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13º Mito - Dia de Sorte

Epopeia do Fim (EDF)

13º Mito - Dia de Sorte

Autor: Sora

Do outro lado da cidade no Panteão do Sol e da Lua, Elaine estava no meio da pequena floresta de sua mãe, Ártemis. A Deusa da Lua e da Caça era muito próxima à natureza e os seres habitantes nela; de forma resumida, Ártemis podia falar com os animais e os seres vivos das florestas, não só a do bosque do panteão, mas de todas no planeta. Ela era extremamente ligada e conectada à vida selvagem.

Sua filha Elaine demonstrava ter a mesma afinidade com os animais selvagens da floresta, graças também ao treinamento com sua mãe. Ela estava sentada em uma pedra, rodeada por vários deles – cervos, guaxinins, raposas, pássaros – era uma variedade enorme de espécies. Mas em um instante os animais saíram de perto dela.

Hm...? – Elaine olhou para a frente e viu sua mãe, a própria Deusa da Lua vindo andando até ela. Os animais então, passaram a agir de forma natural retornando aos seus lares instituídos naquele bosque.

Pelo jeito já consegue se comunicar com os animais mais facilmente. – Disse Ártemis. A deusa tinha longo cabelo que por pouco não alcançava a cintura, de cor azul-escuro, quase puxado para o roxo.

Sim, é bem legal! – Respondeu Elaine, sorrindo. A deusa ergueu seu dedo indicador direito, onde dois pequenos passarinhos pousaram.

Sobre ontem...

Ártemis falou com um certo tom de preocupação. Mesmo assim, a deusa não deixava o sorriso escapar de seu rosto. Elaine olhou para baixo e depois para o lado esquerdo, pensativa.

Eu estou bem, mãe. De verdade... – A garota disse a última frase um tanto cabisbaixa.

 Ártemis olhou para sua filha por um tempo. Em seguida, ela colocou dois dedos na testa da garota, ao mesmo tempo que os passarinhos voaram. Elaine levou seus olhos para cima, mas não conseguiu ver direito e Ártemis fechou os olhos...

Que a benção e as forças da Lua te protejam... – Como uma prece, a deusa murmurou. Ártemis tirou os dedos da testa de Elaine e abriu os olhos, dando um novo e largo sorriso.

O que foi isso...? – Elaine perguntou, colocando a mão na sua testa, procurando encontrar algo diferente sem sucesso.

Para dar sorte e te proteger daqui para frente. – A Deusa da Lua respondeu. Elaine viu o sorriso de sua mãe e se acalentou, dando um leve sorriso também.

Obrigada, mãe... – A garota respondeu.

Não há de que! Vamos nos unir ao seu tio e seu primo, pois o jantar está pronto!

Sim, vamos! – Elaine e Ártemis se levantaram e juntas se dirigiram ao Panteão.

O céu seguia nublado, porém agora estava levemente se abrindo entre as nuvens. Era possível notar pequeninos raios de luz do sol em seu pôr, passando pelas nuvens espessas com uma bonita cor alaranjada.

Oh, voltaram. – O garoto de cabelo amarelo-escuro, Grey, as recepcionou.

Cadê meu irmão? – Perguntou Ártemis, olhando para os lados da sala.

Ele saiu. Parece que foi ao Monte Olimpo. – Grey respondeu.

Entendo... – Murmurou a deusa, quando Elaine olhou para ela preocupada.

Após algumas horas, já de noite, Elaine estava olhando para o céu que já estava mais limpo, mostrando a Lua que seguia na sua fase crescente, quase cheia.

Está preocupada? – Grey perguntou, andando até a garota que olhou para ele.

Não, não. Estou bem... – Os dois olharam para cima juntos em silêncio, apreciando a vista do céu escuro parcialmente nublado iluminado pela luz do satélite natural.

Amanhã teremos a nova missão. – O garoto falou.

É... – Elaine respondeu com um murmúrio.

Após o ocorrido da noite anterior era natural que a próxima missão pudesse envolver esse caso; e era ainda mais natural que os dois estivessem assim, um pouco aflitos sobre essa questão. Aquele ataque foi perigoso e coisas piores poderiam ter acontecido...

Então é melhor irmos dormir para acordarmos dispostos amanhã, não é? – Grey se esticou todo, voltando ao jeito animado, mesmo que não tanto assim.

Sim. Vamos. – Elaine se levantou da pequena escadinha da porta do panteão e respondeu.

Os dois se levantaram e quando estavam entrando, um vento bateu com força e intensidade em volta do Panteão fazendo ambos pararem por um momento. “Que forte...”, pensou Grey, enquanto Elaine olhava atentamente para o bosque.

