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Capítulo 6.4 - Aqueles que se reúnem (parte 4)

Dungeon ni Deai o Motomeru no wa Machigatte Iru Darou ka (DanMachi)

Capítulo 6.4 - Aqueles que se reúnem (parte 4)

Tradução: Rodrigon | Revisão: Hazel | QC: Sir

"Eles não sabem quando parar... "

Zanis assistiu a batalha no pátio se desdobrar do telhado da instalação de armazenamento.

A adega da <Família Soma> era uma torre central na frente, com mais cinco torres de cada lado e um pátio aberto abaixo. Seus subordinados estavam lutando contra os invasores que haviam sido forçados para baixo de uma das torres de vigia no canto do pátio.

Zanis riu para si mesmo enquanto o grupo de menos de dez pessoas tentava desesperadamente lutar de volta. Ele silenciosamente os aplaudiu por terem chegado tão longe, apesar de todas as adversidades.

Se ele fosse capaz de capturar a jovem deusa abaixo, seria fácil fazer um acordo lucrativo com Apollo. Ele já estava trabalhando nos detalhes em sua mente quando ele ordenou que seus subordinados cercassem o inimigo.

"...?"

Zanis assistiu a batalha como um falcão até que um flash de cor chamou sua atenção.

Era Lili, a caminho da torre principal.

Que diabos Chandra está fazendo?! ele silenciosamente falou, sua bochecha tremendo de agitação. Mas seu sorriso retornou um momento depois.

"Interessante. O que você acha que pode fazer?"

Deixando um de seus subordinados de alto escalão no comando, Zanis correu para interceptar Lili.


Lili percorreu as vastas e complicadas passagens da torre principal.

Por fim, encontrou a escada que levava ao segundo andar.

Emergir dos estreitos corredores dos andares inferiores para este novo espaço aberto parecia extremamente libertador. Os corredores inferiores eram estreitos e havia muitas portas que levavam a salas pequenas e outras passagens. Ela podia ver o céu azul do lado de fora das janelas abertas e das lâmpadas de pedra mágica que eram brilhantes e limpas.

O quarto de Soma ficava no terceiro andar.

Os aventureiros que deveriam estar em guarda foram se juntar a luta. Estava estranhamente quieto.

"Onde você pensa que está indo, Arde?"

"?!"

Uma voz veio de trás de Lili enquanto ela corria pelo corredor aberto. CRASH! Uma janela fora de sua linha de visão foi destruída.

Era Zanis. O aventureiro da classe alta havia quebrado a janela do segundo andar antes de pular por ela. Pisando nos cacos de vidro no chão, o homem provocou Lili novamente.

— Ele me encontrou!

Querendo ganhar mais velocidade de suas pernas fracas, Lili passou por um canto e ficou fora da vista.

"A escada nessa direção só sobe?"

"?!"

De repente, Lili sentiu uma pressão atrás dela antes de ser tocada no ombro.

A palma da mão de Zanis foi o suficiente para enviar a garota para o chão.

Uma dor nauseante tomou conta dela quando seu corpo caiu sobre o chão de pedra. Lutando contra isso, Lili ficou de pé e começou a correr de novo.

"Fu... ha-ha-ha-ha-hahahaha ?! Agora, Arde, para que a pressa ?!"

A risada ameaçadora do homem soou atrás dela. Lili franziu a testa e continuou correndo para a frente.

Um momento depois, a bota do homem acertou diretamente em suas costelas.

"Agh!"

"Não me diga, você vai tentar se encontrar com Lorde Soma? Inútil! Absolutamente inútil!"

O chute dele a mandou de frente para a parede. Lutando para recuperar o equilíbrio, Lili continuou avançando.

Suas pernas finas atingiram seu limite e Lili teve que estender a mão para a parede para se segurar.

"O que faz você pensar que ele vai te ouvir? A única coisa que nosso deus se preocupa é com o seu vinho!"

"Ighhh...!"

