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04º Mito - Dupla Problemática

Epopeia do Fim (EDF)

04º Mito - Dupla Problemática

Autor: Sora

Damon e Pisinoe seguiam lutando de igual para igual em um dos túneis. O garoto atacou pela direita e a Sirena desviou para trás, dando um poderoso grito na sequência que o fez ficar com a audição prejudicada por alguns segundos.

— Gh! – Damon acusou o golpe e ficou com o joelho esquerdo no chão.

— Te peguei!

Pisinoe se esticou para frente, agarrou Damon, girou e o jogou contra a parede esquerda. A força foi tão absurda que o fez atravessar mais duas paredes e parar dois túneis depois do que estava caído no chão um pouco machucado.

— Ai... isso doeu! – Damon se levantou, passando a mão no cabelo empoeirado, quando ele sentiu que estava acima de rastros vermelhos – Hein? Sangue?

Damon seguiu a linha vermelha que formava um caminho com seus olhos para seu lado e viu dois cadáveres. À sua frente estavam caídas as Sirenas Patérnope, derrotada por Grey e Silver e Aglaope, derrotada por Meade e Brandt. 

A força do golpe de Pisinoe que fez o garoto atravessar dois túneis e parar em um terceiro, acabou sendo tão impactante que levou com ele os dois cadáveres das Sirenas com o puro choque do vento provocado por isso.

Que nojo!! – Damon deu um salto, ficando longe dos cadáveres – Parece que teve gente que já terminou o trabalho. Melhor eu acabar com isso logo...!

Minhas irmãs...!

— Hm? – Damon olhou para o lado ao escutar o sussurro incrédulo de Pisinoe, que estava na ‘nova entrada’ para o terceiro túnel, olhando para elas – Patérnope! Aglaope! O QUE VOCÊS FIZERAM!?!?!

Isso não é bom... – Sentindo a aura assassina emanando da Sirena Controladora de Mentes, Damon se levantou e pegou sua espada novamente, mas... – Melhor eu usar logo o-.

— KYAAH! – Antes que ele terminasse seu raciocínio, uma garota simplesmente brotou, vindo mais da frente, como se tivesse sido jogada para trás por alguém.

— Hã?!

A cena foi cômica, olhando por esse lado. Damon ficou olhando, com uma cara engraçada, olhos de peixe morto. Pisinoe, por outro lado, estava sem crédito algum pelo que observara, ainda irritada é claro.

A garota que havia caído ali, do nada, era aquela de cabelo vermelho com dois twintails nas laterais, Lilith. Ela se levantou, como se nenhum dos dois estivessem ali. Na verdade, ela não notou nenhum dos dois de começo, pois era muito leiga para notar esse tipo de coisa de primeira.

Ai, ai, ai! Isso dói! Sua maldita Sirena! Eu vou te contar hein...! Hm?! – Ela então finalmente viu Damon, com sua cara de peixe morto diante de tal cena e, depois de alguns segundos de tilt, arregalou os olhos e abriu a boca – D-Damon?! O que você está fazendo aqui?! – E apontou para ele, espantada

Sou eu quem pergunta! – Falou com uma cara de como não estivesse entendendo nada após ficar um tempo paralisado sem reação.

Outro humano...?! – E com isso, a quarta voz se aproximou dos três, quando Pisinoe olhou para o lado.

Thelxiepia? – A Sirena viu sua outra irmã, Thelxiepia, que estava lutando contra Lilith originalmente.

Pisinoe... – A segunda Sirena, que havia acabado de chegar olhou para suas irmãs, caídas ao chão e teve o mesmo baque que a primeira – Irmã... essas são Patérnope e Aglaope?

Sim... – Pisinoe respondeu, com dificuldade.

Quem fez isso com elas? – Sua irmã voltou a perguntar.

Foram eles. – Apontou para Damon e Lilith com a cabeça, que se encaravam de forma ainda cômica.

E então, após serem misteriosamente acusados, os dois olharam passa as Sirenas.

