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19º Mito - Resultados da Derrota

Epopeia do Fim (EDF)

19º Mito - Resultados da Derrota

Autor: Sora

Mais tarde naquele dia. Monte Olimpo, 1h da madrugada. Junto do Deus dos Mares, os Dez Apóstolos chegaram na montanha mais alta do planeta. A frente de todos, estavam Atena e Zeus. Eles estavam ainda pensativos e até mais cabisbaixos.

— Mas o que aconteceu?! – Atena estava perplexa ao ver todos eles da forma que estavam, inclusive seu irmão mais novo, Damon.

— Ué. Você não nos acompanhou pela piscina-sei-lá-o-que? Ugh! – Damon ainda sentia seu corpo todo doer pelas três lutas seguidas. Mesmo quando falava sentia um pouco.

— Damon, aguenta! – Lilith, que o carregava em seu ombro direito estava preocupada, porém ela também estava cansada.

— Venham, vou cuidar de todos.

Depois de um tempo, todos estavam enfaixados e tratados. Exceto por Arthur, Brandt, e as filhas da deusa, Chloe e Julie, que não sofreram danos externos.  Enquanto isso, Atena estava cuidando de Damon na sala principal. Lilith e Silver estavam acompanhando o trabalho da Deusa da Sabedoria, enquanto ela enfaixava o braço esquerdo de Damon, o mesmo que ele havia sentido após matar a Hidra.

— Ah. – Damon murmurou, se lembrando de algo – Irmã, como está Daisy?

— Não se preocupe, ela está dormindo desde aquela hora. Eu já a mediquei, ela está mais estável agora. A qualquer momento ela pode acordar. – Disse Atena, com um sorriso, terminando de enfaixar o braço esquerdo de Damon.

— Sério...? Que bom. – Damon sorriu. Lilith e Silver, assim como os outros que ouviram também ficaram contentes e aliviados – Eu... – Atena olhou para ele – ...lutei contra o líder dos Imperadores da Escuridão. – A reação de Atena foi singela. Ela então tomou uma expressão mais séria.

— Eu vi, junto com nosso pai.

 Damon não conseguia nem olhar nos olhos dela ou dos dois, desde que retornou. Ele só olhava para baixo, com uma expressão melancólica e dolorida.

— Então você sabe. Que ele me derrotou sem fazer um esforço sequer. – Damon olhou para sua mão e depois a apertou com força – Nós não podemos contra eles.  Não dessa forma! 

Atena, Zeus e Poseidon o olhavam. Eles conseguiam ver em Damon o desespero e o trauma. Mas também a convicção.

— Ainda tiveram mais dois na Floresta Negra e enfrentamos mais uma no Mar Egeu. Se não fosse o tio Poseidon iríamos morrer ali. 

— Hm... Bom, no Mar Egeu, vocês estavam cansados. Não há muito que os culpar. Mas nem cinco de vocês puderam contra o líder. Isso é bastante preocupante.

Ela terminou de tratar das feridas de Damon que se levantou. Ele ficou parado um pouco, fazendo uma expressão pensativa. Atena acompanhou seu olhar distante, um olhar que lembrava ainda da completa derrota da última noite.

Damon então finalmente olhou diretamente nos olhos de Atena.

— Irmã. Eu... quero ficar mais forte! – Atena respondeu com o silêncio. Damon prosseguiu falando – Eu quero proteger quem é importante para mim, então... tem que ter uma maneira!

A convicção plena no olhar azul escuro de Damon que brilhava mais que o céu noturno.  Atena suspirou.

— Sempre há uma maneira para tudo. – A deusa respondeu, fechando seus olhos – É só você analisar as possibilidades à sua volta. E fazer suas escolhas.

Atena levantou e andou até Damon. Passando por seu lado, ela saiu da sala. Lilith e Silver olharam por um tempo e acompanharam a deusa. Damon foi logo atrás depois de um minuto. Ao sair, Zeus estava conversando com Poseidon. Ele e Damon se entreolharam.

— Velhote... 

O olhar de Zeus era frio como uma nevasca. Damon evitou olhar diretamente. Sabia que o que fez foi imprudente. Porém, necessário. Não havia saída. Não naquele momento. Atena, Lilith e Silver voltaram suas atenções até os dois, frente a frente.