"Lixos como você não passam de ruído de fundo para ele! Não importa o quanto você o reverencia, pedir ajuda o deixará com nada além de desânimo!"

Ele deixou Lili ganhar alguma distância antes de alcançá-la e atingi-la novamente. Em seguida, ele fez mais algumas provocações e repetiu o processo novamente. Sejam os punhos ou os pés dele, basta um golpe para mandar o corpo da pequena Lili voando em qualquer direção que ele quisesse.

Tornou-se um jogo para ele. Sua sombra negra ultrapassa Lili, então ele decide como acertar, aproveita o grito de dor dela e depois olha para baixo enquanto ela se levanta e segue em frente.

Todo o tempo ele comentava sobre como todo o seu esforço era por nada.

"Você é estranha, Arde! Eu pensei que você era mais esperta do que isso! Eu gosto daquele olhar frio em seus olhos, como se você odiasse o mundo e tudo que tem nele!"

Nos seus dias mais sombrios, ela tentara muitas vezes escapar do abismo apenas para ter sua conexão com a <Família Soma> arrastando-a de volta.

No entanto, as lágrimas brotando nos olhos de Lili não foram causadas por seu passado sombrio, mas pela dor que percorre seu corpo. Ela não mostraria lágrimas de tristeza novamente. Ela já havia derramado demais.

Superando os ataques físicos e verbais de Zanis, Lili continuou. Andando para frente até que ela finalmente encontrou a escada e subiu ao terceiro andar.

Havia apenas algumas paredes neste andar, formando uma grande sala com uma área repartida — o quarto privado de Soma. 

"Três, dois... WHAM!"

"AGUHH!"

Zanis fez uma contagem regressiva e divertidamente anunciou seu próprio chute, atingindo Lili nas costas com toda sua força. O corpo da menina voou através do ar como uma boneca de pano.

No entanto, seu chute a mandou em direção a porta da câmara privada. Lili cruzou os braços sobre o peito e usou esse impulso para abri-la.

BATIDA! Lili caiu na câmara enquanto as portas se balançavam sobre suas dobradiças.

"..."

Soma estava lá.

Ele estava de frente a um amplo balcão, cuidando de muitos tipos diferentes de plantas que crescem a luz do sol.

Ele não prestou nenhuma atenção aos sons da batalha fora da janela ou mesmo para a entrada forçada de Lili. A quantidade de água que cada planta recebida, ingredientes futuros para o seu vinho, era a única coisa em sua mente nesse momento.

"Lorde Soma! Lorde Soma! Por favor, ouça o que Lili tem a dizer!"

A divindade ficou de costas para ela enquanto Lili tentava levantar seu corpo ferido do chão de pedra.

A princípio, o deus continuou trabalhando com seu manto ligeiramente sujo apesar dos apelos de Lili, até que finalmente ele se virou com um olhar um pouco irritado em seu rosto.

Zanis havia entrado na câmara — era ele quem Soma estava olhando através de sua longa franja.

"Isso é muito chato, Zanis. Deixei todos os assuntos triviais em sua mãos."

Ignorada por seu próprio deus. Lili ficou chocada.

Zanis apreciou o olhar em seu rosto, rindo alegremente. Ele manteve os olhos na garota e disse:

"Peço desculpas pela indelicadeza, Lorde Soma. Parece que Liliruca Arde deseja falar diretamente com você. Você não deseja ouvi-la?"

Zanis falou com um tom calmo e quase zombador, como se soubesse o que estava prestes a acontecer.

Parecendo ainda mais perturbado, Soma desviou o olhar em direção a Lili.

A garota conseguiu forçar seu corpo dolorido a se ajoelhar.

"Eu imploro, Lorde Soma. Por favor, encerre a batalha que está ocorrendo lá fora — por favor, salve Lady Hestia e aqueles que lutam ao lado dela! Por favor, por favor...!"

A bochecha de Soma se contraiu como se a voz de Lili tivesse machucado seus ouvidos. Ele lentamente ergueu os ombros na frente dela.

