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02º Mito - Os Dez Apóstolos

Epopeia do Fim (EDF)

02º Mito - Os Dez Apóstolos

Autor: Sora

Deserto das Almas Perdidas, por volta de três horas da tarde. O sol batia forte e o calor era sentido acima do normal enquanto brilhava na voluptuosa areia desértica. E ali, estavam dez pessoas. Os Dez Apóstolos, filhos dos Deuses Olímpicos.

Todos estavam parados, olhando à frente onde podia se enxergar uma grande descida e uma cidade logo abaixo, um pouco mais distante dali. Não era tão longe assim, mas aparentava ser devido à altura da duna em que estavam, o que fazia com que eles observassem por um tempo.

Damon era o garoto da frente, de cabelos negros e olhos azuis, sua idade era a de 16 anos. O aparente líder dos dez se ajoelhou e analisou a queda que realmente não parecia tão grande assim, mas dunas desérticas gostam de criar ilusões de ótica e ele levou isso em consideração durante sua avaliação.

Não era 100% seguro afirmar que seria uma queda retilínea. Podia ter alguma pedra ou até mesmo uma falha no relevo que complicaria a descida, as probabilidades eram grandes.

— Dá pra descer?  - Perguntou o garoto de cabelo prateado, um pouco azulado e olhos cor de mel, ficando ao lado de Damon.

Seu nome era Silver e ele era um ano mais velho que o primeiro, com 16.

— Vamos testar... – Respondeu Damon.

Se fosse para colocar uma etiqueta de personalidade, essa seria a de um garoto que gostava de desafios. Ele fez uma expressão totalmente descuidada, como se eliminasse toda a possibilidade de perigo que poderia ter ali – mesmo após pensar e analisar a situação.

Para ele era como um “vamos ver o que acontece, se der ruim, a gente se vira”, ou algo do tipo. Era típico dele quebrar as regras, ou melhor, para ele não havia regras na maioria dos casos. Bom, não há como quebrar ou burlar algo que não existe, não é? Por mais que seja figurado.

Voltando, Damon se deixou deslizar pela descida da duna de areia onde estavam. Ele então foi caindo em uma velocidade uniforme, nem tão rápido, nem tão lento enquanto a areia subia conforme ele seguia. A descida demorou exatos dez segundos até o garoto alcançar o solo que ficava próximo da cidade desértica.

Ele então, voltou a colocar os pés no chão e parou após alguns passos, se estabilizando no solo, em seguida limpou sua vestimenta de baixo, uma simples calça branca que havia sujado de areia e se virou.

— Podem vir! É bem tranquilo! – Gritou para os outros mais acima. Sem pestanejar, todos então desceram, um por um.

— Uahaha, isso é demais! – Uma das garotas exclamou, se divertindo.

— Sério...? – Silver, por outro lado, parecia não ser muito fã de descidas assim...

Todos os dez haviam descido, sem problema algum como o previsto. De certa forma, isso não é nada comparado ao que viria logo à frente. Os dez estavam já na entrada da cidade, que realmente era longe só graças à queda, nada demais.

Não havia nada como um portão ou algo do tipo que impedisse a entrada e para falar a verdade, só faltava uma placa dizendo “ENTREM” na frente. Mas ainda assim, era bem estranho. Uma cidade no meio de um deserto.... Por que construiriam algo assim?

Isso simplesmente pelo fato de ser no meio de um deserto.

 

Por que construiriam uma cidade no meio de um deserto? Esses humanos são estranhos. – Como o querido autor, a mesma garota de alguns segundos atrás fez sua pergunta.

Ela tinha um lindo cabelo radiante e curto, pois é amarrado em dois médios e bonitos twintails nas laterais do mesmo, de cor vermelho que combinavam perfeitamente com seus olhos da mesma cor, em um tom mais próximo de um vermelho-rubi.

Essa era Lilith, e ela era a mais nova dos dez, tendo apenas 15 anos.

Você fala isso mas adora eles, não é? – Silver retrucou e a garota deu uma risadinha sarcástica.

Os humanos que fizeram essa cidade, não fizeram por livre escolha. – Damon respondeu a garota, enquanto os dez andavam ao entrar pela cidade – Eles foram forçados pelas Sirenas.

Sirenas... 

Se eu não me engano são aquelas criaturas que cantam, não é?

