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15º Mito - Prólogo do Desespero

Epopeia do Fim (EDF)

15º Mito - Prólogo do Desespero

Autor: Sora

Era uma vez, o ‘nada’; o abismo cego, escuro e ilimitado; a total ausência. Um vazio primordial. Isso é instigador; o que pode surgir de um abismo cego, escuro e ilimitado?

No princípio, era o Caos.

Apenas ele.

Único.

O primeiro de todos.

Caos era a ‘ausência’, era o ‘abismo’, era o ‘ilimitado’. Era o ‘vazio’.

Caos, portanto, foi a primeira divindade a surgir no cosmos; o primeiro Primordial; o Criador. Imagine um ser que é o próprio nada e ao mesmo tempo é tudo: esse era o Caos, instigador não acham? Dele nasceram todos os outros seres e divindades primordiais e após esse tempo, Gaia, a Terra e Urano, o Céu, deram vida a novos seres: os Titãs.

Titãs esses que, liderados por Cronos, se rebelariam contra seu próprio pai, Urano, e tomariam o controle do cosmos. A primavera era eterna e os humanos eram imortais e eternamente jovens, uma era que foi nomeada como a Era Dourada. Era que acabou com o medo de Cronos.

Mesmo medo sentido por seu primogênito, Urano; reza a lenda que Gaia profetizou que o próprio Céu seria destronado por um de seus filhos. E assim aconteceu.

E então, o mesmo ocorreu com seu descendente, Cronos. As Moiras, donas do destino de todos os seres existentes na Terra, filhas de Aeon, o Tempo e Ananque, o Destino; três irmãs que também eram muito conhecidas como Irmãs do Destino. Foram elas, as três filhas dos Primordiais – que também podiam ser chamadas de Primordiais – que deram seu veredicto.

— Cronos. Esse é seu destino. – Disse uma das irmãs, de forma enfática – Você está fadado a ser derrotado e a perder seu lugar no trono. Para um de seus descendentes...

Cronos, rei de todo o Cosmos, lembrou-se da história que sua mãe Gaia, que hoje não se encontra mais, contou a ele e a seus irmãos sobre seu pai Urano. E ele lembrou como se fosse ontem, quando castrou seu próprio pai, fazendo nascer as Erínias de seu sangue, também conhecidas posteriormente como Fúrias e também a posterior Deusa do Amor, Afrodite.

Era claro como dia: isso também aconteceria com ele se não tomasse as devidas precauções. Mas Cronos não desistiu tão fácil de abrir mão de seu destino. O Rei dos Titãs ofereceu um presente às Irmãs do Destino e seu pedido era simples: que seu destino fosse revertido ou mudado.

Entretanto, não houve sucesso. Nem o grande presente dos poderosos e imponentes Corcéis do Tempo fizeram as Irmãs mudarem de ideia. Cronos, mesmo sendo o Rei, não podia fazer nada; a não ser evitar que isso acontecesse com suas próprias mãos, de sua própria forma.

Salvo por sua mãe, a Titânide Réia, no último minuto, antes de ser devorado por Cronos – que já havia comido todos os seus descendentes em ordem, antes, Zeus foi salvo de seu destino de morte. O filho dos Titãs foi criado por Gaia, até então desaparecida após os acontecimentos que levaram a subida de seu filho ao poder.

Ele aprende a Magia Titânica e, sozinho, a desenvolve e evolui para o que mais tarde seria chamado de Magia Divina que usa o Reiki, a energia vital que há dentro dos seres vivos. Os Deuses, portanto, tem um nível mais elevado de Reiki, enquanto humanos mortais possuem um nível menor.

E alguns anos depois, uma guerra sangrenta entre Zeus e seus irmãos – os Deuses Olímpicos – os ciclopes, gigantes, além do poderoso Titã Hecatônquiros contra Cronos e seus aliados também Titãs teve início; a Titanomaquia.

Parecia, ouvindo e vendo tão grande bulha e luz, que a terra e o céu se confundiam, pois era enorme o tumulto da terra esmagada e do céu a se precipitar sobre ela, tal o barulho da luta dos deuses. Ao mesmo tempo, os ventos, sacudindo-se, erguiam o pó, o trovão, o relâmpago, e o raio ardente, armas do grande Zeus, e levavam o brado e os clamores ao seio dos combatentes; e no incessante fragor da espantosa luta, todos mostravam a força dos seus braços.

