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08º Mito - Aviso

Epopeia do Fim (EDF)

08º Mito - Aviso

Autor: Sora

Reino de Poseidon, por volta de 19h30. A chuva caía intensamente em volta do Mar Egeu. Poseidon estava em seu trono, ao lado de seu Tridente, fazendo uma investigação misteriosa. À sua frente, uma grande mesa quadrangular com alguns pergaminhos, abertos e fechados.

O Mar Egeu estava muito agitado de uns dias para cá, pelo menos a uns cinco dias para ser mais exato. A porta da frente então se abriu e Anfitrite, sua parceira e esposa estava indo até ele com uma tigela de frutas em mãos.

Anfitrite era uma Oceânide, uma Elemental da Água. Seu cabelo era liso e sedoso, que ia até a cintura, com uma cor azul, bem clarinho e seus olhos tinham uma cor-de-mel forte e bonita.

Ela usava um leve vestido de seda branca, que cruzava apenas um ombro, o direito, e tinha um colar de pérolas no pescoço.

— Aqui, senhor Poseidon. – Ela colocou a tigela na mesa onde os pergaminhos se encontravam.

— Já disse que não precisa me chamar de ‘senhor’. – Poseidon retrucou, sem tirar os olhos de um dos pergaminhos que estava aberto em sua mão.

Ele puxou um cacho de uvas roxas e começou a comer, uma por uma, ao mesmo tempo que Anfitrite ficou corada.

— D-Desculpe! É o hábito... – Ela olhou para o lado, desviando o olhar.

Anfitrite era uma das seguidoras de Poseidon após a Titanomaquia, sendo a única da rara raça das Elementais Oceânides. Assim como todas as demais raças de Elementais, os seres que vivem de alguma forma conectados com a natureza, que hoje em dia são raridade.

— Você é minha esposa, não seja tão formal. – Poseidon disse, agora pegando uma maçã-verde.

— Está bem, ‘querido’.

A relação dos dois era bem amistosa. Anfitrite se virou e retornou à sala da frente, suspirando após fecha-la. E então, um barulho a fez olhar para frente, quando viu a porta da entrada se abrir, quando ela viu Silver entrando, todo encharcado e ensopado por causa da forte chuva que ali acontecera.

Estou em casa... – O garoto murmurou com uma expressão engraçada pelo estado que se encontrava.

— Silver! Você está todo molhado! – Anfitrite ficou desesperada ao ver o garoto naquelas condições – Vou pegar algo para se secar!!

— Mãe, não precisa de tanto desespero... – Ele murmurou, de forma engraçada enquanto a olhava.

— Não! Vai pegar um resfriado se continuar desse jeito! – A atitude amistosa da Oceânide mudou, agora ficando mais parecida como a de uma mãe mesmo.

E isso fez Silver ficar com uma cara mais estranha ainda, dando um suspiro leve. Ele não pôde reagir contra sua mãe.

Depois de algum tempo, Silver se secou e trocou de roupa, com a pequena toalha que sua mãe lhe forneceu às pressas. Anfitrite agora estava mais tranquila, e isso já era típico dela; sua preocupação com Silver é a maior do mundo.

Ela era a escolhida de Poseidon. O que queria dizer que Silver era filho de um deus com uma Oceânide; metade sangue de um deus, metade de uma Elemental. Os frutos que isso daria poderiam ser assustadores...

— E então, como foi a missão?! – Após tudo aquilo, Anfitrite perguntou com brilho nos olhos.

— Tranquila, como sempre. Nem precisei usar muito de meu poder. – Seu filho respondeu, ainda secando seu cabelo prateado.

— Não seja imprudente, viu? Você pode se ferir... – A Oceânide disse, preocupada.

— Não se preocupe, eu sou bem forte, mãe. Aqueles treinamentos com você e com meu pai não foram à toa! – Silver se levantou, dando um sorriso e colocando a toalha em seus ombros.

— Mesmo assim...

— Já disse, não se preocupe! Eu vou ver meu pai, ele tá aqui?

— Sim, na sala ali. – Ela apontou para a porta e Silver foi até ela – Então, vou preparar um jantar especial como comemoração pelo sucesso da missão!

—Amém! Tô morrendo de fome! – Ele deu uma piscadela e um sorrisinho, que sua mãe devolveu.

Ela então, foi para a cozinha fazer o jantar. Enquanto isso Silver foi até a sala onde estava pai, Poseidon. Ele entrou sem bater, pois, viu que a porta já estava entreaberta.

— Olá, pai.

— Oh, bem-vindo de volta, filho. Como foi sua missão? – Concentrado nos pergaminhos, Poseidon foi direto ao assunto.

Foi moleza. Apesar de que o maldito do Damon estragou tudo e de que não achamos o tal amuleto.

— Ah, é...? O que o filho de meu irmão aprontou? 