Ele abriu a boca para falar, mas a expressão em seu rosto mostrou que ele acreditava que era uma perda de tempo.

"Para que servem as palavras de uma criança que sucumbe ao vinho tão... facilmente?"

"—"

Lili ficou em silêncio depois de ouvir as palavras monótonas de Soma. Um calafrio varreu suas veias.

Mas foi o olhar em seus olhos que fez Lili perceber a verdade.

Soma estava desapontado. Decepcionado com seus próprios seguidores, decepcionado com o mundo de Gekai.

O Vinho Divino causou o colapso da <Família Soma>. Assim como ele disse antes, as crianças sucumbiram ao poder da bebida que ele estava dando a elas como uma recompensa. Eles logo começaram a brigar por mais, tornaram-se egoístas.

Do ponto de vista do deus Soma, tudo o que ele fez foi recompensá-los com o delicioso vinho por seus serviços. Mas em vez de agradecê-lo, eles se viraram um contra os outros pelo prazer da bebida. Ele ficou desiludido por sua reação primitiva a seus métodos mais refinados.

— Soma não tinha má vontade. Ele não tinha vontade de infligir dor. Neste ponto, ele não tinha nenhum interesse em seguidores como Lili. Ele estava completamente desinteressado.

O ser divino que já teve o suficiente do povo bruto de Gekai continuou produzindo o vinho e recompensando as crianças que tornaram possível para ele se concentrar em seu ofício.

"As palavras das crianças que sucumbem são... irrelevantes."

Os olhos de Soma, pretos como tinta, foram finalmente apontados na direção de Lili. No entanto, o rosto de Lili não estava refletido neles, apenas o vazio desapontamento.

Lili permaneceu imóvel, incapaz de encontrar palavras de frente ao olhar frio de seu deus. Foi Soma quem se moveu primeiro.

Ele tirou uma garrafa de vinho branco de uma das prateleiras embutidas na parede de sua câmara.

Lili observou em silêncio enquanto Soma pegava um copo de uma prateleira diferente e lhe disse:

"Se você puder dizer a mesma coisa depois de beber isso, eu vou ouvir." 

— Ela não conseguia respirar.

A divindade derramou o vinho no copo, seu aroma fresco e doce enchendo a sala. Ele estendeu o copo para ela. Lili olhou para seu próprio reflexo na superfície do líquido branco.

Vinho Divino.

Sua garganta se apertou. O suor escorria pelo seu rosto. O copo quase escorregou de suas mãos enquanto tentava segurá-lo.

Memórias dos dias sombrios em que ela estava sob a influência do poder do vinho invadiram sua mente. Ela olhou de volta para Soma, seus ombros tremendo de medo. O rosto do deus estava vazio de emoções quando ele a observou por trás de sua franja.

Zanis assistiu a todos esses eventos se desenrolarem, sorrindo como se ele soubesse que isso iria acontecer.

"Ah, aah...!"

Lili se levantou com suas pernas instáveis.

Com sua respiração muito rasa e inconstante, ela deu outra olhada no copo em suas mãos.

Ela não teve escolha. A fim de salvar Hestia, a fim de finalmente quebrar os laços com essa <Família>, ela não teve escolha a não ser beber.

Lili levou o copo aos lábios, suas mãos trêmulas e palmas úmidas.

Esse vinho já havia transformado Lili em pouco mais que um monstro.

Ele roubou a vida dela, causou todos os seus problemas.

Sob os olhos atentos de Soma e Zanis, Lili abriu sua boca e bebeu.

"—"

O mundo se distorceu ao seu redor em um piscar de olhos.

Uma euforia embriagada sem limites a envolveu. A felicidade foi intensa o suficiente para quebrar sua consciência.

Tink! O copo caiu de suas mãos, bateu no chão e rolou para longe.

Seus braços e pernas tremeram. Ela não conseguiu ficar de pé e caiu de joelhos como um fantoche cujas cordas tinham acabado de ser cortadas.

Um calor agudo encheu suas bochechas enquanto seus olhos ficaram fora de foco... Lili riu.

