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14º Mito - Fim do Início, Início do Fim

Epopeia do Fim (EDF)

14º Mito - Fim do Início, Início do Fim

Autor: Sora

Mais tarde naquele dia, ponto de Encontro da Cidade de Olímpia, por volta de 18h.

Já estava escurecendo, o pôr do sol deixava a cidade em um tom rosa alaranjado. Damon chegou no ponto de encontro e seu grupo – Lilith, Julie, Chloe e Meade – já estava esperando por ele. A essa hora, eles chegariam na Floresta Negra apenas à noite...

Oh, você chegou. – Disse Lilith, olhando para o filho de Zeus.

Onde estão os outros? – Damon olhou para os lados, procurando o outro grupo.

Já foram para a casa do tio Poseidon. – E a filha de Hades respondeu em seguida.

Então... – Damon fez uma pausa enquanto observava os quatro à sua volta. Todos olharam de volta, quando ele olhou para cima, convicto – Vamos!

Sim!

O grupo de Damon, então, foi em direção à Floresta Negra, não demoraria muito para eles chegarem até lá. Enquanto isso o grupo de Silver com Grey, Elaine, Brandt e Arthur havia acabado de chegar no reino de Poseidon, que é bem próximo ao Mar Egeu.

A chuva torrencial caía com turbulência no local e não à toa, Silver e os demais estavam usando capuzes protetores para não ficarem ensopados. Todos eles feitos por Anfitrite, mãe de Silver... sim, antes dele sair de casa ela o entregou o capuz.

Essa chuva é meio irritante, não acham? – Grey perguntou sem medo algum, mesmo que soubesse ser o território do poderoso Deus dos Mares. E ainda por cima na frente se seu filho...

Grey! – Retrucou Elaine, olhando para ele de forma séria.

Ele está certo. – Silver respondeu, fazendo os dois ficarem atônitos. Após alguns segundos, o garoto olhou para os dois, com dúvida – O que foi?

M-Mas você...

Elaine e Grey ficaram sem palavras mesmo; era surpreendente e de certa forma engraçado. Após um tempinho o Deus dos Mares, Poseidon, finalmente apareceu para eles, vindo de trás. Os cinco se viraram e olharam.

Chegou. – Comentaram os dois em uníssono.

O deus veio em uma grande carruagem movida e puxada pela força dos grandes cavalos marinhos que eram habitantes dos mares de todo o planeta. Mas esses eram diferentes; possuíam uma coloração azul-claro e eram maiores que os normais, ou seja, eram animais alados que serviam ao deus. A carruagem prosseguiu, deu uma singela volta em curva e parou exatamente à frente dos cinco que ali estavam.

Vocês vieram rápido, Dez Apóstolos. – Disse o deus, ficando de pé para eles ainda notando algo diferente. Ele fitou todos os cinco com calma – Mas espere, por que há apenas cinco de vocês?

Tio Zeus deu outra missão ao mesmo tempo que você, então nos separamos em dois grupos. – Silver respondeu, de forma calma. Poseidon olhou por um tempo e suspirou.

Ele era grande e musculoso, bem definido, assim como seu irmão mais novo, o Rei dos Deuses. Seu cabelo tinha uma cor bem azul-esverdeada e sua longa barba composta de algas-marinhas pareciam ondular como se estivessem em ambiente aquático.

Está bem, apenas vocês são suficientes se lutarem juntos.

Arthur e Brandt já ficaram acesos após as palavras de Poseidon. A aura efervescente dos dois começou a abalar o local, mesmo que eles seguissem com seu olhar cortante de sempre, em silêncio.

“Lutar juntos não é com esses dois, com certeza!”, pensaram Silver, Grey e Elaine, ao mesmo tempo, com expressões descontentes. Poseidon seguiu tranquilo e quieto, fitando os dois com calma. Ele entendia esse jeito dos dois fazia tempo, por isso relevava quase sempre.

Mas ele falou para não lutarmos. – Elaine relembrou do que Zeus falou no Olimpo.

Acho que isso só valia para o grupo do Damon. – Grey respondeu, cruzando os braços – Afinal aquela é a missão dele...

Exatamente. – Poseidon passou a mão em sua barba, concordando – A missão de vocês não é tão difícil, mas será bem complicada se não levarem a sério.

E qual seria a missão? – Brandt abriu a boca e perguntou. Todos se assustaram, olhando para ele ao mesmo tempo.

“Ele fala de um jeito tão informal!”, exclamou Grey, sem reação.

“Esse cara não tem medo de nada?!”, pensou Elaine, sorrindo desconsertadamente. Mesmo assim, o Deus dos Mares seguiu calmo e convicto, respondendo de forma resumida:

Eu peço que vocês "limpem" meu reino do mal que os habita... – Todos piscaram, sem entender ao certo.