E talvez, pela primeira vez, eles viram um Damon diferente. Aquele garoto que burlava as regras, animado e brincalhão que amava desafios, não estava ali.

— Pai... Me desculpe. Eu fui completamente derrotado. 

Após Damon falar o silêncio foi a única coisa que restou no Monte Olimpo. Lilith e Silver, assim como Grey, Elaine, Chloe e Meade estavam pasmos. Há um dia atrás, Damon quase que encarou o Rei dos Deuses porque ele proibiu que houvesse luta na missão. Agora, é diferente. Uma derrota completa. Esse foi o impacto disso. E o resultado acabou com Damon.

— Admitir seu erro já é um grande passo. É a primeira vez que você faz isso. – Disse Zeus, contrariando as expectativas, enquanto todos esperavam uma bela bronca.

— Hã? – Com a surpresa pela resposta de Zeus, Damon até ficou sem reação.

— Mas isso é agravante. Se não fosse por meu irmão, vocês não estariam aqui para contar história.

E então, outra memória, talvez mais dolorosa e impactante que a derrota de Damon na floresta, veio à tona na mente de todos os dez. A humilhação sofrida no Mar Egeu dispensa comentários.

Poseidon com certeza evitou o pior. Mas o mais incrível é que todos os dez não deram conta de apenas um humano normal. Sim, um simples humano, sem sangue divino. Isso era mais que preocupante.

— É mesmo. Esquecemos de te agradecer, tio Poseidon. Você nos salvou.

— Não é necessário. Vocês fizeram bem em terminar minha missão e segurá-la até que eu chegasse. 

Não era a intenção. Mas as palavras de Poseidon demonstravam que ele já imaginava essa situação. Em suma, ele sabia que os dez não conseguiriam. Todos então ficaram em silêncio. Porém, isso pode sim ter sido intencional.

Essa colocação do Deus dos Mares acaba de despertar algo dentro dos Dez Apóstolos. Sim, antes algo que era tido como ‘orgulho ferido’ se torna a ‘promessa de dar o troco’.

— Velhote, tenho um pedido. – Damon se voltou para seu pai, Zeus, com sua forma informal de sempre.

— Diga.

— Eu quero que você me treine mais. Para derrotar os Imperadores da Escuridão!

Atena olhou orgulhosa para ele. Poseidon deu um sorriso. Damon tinha uma mania – talvez possa ser chamada também de costume – de não ser formal, nem com os deuses. Isso parece estranho para alguns. Mas as palavras ‘senhor’ ou qualquer outra que demonstre respeito máximo, usada por outros, não são usadas por Damon. Olhe bem, ele nem chama seu pai de “pai”. Zeus então fechou os olhos e respondeu.

— Você tem a certeza e convicção necessárias em seu pedido?

— Sim. Eu já me decidi. Eu quero proteger o que é importante para mim. Para isso tenho que ficar mais forte!

As palavras de Damon haviam mudado de melancólicas palavras provocadas pelo baque de sua derrota completa, para palavras com uma força maior. Palavras carregadas de energia positiva.

— Você finalmente amadureceu... Está bem, eu te treinarei novamente para que fique mais forte e proteja o que te é importante.

Antes da formação dos Dez Apóstolos, todos eles passaram por um regime de treinamento com seus pais quando mais novos. Então, assim que mais crescidos, não necessitavam mais disso, de certa forma, podendo se aperfeiçoarem sozinhos. Esse é o motivo de Damon pedir para ser treinado por Zeus ‘novamente’.

— Ah! Entã-!

— Mas antes. – Zeus interrompeu a fala animada que Damon iria soltar – Tenho que tratar de algumas coisas. E você tem que se recuperar. No momento priorize isso.

A ordem de Zeus murchou Damon que já tinha recuperado todo seu jeito animado de ser.

— Tá bom, eu entendi...

— Então, está decidido. – Lilith falou, andando até ao lado Damon.

— Hã? O que está decidido?

— Não é óbvio? Não é só você que precisa ficar mais forte. Todos nós iremos entrar nessa!

