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Capítulo 6.0 - Prólogo: Mal na noite de lua cheia

Dungeon ni Deai o Motomeru no wa Machigatte Iru Darou ka (DanMachi)

Capítulo 6.0 - Prólogo: Mal na noite de lua cheia

Tradução: Rodrigon | Revisão: Hazel | QC: Sir



Uma fraca luz do luar passava através das finas nuvens que cobriam o céu noturno.

Com exceção de algumas estrelas piscando aqui e ali, a escuridão vazia acima parecia ampla o suficiente para atrair os espectadores da superfície para suas profundezas.

A maioria das pessoas já estavam dormindo a essa hora da noite.

No meio da cidade, as tavernas estavam vivas com os sons dos aventureiros. Contudo, nesta área residencial sombria eles soavam distantes.

Uma garota se manteve nas sombras enquanto entrava em uma destas construções, no seu caminho para se encontrar com um deus.

"Por favor, Lorde Soma. Permita que Lili deixe essa <Família>..." Sua voz estremeceu quando ela implorou.

O corpo de Lili estava coberto por um manto gasto quando ela se ajoelhou na frente dele, sua cabeça baixa. Seus olhos redondos de cor castanha se focaram em um ponto no chão.

A divindade com quem ela estava falando, estava sentada em silêncio em um canto da sala segurando os joelhos contra o peito.

Uma nuvem se moveu no céu noturno, inundando a sala com o luar através da janela aberta. A luz iluminou uma série de prateleiras em um dos lados da sala. Lá estavam numerosos vasos de plantas e também várias garrafas de licor. As duas figuras estavam dentro de um dos quartos privados na casa do deus da <Família Soma>.

Lili teve que vir aqui pedir diretamente a Soma permissão para sair da <Família>.

Tudo isso era para que ela pudesse ficar livre da maldição da <Família Soma> — para que ela pudesse ficar próxima de Bell e dos outros com orgulho. Ela viu sua chance e aproveitou a oportunidade para ter uma audiência pessoal com o próprio Soma.

Deixar uma <Família> — que implicava em reescrever a Benção Divina que até então estava gravada em suas costas — necessitava da permissão do seu deus, Soma.

"Lili sabe que isso veio do nada, e ela se desculpa por isso e qualquer outra ofensa que ela cometeu. Mas por favor, Lili implora por sua misericórdia..."

Ela não fez contato visual ou sequer levantou sua cabeça.

Os pequenos e trêmulos ombros da garota indicavam o quanto de medo de seu deus ainda restava dentro dela. Lili não conseguia esquecer as memórias do vinho de Soma, como a perturbou, e como a dominou. Aquele que havia criado aquilo estava sentado no canto da sala.

Contudo, a divindade não respondeu.

Ele se parecia com um jovem de altura média. Seu corpo e membros eram finos e de aspecto quase delicado. Ele usava um manto folgado, as mangas e a borda estavam sujas de terra.

Soma estava sentado no canto, olhando para a parede e murmurando para si mesmo. "Regulação de funcionamento... Penalidade... Minha paixão, minha razão..."

O cabelo longo e despenteado de Soma escondia parcialmente seu rosto oprimido. Ele parecia estar envolto em um miasma de depressão e desespero.

Ele não se mexeu, mantendo suas costas viradas para Lili.

Uma nova voz que não pertencia a Lili ou Soma preencheu o quarto. "Lorde Soma está muito ocupado no momento. Mas eu irei ouvi-la, Arde."

Um homem humano apareceu próximo a divindade sentada no chão.

Óculos estavam empoleirados no rosto bem definido do homem. Seus olhos negros estreitos tinham um ar de inteligência, mas o sorriso vulgar em seus lábios o desmascarava. "Estou surpreso por te ver viva. Fui informado que Kanu morreu."

Lili lutou desesperadamente contra o desejo de responder.

Zanis Lustra — o comandante da <Família Soma> e um aventureiro de classe alta no Nível 2.

Foi dado a ele o título de Gandharva, o Guardião do Vinho. Sua mente era forte o suficiente para não ser manipulada pelo Vinho Divino; sua vontade era capaz de dominá-la.