No fim, Zeus e seus aliados venceram a grande guerra, que acabou no banimento de todos os Titãs. Cronos, seu próprio pai, perece até hoje nas profundezas do Tártaro.

Os Titãs Hipérion, Siceu, Jápeto, Órion e Hecáteros se renderam à serventia de Zeus, que os mantem confinados em seu local secreto do Olimpo até hoje, assim como Mnemósine e Prometeu, que não participaram da guerra.

E então, Zeus e seus irmãos e irmãs mais velhos, tomaram o controle do Trono, como as Irmãs haviam previsto, dando início assim a Era Prateada.

 

***

 

Agora são por volta de 19h, Cidade de Olímpia, Monte Olimpo. A majestosa montanha que atravessava as nuvens e era maior que o próprio céu era banhado em um tom dourado-azulado do pôr do sol que já dava adeus ao horizonte. Zeus estava sentado em seu Trono, com as mãos apoiadas nos braços da cadeira. À sua frente estava uma de suas filhas, Atena, a Deusa da Sabedoria.

A deusa, com grande e liso cabelo de cor castanho claro e olhos predominantemente azul-marinho, sem seus habituais trajes de batalha, apenas com seu chíton de cor branco caindo por seu voluptuoso corpo. Não era tão escultural, mas era um bonito e formoso corpo. Ela estava sentada em frente a Piscina da Vidência. Ela observava atentamente a água que está totalmente em repouso. Nela são refletidas imagens dos dois grupos indo para suas respectivas missões. Um indo na direção da Floresta Negra. O outro indo até o perigoso Mar Egeu. Eles são os filhos dos deuses, os Dez Apóstolos.

Parece que o grupo da floresta partiu agora. – Disse a Deusa da Sabedoria, sem remover o olhar da piscina.

Zeus observava, ainda em silêncio. O Rei dos Deuses, Zeus. Com olhos totalmente brancos e barba de nuvens. Musculoso e com um pequeno chíton que cobre seu ombro esquerdo. Ele não demonstrava reação ao observar à piscina junto de Atena. Parecia nem estar ligando. Mas Zeus não demonstrava suas emoções assim, facilmente. Até mesmo Atena, que pode detectar as emoções nos seres – sejam mortais ou deuses – não consegue fazer isso com Zeus. Por mais que ela tente decifrar as emoções ou as reações de seu pai, é meramente impossível para ela.

Com o silêncio como resposta, Atena dá uma olhada rápida em Zeus, que ainda assim não reage. A deusa volta suas atenções para a agua pura da piscina. Nesse momento, o grupo da floresta está saindo da cidade.

O que você acha? – Atena segue, parecendo tentar forçar Zeus a falar.

Sobre o que? – O deus finalmente retruca.

A informação que minha irmã mais nova, Ártemis, nos deu.

A Deusa da Lua e da Caça, Ártemis. Irmã gêmea do Deus do Sol, Apolo. Aquela que é também a dona da vida selvagem em todo o planeta, pode falar e se comunicar com animais, sejam eles de qualquer localidade. Um desses seus animais que observava a Floresta Negra a mando da deusa, avistou uma pequena anomalia e a avisou na noite passada.

Saberemos em breve. – Zeus disse.

As palavras de Zeus encerraram a conversa automaticamente. Atena sentiu isso e se voltou novamente à piscina, em silêncio. Sim, por mais que o animal de Ártemis tenha visto uma pequena anomalia, não quer dizer concretamente que tem algo lá. Após os acontecimentos de anteontem, o ataque contra Elaine e Grey e em seguida contra Damon e Arthur, algo estranho ficou ao ar.

As pessoas que atacaram; quem são elas? Já se percebeu que não podem ser humanos comuns. E mesmo que fossem, são fortes demais para rivalizarem com filhos de deuses. Mas a real pergunta nem é essa. O verdadeiro mistério é; qual o propósito de tais ataques? Se a missão desse alguma resposta, ainda não era certo.