"— um... haa."

O sabor do vinho mais delicioso existente fez seu coração derreter.

Soma observou o espírito da garota desaparecer e deu as costas para ela sem pensar duas vezes. Os ouvidos de Lili pararam de captar os sons ao seu redor, com apenas uma exceção: o riso arrepiante de Zanis.

Uma satisfação esmagadora se espalhou por todo seu corpo. Recordações brilharam diante de seus olhos antes de desaparecer novamente. Nada dentro deste quarto importava para ela ou valia a pena ver. Até o propósito dela para estar aqui, o porque dela estar tão determinada a beber o vinho, parecia nada mais que um pensamento passageiro. Tudo o que fazia de Lili ser quem ela era foi evaporado em um instante.

Ela viu tudo na sala com um tom branco.

Seu corpo, mente e espírito estavam quentes.

Para baixo, para baixo, para baixo ela foi.

E então, quando o branco estava prestes a abraçá-la, ela viu algo.


Um garoto, um garoto sorridente.

"—"

Seu desejo se intensificou. O animal que exigia vinho dentro dela estava a beira de assumir.

Mas entre todo o branco ao seu redor, ela viu como o menino sorria quando ele a salvou naquele dia.

Ele permaneceu profundamente dentro de sua alma, mesmo depois de todo o resto ter sido apagado. O sorriso dele ficou com ela.

"..."

Uma única lágrima rolou lentamente por sua bochecha.

Sua boca frouxa e aberta sorriu por um momento antes de enfraquecer novamente. A cabeça de Lili começou a se levantar.

O calor do sorriso do garoto despertou seu coração, a encheu com novas emoções, e fez com que uma lágrima fosse derramada.

Lili havia retornado.

"... Por favor."

Não saiu muito som dos lábios dela, mas foi o suficiente para fazer Soma parar.

Um momento depois, ele se virou com vigor.

Sua franja longa saiu do caminho, revelando seus olhos negros. A figura trêmula de Lili foi refletida dentro deles.

"... Pare-os, por favor."

Suas palavras estavam ficando mais claras.

Soma e Zanis olharam incrédulos.

Lili fez contato visual com Soma.

"Lili está te implorando — pare a luta!"

Suas palavras permaneceram inalteradas enquanto mais lágrimas escorriam por seu rosto.

"O que… "

Ela não sabia se esse som vinha de Soma ou de Zanis.

Ela esperou. Lili evitou os efeitos do vinho.

Inúmeras pessoas haviam caído sob seu feitiço, tornando-se pouco mais do que selvagens no processo. E, no entanto, essa garotinha frágil aguentou.

Não importava que seu Status fosse baixo, que seu corpo fosse fraco. Ela derrotou o vinho com pura força de vontade.

"Lili quer salvar aquelas pessoas!"

Ela gritou seu desejo mais sincero o mais alto que pode.

Ela não parecia diferente de uma criança chorando.

Os laços com seus aliados haviam sido forjados no fogo, e ela era uma Fênix emergindo das chamas, guiada por eles.

"Lili sabe, mesmo sem que os deuses lhe digam, Lili sabe que ela nasceu para este momento!"

Era altamente improvável que Lili esquecesse.

Mesmo que ela morresse e renascesse muitas vezes, mesmo nos poços mais profundos do inferno...

Lili nunca esqueceria o sorriso no rosto daquele garoto.

"Todos os erros que Lili cometeu foram em preparação para este dia!"

O calor das mãos que a alcançaram, a bondade de seu abraço.

Ela nunca esqueceria o sorriso de quem a resgatou.

A imagem que havia sido gravada em sua alma nunca desapareceria.

"Desta vez, é a vez de Lili salvá-lo!"

Com o rosto sorridente de Bell enchendo cada canto de sua mente, Lili gritou mais uma vez.

Ela não havia esquecido todos os erros que cometeu e as áreas cinzentas de seu passado. Essas lembranças lhe deram força para continuar gritando.

"Por favor, traga um fim a esta batalha!"