Como dito por Lilith, as Sirenas. Filhas do deus-rio Achelous e da Musa Terpsícore, eram mulheres belas e jovens, mas por desprezarem os prazeres do amor, Afrodite as transformou-as em metade mulher, metade pássaro. Depois disso, elas atraiam e prendiam os homens com seu canto, desejando o prazer, entretanto, sem poder usufruir do mesmo.

Elas eram:

Pisinoe – Aquela que controla mentes;

Thelxiepia – Aquela que enfeitiça;

Ligeia – Aquela que hipnotiza;

Aglaope – Aquela que destrói;

Leucosia – Aquela que paralisa mentes;

Parténope – Aquela que amaldiçoa;

As seis eram conhecidas mais famosamente como as Irmãs Rainhas.

Sim. Há várias delas, mas existem seis que são as Irmãs Rainhas. E elas provavelmente estão aqui. – Damon prosseguiu com a nova pergunta de Lilith.

Mas essa cidade parece que está abandonada. – Murmurou Silver, olhando para os lados.

Não só parecia como de fato estava. As Irmãs Rainhas tomaram ela para si após serem transformadas por Afrodite e os humanos que viviam ali – se viviam – acabaram renegados e expulsos.

Ou até mesmo mortos...

Não é apenas uma cidade normal.

Chegando em uma pequena palafita destruída, Damon empurrou uma estante empoeirada e um pequena tremor denotou que algo inesperado aconteceria.

— O que...? – Seis buracos espaçados foram revelados no chão. Inesperado, mas de certa forma, esperado.

Um mecanismo interessante para a época. Mas eles não faziam ideia de que aquilo era só a ponta do iceberg.

Então as seis realmente ainda estão aqui. – Silver falou, olhando para os buracos – Seis Sirenas e seis buracos. Isso é meio clichê...

— Já estamos acostumados com isso, né? – Damon deu um sorriso e se virou – Vamos nos separar em grupos de dois e-.

UHUUUUL!!! – Interrompendo o garoto enquanto falava, uma sombra foi vista no canto periférico de todos. Era Lilith que já estava pulando em um dos buracos, sem cogitar e caindo pelo mesmo.

O som foi se aprofundando enquanto ela caía e depois de alguns segundos, o buraco se fechou sozinho, como se reconhecesse que alguém tinha entrado...

Ela é literalmente um demônio... – Silver murmurou em tom irônico.

Está bem... – Damon suspirou de forma pesada – Já que ela se voluntariou a ir sozinha em um, eu vou sozinho em outro. Julie e Chloe, vocês vão no primeiro da esquerda.

Julie e Chloe eram duas irmãs gêmeas. Ambas iguais fisicamente em tudo, exceto pela cor dos longos cabelos e dos olhos, as mesmas estavam uma do lado da outra, um pouco recuadas dos dez.

 A primeira, Julie, tinha cabelo liso que alcançava metade de suas costas, de cor branco e olhos verde-escuros.  Já sua irmã, Chloe, tinha cabelo também liso que alcançava metade das costas, entretanto, sua cor era roxa e seus olhos eram de uma linda cor de violeta que encantava qualquer um que olhasse diretamente para ela.

As duas tinham, por serem gêmeas, a mesma idade, 17 anos. Porém, Chloe era a mais velha, por nascer minutos na frente de Julie.

Tudo bem. – Respondeu Chloe, com um sorriso gentil, uma de suas características.

Afirmativo. – Julie também deu sua resposta, de uma forma sem muitas emoções e até mesmo robótica.

Meade e Brandt. – Damon prosseguiu – Vocês vão no segundo da esquerda.

Meade e Brandt eram os dois garotos que estavam ao lado de Julie e Chloe e de mais um garoto e uma garota.

O primeiro tinha cabelo levemente liso, com pontas na parte inferior que caíam quase que em seus ombros. Sua cor era verde-escuro e olhos tinham a mesma tonalidade de seu cabelo.

Já o segundo, Brandt, tinha uma feição mais séria que os demais e uma expressão mais sombria. Seu cabelo, que tinha uma franja central e caía sobre sua testa, era também liso, bastante espetado na altura do pescoço, de cor vermelho escuro e seus olhos eram castanho-escuros.

Eles eram um dos mais velhos do grupo; Meade tinha 17 anos e Brandt, 18.

Que saco... – O primeiro respondeu, suspirando de forma preguiçosa, enquanto Brandt ficou em silêncio.

Silver e Grey. Vocês vão no primeiro da direita.

Silver já foi falado, o que resta Grey. Ele estava do lado de Meade e Brandt e da outra garota, dando um sorriso ao escutar seu nome. Seu cabelo era espetado na parte superior para a esquerda apenas, de cor amarelo bem meio termo como definição de cor – um pouco escuro e claro – e olhos de cor mel escuro.