Não parecia que Apolo voltaria àquela noite, portanto, Ártemis estava sentada em uma pequena pedra no início do bosque do panteão, observando o céu como sua filha fazia. Ele ia se abrindo e mostrando a Lua de pouco em pouco... quando de repente, um cervo chegou até ela.

Hmmm. Entendo. – Ela parecia falar com ele enquanto o alisava com a mão direita. A Deusa da Lua então sorriu.

 

***

 

Dia seguinte, Monte Olimpo, por volta de 14h da tarde.

O céu permaneceu nublado mesmo naquele dia, mas não estava tão fechado como nos anteriores; pequenos raios de sol passavam entre as mais escuras nuvens e formavam bonitas luzes paralelas, iluminando parcialmente a cidade e dando a ela um tom branco-amarelado.

Damon chegou aos pés da montanha, com Daisy em suas costas após alguns minutos de caminhada ao sair de sua casa. Ele não demorou dessa vez e começou a subir o Olimpo como sempre, pulando e pulando nas rochas e nas pequenas plataformas formadas pelas mesmas, até que chegou ao topo rapidamente, como sempre.

Daisy estava de olhos fechados e parecia que ainda estava mal, tanto que a garotinha chegava a suar frio. Damon não sabia o que era e já que hoje seria uma missão, sempre a levava para o Olimpo para ficar junto com sua irmã mais velha, Atena. Era um palpite, mas talvez, Atena pudesse diagnosticar a causa de Daisy estar tão estranha assim.

Damon então, assim que chegou no topo, olhou para frente, esperando encontrar seu pai e sua irmã.

Yo, velh-. – Damon então, assim que chegou no topo, olhou para frente, esperando encontrar seu pai e sua irmã – Hã?

Ele olhou para frente e ficou surpreso, vendo todos os seus nove companheiros, os Dez Apóstolos, já preparados e reunidos na montanha. Todos olhando para ele, o último a chegar para a nova missão.

Está atrasado. – Lilith disse, sorrindo sarcasticamente e Damon, que estava agachado, se levantou.

Ah, me desculpe. – Ele não respondeu da forma que fazia, falando com um tom mais preocupado. Lilith chegou a estranhar isso, mas a explicação veio em seguida – Daisy não acordou muito bem, então demorei um pouco para me aprontar.

Eu imaginei. Do jeito que ela estava ontem... – Lilith também mudou a expressão e a forma de falar, andou até Damon e Daisy abriu os olhos com dificuldades.

Lili... É bom te ver... – Ela murmurou e deu um sorriso forçado. A pequena garota de 11 anos estava um pouco corada, parecia estar com febre. Lilith então, pôs a mão direita em sua testa, tomando um singelo susto.

Damon, ela está delirando! – Ela exclamou. Enquanto a maioria ali se preocupava, Chloe olhava atentamente para a garotinha nas costas de Damon.

“Que estranho...”, ela pensou consigo mesma. “Sinto algo estranho nela”

Não se preocupem. – Todos olharam para o lado ao escutarem Atena, que vinha com Zeus do seu lado.

Irmã. E velhote... – Damon olhou para os dois.

Olá irmã... papai... – Daisy falou sem forças, bem mal mesmo. Atena passou por Lilith e olhou para a garotinha, também notando algo como sua filha e dando um sorriso.

Deixe que eu cuido dela. – A deusa falou.

Obrigado. – Damon agradeceu e se virou para que a Deusa da Sabedoria pegasse a filha mais nova de Zeus no colo.

Não precisa agradecer. – Atena deu um sorriso.

Ela se virou e foi em direção à parte interna do hall do Olimpo, junto com Daisy. “Tão cedo...”, ela pensou, dando um leve sorriso. Damon olhou para as duas por um tempo, um pouco preocupado.

Mas seu palpite estava certo; Atena com certeza daria um jeito nisso. Ele então suspirou mais aliviado, ao que Lilith percebeu, também ficando mais segura.

Ela vai ficar bem, Damon. – Falou Silver, o filho de Poseidon, se aproximando dos dois.

Eu sei que vai... – O garoto de cabelo preto deu um leve sorriso e andou à frente, se juntando aos seus companheiros – Vamos ao que interessa então, não é, velhote?

Sim. – Todos dirigiram suas atenções para o Rei dos Deuses. O clima ficou um pouco mais sério e pesado a partir daquele momento – Hoje tenho não só uma missão, mas duas missões para vocês. 

Duas...? – Meade murmurou, com uma expressão nada contente. 

E quais seriam essas missões? – Chloe perguntou em sequência.

São duas missões distintas. – Zeus prosseguiu – Primeiro, se separem em dois grupos de cinco, para se equilibrarem de forma correta. Depois os dois grupos irão para a Floresta Negra e para o Mar Egeu.

