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23º Mito - As Três Filhas de Fórcis

Epopeia do Fim (EDF)

23º Mito - As Três Filhas de Fórcis

Autor: Sora

Um dia depois – Criméia: 18h.

— Está muito... FRIO AQUIIII!!! – Tremendo, enquanto segurava seus braços com as mãos, eis Damon!

Eles agora estavam no País das Noite Eterna, Criméia. Já estava bem escuro por lá. A lua totalmente em sua fase cheia, brilhava como a neve e iluminava mais o local escuro. Quem estava ali com Damon eram Lilith, Chloe, Julie, Grey e Elaine. A ausência dos outros quatro não deveria ser um problema. Fora o fato de que a temperatura local media -10°C. Chloe suspirou, realmente sentindo o frio infernal (entendam como quiserem). 

— Droga, tomem aqui. – Todos então colocaram uma roupa de frio, que ela trouxe consigo, e ficaram mais quentes.

— Obrigada, Chloe! – Elaine agradeceu.

Para a sorte desses caras eles tinham alguém como Chloe com eles. Nada menos esperado da filha da Deusa da Sabedoria, Atena. Ela já sabia das adversidades que poderia encontrar em qualquer local do mundo, e uma dessas adversidades era o clima predominante dessas áreas. Ou seja, ela já sabia que ali, na Criméia, era bastante frio.

A essa hora, praticamente de noite, a variável de temperatura pode cair de -5°C para até -30°C no meio da madrugada, tendo sua variável mais alta de 12h até 16h, podendo sair de 5°C até, na melhor das hipóteses, 20°C.

Agora que estavam aquecidos, os seis andaram pelo local, coletando informações com os poucos moradores dali durante uma hora e meia. E nada. Agora, o horário já batia em 19h30 da noite. Os seis resolveram parar dentro de uma pequena cabana abandonada do local para ficarem um pouco mais aquecidos e descansarem. A nevasca parou, mas ainda seguia muito frio.

— Estamos aqui faz um tempo e nenhum sinal delas. – Afirmou Grey, usando sua magia de luz do sol para aquecer a todos, com suas luvas.

— Vamos ter que nos separar em duplas e procurá-las. – Disse Damon, analisando a situação e vendo que a nevasca havia cessado – Vão Julie e Chloe, Grey e Elaine. 

— Rápido...

— E-ei! – Lilith parecia não concordar muito e esbravejou – Por que eu sempre tenho que ficar com você?

— Isso é óbvio. – Damon começou a explicar. – Julie e Chloe treinaram juntas desde o começo, assim como Grey e Elaine. O trabalho em equipe deles é perfeito. E nós também lutamos contra meu pai juntos e fomos bem, então temos grupos equilibrados aqui.

— Tsc! Que droga...! – Mesmo que forçadamente, Lilith concordou, virando o rosto.

— Bom, então vamos andar rápido para terminar isso de uma vez. Tomem cuidado vocês. – Todos se levantaram ao mesmo tempo, pelo menos os que estavam sentados. – Nosso ponto de encontro é essa cabana. Se encontrarem alguma Górgona, lutem para matar. Então, vamos lá!

— Sim! – Os seis então, se separaram nas duplas ditas por Damon rapidamente, saindo da cabana.

E ficou assim: Damon e Lilith foram para o Norte, enquanto Julie e Chloe foram para o Sul. A Leste estava Grey e Elaine. Bom, uma hora e meia se passou e eles não encontraram nada. Agora seria diferente. Separar em duplas foi a melhor ideia de Damon.

 

***

 

[Sul...]

Na parte sul da Criméia, estavam as duas irmãs gêmeas, filhas de Atena. 17 anos cada – Chloe é a mais velha, Julie a mais nova – cabelos grandes e lisos, idênticos, uma de cor roxa e outra de cor branca. As duas andavam pelo local, que era o mais escuro da cidade.

— Será que deveríamos usar a nossa nova técnica com elas? – Chloe perguntou enquanto olhava para os arredores.

— Suposição: Acho que seria melhor usarmos contra os Imperadores da Escuridão, não acha? – Julie respondeu com uma pergunta, sempre inexpressiva. Mas sua irmã gêmea mais velha já estava habituada.

— É, também acho... mas temos uma desvantagem nessa batalha.  – Chloe e Julie olharam cada uma para um lado, e depois para o outro.

— Confirmação: O fato de que não podemos olhar diretamente para elas. 

Exato. As Górgonas, conhecidas também como As Três Filhas de Fórcis. Um monstro feroz, de aspecto feminino, com grandes presas. Tinham o poder de transformar todos que olhassem para elas em pedra. Filhas de Fórcis, uma divindade marinha, eram três:

Medusa, a “impetuosa”.

Esteno, a “que oprime”.

Euríale, a “dominadora”.