Como assim? – Perguntaram Elaine e Grey, novamente em uníssono.

Dialeto e linguagem dos Deuses Olímpicos, coisinha um tanto complicada. Geralmente alguns mantém a formalidade, mas outros mais velhos – como o próprio Poseidon – elevam isso a um nível maior. Mas, ainda assim, alguém entendia essa parte.

Eu já entendi. – Respondeu Silver. Grey e Elaine ficaram impressionados, olhando para ele.

Uaaau! Sério mesmo? – A garota ficou surpresa.

A Hidra... – Silver respondeu, levantando o indicador direito, com um sorriso. Foi aí que os outros dois ficaram ainda mais surpresos.

Hidra?! Aquela Hidra?! – Elaine agora ficou boquiaberta com a afirmação do garoto.

A Hidra, também conhecida como Hidra de Lerna, é um monstro aquático, filha de Tifeu, o Gigante dos Ventos que possui corpo de um dragão gigante e três cabeças de serpente. Reza a lenda que assim que uma cabeça sua era cortada, mais duas nasciam no lugar, ou seja, o monstro possuía alto poder regenerativo. Mesmo assim, só eram boatos. Porém, o tamanho do desafio era enorme, ainda que esses boatos não fossem verídicos...

Seria bom para testar nossas habilidades. Afinal vai dar mais trabalho que as Sirenas. – Silver completou, ainda sorrindo.

Com certeza! – Grey cerrou o punho e respondeu, animado.

Posso contar com vocês, Dez Apóstolos? – Poseidon fez a última pergunta.

Sim, pode contar com a gente! – Todos olharam, convictos após a resposta de Silver – Então. Estamos partindo. Até mais!

Os cinco foram em direção ao Mar Egeu, na verdade, ao seu epicentro, considerando a localização da Hidra. Poseidon os olhou partir, tranquilo.

O verdadeiro Mar Egeu; um local perigoso e amedrontado no qual era difícil de um ser humano sobreviver caso fosse até lá. Mas Poseidon sabia do potencial deles. Por mais que ainda não estivessem no ápice, ainda assim podem dar conta dessa tarefa.

Esse era o esperado...

 

***

 

Floresta Negra, por volta de 22h40.

Julie olhava para o céu cheio de estrelas cintilantes, estava infestado, sua boca um pouquinho aberta devido a posição de sua cabeça para cima. Os outros quatro – Damon, Lilith, Meade e Chloe – estavam andando pela escuridão da floresta. Lilith estava à frente, os guiando e orientando, isso graças a seu poder de visibilidade em locais escuros.

Não era tão escuro quanto os túneis do Deserto das Almas Perdidas graças a luz parcial da Lua e também das estrelas, logo, ela podia enxergar sem maiores dificuldades. Chloe notou que Julie estava parada olhando para cima e fez o mesmo. A escuridão do local iluminava e polia ainda mais o céu totalmente dominado por inúmeras constelações, estrelas e galáxias.

Era lindo e fascinante.

É lindo, não é? – Chloe se direcionou à sua irmã. Julie não respondeu, apenas olhou para ela. – O céu... é tão enorme.

Afirmação: O universo é ainda maior... – Julie respondeu, voltando a olhar para cima. Assim, Damon, Lilith e Meade pararam de andar e olharam para trás.

Ei, o que houve?! – O primeiro garoto perguntou.

— Já está um pouco tarde, não acham? – A pergunta feita por Chloe em sequência, parou os outros três que olharam.

Foi possível notar que os olhos de cor vermelho-rubi de Lilith brilhavam mais intensamente, se adequando à escuridão para uma visão mais apurada. Era dessa forma que ficava quando ela usava.

Também acho que seria bom darmos uma parada. – Meade afirmou, porém, olhou para Damon como se também tivesse feito uma pergunta. Ele olhou para Lilith que também concordou silenciosamente.

Ok então... – Damon suspirou – Vamos descansar um pouco e depois seguimos em frente.

...

Os cinco então acharam um local tranquilo para darem uma pausa. O dia não foi tão corrido, mas andar da cidade até a floresta cansou, com certeza. E outra, por mais que sejam filhos de deuses, eles ainda se cansam, não são robôs.

Depois de alguns minutos de descanso, Lilith se levantou.

Eu vou dar uma volta.

Dar uma volta? Pra que?! – Damon perguntou. Aparentemente ele estava preocupado, mas não demonstrava estar, já Lilith o retrucou com o olhar.

Só vou andar um pouquinho. Não irei muito longe! – Ela respondeu, fazendo bico.

Pelo menos vê se não se perde. Seria um saco ter que te procurar depois.

Fique quieto! Hmpf! – Lilith cruzou os braços – Para sua informação, eu posso enxergar melhor que vocês no escuro!

