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236º Mito - Sabedoria Mortal

Epopeia do Fim (EDF)

236º Mito - Sabedoria Mortal

Autor: Sora

A segunda fase do Torneio Divino, a primeira do ‘mata-mata’, ‘oitavas-de-finais’, finalmente havia começado após o Festival Cultual aos Deuses. E a primeira batalha das quatro que englobavam o primeiro dia dessa fase, Julie e Chloe, versus, Yasmin e Marie, teve seu início. O começo foi equilibrado, mesmo que a segunda dupla, principalmente Marie, tivesse tomado a iniciativa. Porém...

— Yasminyan. – Marie chamou sua companheira, virando sua cabeça lentamente para ela, com seu olhar ainda mais assustador – Acho que vou usar aquilo que o Chess me deu permissão, agora. Fique aqui na retaguarda, está bem?!

— Análise: Precisamos achar uma maneira de anular a velocidade gritante dela, e-. – Antes que pudesse complementar sua frase, Julie sentiu uma dor gritante no lado direito de sua barriga e arregalou seus olhos, apenas sentindo o calor desprovido de seu sangue, que escorreu lentamente até gotejar no chão.

Chloe olhou lentamente para onde estava sua irmã, com olhos trêmulos e boquiaberta. Uma faca kukri estava cravada na barriga da garota e, em seguida, foi removida com força por Marie, que já estava ali sem que as duas percebessem. Julie acabou perdendo a força e caindo no chão. Todos da arquibancada e as duplas dos Apóstolos originais que acompanhavam, ficaram abismados.

— JULIE!!! – Chloe gritou e o mesmo ecoou pela arena inteira em um silêncio esmagador. Ela atacou Marie, que desviou e recuou, em seguida segurando um pequeno pano que tirou de sua roupa e colocou na ferida de Julie, que logo transbordou em um tom carmesim – Julie, fique comigo!

— Por favorzinho, lutem um pouco mais! – Marie exclamou, segurando suas duas facas com um sorriso aterrorizante no rosto. E seus olhos cianos... eles estavam com uma espécie de xis vermelho-escuro no centro – Quero cortar ainda mais vocês... hihi!

— O que é aquilo... nos olhos dela...?! – A irmã de cabelo roxo se perguntou, rangendo os dentes enquanto observava.

— Pelos deuses... – Helena, das arquibancadas, murmurou abismada. Ao seu lado, Daisy estava com as duas mãos na boca e os olhos azuis totalmente trêmulos. Angel mantinha uma expressão mais focada, com olhos semicerrados.

— Mesmo com meus olhos, é difícil de acompanhar os movimentos dessa garota, já que eles são muito instintivos e aleatórios... – A garota de cabelo ciano e olhos dourados comentou.

— Juliezinha... Chloezinha... – Daisy, em seguida, cruzou suas mãos, como se orasse pelas duas. E, surpreendentemente em sua mente, a personificação Písti fez o mesmo.

Olhos do Assassino... – Yasmin murmurou, pela primeira vez demonstrando certo controle sobre suas emoções e falando sem aquela forma acuada e amedrontada de sempre. Porém, apenas ela pôde escutar sua própria voz – Uma magia assustadora que permite ver os pontos vitais e principais internos de seu adversário...

— Irmã... não se preocupe comigo... – Julie falou, com dificuldades, enquanto voltava a pelo menos sentar no chão – Eu já... estou bem...

— Você não está nada bem! Se continuar assim, não vai poder mais lutar por perder muito sangue! – Chloe exclamou, já ficando nervosa com a situação de sua irmã.

— Então... irei resolver isso... – Julie, ainda tremulando, puxou uma flecha de suas costas e a mesma tomou uma forma estranha; a ponta dela ficou com uma forma parecida com... fogo – Depois disso... iremos vencer.

— Julie, o que você...? – Chloe murmurou quando viu sua irmã colocando seu reiki na flecha, que a fez acender em uma cor alaranjada e soltou fumaça. Ela sentiu uma pontada de dor em sua mão, que queimava, mas, aguentou e começou a mover a flecha superquente em direção a sua ferida – Ei, não me diga que...! – Antes que Chloe pudesse completar, ela tocou a flecha em sua ferida e segurou o grito de uma dor insuportável que a fazia tremer e suar frio.