As Górgonas no passado, como a mãe, eram extremamente bonitas com cabelos invejáveis; todavia, eram desregradas e sem escrúpulos. Isso causou a revolta dos demais deuses, inclusive de Atena, que se admirou de ver que a beleza das Górgonas as fazia exatamente idêntica a elas.

Atena então, para não permitir que deusas iguais a ela demonstrassem um comportamento maligno, diferente do seu, deformou-lhes a aparência, determinada a diferenciar-se. Ela transformou seus lindos cachos em ninhos de serpentes letais e violentas, transformou seus belos dentes em presas de javalis, e fez com que seus pés e mãos macias se tornassem em bronze frio e pesado. Cobrindo suas peles com escamas douradas e para terminar, Atena condenou-as a transformar em pedra tudo aquilo que pudesse contemplar seus olhos. Assim, o belo olhar das Górgonas se transformou em algo perigoso.

Envergonhadas e desesperadas por seu infortúnio, as Górgonas fugiram para o Ocidente, e se esconderem na Criméia, conhecido como “O País da Noite Eterna”.

— E dentre todos nós, a melhor lutando de olhos fechados é a Lilith. – Disse Chloe – Vamos ter problemas se isso acontecer.

— Afirmação: Vai acontecer, não temos escolha. – Julie seguiu olhando para os lados – Solução: Vamos só cortar a cabeça dela o mais rápido possível. 

— Sim...

— Tem certeza que vão conseguir?!

De repente, uma estranha voz chamou a atenção das duas irmãs gêmeas que olharam para o lado esquerdo ao mesmo tempo. Julie e Chloe então receberam um ataque forte e sem precedentes. Elas se esquivaram e por sorte não olharam nos olhos da Górgona que estava na frente das duas...

— Alerta: Fixe o olhar na parte debaixo dela, irmã. – Julie disse, inexpressiva como sempre, porém com um tom cauteloso.

— Eu sei! – Chloe respondeu mais agitada, olhando para baixo. E então, ela apareceu. Uma das Três Filhas de Fórcis, aquela que oprime...

Esteno!

— Preparem-se para morrer, humanos! – Disse a Górgona com uma grotesca voz grave. Seus olhos eram perigosos...

— Merda! Como iremos-?!

— Tenyumi. – Julie interrompeu Chloe, sacando seu Arco Celestial de seu porta-arco.

A garota de cabelos brancos como a neve foi rápida em seu raciocínio. Ela simplesmente apontou para sua frente com a flecha carregada e...

— Você não vai acertar! – Esteno saiu da linha de mira de Julie. Porém...

— Consenso: Não se preocupe. Não é para te acertar.

— Hã?!

Julie apenas soltou a flecha super-rápida, que não acertou Esteno, mas provocou uma explosão em onda de luz cegadora, seguida de uma outra explosão em curta escala. A Górgona Esteno ficou cega com a explosão de luz.

— GAAAH!

— Ótima ideia, Julie! – Chloe se animou, pegando sua Arma Divina, a Lança do Destino, Sakiyari.

— SUAS MALDITAAAAS!!! – Esbravejou a Górgona, sem poder abrir os olhos. Esse era o plano de Julie. Evitar contato ocular.

— Palpite: Vamos acabar com isso.

— Ok! – A vantagem havia virado de lado.

Sem poder abrir os olhos, Esteno não podia usar seu olho petrificador. Ou seja, era a grande chance das duas acabarem com a Górgona de uma vez por todas. E não seria tão difícil assim, já que Esteno era a mais fraca das três.

Porém, o efeito do ataque de Julie não durava muito tempo. Era só um minuto. Então, elas precisavam fazer algo rapidamente!

— Vamos lá! – Chloe saltou e foi atacar Esteno com sua lança.

— Não vão não! – Esteno deu uma porrada fortíssima no chão com o punho esquerdo, fazendo parte do solo entrar em colapso.

O chão começou a criar gigantescas rachaduras fazendo Chloe e Julie recuarem por um momento.

— Essa não! O tempo! – A luz lentamente começou a ir embora. E então, Esteno abriu os olhos vagarosamente.

— Olá...!

— !! – Esteno abriu os olhos, sorrindo. Chloe e Julie fecharam os seus rapidamente. E então, Esteno preparou suas afiadas garras para atacar...

Uma nova reviravolta na batalha.

 

[Leste...]

— Ei, Elaine. Melhor não usarmos nossos novos poderes.

— Eu sei disso. 

Os dois que andavam pelo Leste da cidade eram Grey e Elaine, filhos de Apolo e Ártemis, respectivamente. A área onde os dois estavam ainda nevava um pouco, porém a neve caía lentamente.

— A única coisa que devemos ter cuidado é que não podemos olhar nos olhos dela...

— Bom, isso é-... – Os dois ficaram alertas assim que um barulho estranho foi escutado de repente... – Grey...

