orario. Enquanto ela os misturava com itens da Dungeon, ela acidentalmente o criou. Foi isso que eu ouvi.

"A propósito, Nahza caiu no chão e rolou depois de dar um cheirada de teste."

... Aparentemente, o odor era tão ruim que a pobre Nahza estava esfregando o nariz contra tudo, tentando desesperadamente tirar o cheiro. Eu sinto muito por ela, apenas pensando sobre isso — na verdade, eu posso ver que deve ter sido excruciante.

De qualquer forma, a bolsa no pescoço de Lili nos permitiu evitar qualquer encontro com monstros. Considerando nossos suprimentos limitados e nossa condição física, estou feliz em aguentar o odor.

Claro, ouvimos alguns uivos vindos do fundo do túnel algumas vezes, mas eles se afastaram assim que estavam perto o suficiente para nos cheirar.

"...!"

A nossa frente.

As luzes de vários olhos vermelhos brilhantes perfuram a escuridão diretamente em nosso caminho.

Os monstros — Cães Infernais — nos tem em sua mira. Eu posso ver três deles, seus olhos pulsando com antecipação.

Eles pararam bem fora do alcance do cheiro, cerca de trinta metros. Eu posso vê-los agitando a cabeça, batendo os pés no chão. Eles estão se preparando para lançar seu ataque de fogo.

Merda! Eu me preparo.

Se tomarmos todas as suas bolas de fogo assim, estaremos acabados. Eu ouvi o corpo de Lili se enrijecer atrás de mim.

Arriscar mais lesões com um ataque frontal? Ou os acertar com a Flecha de Fogo primeiro?

Trinta metros... Posso chegar lá a tempo? Os Cães Infernais podem nos atingir com força total nessa distância? Eu não sei o que fazer! De repente —

"Parece que eu tenho que tentar... eu tenho isso."

A voz de Welf chegou aos meus ouvidos.

Hã? Seu braço direito dispara para frente no momento em que olho para ele em confusão.

O tecido vermelho na manga de sua jaqueta faz um estalo alto quando ele estende a palma da mão em direção aos Cães Infernais, agachados a distância.

Ele profere um breve encantamento: “Praga Ardente”.

O ar na frente da mão de Welf ondula instantaneamente, criando ondas de choque visíveis enquanto elas crescem para a frente.

Uma torrente furiosa de chamas — ainda silenciosa de alguma forma — corre para engolir os Cães Infernais que estavam a meros segundos de lançar seu próprio ataque.

"Fogo-Fátuo"

Três explosões em um piscar de olhos — enquanto o próprio fogo dos Cães Infernais os consumiam.

"Ignis Fatuus?!"

A voz chocada de Lili ecoou através do túnel.

Eu também vi as chamas que os monstros estavam prestes a cuspir em nós — e as explosões repentinas que se seguiram. Eu estou com os olhos tão arregalados quanto ela. A fumaça começa a clarear. Todos os Cães Infernais estão no chão, seus olhos estão brancos.

Ignis Fatuus.

Um nome para uma explosão resultante da incapacidade de controlar sua própria magia.

Nos Tempos Antigos, antes que os deuses viessem a Terra, elfos e outros usuários de magias criaram seus próprios feitiços e tentaram lançar Magias.

No entanto, seus corpos estavam em risco até que sua magia assumisse uma forma física. Poderia literalmente explodir em seus rostos se eles tentassem forçar isso — algo muito semelhante ao que aconteceu com aqueles Cães Infernais.

Graças aos deuses e sua Graça Divina, as pessoas hoje em dia tem uma chance melhor de encontrar uma Magia que se adapte melhor às suas habilidades, bem como controlá-las. Fogo-Fátuo quase não acontece mais.

A possibilidade de isso acontecer com um monstro é quase nenhuma.

"Que tal isso, funcionou..."

"W-Welf, o que aconteceu?"

"Minha Magia é meio especializada. Pelo que vi, ela reage a poder mágico e o faz explodir."

 Fogo-Fátuo — Magia anti-magia.

Quando usado no momento correto, pode ser usado como contra-ataque de Magias ou ataques elementares que usam poder mágico, simplesmente acionando um Ignis Fatuus. Quanto mais forte o ataque mágico ou maior o poder mágico do usuário, maior será a explosão. De certa forma, poderia selar o poder da Magia.

Como um ferreiro que luta com armas em combates de curta distância, esse tipo de Magia é perfeita para Welf. Eu posso ver por que ele iria querer isso.