Ok, ok... – Damon respondeu abanando a mão para cima e para baixo como se falasse para ela ir logo.

Lilith deu de ombros, se virou e começou a andar. Após uns dois minutos andando, ela parou atrás de uma árvore e viu uma caverna escura e estranha.

“Uma caverna no meio da floresta?!”

Era bem peculiar para falar a verdade. Bom, eles nunca foram na Floresta Negra antes, essa era a primeira vez. Lilith pensou em ir, mas ao mesmo tempo algo dizia para ela não ir.

“Não...”

Uma voz pareceu sussurrar na mente de Lilith. Tanto que ela não escutou de primeira.

“Não vá...”

O que?! – Lilith escutou fracamente da segunda vez.

Ela não entendeu nada, olhando para os dois lados. Seria seu ‘eu’ interior, ou até mesmo sua intuição feminina? Por mais que fossem, não parecia. E então, de repente, as folhas se mexeram e produziram um barulho, fazendo Lilith ficar em alerta.

“O que é isso?!”

Após ela se perguntar, uma sombra apareceu como um flash em sua frente e foi graças a sua visão aguçada que ela previu o movimento estranho e decidiu, por reflexo, recuar. A sombra então, a atacou rapidamente. Lilith se assustou e tropeçou em uma raiz no chão, com o calcanhar. Essa coincidência se tornou sua sorte.

Ao cair no chão, ela ao mesmo tempo desviou sem querer do ataque. Lilith então, não pensou duas vezes e deu um pulo para trás, arrastando os dois pés no chão. Ela rapidamente sacou sua foice e entrou em guarda.

O que foi isso...? Por pouco eu... – Lilith teve uma pequena lembrança de sua ‘sorte equivalente’.

Ela então, prestou mais atenção ao fixar os olhos para ver o que foi aquilo. A pessoa à sua frente usava um capuz preto, o mesmo das duas pessoas que tinham atacado Elaine, que se camuflava com a escuridão da floresta. Ela logo ficou em êxtase. Suas mãos suavam ao saber que o oponente a sua frente não era para brincadeiras.

Quem é você!?! – Perguntou com um tom nervoso. Por alguns segundos, o silêncio total pairou, sem uma resposta da silhueta à sua frente – Me responda!

Lilith já estava nervosa e confusa.

A pessoa de capuz apenas deu uma risada de orelha a orelha, que foi possível ver. A garota ficou mais ainda em alerta, seu coração batia mais rápido, sua pulsação aumentava e a produção de adrenalina em seu corpo ficara mais alta do que nunca.

...

Trocando rapidamente de momento para o Mar Egeu, algo predestinado a um estilo de clímax ou ápice como com Lilith estava prestes a acontecer também. Silver e os outros quatro estavam avançando para o objetivo. A chuva que era mais forte ainda naquele local, o tornando hostil demais, não acontecia no momento.

Os cinco andavam e então, Silver fechou um pouco os olhos para enxergar algo estranho a sua frente.

Esperem. – O filho de Poseidon parou os quatro, movimentando seu braço à frente deles.

Em sua frente, uma outra pessoa com o mesmo capuz preto estava parada, sorrindo. Todos estranharam, mas Elaine e Grey já haviam percebido.

  Você, saia da frente! – Também sem resposta ao comando de Silver – Ora...

Esperem. – Elaine falou – Eu sei quem é essa pessoa...!

Todos olharam para a filha de Ártemis. Arthur também sabia do que se tratava ao franzir a testa e cerrar ainda mais os olhos vermelhos de forma cortante. Eles ficaram em silêncio, quando a pessoa sorriu mais ainda.

Então você se lembrou, não é? – Era uma voz feminina, inclusive era a mesma da que atacou Elaine há dois dias.

O que...? – Os cinco ficaram em alerta.

Hahaha! – A garota tirou o capuz, de forma agressiva e rápida.

Sua aparência foi revelada. Era uma garota com cabelo de cor rosa que caía até quase metade de suas costas, com coques nas laterais formando quedas em estilo de tranças.

Quem é essa garota...? – Murmurou Silver, atônito como os demais.

Muito prazer, Dez Apóstolos!! Eu sou parte dos Imperadores da Escuridão!! Meu nome é Bluebell!!

A autodenominada Bluebell, a garota de cabelo rosa com coques laterais, sorria para os cinco a sua frente. Todos ficaram incrédulos. ‘Imperadores da Escuridão’? O que diabos significava esse nome? Seria o talvez grupo que eles fazem parte? Não se sabia...

...

Retornando à cena da floresta, Lilith estava sendo atacada pela pessoa de capuz. Ela tinha dificuldades em defender, era muito rápido, além de também não conseguia contra-atacar. Só podia desviar com muitas dificuldades. A pessoa que a atacava sem parar era rápida, até mais rápida que as próprias Sirenas que foram derrotadas por Lilith e pelos outros Dez Apóstolos sem dificuldades.