Mais rápido que o som, Grey e Elaine deram de frente com uma das Górgonas. Ela era gigante, maior que Esteno. Aquela que também é conhecida como a “dominadora”

Euríale!

— É... Parece que pegamos um peixe grande! – A Górgona era realmente enorme. Tanto na altura como a espessura do corpo – Não olhe em seus olhos!

— Eu sei disso! – Elaine rapidamente pegou a Hatsuki em sua cintura. A lâmina de incolor passou a ser predominantemente púrpura.

— Isso vai ser divertido...! – Grey também pegou sua Arma Divina, Taiyukuro. As luvas, assim como a lança de Elaine, de incolor ficou dourada.

Euríale observou a lâmina roxa em formato de “z” de Elaine.

— Essa lâmina... você tem alguma ligação com Ártemis?! – Euríale foi direta em sua pergunta, com uma voz mais grave que a de Esteno, o que impressionou Elaine.

— O que?! Você...

— Hm?

— Você conhece minha mãe?! – Elaine perguntou, uma gota de suor percorreu seu rosto, mesmo no frio da Criméia. Euríale então, arregalou seus olhos, totalmente surpresa. E depois abriu um sorriso amarelo e psicopata...

— Oh... Então você é a filha dela, é? – Euríale estalou os dedos de suas mãos/garras. Elaine deu um passo para trás. Grey então, entrou em sua frente.

— Se afaste. – O filho de Apolo preparou seu punho direito, o cerrando com força.

— Ora, ora. Saia da frente, senão irei te levar junto!

Elaine então deu um leve sorriso. Ela foi rápida e fincou sua lâmina púrpura no chão. Grey viu o que sua prima fez e apenas observou. Euríale ficou sem entender. Elaine então, fechou os seus olhos e...

— Eclipse!

E então, como mágica após a palavra de Elaine, tudo ao redor e ali ficou totalmente envolto à escuridão. Ninguém ali podia ver absolutamente nada. Era como se todas as fontes de luz fossem cortadas ao mesmo tempo.

— Hã?! – E quem reagiu à magia de Elaine foi Chloe, no sul da cidade!

— O que?! Não consigo ver!! – Esteno novamente ficou cega. Mas dessa vez, pior ainda. A escuridão densa não permitia a visão, nem que seja 1%!

— Avaliação: De alguma maneira isso nos ajudou. – Julie, sempre fria, calculou as medidas a serem tomadas e carregou seu arco novamente, liberando a pequena e solitária luz branca dentro da escuridão – Luz da Morte.

O tiro de Julie foi dessa vez mais forte que o anterior, e trouxe consigo um rastro de luz veloz dentro do escuro.

— O qu-!?!

E acertou Esteno, que nem pôde reagir. A explosão foi vista, uma luz, agora abrangente no meio da escuridão total. Já no Leste, Grey usou sua luz do sol com suas luvas para iluminar seu caminho até Euríale, que estava sem poder enxergar.

— Seus-! Onde estão!?! Apareçam! – Disse a Górgona, se revirando no meio da escuridão. Mesmo a fraca luz solar de Grey não a deixava capaz de enxergar os dois plenamente.

“É com você, Grey!”, pensou Elaine, de olhos fechados e concentrada para manter o Eclipse por mais tempo possível. Euríale de repente sentiu um pouco de calor ardente em suas costas. Quando ela olhou...

— Peguei! Punhos do Sol!

O soco de Grey foi com força máxima, acertando em cheio as costas da Górgona gigante, que cuspiu sangue com a força do impacto e foi lançada para frente. E não foi só forte, como também foi um golpe que queimou todas as escamas das costas dela, carbonizando as mesmas. Os Punhos do Sol, uma magia canalizada pelo ponto material, as luvas, misturado ao reiki de Grey, um reiki mais quente e bastante agressivo. Após seu soco, uma pequena espécie de explosão solar ocorreu e jogou Euríale para longe...

— Agora temos a vantagem...! – Ele sorria, cerrando seu punho para frente. Euríale estalou a língua.

Enquanto isso, ao [Norte].

— Parece que começaram. Está tudo escuro não dá pra ver nada! – Disse o garoto praticamente invisível na escuridão, mas que já sabemos muito bem quem é.

— Não se preocupe, eu cuido disso. – Respondeu a garota, também invisível no escuro, e também que já sabemos muito bem quem é – Ponha a mão em meu ombro. 

— Hein?! – Damon perguntou, parecendo não acreditar nas palavras de Lilith.

— Anda logo! Eu aperfeiçoei minha visão na escuridão, portanto não tem problema. Irei nos guiar por aqui.

—... – Bom, caro Damon, só lhe resta seguir essa rota, não é mesmo?