Bom, na verdade não foi a gente...

Vendo por esse lado, Damon tinha parcela de razão. Mesmo que seus companheiros tenham feito o trabalho, eles não participaram. Para ele, com aquela afirmação, claramente era imposto que só faria parte disso assim que fizesse o mesmo com sua oponente.

Ei, irmã. Por que não jantamos humanos hoje? Para vingar nossas queridas irmãs? – Thelxiepia falou.

É exatamente isso que eu estava planejando. – E Pisinoe respondeu, ambas com expressões de ódio total.

“Jantar humanos?! Elas são loucas, tem coisa melhor pra comer!”, Lilith fez uma cara de nojo ao pensar.

“Elas superaram bem rápido, né...?”, Damon pensou na sequência.

Vamos acabar com esses dois e com os outros que estiverem aqui!! – Em uníssono, Pisinoe e Thelxiepa bradaram e abriram suas garras.

Opa, opa, parece que elas estão sérias agora, hein?! – Damon deu um sorriso debochado.

Então é melhor irmos com tudo também, não é?! – Lilith se juntou ao garoto, ficando ao seu lado.

Eu já pretendia isso mesmo antes de você aparecer!

Damon e Lilith, por mais que fossem opostos em muitas coisas, quase sempre cruzavam com os mesmos pensamentos. Afinal, estava no sangue dos dois, eles adoravam desafios.

Que engraçado. Somos iguais e diferentes ao mesmo tempo. Pensamos nas mesmas coisas!! – Lilith prosseguiu, pegando no largo cabo que estava em suas costas, no qual as Sirenas não haviam percebido ainda...

— É... Mas eu não posso fazer nada por isso!! – Damon complementou, Pisinoe e Thelxiepia se prepararam Vamos lá! – E então, o garoto girou sua espada e a guardou em sua bainha nas costas.

“Por que ele guardou a espada?!”, se perguntou Pisinoe, curiosa e ao mesmo tempo intrigada.

Um brilho então, se alastrou pelas suas costas, um brilho azulado, como se a própria espada estivesse mudando. E então, Lilith puxou o cabo de suas costas, onde havia apenas uma ponta pontiaguda, sem nada demais. E esse cabo começou a brilhar na cor vemelha...

 Arma Divina: Ryūken!

Damon exclamou e novamente desembainhou sua espada, mostrando o que havia acontecido com a mesma para suas oponentes. De uma espada simples, passou a ser uma espada maior e mais assustadora, de coloração predominante azulada, com detalhes em verde e com um cabo de dragão.

Ryūken, do japonês, a união das palavras ‘Ryū’ (Dragão) e ‘Ken’ (Espada). A Espada do Dragão.

Arma Divina: Jigokuma!

Já a arma de Lilith, de um cabo simples, cresceu uma enorme lâmina em curva que se mostrou uma grande foice de cor vermelho radiante com adornos e detalhes complexos de cor preto.

Jigokuma, do japonês, a união das palavras ‘Jigoku’ (Inferno) e ‘Kama’ (Foice). A Foice do Inferno.

O brilho azul e vermelho se misturou em dois e provocou uma claridade até então não vista nos túneis. Pisinoe e Thelxiepia recuaram ao sentir o poder que os dois emanavam, estava completamente diferente de antes. E só então que caiu a ficha e elas perceberam algo...

Preparem-se, Sirenas!

Os dois como um grito de guerra, bradaram em uníssono, a euforia estampava a expressão de ambos. As duas Irmãs Rainhas à frente dos dois, já não estavam mais tão seguras, passando a ficar acuadas naquele momento em que mostraram suas Armas Divinas.

E o motivo? Pois haviam percebido algo que mudaria suas atitudes e escolhas a partir daquele momento. Elas perceberam que Damon e Lilith não eram humanos qualquer.

Essa era a resposta que elas não enxergavam e que a garota cantou quando encontrou Thelxiepia em seu túnel...