A voz de Lili era alta o suficiente para ser ouvida do lado de fora da torre.

"..."

Soma ficou de pé, sem tirar os olhos da garota.

Os deuses não cresciam ou sentiam angústia de qualquer tipo. Foi difícil compreender o que acabou de acontecer.

Ver uma pessoa de Gekai mudar diante de seus olhos pela primeira vez deixou Soma sem palavras.

"O que...?!"

Zanis sentiu o perigo na expressão no rosto de seu deus.

Seu sentimento de invencibilidade se foi, ele implorou a divindade.

"Lorde Soma, você não deve ouvi-la! Nossa <Família> está sob ataque —!"

"Quieto, Zanis."

Soma se virou sem olhar na direção dele.

Zanis ficou em silêncio, o rosto se contorcendo ao saber que não havia chance de contra argumentar. Soma fez contato visual com Lili mais uma vez.

Seus olhos pretos refletiam claramente o olhar da jovem. Então ele caminhou em direção ao final de sua câmara e abriu a grande janela.

Com a garrafa de vinho vazia ainda na mão, Soma saiu para a sacada. Ele podia ver a batalha sendo travada no pátio abaixo dele. Parado ao lado do parapeito, ele levantou a garrafa bem acima da cabeça e a jogou no pátio.

Girando várias vezes, a garrafa enviou labaredas de luz sobre a batalha antes de cair no meio dela.

O som da garrafa quebrando fez com que todos os membros da <Família Soma> parassem de se mover.

Cada cabeça no pátio se virou para a varanda, esperando sem respirar.

"Parem de lutar."

Soma olhou para os seus seguidores enquanto fazia sua declaração.

Os membros da <Família Soma> foram surpreendidos por uma ordem direta de um deus que nunca demonstrou interesse em nada além de seu hobby. Ninguém sequer considerou ir contra ele.

Ignorando os comandos de Zanis, eles ouviram um poder maior e colocaram suas armas para baixo.

"Soma fez isso por conta própria...?!"

Um silêncio inquieto desceu sobre o campo de batalha. Zanis não conseguiu acreditar no que estava vendo, com os olhos colados nas costas de Soma. Ele sacudiu a cabeça de um lado para o outro, se recusando a aceitar o que estava acontecendo. A máscara de sua inteligência refinada foi quebrada mais uma vez, músculos por todo o seu corpo começaram a tremer nervosamente.

Ele ficou na ponta dos pés — BANG! A porta principal na base da torre havia sido chutada. Seus ombros flexionaram.

Sabendo que os intrusos chegariam em breve, Zanis olhou ao redor do quarto em pânico. Seus olhos se estreitaram assim que ele viu Lili no chão.

"Maldita! Pelo menos me dê o prazer de cortar você antes —!"

Zanis pulou na direção de Lili como uma fera capturando sua presa.

O homem só a via como lucro; ele a capturou por ganância. Sua avareza o fez atormentá-la e agora ela estava muito fraca fisicamente para fugir ou se defender. Ela era a razão pela qual seu mundo perfeito tinha desmoronado. Retirando uma Rapieira do seu cinto, ele sorriu para si mesmo, acreditando que ela deveria ser punida pelo que tinha feito com ele. Ele estendeu a mão esquerda.

No entanto, pouco antes de seus dedos alcançarem o colarinho dela...

Uma flecha foi lançada contra seu peito.

"?!"

Zanis mal conseguiu evitar o ataque que veio de fora da janela.

A flecha se enterrou na parede atrás dele, formando uma pequena teia de rachaduras na pedra. Zanis olhou para fora, chocado.

Ali, de pé no topo da torre de vigia mais próxima, havia uma Chienthrope empunhando um arco longo.

"Estou pronto! Manda brasa!"

"Você não precisa me dizer."

Zanis ouviu a voz de um jovem e viu um lampejo de ouro quando a Chienthrope pegou uma nova flecha dele e rapidamente a deslizou sobre o arco. Ela puxou esta nova flecha dourada para trás, mirou e atirou rapidamente. Mas ela não estava mirando em Zanis. A flecha mergulhou profundamente no muro de pedra ao lado da varanda.