Atena então tocou com seu dedo indicador na água, que produziu pequeninas ondas circulares, como um ciclo vicioso. A imagem mudou e mostrou o grupo do Mar Egeu que prosseguia em frente também. Outro mistério; qual seria a missão requerida pelo Deus dos Mares ali?

A luz do sol já havia quase que completamente se esvaído ao horizonte. E então, a noite caiu rapidamente.

 

 

***

 

 

Por volta de 21h da noite, a caminho da Floresta Negra. A brilhante lua crescente – quase cheia – que iluminava o céu cheio de constelações estelares e com inúmeras galáxias cintilantes se encontrava à beira de seu perigeu máximo. Cinco pessoas, adolescentes, andavam juntos em direção à grande floresta próxima nas extremidades da Cidade de Olímpia. Floresta que ainda fazia fronteira com Atenas e também, outra importante cidade ali próximo, Creta.

O grupo que ali estava fazia parte dos Dez Apóstolos. Damon, 16 anos, cabelo negro, bagunçado e com pontas laterais cuneiformes, e olhos azuis escuros, andava na frente. Seguidos por ele estavam Lilith, 15 anos, cabelo de cor vermelho radiante com twintails laterais e olhos com tom de vermelho-rubi; Meade, 17 anos, cabelo de cor verde, liso e espetado nas extremidades, cor dos olhos da mesma cor; Chloe, 17 anos, cabelo comprido de cor roxo escuro, olhos da mesma cor, um pouco puxado para o violeta; e Julie, irmã gêmea mais nova de Chloe, cabelo igual de cor branco e olhos de cor verde-escuro.

Parece que estamos chegando. Já dá pra ver as árvores daqui! – Disse Lilith, com um tom descontraído.

Cara, que árvores enormes para ter como ver já daqui... – Meade colocou sua mão aberta sobre os olhos, observando, do mesmo jeito cansado de sempre.

Floresta Negra... Se parar pra pensar o nome é bem amedrontador, não acham? – Indagou Chloe. Sua irmã, Julie, apenas assentiu, sem maiores expressões.

Tanto faz. Só quero descobrir quem fez aquilo com a Elaine e com o Grey. E o motivo. – Damon falou com um tom mais sério, firme e compulsivo, deixando Lilith um pouco recuada.

Ela sentiu em suas palavras. A raiva. Porém também a motivação e a ansiedade. Damon estava sorrindo de canto. Lilith então resolveu refrescar sua memória de algumas horas atrás.

Não se empolgue muito, dragãozinho. Nossas ordens foram ‘apenas investigar’, não foram? – Damon estalou a língua com as palavras de sua amiga.

Tsc. Dá pra ficar na sua?! Eu não vou lutar...

Muito bem! Não pegaria bem para nós desobedecermos às ordens dos superiores. Inclusive as de Ze-.

Não irei lutar se não tiver ninguém lá. – Antes de Lilith completar a frase, Damon retrucou.

Seu sorriso sarcástico desmantelou o discurso de Lilith, que ficou sem reação. Já se aproximava de 22h. A lua brilhou mais ainda em contraste com as nuvens do céu parcialmente nublado que agora clareava mais ainda.

 

***

 

 

Proximidades do Mar Egeu, mais cedo – por volta de 19h30. O outro grupo com os cinco dos Dez Apóstolos. Eles haviam acabado de se encontrar no ponto de encontro definido para partir em missão.

Ali estavam Silver, 16 anos, cabelo com pontas altas de cor prateada com um leve tom de raios azulados, olhos de cor mel; Grey, 16 anos, cabelo de cor amarelo espetado para cima, olhos de cor mel mais escuro; Elaine, também 16, cabelo curto com dois giros amarrados na nuca, cor azul, olhos de cor marrom escuro; Brandt, 18 anos, cabelo vermelho escuro que cai sobre sua testa com pontas nas extremidades bem definidas e olhos castanhos escuros; e Arthur, 19 anos, cabelo que cai até quase seus olhos, cor dourada e olhos de cor vermelho radiante.

Muito bem, parece que todos estão aqui. – Disse Silver, de braços cruzados ao olhar para os outros quatro a sua volta – Então vamos? – Completou.