O Mar Egeu...? – Silver murmurou, colocando a mão sob o queixo.

Essa é uma missão de seu pai, Poseidon. Sugiro que o grupo em que você esteja, vá para o Mar Egeu. – O Rei dos Deuses escutou e respondeu.

Com certeza seria importante que Silver fosse para o Mar Egeu, afinal ele conhece o local quase por completo já que mora exatamente lá com seu pai e sua mãe. A experiência e a vivência contariam como vantagem crucial nessa missão.

A outra missão é minha. – Zeus continuou – O outro grupo vai para a Floresta Negra fazer uma investigação. 

Investigação? – Damon perguntou. E depois de alguns segundos algo veio em sua mente – Não me diga que...

Isso tem a ver com o que aconteceu anteontem? – Completou Grey, com essa exata pergunta, que fez Arthur e Elaine reagirem juntos com eles. Os que não sabiam o que havia acontecido, ficaram presunçosos.

Do que eles estão falando...? – Chloe sussurrou no ouvido de Lilith.

Ah, sobre isso... – Ela respondeu, vagamente.  

Exatamente. Parece que esse grupo que está agindo não é tão perigoso, mas ainda não sabemos muito sobre eles. Teremos que arriscar. – Disse Zeus, porém, com um pensamento em outro lugar...

Mas, a Floresta Negra? – Damon seguia sem entender o porque de ser esse local.

Essa informação foi adquirida com minha filha, Ártemis, exatamente na manhã de hoje. – Zeus respondeu.

Minha mãe!?! – Elaine arregalou os olhos – E nessa manhã...?!

Ártemis pode controlar qualquer animal selvagem no planeta. Não só isso, mas comunicar-se com os mesmos também. A Floresta Negra é um local repleto de vida selvagem, obviamente – ou não.

A Deusa da Lua investigou os locais que abrangiam mais animais e chegou à proximidade de tal descoberta. Os animais viram espécies de ‘espiões’ da deusa e passam as informações requeridas a ela.

Parece que ela viu algo peculiar localizado na Floresta Negra, perto de Atenas. Quero que vocês sigam até lá e descubram se é verídico. – Completou o Rei dos Deuses.

Os dez ficaram em silêncio por um momento. Após isso, Damon então tomou a frente da situação, do seu jeito direto e sem enrolação de sempre.

Bom, então vamos separar logo os grup-!

Eu ainda não terminei. – Zeus interrompeu o garoto, falando de forma cortante, que fez até os outros ali ficarem arrepiados.

Ugh. – E o seu filho fez uma cara engraçada.

Ao grupo que vai para o Mar Egeu: Poseidon vai dar as ordens ao chegar lá. E ao grupo que vai para a Floresta Negra: vocês vão apenas investigar. Sem lutas desnecessárias.

O queeeee?! Como assim?! Se pudermos derrotar eles logo, será mais fácil! – Damon se opôs, como sempre

Não entenda errado, Damon. – Zeus retrucou com mais ardor ainda – Eles não podem oferecer perigo a nós, deuses, mas vocês ainda são inexperientes.

Mas, conseguimos derrotar as Irmãs Rainhas com facilidade, e-!

Se não me engano, você deixou a líder escapar, não é mesmo? – As palavras de Zeus, remetendo o parcial fracasso de seu filho na missão anterior no Deserto das Almas Perdidas, fez Damon ficar quieto.

Nem pelo fato de não terem encontrado o amuleto que procuravam, seu objetivo principal. Ele olhou para baixo, em silêncio, com as palavras de seu pai. E então...

E mais uma coisa. Aparentemente, seu líder chega a ser mais forte que três de vocês juntos. – Todos ficaram assustados com o que Zeus acabara de falar. Damon tinha uma vaga sensação.

O líder... Exato. Ele se lembrou do ocorrido na tarde passada.

“Não se preocupe, não farei nada demais.”

A voz do garoto, que proferiu tais palavras a Damon ontem, percorreu sua cabeça. Naquele momento, ele havia testemunhado, não só ali, mas também no ataque contra ele e Arthur.

Ele realmente era mais forte que as Sirenas.

Eles não têm Armas Divinas como vocês, mas tem armas com poder muito próximo ou até mesmo igual a elas. – Zeus completou.

Só o líder... mais forte que três de nós juntos? – Meade estava incrédulo, assim como todos estavam. Exceto, é claro, por alguns, tipo o Arthur.

Tsc! Está dizendo que somos fracos, velhote...?! – Damon encarou seu pai.