O homem teve apenas um momento para se surpreender — ele viu uma corda muito grossa anexada ao final da flecha. Sua surpresa se transformou em descrença.

Como se para confirmar seu maior medo, um jovem de cabelos ruivos com uma espada sobre seu ombro atravessou a corda em sua direção.

"?!"

O homem ruivo manteve o equilíbrio, fazendo alguns movimentos muito acrobáticos enquanto atravessava a corda que ligava as duas torres. A corda se manteve firme sob seu peso. Com a espada equilibrada contra seu ombro, Welf rapidamente alcançou a varanda, pulou sobre a cabeça silenciosa de Soma, e pousou em frente a janela.

A jaqueta preta do ferreiro se desenrolou atrás dele quando ele entrou na câmara e parou na frente de Zanis e Lili, ambos com olhares de espanto.

"É hora de você voltar, Pequena L."

"Sr. Welf... "

"Estamos saindo daqui."

Welf apertou a mandíbula, sorrindo para Lili antes de se virar para Zanis.

"Eu vim busca-la. Eu tenho um parceiro que está esperando por ela."

"Rrrgh — vai pro inferno!" Zanis atacou sem hesitar, brandindo sua arma no ar. Welf segurou sua própria arma em sua mão direita e correu para enfrentá-lo.

A Rapieira contra uma espada grande em um duelo.

As duas lâminas colidiram em uma chuva de faíscas, o sino de abertura.

"Pode vir, ferreiro!"

Com a ferocidade de um louco, Zanis avançou em um golpe frontal antes de mover sua espada para um golpe ascendente.

Tudo o que ele conseguiu fazer foi tirar uma pequena fatia da jaqueta preta de Welf. Foi um ataque que teria atingido qualquer aventureiro de classe baixa, mas o jovem se esquivou com facilidade e usou esse momento atacar com sua espada na diagonal para cima. Zanis não conseguiu realizar seu próximo ataque.

Ambos os aventureiros de Nível 2, eles se atacaram golpe por golpe, e seus movimentos aumentaram gradualmente.

As ondas de choque geradas no impacto foram fortes o suficiente para fazer Lili se inclinar para trás enquanto os ecos de suas lâminas se chocando preencheram a câmara. Welf desviou os golpes giratórios e chutes altos de Zanis com a armadura em seu braço esquerdo, não permitindo que nenhum ataque o atingisse.

Zanis usou sua raiva para realizar uma investida.

Welf se manteve firme, usando sua espada como um escudo altamente móvel apesar do seu peso.

Considerando as armas que os combatentes estavam usando, Zanis obteve diversas vantagens. Ele sabia que a velocidade estava do seu lado e poderia usá-la para dominar seu adversário. Welf calmamente leu seus movimentos e estreitou os olhos.

"Difícil intimidar um aventureiro de classe alta."

As costas, os ombros e os braços de Welf se moveram ao mesmo tempo.

A lâmina maciça girava em torno do corpo do jovem em um arco poderoso. Ele interceptou o golpe descendente de Zanis, o dominou e enviou a Rapieira voando.

"—"

O tempo parou para Zanis.

Suas técnicas e manobras eram inúteis em uma disputa de força — um "Ferreiro Lutador" como Welf não cairia nos mesmos truques que aventureiros que dependiam de um alto Status ignorariam.

Lili ouviu a jaqueta preta de Welf balançar quando o homem diminuiu a distância entre ele e seu oponente.

Vendo tudo em câmera lenta, Zanis tentou se impulsionar para manter distância, mas assistiu impotente quando o pé esquerdo de Welf colidiu com seu peito.

Então ele viu a lâmina piscar enquanto girava.

Welf agarrava a arma com força, de modo que a lâmina estava de frente a seu inimigo.

"Desleixado. Essa sua arma está chorando."