Agora que a gente se mostrou tanto, temos que acabar com isso rápido. – Damon ficou mais à vontade e falou, sorrindo.

Quem é que se mostrou aqui? Não vi ninguém se mostrando além de você. – Lilith, também totalmente à vontade, retrucou sorrindo.

Os dois dominavam o local.

Ah, é mesmo? Você quem entrou no meio da minha luta, então você tem 80% da culpa! – Damon respondeu na mesma moeda.

Mas os dois estavam muito à vontade mesmo. Eles falavam ironicamente entre si enquanto Pisinoe e Thelxiepia observavam perplexas tal cena, ainda totalmente assustadas pelo poder dos dois.

Eu não entrei no meio da sua luta, eu fui arremessada para cá! E você é quem veio para o meu túnel, então você que entrou no meio da minha luta!

Seu túnel? Já abriu reivindicação de posse? Que eu saiba esse túnel é da Sirena e não seu tú-... – Lilith começou a chutar Damon com a sola do pé antes que ele terminasse. Enquanto isso as Sirenas ainda observavam sem reação, mas...

Será que todos os humanos são assim? – Pisinoe finalmente abriu a boca para falar.

Melhor acabarmos logo com isso. – E Thelxiepia respondeu.

As duas finalmente retomaram a coragem que haviam perdido por alguns segundos. Após presenciarem o poder das Armas Divinas, retornaram à forma original para a batalha.

Ei! Essa é minha fa-... IIIIH! – As duas Sirenas lançaram um ataque em conjunto que fez Damon e Lilith desviarem por pouco.

“Mas como eles se esquivaram do nosso ataque duplo?!”, Thelxiepia olhou para trás, incrédula.

“Tenho certeza que coloquei velocidade suficiente para eles não conseguirem nem reagir”, Pisinoe fez o mesmo. “Quem são esses dois afinal?!”

Aaaaaaah, viu só?! Por causa do seu chilique nós quase batemos as botas!

Mas foi você quem começou idiota! – Damon respondeu Lilith, os dois mais discutiam do que lutavam. E isso fez a expressão das Sirenas mudarem de ódio para desgosto.

Eles não param de discutir. Será que são realmente aliados?!

Vamos acabar logo com iss-... – Damon interrompeu Thelxiepia, girando de raiva.

Eu já disse que essa é minha fala!

O garoto de cabelo preto brandiu a espada contra as duas Sirenas e causou uma rajada de vento muito forte. Lilith apareceu por trás de Pisione e cortou seu braço direito com sua foice, como uma jogada totalmente combinada e calculada.

GAAAAAAH! 

Irmã! O que vocês fizeram?! – Thelxiepia semicerrou os olhos ao ver o braço decepado de sua irmã.

Espere, Thelxiepia! – E Pisinoe pôs a mão esquerda em sua frente e a impediu de ir.

Por que, irmã?!

Se você se mover você vai morrer...

Do que você está falando?!

Olhe bem...

Thelxiepia seguiu o conselho de Pisinoe e olhou para frente e ao seu redor, enxergando várias tênues linhas vermelhas quase que invisíveis à olho nu. Elas estavam cercadas por todos os lados. A Sirena ficou impressionada e perplexa já que não podia se mover, assim como Pisinoe.

Lilith descansou a foice do inferno em seus ombros, enquanto sorria para as duas, encurraladas pelos fios cortantes.

Hihi, você tem boa observação. Essas são as Linhas do Inferno. – As duas olharam em volta novamente. Por mais que elas tentassem, não conseguiam achar uma saída – São linhas quase invisíveis, porém, mais resistentes e fortes que o mais poderoso aço. Um movimento brusco e tchim! Adeus cabeça, pernas, braços e torso...

A rajada de vento dele criou a abertura para você espalhar essas linhas... maldição! – Disse Pisinoe, reproduzindo em sua cabeça o ataque combinado de Damon e Lilith – Agora estamos em xeque. 