Ah, ele deixou a chefe das Sirenas fugir, enquanto todos nós derrotamos as outras cinco. Incrível, por isso a missão não foi totalmente completa. Será que vamos perder pontos com isso...? – Ele murmurou para si mesmo após a dose de reclamações.

Pode ter sido um acaso. Foi apenas a primeira missão desse nível para vocês, coisas assim acontecem.

Poseidon falava ao mesmo tempo que dava atenção às tais ‘investigações’. Silver percebeu o quanto o deus estava concentrado com vários pergaminhos sobre a mesa e ficou curioso. Ele se aproximou um pouco mais, mas não conseguia ver com perfeição o que aqueles pergaminhos tinham.

O que está fazendo, pai? – Anagramas e informações complexas, em língua grega.

Além disso, Silver percebeu pequenas “anotações” ao ar, do lado dele, produzidas com seu poder aquático.

Ah, isso aqui? Provavelmente será a próxima missão de vocês. – Poseidon respondeu, finalmente olhando para o garoto.

A próxima?

Mas isso deve demorar um pouco, não se preocupe. Tire o tempo para descansar. – O deus complementou – Não pense muito nisso, quando a hora chegar tudo será revelado.

Vocês e suas frases enigmáticas...

Dialeto divino...

Palavras e dizeres complicados, porém intrigantes. Mas, isso aqui é uma Light/Web Novel, uma leitura mais leve e simples. Não se faz necessário o uso de palavras complicadas referentes ao tempo dos deuses. Então, continuaremos assim, felizes e contentes.

Ok então. Vou dar uma saída, até mais.

— Ué, onde vai? E o jantar? – Anfitrite se inclinou para trás, atrás da parede que separava a cozinha e a sala.

— Dar uma voltinha rápida. Em breve eu retorno.

— Mas você não disse que estava cheio de fome...? – Ela perguntou, com um ar de dúvida.

Silver abriu a porta, só que ele havia esquecido da forte chuva... E assim que botou o pé para fora, foi atingido pela incessante queda d’água e ficou novamente todo ensopado.

— SILVER!! – Anfitrite gritou, desesperada novamente.

— Não acredito... De novo. – Silver murmurou para si mesmo, incrédulo.

 

***

 

 Então a próxima missão será do tio Poseidon... – Damon murmurou, com a mão sob o queixo.

Ele e sua irmã mais nova, Daisy, seguiam no Monte Olimpo, junto à Zeus. O Rei dos Deuses olhava para a bonita e brilhante lua crescente, quase cheia no céu. Daisy fazia o mesmo, ao lado de Damon, que estava de costas, encostado na parede.

Tomara que não seja uma de achar um tesouro no fundo do mar... – Ele completou, dando um leve suspiro.

Zeus olhou para Damon com um olhar normal, porém penetrante. Ele sentiu o ar pesado que aquele olhar transmitia e desviou o seu, se concertando.

Ok, desculpa, força do hábito. – Ele deu uma risadinha nervosa – Então, já que terminei o que vim fazer, eu e Daisy iremos para casa.

— Já vamos? – Daisy perguntou, se segurando com as duas mãos na pilastra horizontal e virando sua cabeça para baixo, olhando para ele.

— Sim, seu irmão precisa descansar porque terá outra missão complicada depois de amanhã. – Ele disse, sorrindo – Então, até amanhã velhote. 

— Boa noite, papai! – Os dois andaram para a saída. Ou melhor...

— Espere, Damon. Use as... – Damon pegou Daisy no colo e pulou do Olimpo. Ele caiu à toda velocidade na cidade abaixo da montanha, e a queda abriu um buraco de profundidade média no chão – ...escadas... – Completou Zeus, ao vento.

Damon não deu a mínima, ou melhor, nem ouviu o pedido de seu pai, a resposta era óbvia. Daisy comemorou como se tivesse ganhado sua irmã Atena na brincadeira de mais cedo. Seu irmão a deixou de pé no chão após saírem do buraco aberto.

Eu adoro quando você faz isso irmão!

Essa pode ter sido a última vez. O velhote deve ter ficado louco... – Damon olhou para cima, com um sorriso amargo.

Claro! Ele sempre fala para você usar as escadas! – Daisy retrucou, sorrindo.

Mas essa montanha é enorme! Assim é o meio mais rápido de chegar ao chão! E menos cansativo... – Damon olhou para a cratera que fez no chão – Com certeza ele vai mandar eu concertar isso...

Hm, vejam só, Damon e Daisy.

Uma voz bela.

Damon pensou nisso na hora. Só de ouvir tal voz, o coração de Damon bateu mais forte, era encantador. Ele olhou para o lado e viu Afrodite, a Deusa do Amor, se aproximando e junto dela, estava Arthur. Os dois vieram andando até os irmãos que olhavam. 