Com a notável falta de interesse de Soma em sua própria <Família>, não era incomum que Zanis emitisse ordens em seu lugar. De fato, como líder — e usando o nome de seu deus para seus próprios objetivos — ele pode manipular os outros membros para seu próprio ganho. Não diferente do homem que jogou Lili em uma horda de Formigas Assassinas, Zanis não pensava em nada além de tirar vantagem do mais fraco.

Depois de forjar sua própria morte e fazer planos meticulosos para entrar furtivamente no quarto de Soma, Lili foi descoberta pela única pessoa que ela absolutamente desejava evitar.

"Voltando a pensar sobre isso, nenhum parceiro do Kanu foi encontrado por aí, você tem algo a ver com isso?"

A garota respondeu honestamente para o homem cujo sorriso não mudou desde que entrou no quarto. "... Lili não sabe." Sua resposta foi curta e direta ao ponto. Ela lutou muito para segurar sua língua e prevenir que sua raiva e incômodo aparecessem. "Senhor Zanis... Lili está aqui por uma razão. Ela está esperando pela resposta do Lorde Soma."

"Ah sim, de fato. Vamos voltar para isso." Zanis exagerou em suas palavras e acenou com a cabeça mais profundamente que o normal, quase como se estivesse atuando em uma peça de teatro. Ele lenta e cuidadosamente enunciou cada uma das suas próximas palavras. "Claro, uma enorme quantia de dinheiro será necessária para sair do nosso grupo. Essa é a única coisa que pode aliviar a dor de Lorde Soma — ele gastou tanto tempo criando você. Ele vai querer pelo menos dez milhões de vals."

Lili permaneceu imóvel por vários segundos.

Seu espírito parecia ter sido drenado para fora de seu corpo no momento em que entendeu as palavras de Zanis.

"O que você diz, Lorde Soma?"

"... Você decide."

Soma não se virou ou olhou para cima quando respondeu. A divindade estava quase como uma pedra no canto do quarto, sem mover um dedo.

"D-dez milhões..." Lili proferiu enquanto seu rosto ficava pálido.

Seu próprio deus não a reconhece, nem ao menos responde a sua voz. Zanis riu sombriamente para si mesmo enquanto olhava para Lili, sabendo que qualquer discussão adicional era inútil.

Lili desabou no chão como uma marionete que teve suas cordas cortadas. Seus braços finos conseguiram interromper sua queda. Devagar mas de maneira segura, a garota voltou a ficar de pé.

Com sua face sem qualquer emoção, Lili cambaleou ao sair do quarto com as pernas trêmulas.

No momento em que ela desapareceu de vista, uma figura larga apareceu na porta em seu lugar.

"Ei, os caras de Apollo estão lá fora" disse um anão de aparência não muito amigável vestindo uma grande cabaça amarrada atrás das costas.

"Muito bem, Chandra. Leve-os para a pequena sala no final do corredor."

"Não é meu trabalho. Faça você mesmo."

O anão chamado Chandra falou em um tom rude e monótono enquanto virava as costas para Zanis, então desapareceu no corredor como se quisesse evitar uma conversa sem sentido. O homem encolheu seus ombros, mais como se estivesse se divertindo do que irritado.

Ele voltou a encarar seu deus no canto e falou. "Lorde Soma, eu irei conduzir as negociações. Qual o seu desejo?"

"... Você decide."

Soma estava completamente desinteressado. Zanis sorriu, rindo interiormente.

Seus olhos pareciam esconder desprezo enquanto caminhava em direção a porta.

O silêncio caiu logo após Zanis fechar a porta atrás dele.

"…"

O deus parou de murmurar para si mesmo agora que foi deixado sozinho em seu quarto.

Um luar cinza azulado iluminou as plantas e garrafas em sua estante. Soma se aproximou, agarrou um frasco e abriu a tampa.

Ele a levou até seus lábios e esvaziou a garrafa em poucos goles.


Por Rodrigon | 05/08/20 às 09:21 | Ação, Aventura, Fantasia, Magia, Poder, Ecchi, Shounen, Mitologia, Japonesa, Elementos de MMO