"Eu nunca tinha experimentado em um monstro antes, mas... Funcionou muito bem."

Ele olhou para a surpresa no meu rosto e lançou um sorriso de dor.

Aparentemente, ele não estava brincando quando disse que era sua primeira vez usando em um monstro. Não há monstros nos níveis superiores que possam cuspir fogo como os Cães Infernais. Caramba, não há monstros lá em cima que pode fazer qualquer coisa que se pareça com Magia.

Então no décimo terceiro andar, quando estávamos prestes a ser assados, ele não saberia o momento certo para lançar sua própria magia. Antes tarde do que nunca.

O feitiço é muito curto, mas ele precisa de algum tempo para se preparar. Eu acho que a magia de Welf não é perfeita.

"Espere, você disse 'em um monstro'... Isso significa que você o usou em pessoas?"

"Sim. Pedi a um dos caras da minha <Família> que me ajudasse. Virou um belo show."

"… Sr. Welf, isso é..."

"Eu sei que não deveria ter tentado, mas tinha que saber o que fazia. E ele sabia que havia um pouco de risco, sem saber o que poderia acontecer... Mas sim, foi completamente minha culpa."

O rosto de Lili ficou mais cada vez mais assustado durante a explicação de Welf, até ele finalmente fazer uma careta e admitir seu erro.

Apenas talvez, haja uma razão pela qual seus colegas membros da <Família Hephaistos>  não gostarem dele, além do sangue Crozzo...

Mas nosso caminho está livre graças a ele. Temos outra maneira de manter os Cães Infernais a distância. Isso é grande.

Fazemos nosso caminho passando por seus corpos, os monstros morrendo na nossa frente. Eu posso ouvir suas fracas respirações, mas ele não fazem nenhum movimento para nos perseguir.

Fazemos o mesmo com os próximos monstros que encontramos.

Evitamos todos os ataques enquanto fazemos o possível para suportar o forte odor da bolsa em volta do pescoço da Lili. Eu uso a Flecha de Fogo em qualquer coisa que chegue muito perto de nós.

Welf cuida dos Cães Infernais. Agora que ele sabe o momento e a distância, qualquer um dos monstros que tentar usar seu ataque flamejante em nós, se tornará vítima de sua Magia anti-magia.

"Bem, aqui..."

"O que é isso? Uma poção?"

Pego um frasco cheio de um grosso líquido vermelho do coldre da minha perna e entrego para ele.

Ele bebe cerca da metade antes de abrir seus olhos em surpresa.

"Isso não é uma poção mágica. Eu me sinto mais leve."

Eu dei a ele uma poção dupla. É mais uma das criações de Nahza.

Depois de andar todo esse caminho em basicamente uma perna e lançar muitos feitiços, ele devia estar sofrendo, mas parece que a poção fez efeito.

Eu dou um suspiro de alívio e explico para ele. Um sorriso genuíno cresce em seus lábios pela primeira vez em muito tempo.

"Essa coisa é boa. Você tem que me dizer onde eu posso conseguir mais."

"Quando voltarmos, eu vou te levar lá quantas vezes você quiser..."

Eu sorrio de volta para ele enquanto ele me dá o resto da poção. Eu bebo o resto em dois goles.

Uma nova onda de energia passa pelo meu corpo. Minha mente e a força física não voltaram a ficar cheias, mas está muito melhor do que antes.

"… Sr. Bell, que tal compartilhar um pouco com a Lili?"

"Eh? Nós acabamos de terminar, não é? Não quero desperdiçar nada."

"Não é justo, não é justo! Não é justo que apenas o Sr. Welf tenha ganhado um pouco!"

"Do que você está falando?"

Finalmente, uma conversa descontraída entre os membros do grupo. Um pouco da tensão se foi. Tendo cuidado para não baixar a guarda, nós nos permitimos relaxar um pouco.

Nossa jornada pela Dungeon continua, eu dando um ombro para Welf e Lili vigiando nossas costas.

Nós temos esperança enquanto colocamos um pé na frente do outro, até que —

"Há uma…"

Vejo um buraco no chão da Dungeon quando viro uma esquina. Está bem no meio do caminho neste túnel.

É quase como se estivesse separado dos outros caminhos que poderíamos seguir. Também é um buraco irregular e de aparência estranha.

Eu ajudo Welf até o buraco e nós dois olhamos para baixo. Lili não está muito atrás e confirma o que nós dois estávamos pensando — está conectado a um piso inferior.