Sim. Não foi só Damon que sofreu uma derrota dura e humilhante. Silver, Lilith, assim como todos os seus amigos em companheiros. Todos, sem exceções, sentiram pela primeira vez o desespero real.

Exato. Não é só Damon que recuperou sua forte convicção. Todos estão animados. E então ele deu aquele sorriso dele de sempre.

— Então, está fechado! Vamos todos dar o nosso melhor. – Damon fechou o punho e esticou seu braço até seus amigos. Os Dez Apóstolos.

— Isso aí! – Todos então fizeram o mesmo, em um círculo formado. Atena sorria ao observar. Era isso. Essa era a resposta.

— Irmão...?

Damon olhou para trás, assim como os demais, e viu Daisy, já melhor, preocupada. De pé, a garotinha de apenas 11 anos de idade, esfregava seus olhos com remela, sonolenta ainda. Seus pequeninos olhos, de coloração azul bem clarinha como o mais limpo céu, estavam com algum excesso de lágrimas provocados pelo seu ato de bocejar.

Damon lembrou. Essa é sua razão de viver. Essa pequena e inofensiva menina que ele tanto ama, sua irmã mais nova. Seu tesouro único. Era pra isso que ele precisava ficar mais forte.

— Daisy... – Disse um irmão mais velho aliviado por ver sua irmã recuperada. Ela então abriu melhor seus olhos e o viu enfaixado.

— O que houve com você irmão? Por que está desse jeito?

Se tinha algo em que Daisy era espetacular, mais ainda até que todos os dez ali, era sua alta capacidade de observação e sensibilidade. Os mínimos detalhes, ela sabia só de olhar para a pessoa. Não seria nada exagerado a chamar de prodígio. Para muitos ainda era cedo para ela. Mas o que vinha a seguir seria uma repentina mudança no curso das coisas.

— Ah, aconteceram umas coisas bem malucas! Depois eu explico melhor, e-!

— Isso não é justo. – Disse Daisy, interrompendo seu irmão – Você sempre mente sobre o que realmente acontece. 

— Haha. Ela pegou ele. – Atena murmurou, para si mesma, prendendo uma leve risada.

E sim, Damon sabia sobre esse ‘dom’ de Daisy. Bem superficialmente, na verdade não era uma certeza e sim uma ideia. É, Damon pensava que isso era algo pequeno, mas estava completamente equivocado.

E após essas palavras de Daisy, ele olhou sério para ela, com seu sorriso desaparecendo. Depois dessas palavras, ele percebeu finalmente que não podia enganar sua irmã mais nova.

— Assim como você fica preocupado comigo, eu fico preocupada com você também, irmão! Eu quero te ajudar no que for! Apenas isso...!

Daisy, 11 anos, cabelos longos que chegam à sua cintura, escuro, com parca tonalidade de vinho escuro. Olhos tão azuis quanto o céu da Grécia. A filha mais nova do Rei dos Deuses, Zeus. A irmã mais nova de Damon. Em suas palavras, a preocupação. Para Damon, era como se fosse uma luz de esperança se reacendendo em seu coração.

Damon andou até a ainda sonolenta e preocupada irmã mais nova. Ele sabe, não pode esconder nada dela. Então, dentro de si, ele fez uma promessa. Não iria mais esconder. Ele viu que isso era fútil e só a deixava mais preocupada. Ele sabia. Assim como Daisy era a razão de viver de Damon, o contrário também era correto.

O irmão, cinco anos mais velho, se agachou e fez um cafuné na cabeça de Daisy, como sempre fez. Era meio que uma marca. Algo corriqueiro que servia para acalentar a pequena e indefesa garotinha.

— Desculpe se te deixei preocupado. Prometo que conto tudo depois. 

O sorriso sincero de Damon fez todas as preocupações de Daisy sumirem. Ela então deu um sorriso que fez a desconfiança de Damon sumir também. Um completava ao outro.

— Seus filhos cresceram, meu irmão. – Poseidon disse, de braços cruzados acompanhando o momento, para Zeus.

— Sim. Eles são uma ótima dupla. Isso acelera as coisas...

Essa última colocação de Zeus... Era o que ele esperava. O Rei dos Deuses andou até Damon e Daisy que o olharam ao mesmo tempo.