Na parte de cima, onde as duplas estavam observando, Lilith e Elaine ficaram sem reação, inclusive os garotos. Até mesmo do lado de outras duplas a reação foi de surpresa e espanto.

— Ela é masoquista...? – Marie murmurou, de forma um tanto cômica, mas, observando com um sorriso ainda mais aterrorizante – Então posso cortá-la mais, né?! NÉ?!

“Você não vai mais nos tocar...”, Julie falou mentalmente e Chloe pôde escutar, ficando boquiaberta. Em seguida, Julie removeu a flecha quente de sua ferida cicatrizada e, de alguma forma, com sangue já estancado (apesar da dor continuar sendo gritante) e colocou-a em seu arco, já mirando nas duas garotas adversárias.

— Melancholía!! – O grito dela chamou sua personificação, que já sabia o que fazer. As marcas da Transmutação pegaram toda a parte esquerda de seu corpo, com um bom foco naquela ferida cauterizada, que a fez segurar a dor. E, em seguida, Julie pôde reunir melhor seu reiki e... – LANÇA-CHAMAS!!

O tiro saiu com uma velocidade insana que nem deu tempo de reação para Marie e Yasmin; as duas apenas puderam sentir o calor próximo, sucedido de uma enorme explosão de fogo alaranjado que tomou conta de boa parte da Arena de Olímpia e deixou a plateia totalmente assustada.

Após alguns minutos queimando em chamas, um novo vendaval que veio da Arma Divina de Yasmin desfez totalmente o alto fogo da magia de Julie, que já forçava para se erguer novamente, mesmo com a intensa dor pós-cauterização.

Marie e Yasmin ficaram com leves queimaduras em algumas partes do corpo, as deixando ofegantes e sentindo a ardência percorrer essas mesmas áreas. A garotinha de cabelo azul-escuro estalou a língua com o ocorrido e preparou-se para uma nova investida com seus Kukris da Morte. Entretanto, flocos parecidos com neve, porém, dourados, começaram a cair encurralando as duas. Chloe estava de pé.

— Desvie, Mariezinha!! – Yasmin rapidamente percebeu e a garotinha usou de toda sua agilidade e velocidade para desviar dos Esporos de Luz da filha de Atena e, ao mesmo tempo, ir para cima das duas irmãs. Julie ainda estava se recuperando.

— Pode vir... – A garota de cabelo roxo murmurou, tentando prever de alguma forma os movimentos instintivos e aleatórios de Marie, que já estava quase cara a cara com ela, com seus Olhos do Assassino já ativados.

— Morra!! – Marie não sorria mais, porém, seus olhos cianos com um xis vermelho-escuro estavam completamente arregalados. Ela girou com suas duas facas e preparou seu golpe – Dança Mortal!! – Com um giro incrível, ela parecia ter virada um rolo compressor cortante, que deixou Chloe sem reação.

A garota apenas colocou sua lança em frente ao seu corpo e começou a defender o giro mortal da garotinha que começava a empurrá-la para trás conforme ia acelerando e colocando mais força em seu golpe. Chloe se segurava como podia, tentando manter a insana Marie onde estava, mas cada vez mais ia perdendo espaço para o golpe incrível da garotinha.

— Tsc! – Entretanto, Marie parou repentinamente seu golpe e girou suas duas facas, que começaram a emanar um fogo escuro, deixando Chloe em alerta – Corte Infernal!! – Marie tentou dois cortes simultâneos em Chloe, que mais uma vez conseguiu defender, porém, sofreu um médio corte em seu braço esquerdo, que fez sangue jorrar e a jogou para trás.

“Ela está impaciente agora...”, pensou a garota, quando Marie mal pisou no chão e já pegou novo impulso para ataca-la... porém, ela deu um sorriso que deixou Marie hesitante por um singelo segundo, o suficiente para Chloe se jogar para o chão caindo de costas e revelar sua irmã, Julie, com uma flecha preparada e apontada certeiramente na insígnia que a garotinha carregava em seu peito direito.