Essa nã-! – A garota escorregou e não havia saída para o próximo ataque frontal.

Ela não tinha equilíbrio, muito menos tempo para desviar e isso a fez paralisar. Seus olhos arregalaram de medo, a morte estava a sua frente. Entretanto, o ataque da silhueta de capuz foi bloqueado na hora certa. Lilith demorou alguns segundos para recobrar os pensamentos lógicos, até que já caída no chão, olhou para o lado esquerdo...

Só você mesmo para arranjar confusão assim, vou te contar, hein!!

Damon, com sua espada – ainda simples – foi quem havia bloqueado o ataque da pessoa de capuz e agora eles disputavam na força. O choque fez ele e a pessoa irem para trás com o impulso. O filho de Zeus então logo percebeu que a força da pessoa era considerável, mas havia algo estranho.

“Essa sensação... eu conheço essa pessoa!”, Damon pensava enquanto analisava a situação. Ele suava só de olhar para o garoto de capuz, Lilith se levantou e recuou para seu lado. Os outros três – Chloe, Julie e Meade – chegaram rapidamente após isso.

Finalmente você apareceu. – O garoto falou como se já tivesse falado com Damon.  E ele notou, a voz... – Já estava cansado de esperar.

Damon ficou surpreso e arregalou os olhos. Todos pararam, em silêncio. O filho de Zeus, percebendo do que se tratava, abriu um leve sorriso.

Oh, que astuto! Não esperava te encontrar aqui!

Damon lembrou-se das duas últimas noites que se passara; na primeira, o ataque de plasma contra ele e Arthur e na segunda, a sua aparição no momento em que Lilith havia partido de sua casa.

O que está havendo aqui...? – Chloe murmurou. Julie e Meade seguiam observando, ao lado de Lilith.

  Se preparem...! – Damon exclamou com um certo anseio e nervosismo. Todos olharam para ele, com dúvidas sobre o que acontecia ali.

O que houve, Damon? – Meade perguntou na sequência.

Essa pessoa faz parte do suposto grupo que atacou Elaine e Grey. – Todos ficaram surpresos com a resposta do garoto – E também que lutaram rapidamente contra mim e Arthur.

Vocês mataram a charada...!

O garoto tirou o capuz logo após falar, e se revelou; de cabelo verde escuro com pontas parecidas com o cabelo de Damon, bagunçado e menor que o do filho de Zeus.

Seus olhos eram heterocrômicos – de duas cores. O direito era castanho, como a escuridão e esquerdo era de cor laranja bem escuro...

Permita a me apresentar. – Ele abriu os braços – Eu sou o líder dos Imperadores da Escuridão, Keith!

A expressão do garoto chamado Keith era amedrontadora. Seu sorriso era fugaz, agressivo, intimidador. Todos, exceto Julie, reagiram de forma expressiva.

O líder...!?! – Lilith se perguntou, assustada.

“Então, essa sensação era realmente isso”, pensava Damon. “Essa presença dele é assustadora...!”

Viemos aqui só para investigar e encontramos logo o líder. Que dia...! – Damon estava empolgado. Aquilo sobre o que ele suspeitava estava certo e finalmente ele poderia dar o troco sobre os dois dias anteriores.

Damon, fomos ordenados a não lutar! Temos que recuar! – Damon não dava ouvidos para Lilith, que alertava desesperadamente – Dam-!

Deixe-me testar. – Antes de Lilith terminar de chamar novamente por seu nome, foi interrompida – Vamos ver se os boatos que meu pai disse são verdade.

O que?! – A garota ficou incrédula. Keith, o líder dos denominados ‘Imperadores da Escuridão’ sorriu ainda mais, parecia um psicopata prestes a dar o bote em sua presa.

Damon fechou os olhos. Ele esperou exatamente 10 segundos, a sua concentração podia ser sentida por todos ali. Mas, por dentro, ele também estava contente. Não só isso, como havia uma grande mistura de emoções dentro de si; felicidade, raiva, nervosismo, aflição, medo...

 Arma Divina: Ryūken! – Damon não poupou tempo ao voltar a abrir os olhos azuis. Ele já ativou rapidamente sua espada, em sua forma verdadeira. 

He! Me divirta um pouco...! – Keith sorriu, relaxando os braços que estavam abertos.

Venha...! – Damon também sorriu.

Todos olharam, aflitos, a primeira batalha estava para começar. Melhor, a partir de agora todas as batalhas estavam para começar. A Epopeia aqui contada, começava a tomar seu rumo para o fim...

Por Sora | 07/01/18 às 21:48 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Romance, Brasileira, Magia, Drama, Comédia, Shounen