Sua idade era a de 16 anos, a mesma de Damon.

Sim, sim. – Silver respondeu, sem maiores expressões.

Vamos a isso! – Grey deu um soquinho no ar com sua mão direita, sorrindo.

Arthur e Elaine. Vocês ficam com o último da direita.

Os últimos dois do grupo eram eles, Arthur, que estava ao lado direito de Julie e Chloe, e Elaine, que estava entre as duas e Grey.

O primeiro, Arthur, era o mais velho com 19 anos e também era dito por muitos, o mais forte entre os dez. Seu cabelo loiro era liso e grande, tão volumoso que caía uma franja até quase cobrir seus olhos puramente vermelhos – mais radiantes até que os de Lilith.

Já Elaine possuía um cabelo mais curto, como o de Lilith quando amarrado em twintails, de cor azul-escuro. Mas em seu caso, eles eram amarrados com dois ‘giros’ em na nuca e seus olhos tinham uma cor marrom mais escurecido. Ela também tinha 16 anos, como Grey, Damon e Silver.

Está bem! – Elaine respondeu, sorrindo, enquanto Arthur também ficou em silêncio, pouco interessado com a missão até...

Tenham cuidado com as Sirenas, não conhecemos a real força delas ainda. – Damon alertou, mostrando que iria sozinho para o buraco que restou, já que Lilith pegou um por conta própria.

Após o aviso do garoto, todos então foram com suas duplas definidas, cada um à frente de uma abertura no chão que ele confirmou.

— Ok, vamos lá então! – Grey exclamou e Silver, sua dupla, deu um sorriso.

E assim...

Cada dupla pulou em um buraco, como antecipado por Damon, que ainda ficou por uns segundos ali e foi o último a pular no seu. Após uma queda de exatos dez segundos, ele chegou ao chão em uma espécie de túnel, onde estava tão escuro que ele não conseguia enxergar quase que nada absolutamente.

“Não há luz”, pensou Damon enquanto fitava o local ao seu redor, mesmo que com dificuldades. Ele se decidiu e começou a andar em frente, quando alguns segundos depois, começou a ver coisas estranhas. Damon cambaleou e se apoiou na parede, ficando tonto. Uma dor de cabeça latejante teve início e ele fechou os olhos. 

“Será que...?!”, a cabeça dele seguia latejando.  “É uma das Sirenas? Uma armadilha?!”  E então, de repente uma voz chacoalhou seus ouvidos.

“Venha. Venha até mim...”

Era uma voz feminina, provavelmente de uma das Sirenas, como ele pensou. Os pés de Damon se mexiam para frente sozinhos, apesar do esforço feito para ficar parado. 

Ha, rápido assim...? – Ele murmurou para si mesmo, com um sorriso de escárnio e um a gota de suor em seu rosto.

“Eu preciso sair desse encantamento”

“Não há como resistir. Você é meu agora!”

 A voz da Sirena novamente, era doce, porém estranha... O garoto finalmente voltou a abrir seus olhos, quando viu que o corredor havia sido iluminado por velas presas às paredes. E a frente dele, estava uma bela mulher.

Era linda da cabeça aos pés, como uma sereia. Uma... Sereia!?! Não. Damon não pensou duas vezes em sacar sua espada, que estava em suas costas, e atacar a mulher de frente com velocidade e força. Ele a cortou em dois como se fosse uma ilusão que desapareceu e, então, o encantamento foi desfeito.

Mais a sua frente, iluminando-se pelas luzes das velas, apareceu uma cadeira bem grande. Damon chegou perto, mas não havia ninguém ali.

— O que significa isso...? ! – O garoto fitava a cadeira com cuidado, quando as luzes ficaram fracas com um leve sopro de vento ali.

E ele sentiu, nas costas dele, quando um ataque rápido e forte aconteceu por trás do garoto. Uma explosão foi escutada e ele caiu para trás, dando uma cambalhota no chão ficando de pé rapidamente.

— Humano... – A voz da mulher, diferente da que estava em sua mente, era grave e assustadora – O que deseja vindo até aqui, território de Pisinoe?!

— Olha só... – Damon olhou para ela, sorrindo. Ele havia ficado animado agora. Por que?

Porque sua oponente era simplesmente a principal das seis Irmãs Rainhas: Pisinoe, a Controladora de Mentes.