Ela não podia interromper seu avanço, pois seus pés estavam ao ar, e tampouco forçar um desvio. Ou melhor, até poderia, mas seria praticamente impossível de se safar, já que Chloe estava com a mão direita em sua lança, preparada para um segundo ataque mesmo caindo de costas lentamente no chão.

“Essa não!!”, a garotinha pensou desesperadamente, porém, nem seu instinto poderia fazê-la escapar ilesa daquilo. E Julie apenas soltou a corda de seu arco carregado no limite, que acertou Marie e a jogou para trás em uma velocidade insana, a fazendo passar ao lado de Yasmin, com olhos arregalados de medo e colidir com a parede com uma força tremenda.

Segundos depois da cortina de fumaça se dissipar, foi revelado que Marie não ficou tão ferida assim, porém, sua insígnia lentamente se partiu em duas e caiu no chão. A garotinha caiu de joelhos no solo, com a insígnia destruída em sua frente, o que determinava sua eliminação da batalha. Agora, só restava Yasmin.

— M-Marie...zinha...? – A garota de cabelo rosa e olhos tão azuis que podiam ser confundidos com a cor de platina, murmurou sem entender o que havia acontecido naquele momento muito rápido. Marie podia ainda luta, porém, estava eliminada ao perder sua insígnia.

— Os participantes só poderão batalhar sem sua insígnia caso avancem de fase, entretanto... se a perderem durante sua própria batalha, não poderão mais fazê-lo. Portanto, da dupla Marie-Yasmin, a componente Marie está eliminada dessa luta! – Atena exclamou para todos escutarem, todavia, a torcida não deu aquele seu grito eufórico. O silêncio cortante seguia e abalava as estruturas da Arena de Olímpia.

Porém...

— Ugh... – Julie perdeu a força da Transmutação com Melancholía e voltou a cair no chão, sem mantendo de joelhos com a força que lhe restava. A garota de cabelo alvo ofegava e suava frio, tremulando seu corpo.

— Julie! Você está bem...?! – Chloe foi até sua irmã, que sentia a dor latejante da cauterização repentina que ela mesma fez em sua ferida provocada pela faca kukri de Marie. Foi melhor do que sangrar até desmaiar ou coisa pior, mas, ainda assim a dor de ter forçado uma flecha a quase 80ºC em uma ferida aberta quase lhe fazia perder os sentidos – Sua idiota, por que fez isso?!

— Resposta: Era a única maneira de vencê-la... aliás. – Julie olhou para Chloe e apontou para a remanescente da dupla adversária – Irmã, não temos tempo. Em breve você irá sentir a mesma dor que eu.

Chloe havia esquecido desse detalhe. Por serem “uma em duas”, se uma das irmãs era ferida em alguma parte do corpo, a outra sentiria a mesma dor dela alguns minutos depois. E já haviam se passado quase cinco desde que Julie foi alvejada por Marie, ou seja, a situação era duplamente pior; Chloe, em alguns minutos, sentiria o golpe de Marie e, logo em seguida, a dor da cauterização.

— É verdade, mas... não sei se conseguirei a tempo. – A de cabelo roxo se ergueu e voltou seu olhar para uma Yasmin que ainda estava em choque com o ocorrido com Marie, que nem mexeu um músculo desde que foi eliminada – Não... ela está em choque pela sua companheira ter saído. Posso usar essa chance...

“Eu... perdi...?!”, Marie, assim como sua dupla, seguia incrédula, com olhos arregalados e trêmulos enquanto olhava para a insígnia destruída em sua frente. “Eu fui descuidada... eu só queria...!”, a garotinha mordeu seu lábio inferior a ponto de cortá-lo e fazer o mesmo sangrar. Mas, impressionando a todos e até mesmo as duas irmãs, a garota de cabelo rosa totalmente amedrontada, andou lentamente até ela e a abraçou no chão.

— Yasmi...nyan...?