A julgar por sua profundidade... provavelmente o décimo sexto andar.

Nós olhamos para longe do vazio escuro e trocamos olhares antes de assentir um para o outro.

Coloquei meu braço direito firmemente ao redor da cintura de Welf e meu esquerdo ao redor da mochila de Lili.

Todos nós respiramos fundo e pulamos.


https://lh3.googleusercontent.com/lBFgDoVj4KZTy9GuWh78dPjOPqn-gxW8p0Cc7K5wW99M38cR3SV5KpFGoh7c31lI-6UXGLaLyzEs1OVVU1MwM_7YbWB2b2RpVCXryPEkBla5yCrZw4WGzp_ZVR7JRwsLuT_hvPdu


Uma lua dourada pairava no céu.

O sol se pôs completamente, um lindo céu noturno se espalhou por Orario. Lâmpadas de pedras mágicas pontilhavam a cidade como jóias preciosas brilhando na noite.

As ruas estavam cheias de pessoas curtindo a companhia um do outro, milhares de pontos de luz ao seu redor. E no centro da cidade, um edifício pairava sobre o Parque Central.

Uma torre estava sobre a entrada da Dungeon. Babel.

Uma certa deusa desviou o olhar do andar mais alto da torre branca e se moveu em direção a uma porta.

Tup, tup. Seus sapatos atingiram o chão enquanto ela andava. Ela jogou seu cabelo prateado para trás com as duas mãos enquanto ela passava. "Eu fiz você esperar?"

Ela abriu uma grande porta de madeira depois de atravessar o longo corredor. A Deusa da Beleza — Freya — foi a primeira a oferecer uma saudação.

A sala estava decorada com longas estantes cheias de muitos itens caros e luxuosos. Seu subordinado favorito, Ottar, e outro deus com um de seus seguidores estavam reunidos aqui.

"Não, de jeito nenhum. Desculpe por ocupar seu tempo, Lady Freya."

Hermes estava sentado em uma mesa bastante estranha projetada para se parecer com uma maçã. Ele a cumprimentou com um sorriso e uma voz jubilante. Asfi, no entanto, não conseguia esconder o seu nervosismo.

Freya olhou para os dois antes de se sentar à mesa com Ottar ao seu lado.

Cada um de seus movimentos era gracioso e cativante. O vestido preto dela revelou um enorme decote quando ela deslizou na cadeira, seu grande busto balançando. A cadeira chiou levemente quando ela se recostou, seu cabelo prateado roçando contra seu colar branco.

Asfi foi cativada por ela e corou em vermelho escarlate antes de evitar seus olhos. Embora sua seguidora tenha ficado completamente encantada pela beleza da deusa, Hermes continuou sorrindo da sua maneira encantadora.

As duas divindades estavam sentadas em lados opostos da mesa, com seus seguidores de pé atrás deles.

"Então, o que é?"

Freya optou por ignorar qualquer conversa fiada e foi direto ao ponto.

Ela se sentou com os ombros retos para ele, pernas sem cruzar, com um sorriso muito confiante em seus lábios. Os olhos estreitos de Hermes se arregalaram.

"Como tenho certeza de que você já sabe, Bell Cranel ainda não retornou da Dungeon. Hestia e eu estamos a caminho de ajudá-lo, Lady Freya."

"E?"

"Então, eu vim aqui para fazer um pedido."

"Por que você se incomodaria em vir até mim?"

A expressão de Freya não mudou. Ambos os deuses trocaram olhares e sorrisos.

"Você o protegeu, Lady Freya. No último Denatus, você protegeu Bell."Hazel: essa vad*@!! O princeso quase morre 2 vezes por causa dessa louca!

"..."

"Ele é alguém digno da atenção de alguém tão bonita quanto você. Então você não pode me culpar por estar interessado."

Dez dias atrás, neste mesmo edifício, durante a reunião dos deuses, Denatus, Freya realmente se impôs para proteger Bell. Mais especificamente, ela impediu Loki de tentar descobrir por que ele evolui tão rápido, apontando aos outros que era proibido investigar dados pessoais.

Freya tinha todos os deuses homens presentes no Denatus sob seu feitiço desde o início. Sua beleza era poderosa o suficiente para mantê-los em transe e fazer sua jogada sem que eles pensassem em suas motivações.

Hermes deveria ter sido um deles.

"Lady Freya, eu sou louco por você. No entanto, eu não estou tão confuso a ponto de não perceber algo bem debaixo do meu nariz."

... Em outras palavras, ele estava agindo.