O olhar de Zeus era assustador, mas o do garoto não perdia. O ar ficou mais tenso e pesado do que já estava, era até possível sentir a aura perigosa envolvendo o Rei dos Deuses. E Damon também...

Você entendeu errado de novo. Vocês não são fracos. Mas no momento atual vocês não podem com eles, principalmente pelo fato de desconhecermos sua raça e origem. – Damon e Zeus seguiam se encarando – Então não lutem. Principalmente você, Damon. É uma ordem! 

O Rei dos Deuses foi mais ríspido e intolerante com sua última palavra. Todos ficaram paralisados com o poder de sua voz que se assemelhava a trovões ensurdecedores. Talvez, os únicos ali que mantiveram a serenidade foram Brandt e Arthur, até Meade que era mais tranquilo ficou inquieto e recuado.

Está bem. Apenas investigar... - Damon não teve outra escolha. Confrontar seu pai, o rei de todos os deuses não era boa ideia.

Todos ficaram mais tranquilos, por assim dizer. Um turbilhão de pensamentos invadia todos ali, naquele momento, naquele local. Se o líder já era poderoso assim, como Zeus dissera, e os outros...?

Eles mal sabiam quantos eram. Só sabiam que, além do líder, mais quatro deram as caras; os dois que atacaram Elaine e Grey e os outros dois que batalharam rapidamente com Arthur e Damon.

E a força de todos eram consideráveis.

Então o grupo que vai para a Floresta Negra será... – Damon, após suspirar e se controlar, prosseguiu – Eu, Lilith, Chloe, Julie e Meade. 

Por que eu estou no seu grupo? – Lilith fez uma cara engraçada ao perguntar.

E o grupo que vai para o Mar Egeu.

Ignorada! – Ela caiu de cara no chão.

Silver, Brandt, Elaine, Grey e Arthur. Como o velhote disse, Silver mora próximo ao Mar Egeu. – O filho de Zeus completou – Vocês vão até lá. Nós iremos investigar a Floresta Negra.

Os grupos encaixavam perfeitamente, ou quase. Meade se encaixava com qualquer um ali e era uma boa cabeça pensante para guia-los, assim como Silver. Chloe e Julie nem se fala. São inseparáveis irmãs gêmeas, filhas de Atena. E Lilith... Bom, apesar de não parecer casualmente, ela se dava bem com Damon no ‘quesito batalha’.

Do outro lado, a força descomunal e ainda misteriosa de Brandt e Arthur para uma possível – e iminente, já revelada – batalha. Grey e Elaine, filhos do Deus do Sol e da Deusa da Lua, opostos, porém semelhantes.

Vão para casa e se preparem. Meu grupo vai partir ao pôr do sol. – Disse Damon, para os nove, que acenaram positivamente.

Todos então foram embora se preparar, porém Damon ficou ainda no Olimpo. Ele entrou e viu Daisy dormindo, com Atena de seu lado. A Deusa da Sabedoria olhou para seu irmão caçula que olhava preocupado para Daisy, entretanto, ela já parecia estar estável, respirando novamente e sem estar mais corada.

Como ela está? – O garoto perguntou, andando até as duas.

Já está melhor. Parece que era só uma febre mesmo, um remédio natural que preparei fez ela melhorar rapidinho. – Atena respondeu, olhando para o irmão mais novo.

Que bom. – Damon suspirou mais leve e aliviado, olhando ainda para Daisy, dormindo – Obrigado.

Já disse que não precisa agradecer. Somos irmãos, é o mínimo que faria por ela. 

Os dois se olharam por um tempo. Damon então deu meia volta e se virou para a porta de saída. Ele parecia mais confiante agora e sua irmã mais velha notou isso.

Então deixo ela em seus cuidados. Eu vou me preparar para a missão. – Damon falou, se dirigindo até a porta.

Parece que as coisas vão começar a mudar... – Atena murmurou e seu irmão parou ao escutar aquilo – Boa sorte, Damon. Volte fazendo o sinal da vitória.

Atena fez um "v" com os dedos para Damon. Ele não se virou, mas sabia do que se tratava. Um flashback de quando era criança veio em sua cabeça, de quando ele ganhava de Atena nas brincadeiras e também com o sucesso das suas primeiras missões. O sinal da vitória estampava sua felicidade em vencer.

Agora, a situação era diferente. Damon estava sorrindo, porém estava sério e concentrado. Zeus se aproximou e viu os dois, principalmente seu filho mais novo quando o garoto abriu o sorriso mostrando levemente os dentes e começou a andar, em direção a seu novo e mais perigoso desafio até aqui.

É... Claro que sim!


[A partida para as novas missões...!!]

Por Sora | 07/01/18 às 21:47 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Romance, Brasileira, Magia, Drama, Comédia, Shounen