— Desculpe-me, Mariezinha. Não precisa ficar se culpando. – A garota sussurrou ao ouvido dela e, do alto, Chess abriu um sorriso satisfeito – Agora é minha vez... – Após acalmar as emoções da garotinha, Yasmin se ergueu do chão e girou, voltando a olhar para as gêmeas.

“Vou usar... e vencer!”, ela abriu os olhos azuis com força e isso deixou Chloe em alerta.

Φόβος… - Ela murmurou, quando de repente, um reiki diferente começou a preencher seu corpo. Em seguida, marcas da mesma cor de seus olhos subiram pela parte esquerda de seu rosto, fazendo não só Chloe e Julie, mas todos os Apóstolos, inclusive Angel e Daisy, arregalarem os olhos e ficarem boquiabertos.

— Mentira... isso só pode ser mentira...! – A garota de cabelo roxo murmurou, totalmente abismada com o que presenciava.

Φόβος, de pronúncia Fóvos. O ‘Medo’... – Chess murmurou, sorrindo mais ainda.

— Como assim...? Eles também possuem?! – Damon olhou para onde estavam as duplas dos “novos” Apóstolos, totalmente em êxtase como seus companheiros – Orgí!

Até eu estou assustado com isso... eu nunca havia ouvido falar que existiam mais personificações, além de nós e dos Imperadores... – Orgí respondeu, com uma gota de suor caindo por seu rosto.

— Não se assustem. – Chess novamente comentou, chamando a atenção dos oito – De fato, não existem outras personificações além das de vocês onze... e daqueles outros oito.

— Então... – Lilith nem conseguiu completar sua pergunta...

— Então, eu mesmo as criei. – Chess completou, como se respondesse à pergunta invisível de Lilith. Foi o suficiente para ninguém acreditar naquilo – Então, como explicar...? Bem, acho melhor vocês acompanharem com seus próprios olhos. – Ele voltou a olhar para Yasmin, que transbordava poder – Se houver uma forma de colocar, eu diria que não há uma personificação dentro da mente dela. A verdadeira personificação... é ela própria.

Nem mesmo as personificações dos Apóstolos puderam crer no que aquele garoto maluco dizia.

— Ela é... a própria personificação?! Isso é impossível!! – Silver não sabia o que dizer além disso; aliás, ninguém ali tinha outra coisa para falar.

— Eu apenas atribuí a eles os mesmos poderes de uma personificação como a de vocês. Não deixam de ser seres vivos, porém, com parcela de poderes de uma personificação. O que os torna “Personificações Materiais”. Sim, é uma boa colocação. – Chess seguia falando e sorrindo simultaneamente. Todos voltaram a olhar para a arena, onde Yasmin liberava bastante poder e fazia Chloe e Julie ficarem acuadas.

— Aquilo que aquele garoto disse é verdade...? Não dá nem para acreditar...! – A garota de cabelo roxo murmurou, segurando com mais força ainda sua Lança do Destino. Julie seguia caída no chão.

Realmente á algo inacreditável... – Armonía falou da mesma forma em seguida, na mente da filha ‘mais velha’ de Atena. De repente, Yasmin ergueu seu Arco do Firmamento, apontando para as duas e sacou uma flecha feita com seu próprio reiki no ar. Ela a colocou na corda e a puxou até o limite.

“Essa não! Se eu desviar, deixarei a Julie vulnerável!!”, ela olhou para trás e para frente freneticamente, pensando em como livrá-las do provável e poderoso ataque. A rajada de vento que estava em sua volta, foi praticamente jogada inteiramente para o seu arco e flecha, que depois de cinco segundos, atirou.

Vendaval... Eterno... – A garota falou pausadamente com uma entonação mais profunda e congelante e, ao invés do tiro ir normalmente na direção das irmãs... a flecha explodiu no próprio arco e provocou, como diz o próprio nome da magia, um vendaval insano na arena, encurralando as duas... e a todos os presentes ali.

Por Sora | 09/11/18 às 10:58 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Romance, Brasileira, Magia, Drama, Comédia, Shounen