— Papai! – Ela exclamou feliz ao ver Zeus após acordar. Todos ainda estavam ali e o deus fez questão que fazer o que iria fazer.

— Damon. Esse será um dos assuntos que tenho para resolver. – Disse Zeus, levantando sua mão direita e abrindo sua palma, para o lado direito.

— Hein...?

Um brilho dourado tomou forma ao ar. Daisy olhou como se fosse um tesouro encontrado por um humano normal. Seus olhos brilhavam. Até Atena ficou ansiosa para ver o que estava acontecendo. E, quando todos prenderam a respiração e se preparam... uma lâmina totalmente dourada apareceu na mão direita de Zeus. Em sua bainha de apoio, um símbolo de ‘X’ que dava marca à arma. Ele a segurou com as duas mãos e em seguida a bainha, dourada com detalhes e adornos em azul escuro, apareceu e guardou a lâmina.

— Daisy, minha filha. Essa Arma Divina agora é de sua posse. – Todos arregalaram os olhos – É a Soraken. Use-a com sabedoria.

 Não era sonho, não era mentira. Zeus estava dando à Daisy, 11 anos, uma Arma Divina. Todos ficaram incrédulos com o momento no Olimpo. Até Atena ficou de boca aberta. Damon parou por um segundo, sem entender nada. O que Zeus queria com isso?

A Soraken. Do japonês, a união das palavras ‘Sora’ (Céu) e ‘Ken’ (Espada). A Espada do Céu. Ela desceu lentamente, como uma pena largada do alto e foi até as mãos dela. Os olhos de Daisy brilhavam enquanto ela segurava sua primeira arma.

— Uaaaaaaaaaaaaahhh! Obrigada papai!!! – Ela comemorou com os olhos brilhando.

— Daisy ganhou... Uma Arma Divina!?! – Ninguém parecia acreditar em tal façanha. Damon, porém, deu um sorriso.

— Você conseguiu!

— Sim!

“Mas para meu pai ter dado uma Arma Divina para a Daisy, isso é...”

Ela era muito nova! Isso é o que todos pensavam. Uma garotinha inofensiva de apenas 11 anos. Se a ideia de Zeus era fazer ela se tornar uma guerreira, isso estava fora de cogitação. Pelo menos por enquanto.

— Mas... Ela vai ser parte de nós agora? – Perguntou Chloe, receiosa.

— Não tão rápido assim, filha. Ela precisa de treinamento. 

Chloe podia sentir o reiki dos seres vivos com mais clareza e facilidade que qualquer um de seus amigos ali. O reiki de Daisy mal era de Nível Alpha. Só era por causa de seu sangue divino que corre por suas veias. E apenas isso, não muda nada. O reiki de Daisy nem se compara a eles. Ela precisaria de muito treinamento mesmo para ao menos alcança-los. E isso não é de um dia ou um mês para o outro. Requer algo fora de cogitação. E para uma garota de 11 anos, sim, isso parecia impossível.

— Eu ficarei encarregado de treina-la. Você também pode deixar ela treinar conosco, certo velhote?

— Não. – Zeus disse, quebrando totalmente Damon.

— Que!?! Por que?!

— Daisy treinará comigo também. Mas você terá um treinamento separado ao dela. – Zeus afirmou. Damon então ficou em silêncio sem saber o porquê.

— Muito bem, com tudo resolvido, irei me retirar. – Disse o Deus dos Mares. Silver se encaminhou com ele.

— Da próxima vez, vamos vencer! – Disse Silver, mostrando o punho cerrado para Damon, que devolveu.

— Claro! Tratem de ficar mais fortes! Não quero deixar vocês para trás!

— Quem vai ficar para trás aqui é você! – Disse Grey batendo os punhos

— Até mais, pessoal! – Grey e Elaine também se despediram. Meade, Brandt e Arthur foram os primeiros a ir.

— Tchau, tchau, pessoal! – Disse Daisy, acenando para todos com um sorriso.

Ela segurava, melhor, abraçava com a mão esquerda sua arma. Damon viu e deu um leve sorriso. Todos então se foram. 

Por Sora | 15/01/18 às 14:26 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Romance, Brasileira, Magia, Drama, Comédia, Shounen