Por isso vocês discutem no campo de batalha? Vocês se dão muito bem, não é? – Thelxiepia fez a pergunta.

Se dar bem é pouco. Os dois eram quase que perfeito quando lutavam à sério juntos. Vendo por esse lado, as duas Irmãs Rainhas não tinham chance alguma.

Só que, por mais que Damon e Lilith fossem poderosos e amplamente superiores às duas, ainda não estavam amadurecidos o suficiente. Ainda faltava crescimento para ambos. Não só Damon e Lilith, isso vale para todos os Dez Apóstolos, o que era um fato e que eles tinham bom conhecimento sobre...

Hein?

Como disse? – Os dois abriram um sorriso sarcástico ao mesmo tempo que falaram.

Ei, ei sirenazinha. Por que não pensa um pouco antes de falar? – Damon disse, com uma veia saltando de seu rosto.

Sabe, Damon? Você roubou essas palavras da minha boca... – Lilith, da mesma forma, complementou.

Um momento de silêncio se alastrou pelo túnel. Pisinoe e Thelxiepia ficaram imóveis enquanto sentiam o ar pesado que pairava sobre o campo de batalha. Damon e Lilith pareciam estar de cabeça baixa, de olhos fechados.

Então... – Os dois murmuraram essas palavras ao mesmo tempo.

As duas prestaram bastante atenção para a continuação, e....

NÃO F*DE COMIGO!

Ao gritar bem alto em uníssono, os dois resolveram partir para cima das duas à toda velocidade com suas armas preparadas para o embate.

Merda! – Thelxiepia, em um movimento impulsivo, tentou se esquivar. Mas ela tinha esquecido de algo crucial ali...

Brincadeirinha! – Os dois pararam juntos de roam brusca, bem próximos de onde as duas Sirenas estavam.

“Era apenas um blefe!”, Pisinoe percebeu, mas Thelxiepia não. E quando a primeira tentou, já era tarde demais...

Não, Thel-...!

Pisinoe não conseguiu terminar de falar o nome de sua irmã, quando viu a cena chocante para seus olhos. Thelxiepia havia sido decapitada pelas Linhas do Inferno.

A cabeça da Sirena girou no ar, com o sangue escorrendo como se estivesse chovendo. Lentamente, ela caiu no chão, Pisinoe estava chocada com os olhos arregalados.

E não é que ela caiu mesmo?! Pelo menos a outra foi mais inteligente! – Lilith riu ironicamente daquilo. Era como se fosse brincadeira de criança...

Seus...

— Hm?!

SEUS MALDITOOOOOS!!!

Pisinoe, em um ato de extrema fúria, destruiu as linhas com suas próprias mãos e fugiu. Damon e Lilith não puderam fazer nada e ficaram parados, quebrando totalmente o clima, como dois retardados que ainda tentavam entender a situação.

Hã? – Os dois disseram ao mesmo tempo.

O silêncio pairou no túnel todo destruído.

Bom, vamos voltar. – Damon guardou sua Arma Divina, como se estivesse tudo normal.

Ela fugiu, Damon.

Não tem problema. – Ele respondeu...

— COMO “NÃO TEM PROBLEMA”?! – Fazendo Lilith gritar incrédula...

Podemos cuidar dela depois, ainda temos algo pra fazer. Ela com certeza vai voltar uma hora.

Podia ser apenas uma frase para “se livrar”. Mas Damon parecia estar falando sério sobre Pisinoe retornar. O clichê da vingança, talvez? Não era certo, mas era possível, ou melhor, provável. Damon começou a andar de volta para subir e Lilith olhou para ele pensando:

“Eu não acredito nisso! Esse garoto não existe!”

Mesmo assim, ela sorriu. Animada com isso tudo. Quem não ficaria? Os dois adoravam esse tipo de coisa. Estava no DNA deles.


[A dupla problemática perfeita corta os inimigos sem piedade!!]

Por Sora | 07/01/18 às 21:33 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Romance, Brasileira, Magia, Drama, Comédia, Shounen