As outras divindades masculinas ao seu redor estavam sendo seduzidos com praticamente um olhar dela. Tudo o que ele precisava fazer era se misturar.

"Bem jogado", ela sussurrou ao se lembrar do desempenho do deus encantador.

"Você está fazendo isso de maneira muito diferente do normal, mas duvido que mais alguém notou."

O "estilo de recrutamento" de Freya era muito conhecido. Depois que encontra alguém que ela queira, ela faz sua jogada imediatamente.

Apesar de sua usual abordagem direta, ela ainda tinha que fazer a mesma coisa com Bell. A Freya que Hermes conhecia não teria perdido tempo.

Provavelmente, os outros deuses que foram atraídos pela beleza de Freya não teriam notado que o garoto estava no centro de sua mudança repentina de estratégia.

"Tudo bem, então", disse Freya. Era inútil tentar manter as aparências, dado o quanto Hermes já sabia.

Ela parou de tentar esconder o fato de estar interessada no garoto e lançou seu olhar de prata para a divindade em frente a ela. Era o jeito dela de dizer vá direto ao ponto.

"Não tenho interesse em brincar com seu brinquedo. Eu só quero ver com meus próprios olhos o que ele pode fazer."

Hermes assumiu uma expressão séria enquanto falava.

Em um piscar de olhos, seu rosto mudou para o de um mendigo na rua.

"Então, por favor — por favor, deixe minha <Família> em paz, Lady Freya?!"

"..."

Genuinamente surpresa com o pedido de Hermes, Freya sentou-se em silêncio por um momento, antes de olhar para ele como um verme patético indigno da sujeira em que vivia. Ela manteve essa expressão por um longo tempo e teve Hermes a beira das lágrimas.

As duas <Famílias> mais fortes de Orario pertenciam a Loki e Freya. E se Freya decidisse seriamente ir atrás deles, a <Família Hermes> seria exterminada em pouco tempo.

Era por isso que Hermes estava aqui — por segurança. Hermes aparentemente gostava muito de sua própria <Família>.

Ao mesmo tempo, ele não estava mentindo — mas também não estava dizendo a verdade.

Freya podia ver. Ela sabia que ele queria mais do que apenas testar o poder do garoto. Seus olhos se estreitaram, seu olhar foi ficando cada vez mais nítido... Mas ela parou.

Isso é tolice, ela suspirou para si mesma.

Ela percebeu que tentar destruir Hermes seria uma perda de tempo.

"Tudo bem, como você deseja."

Freya decidiu concordar com seu pedido, mas prestar ainda mais atenção nele.

Estava claro para ela que Hermes não significava perigo a Bell.

O alívio percorreu os olhos repentinamente redondos de Hermes enquanto ele afundava em sua cadeira. "Você tem meus agradecimentos, Lady Freya! Eu lhe devo! Se você alguma vez precisar de algo, não hesite em perguntar! Não vou parar até..."

"No entanto."

Freya se levantou, interrompendo Hermes no meio da frase.

Parando o seu charme, ela colocou a mão no ombro dele e inclinou-se para perto.

"Seria sensato se lembrar disso: o único permitido a jogar com ele sou eu."

Sua voz encantadora encheu seus ouvidos.

O tempo parou. Uma onda de arrepios tomou conta da pele de Hermes enquanto todos os seus cabelos estavam arrepiados. Ele deu outro sorriso, assim que seus sentidos voltaram para ele.

"Claro... claro. Eu juro para você —"

"Isso é bom. Tenha certeza que sim."

O rosto de Hermes brilhava com suor quando Freya se levantou com seu próprio sorriso encantador em seus lábios. Ela apontou para a porta com uma mão e deu um breve aceno de cabeça, como se dissesse: "Você pode sair."

Hermes interrompeu as despedidas e aceitou a oferta. Freya assistiu ele e sua seguidora saírem pela porta. Asfi tinha sido tão intimidada pela presença de Ottar, que ela não falou uma palavra enquanto saiam. Hermes, no entanto, estava rindo de si mesmo, murmurando: "Pensei que estava morto por um momento lá..."

Clunk. As portas se fecharam atrás deles.

"Isso é aceitável para você?" Ottar se virou para Freya, uma vez que os outros dois estavam fora da sala e falou. "Apesar de tudo o que ele disse, as coisas podem se movimentar de modo que não podemos ver. Esta é apenas a minha opinião, mas... esse deus é muito suspeito."