— Controladora de Mentes, é? Então tenho que tomar cuidado com essa sua alcunha... – Damon sorriu, ao mesmo tempo que pegou no cabo de sua espada, em suas costas novamente.

— Ousa me desafiar...?

— Vou ser claro na minha resposta. Nossa missão simplesmente é fazer vocês pararem de causar problemas por aqui e também procurar uma certa coisinha. Isso afeta a gente também, sabia?

— Mesmo? Obrigada pela informação... e que ‘coisinha’ seria essa?

— Ah, isso já é segredo, sabe?

— Então, pode morrer sem contar, eu não ligo para isso. – Pisinoe arregalou seus olhos azuis e abriu suas garras.

— Bem, já que vocês não são de ouvir e obedecer... – Damon puxou sua arma, uma simples espada normal de batalha sem nada demais – Temos que optar, infelizmente, pela segunda opção...!

— Hm, e qual seria essa?

— Ah, você já deve saber. Viemos acabar com vocês! – Damon exclamou e declarou guerra, quando Pisinoe também fez o mesmo, porém era um sorriso debochado.

— Tolo humano... conhecerá teu fim aqui! – Ela se preparou, garras enormes em suas mãos. E os dois se encararam de forma concentrada e assustadora...

 

***

 

No túnel ao lado, Lilith seguia em frente. Era praticamente todo escuro com pouquíssima iluminação, assim como o túnel onde Damon estava. O tremor da explosão ao lado chegou ali e a garota a sentiu, dando uma leve parada.

“Parece que alguém já está lutando”, pensou, voltando a andar após isso.

Lilith seguiu em frente e encontrou apenas mais escuridão enquanto avançava a passos largos. De certa forma ela estava meio que acostumada pelo seu treinamento antes de serem formado os Dez Apóstolos.

A garota tinha experiência nata em se guiar pela escuridão, porém, a escuridão do túnel só aumentava. E ia aumentando, aumentando, mais e mais. A partir de um ponto ela não enxergou mais nada à sua frente...

— Isso não é muito bom. Podia ter uma luz por aqui. – Lilith continuou mesmo assim – Cara, eu ainda não completei o treinamento da escuridão... – Ela comentou consigo mesma, ainda andando mesmo sem enxergar – Há um certo limite, eu preciso melhorar iss-.

Do nada, ela bateu em alguma coisa à sua frente e deu um passo para trás.

Ai!

Ela tentou levantar a mão para tentar sentir no que tinha batido. Até que sua mão pegou em uma coisa demasiadamente macia e aconchegante.

Ué. Mas o que é isso?

Ela apertou uma vez.

É bem macio.

Ela apertou de novo.

Hmmm.

Na terceira vez, uma luz azul se acendeu. Ela estava com a mão no peito de uma das Sirenas...

Parecendo não acreditar no que estava acontecendo, ela olhou para a cara da Sirena, que estava sem expressão. Lilith demorou alguns segundos para processar a informação, e então.

UAAAAHHHH!! – Ela deu um salto para trás. A Sirena não hesitou em atacar a garota, que desviou para trás com mais um salto.

“Rápida!!”, pensou a Sirena. Lilith parou e se levantou lentamente, olhando para ela.

Quem diria que eu encontraria uma das Irmãs Rainhas aqui em baixo. Acho que vou ter que lavar a mão um bocado de vezes quando eu voltar para casa!! – Lilith sorria de uma forma constrangedora enquanto balançava sua mão que havia tocado no seio da Sirena. As duas se encaravam.

O que desejas aqui, humana?

Humana...? Vocês realmente estão desatualizadas, não é?!

Então não é humana? Hm...

A Sirena fitou ela por um tempo, vendo que realmente, se fosse uma humana, não era uma qualquer. Havia algo concentrado em volta dela. Um poder misterioso.

De fato, parece ser algum espécime de humano especial. – A Sirena preparou suas gigantescas garras nas mãos.

Cara, você é idiota mesmo... – Lilith murmurou para si mesma.

Ela ergueu sua mão esquerda para o lado e um poder sinistro começou a se envolver ali mesmo, fazendo a Sirena até mesmo se assustar.

O que?!

Devo mostrar a você quem eu sou de verdade...?

Lilith deu um sorriso demoníaco, preparada para o embate. As pequenas batalhas de introdução contra as Irmãs Rainhas acabavam de começar!


[O confronto contra as Irmãs Rainhas começa!!]

Por Sora | 07/01/18 às 21:28 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Romance, Brasileira, Magia, Drama, Comédia, Shounen