Estamos prontos! – Grey respondeu, cerrando o punho direito para frente.

Vamos! – Elaine completou.

Arthur e Brandt, uma dupla ali fora do comum. Seus poderes eram um mistério. Nem seus próprios pais conhecem a real capacidade de evolução dos dois. Seus reikis são um mistério também. Ótimos aliados, por assim dizer.

Eles então tomaram o caminho para o lar de Silver, o Mar Egeu. Quem os esperava lá era seu pai, o Deus dos Mares, Poseidon. Sim, essa missão não tinha nada a ver com a do outro grupo na Floresta Negra. Essa era diferente. Porém, ninguém sabia que acabaria tomando um rumo idêntico.

 

***

 

Voltando ao Monte Olimpo, já coberto pela escuridão da noite fundido com a luz da lua crescente. A iluminação da sala do trono de Zeus era por candelabros de uma espécie de fogo florescente, provavelmente arte dominante de Atena. A Piscina da Vidência mostrava o caminho do grupo da Floresta Negra. Já passava de 22h, quase chegando a 22h40. A Deusa da Sabedoria seguia os acompanhando, com certa tranquilidade. Zeus seguia em silêncio, também acompanhando. O contraste de horas atrás era o mesmo. Os dois não saíram de suas posições nem por um minuto sequer, muito menos mudaram suas ações.

Eles chegaram! – Falou Atena.

Vamos ver o que acontece agora...

O tom de Zeus, fazia parecer que tudo isso não passava de uma peça de teatro e que ele fosse o diretor dela. Era um pouco estranho, se parar para pensar. Mas Atena não disse nada e seguiu observando. Ela então viu os cinco pararem para descansar.

Eles pararam. – Falava para si mesma, já que Zeus não a responderia mesmo.

Depois de alguns minutos, ela observou Lilith se levantar para caminhar sozinha. Zeus seguia com seu olhar fixo na piscina e nos acontecimentos. Atena deixou escorrer uma pequena gota de suor de seu rosto. Ela sabia que isso não era o correto a se fazer. Ela sabia... Sabia que algo não ia dar certo. E então, aconteceu.

Essa não...! – A reação de Atena condisse com o que acontecia em sua visão.

Lilith foi atacada. Zeus seguia calmo. Atena estava atônita com a série sucessiva de ataques desferidos em Lilith. Ela começou a raciocinar como uma máquina. E suava. Atena, a deusa de toda a sabedoria mundana e divina, tentava resolver o enigma. Lilith estava sendo recuada. Quem era essa pessoa!?!

Isso é ruim! Desse jeito ela vai-! – Antes de terminar sua frase, ela se surpreendeu. Assim como Zeus, que abriu mais seus olhos, coisa rara.

Damon havia chegado!

Damon?! Ele...

Da Floresta Negra podia ser sentido o clima tenso do local. Afinal o grupo de Damon encontrou-se com nada mais, nada menos do que com Keith, o autodenominado líder do grupo ‘Imperadores da Escuridão’. Frente a frente. Cara a cara. Meade, Julie e Chloe acompanhavam ao lado de Lilith, atônitos e assustados. Damon sorria, junto com Keith.

— Deixe-me testar. Vamos ver se os boatos que meu pai disse são verdade!

— O que?! – Lilith ficou incrédula. Keith, o líder dos denominados ‘Imperadores da Escuridão’ sorriu mais. Parecia um psicopata prestes a dar o bote em sua presa.

Damon fechou os olhos. Ele esperou exatamente 10 segundos. A sua concentração podia ser sentida por todos ali. Mas, por dentro, ele também estava contente. Não só isso, havia uma grande mistura de emoções. Felicidade, raiva, nervosismo, aflição, medo... Ele então os abriu.

 — Arma Divina: Ryūken! – Damon não poupou tempo. Ele já ativou rapidamente sua espada, em sua forma verdadeira. 

— He! Me divirta um pouco! – Keith abriu os braços e sorriu.

— Venha...! – Damon também sorriu. Todos olharam, aflitos. A batalha havia começado. Damon vs. Keith.


[O prólogo do desespero...]

Por Sora | 12/01/18 às 14:35 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Romance, Brasileira, Magia, Drama, Comédia, Shounen