Com isso dito, Welf moveu toda a lâmina para a frente em um arco ascendente apontando direto para a cabeça do seu oponente.

"GEEEEEEE — !"

O golpe atingiu Zanis com tanta precisão que partiu seus óculos ao meio antes de lançá-lo para trás.

Ele foi jogado na parede, o grito de dor do homem foi interrompida pelo impacto.

Zanis caiu no chão de pedra como um saco de batatas. A lâmina da espada de Welf deixou uma linha vermelha grossa no centro  do rosto do homem. O que restava de seus óculos estava no chão ao lado dele.

"Isso deve bastar", disse Welf enquanto voltava a espada para dentro da bainha e olhava para os olhos brancos de seu inimigo inconsciente.

"Você realmente conseguiu... Não vou ter que beber tanto hoje a noite."

"... Sr. Chandra?"

Chandra apareceu na câmara e ficou atrás de Lili, comentando a vitória de Welf no duelo contra Zanis.

Com sua usual expressão hostil no rosto, Chandra virou o corpo do homem e o prendeu com algemas resistentes que mesmo um aventureiro de classe alta teria dificuldade em quebrar.

"Ele estava roubando vinho, usando-o para seu próprio lucro. Merece algum tempo na cadeia."

"O que acontece agora...?"

"Vou garantir que você não tenha problemas. Depois disso, tudo dependerá do nosso deus... Talvez agora nossas vozes cheguem a ele."

Aparentemente, Zanis havia controlado a <Família> usando o nome de Soma para punir qualquer um que ousasse dizer algo contra ele. Agora que a sua traição havia sido exposta bem na frente dos olhos de Soma, Chandra sentiu que uma nova era estava prestes a começar.

O deus ainda estava na varanda, avaliando os danos causados ​​ao seu quarto — mas seu olhar sempre voltava para Lili.

"Você está bem, suporte?"

"Lady Hestia... "

Não demorou muito para que Hestia e os outros aventureiros liderados por Mikoto e Ouka chegassem ao terceiro andar da torre principal.

Verdadeiramente grata a Lili por todo o seu trabalho duro, as duas se olharam por um momento antes de Hestia se aproximar para conversar com Soma.

"Eu gostaria de fazer um acordo para a suporte, Liliruca Arde, se juntar a minha <Família>."

"..."

Soma permaneceu em silêncio na varanda enquanto Hestia parou logo antes da janela aberta, nenhum deles piscando.

"Por favor, aceite esta faca como garantia de pagamento."

"L-Lady Hestia, essa é —?!"

"Está tudo bem. Eu conversei com Bell."

Lili engasgou quando viu a deusa estender a <Faca de Hestia> e entregar para Soma.

"Esta faca é uma arma muito cara. Se perdermos os Jogos de Guerra, você pode obter muito dinheiro por ela."

"..."

"Mas se vencermos, comprarei de volta com o nosso dinheiro da recompensa... vou fazer Apollo pagar por isso integralmente. Depois que você tiver o dinheiro, eu levo minha faca de volta."

Ela explicou que, se a <Família Hestia> vencer os Jogos de Guerra, ela estava planejando pegar uma grande quantia em dinheiro de Apollo. Soma segurou a arma nas mãos, passando o polegar pelo logotipo <Hφαιστος> gravado em sua bainha. Ele a olhou. "De fato, isso é mais do que satisfatório. Ela pode deixar minha <Família>."

Seus lábios mal se moveram enquanto ele falava com Hestia.

Welf, o grupo de Mikoto e Chandra estavam quietos na porta enquanto Soma mais uma vez olhou para Lili.

Gravemente ferida e ainda sangrando, ela conseguiu fazer contato visual. Os dois ficaram imóveis até que finalmente uma resposta foi ouvida.

Soma mudou sua postura para encarar Hestia de frente e assentiu, dizendo: "Eu vou aceitar."


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Por Rodrigon | 20/09/20 às 09:42 | Ação, Aventura, Fantasia, Magia, Poder, Ecchi, Shounen, Mitologia, Japonesa, Elementos de MMO