Freya riu baixinho para si mesma com o aviso direto de Ottar. "Eu vou lidar com isso quando a hora chegar."

Ela deixou a mesa no meio da sala e caminhou em direção a uma grande janela.

O vidro longo e retangular ocupava a maior parte da parede daquele lado. Ela podia ver toda a paisagem noturna da cidade, com os pés banhados pelo luar.

"Ishtar está de olho em mim recentemente. Eu gostaria de evitar qualquer pergunta mesquinha... Se Hermes quiser fazer alguma coisa, tudo bem."

Ishtar era outra deusa da beleza que havia participado do último Denatus. Freya se lembrou da pequena discussão que elas tiveram enquanto falava com Ottar.

Desde que ela possui o conhecimento que Hermes não irá machucar Bell, isso era o suficiente por enquanto.

Freya deu outro passo em direção a janela e olhou para baixo.

Todos os detalhes da cidade magnífica se espalharam embaixo dela. Ela podia ver todos os cidadãos cuidando de seus negócios, nada mais que grãos de areia a esta altura. As muitas luzes que ladeavam as ruas, misturadas como estrelas brilhantes no céu noturno.

Ela puxou a cabeça para trás quando algo chamou sua atenção.

As pessoas estavam se reunindo no Parque Central.

Freya riu para si mesma ao reconhecer o grupo do lado de fora do portão de Babel.


https://lh3.googleusercontent.com/TnO8zVSGmxKqviRvrady4ziO9-xBSePmvO6W0E03XjJqZ1IpH4xv812PYZRVDk8f0Onn4u9KngUftRCon5WySTwRGIb0cua64UHQZLVXv_6sjxE8gSBJb4PdCQ-MhHWSVI9IvDKE

"Você está atrasado, Hermes!"

Hestia o repreendeu com raiva quando ele saiu da Torre de Babel.

Eles se reuniram em frente ao portão oeste da torre. A cortina da noite caiu sobre o Parque Central. O local era muito animado durante o dia, mas não havia quase ninguém agora. A grande abertura do parque estava terrivelmente quieta, e as árvores presentes estavam imóveis ao ar da noite.

Os preparativos da equipe de busca foram concluídos. Hestia ocultou o fato de que ela era uma divindade usando uma túnica de viajante longa e uma pequena mochila de suporte amarrada sobre os ombros. Na verdade, ela estava extraordinariamente parecida com a suporte Lili. Mikoto e o resto de <Família Takemikazuchi> estava reunida e pronta para sair a qualquer momento.

Hestia estava cansada de esperar. Hermes desceu os degraus da frente com Asfi ao seu lado e uma careta no rosto.

"Veja bem, eu tinha uma ponta bastante solta que precisava ser amarrada... Era mais fácil falar do que fazer."

Sua expressão ficou em branco por um momento quando ele olhou para o ponto mais alto da Torre de Babel. Voltando a si mesmo, ele se virou para Hestia e sinceramente pediu desculpas pelo atraso.

Hestia sabia que o tempo era essencial e estava prestes a dar a ordem para entrar.

"... Lady Hestia."

"!"

Mikoto se aproximou dela. Agora Hestia também percebeu.

Uma pessoa misteriosa emergiu da escuridão e estava andando em direção as meninas.

A figura usava uma capa com capuz que se estendia até a parte inferior das costas. A frente do capuz escondia grande parte do rosto do usuário; apenas os lábios eram visíveis. A julgar pelos shorts, botas até o joelho e delicadas pernas, essa pessoa era do sexo feminino.

Uma longa espada de madeira estava presa a um cinto logo abaixo da capa. Duas lâminas menores corriam pelos lados de suas coxas.

A fêmea, equipada com roupas de combate para aventureiros, não disse nenhuma palavra antes de parar na frente do grupo.

Mikoto se moveu para proteger Hestia, uma mão em sua katana. Hermes apenas riu.

"Ela está do nosso lado. E é bem forte. Não precisa se preocupar."

Hestia lançou um olhar penetrante na direção de Hermes antes de dar uma olhada em seu novo suposto "aliado".

Um par de olhos azuis surgiu por debaixo do capuz.

Com o aventureiro encapuzado se juntando a equipe de busca, o grupo fez seu caminho para a torre.

Para salvar Bell, Hestia e seu grupo entraram na Dungeon.


Por Rodrigon | 03/06/20 às 14:19 | Ação, Aventura, Fantasia, Magia, Poder, Ecchi, Shounen, Mitologia, Japonesa, Elementos de MMO