Senhora Afrodite...! – Damon falou com dificuldade, inquieto pela presença da belíssima deusa.

Seu longo e liso cabelo detinha uma coloração ruivo-escuro. E a roupa que ela usava... era uma túnica de seda azul, amarrada sobre os dois ombros, que detinham um decote beeem chamativo, o que fez Damon ficar ainda mais nervoso e vermelho.

Olá! – Daisy levantou a mão acenando. Claro que para uma garotinha pura e angelical, isso passava mais do que despercebido.

Vamos, não precisa essa formalidade. Pode me chamar só pelo nome. – Ela deu um sorriso, era como o paraíso. Damon ficou mais vermelho e desviou o olhar.

M-Mas o que veio fazer aqui? Veio falar com meu pai também? – O garoto perguntou, ainda um pouco corado.

Sim, vim tratar de uns assuntos pendentes. Soube que sua missão foi bem-sucedida, meus parabéns. 

Ah, n-não foi nada!

Damon seguia inquieto com Afrodite à sua frente. Tanto que ele demorou dois minutos para perceber que Arthur estava junto dela ali, apenas olhando em silêncio. Mas a reação do garoto foi a mais cômica.

Afinal o que Arthur também está fazendo aqui? – Ele perguntou, apontando o indicador para ele, com um olhar morto.

Eu queria falar uma coisa com você. Então imaginei que estaria aqui e vim com minha mãe. – Arthur respondeu, dando de ombros.

Hm...

Isso mesmo, jovens, acho que ninguém esperava por essa. Arthur, o considerado por quase unanimidade mais forte dos Dez Apóstolos, era filho de Afrodite, a Deusa do Amor.

Bom, já que vocês querem conversar, irei subir. Não se apressem, acho que irei demorar um pouquinho lá. – Ela deu uma piscada para Damon, que novamente ficou vermelho.

A deusa foi até o Olimpo, deixando seu filho com Damon e Daisy ali, no comecinho da Cidade de Olímpia, nos pés da majestosa montanha.

Então, o que quer falar comigo, Arthur? – Damon voltou ao seu estado normal, se virando para o seu companheiro e amigo.

Vou ser direto. – E ele respondeu, realmente, de forma direta e curta – Alguns dias antes de nossa missão, percebi algo estranho.

— “Algo estranho”? E o que seria?

Parece que tem alguém nos observando... – Damon ficou em alerta ao escutar isso. Daisy viu a reação do irmão e ficou preocupada. 

Alguém está nos observando? Como assim? – O filho de Zeus semicerrou os olhos.

Venho notando, frequentemente, diferentes presenças ao nosso redor. Eles podem estar atrás de nossas Armas Divinas ou até mesmo de nós. – As palavras de Arthur deixaram Damon um pouco preocupado. Ele cruzou os braços, pensativo.

Isso é um problema. Podem ser apenas crianças azucrinando. – Falou tentando despistar um possível problema.

Não são crianças normais. Pois a aura delas é... – Arthur fez uma pausa, olhando para Damon de forma cortante – ...intensamente sombria. 

A expressão de Damon ficou diferente. Não há porque duvidar de Arthur, ele não é de pregar peças, principalmente por ser muito orgulhoso para tal. E ele sabia disso melhor do que ninguém.

Não vou duvidar de você, sei que está falando sério. Vamos prestar mais atenção ao nosso redor daqui para frente. – Damon suspirou e comentou.

Sim.

Tudo bem, se eu descobrir algo eu aviso! Ah, e tome cuidado. – O filho de Zeus continuou andando e parando ao lado de Arthur, olhando para frente – Falarei isso para os outros quando tiver tempo.

Estou tentando descobrir o que são. – Arthur indagou, da mesma forma.

Talvez isso esteja relacionado com a nossa próxima missão... – Damon sussurrou para si mesmo, colocando a mão sob o queixo.

— Hm?

Ah, não é nada. – Damon balançou as mãos negativamente – Bom, tenho que levar Daisy para casa. Nos vemos em breve!

Tchau, Arthurzinho! – Os dois começaram a andar para casa e Daisy virou acenando com seu sorriso gentil de sempre.

Até. – Arthur parou olhando por um tempo para os dois se distanciando conforme o tempo, quando novamente sentiu algo estranho. Ele se virou rapidamente e dessa vez não ficou parado.

Arthur correu até por trás de uma das casas nos arredores. Mas quando observou, viu que não havia ninguém ali. Ele olhou por um tempo, seriamente. Sabia que não era coisa de sua cabeça.

Algo perigoso e que mudaria tudo a partir dali começava a surgir em volta dos Dez Apóstolos...


[O advento das sombras começa a tomar forma...]

Por Sora | 07/01/18 às 21:38 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Romance, Brasileira, Magia, Drama, Comédia, Shounen