Ele então, depois de um leve tempo, colocou a mão no ombro esquerdo de Lilith. Como ela mesma disse, seu treinamento permitiu que sua visão no escuro fosse aperfeiçoada. Estava mais forte. Ela abriu os olhos, que brilharam em um vermelho puro e lapidado.

Os dois foram andando lentamente, enquanto mais algumas pequenas explosões de luz aconteciam ao redor da cidade. As batalhas das outras duas duplas – Julie e Chloe, Grey e Elaine – prosseguia. O resultado já estava previsto, mas o inesperado aconteceria exatamente... Sim, você já deve ter imaginado, não é?

 — Estou sentindo algo...! – Disse Lilith, parando de andar na hora. Damon parou junto e respondeu.

— Eu também...

Um breve momento de silêncio percorreu a total escuridão do local. Damon então, fechou seus olhos e começou a concentrar seu reiki, o usando como um rastreador, algo que o próprio treinou e aperfeiçoou. A sensação só foi ficando maior conforme os segundos passavam. De repente..

TUM TUM

O coração de Damon deu duas batidas estranhas e assimétricas. Era aquela sensação estranha novamente, dentro dele. Como se tivesse algo, ou até mesmo, alguém. Ele então, ficou ansioso. Só que algo o fez retornar. Sim, aquela sensação estranha que Lilith também tinha sentido. E se aproximou de forma rápida, fazendo Damon se esquecer dessa última sensação estranha dentro de seu corpo.

— CUIDADO! – Damon gritou e ao mesmo tempo empurrou Lilith com força para o chão.

— Uah! Damon!?! – Lilith apenas caiu e uma explosão ocorreu ao lado onde eles estavam. Damon não respondeu...

 Enquanto isso, Julie e Chloe já haviam derrotado Esteno. Com certa facilidade, sim. As duas estavam muito mais fortes graças ao treinamento bissemanal com sua mãe, Atena, e o restante com seu tio-avô, Hades.

— Graças a essa escuridão, isso foi demasiadamente rápido. – Disse Chloe, guardando sua lança, ainda sem enxergar nada.

Tudo foi possível graças aos ataques luminosos de Julie e a alta sensibilidade dela mesma. Isso ajudou as duas a derrotarem a primeira Górgona com extrema facilidade, afinal, Esteno era a mais fraca das três.

— Uma já foi. – Julie disse, guardando seu arco em seguida – Faltam duas. 

— Vamos encontrar o resto do pessoal e ajudar!

— Ok.

As duas irmãs então começaram a ir na direção onde os outros estavam. Chloe concentrou sua total sensibilidade para captar os reikis mais próximos. E os dois mais próximos eram exatamente Grey e Elaine, que seguiam sua batalha.

— Bem pensado Elaine... Mas eu não estou enxergando nada! – Exclamou Grey, com certa tristeza.

O seu ataque – Punhos do Sol – acertou em cheio a Górgona Euríale, porém não foi o suficiente. E ele ainda não havia dominado perfeitamente a iluminação solar para usar sem parar. A Górgona ainda estava perdida e muito fraca após o poderoso golpe de Grey. E então, Elaine aproveitou o momento.

— Então deixe que eu cuido disso, Grey!

— Hã? – Ele se perguntou, virando para ela. Mas ela não estava mais ali... – Elaine...?

— Droga... Seus maldit-! – Enquanto Euríale levantava, um som estranho de corte surgiu. E quando Grey viu...

Elaine sorrateiramente, como uma ninja, foi parar nas costas de Euríale e cortou sua cabeça com sua lâmina púrpura. Sim, bem simples assim.

— Pronto, está terminado. – Falou como se tivesse tirado um doce da boca de um bebê.

— Oh, essa foi rápida! – Grey ficou abismado com a facilidade de sua prima, que sorriu.

— Se não podemos olhar nos olhos dela, então temos que fazer com que ela não possa nos enxergar! – Elaine andou até a frente de Grey, que agora podia enxerga-la melhor com a iluminação de suas luvas.

— Bem pensado, bem pensado. Agora vamos para onde os outros estão!

— Claro!

— Mas, primeiro... – Grey ficou em silêncio por um momento, olhando para ela, que inclinou a cabeça. Só uns cinco segundos depois então que Elaine se tocou.

— Ah, tá certo! Eu esqueci! – Elaine então, fincou novamente sua lâmina no chão e tudo voltou ao normal.

A escuridão do Eclipse de Elaine havia sumido totalmente. Já era possível enxergar novamente. E graças a isso, Lilith abriu os olhos devagar, caída no chão, no norte da Criméia.

— D-Damon...?! – Lilith chamou por ele, se levantando do chão e olhando de um lado para o outro – A escuridão se foi... então onde ele está?

— Graças a esse garoto você foi salva. Que sorte a sua!

Lilith não olhou para o lado. Sabia que era uma Górgona. Sua voz era grave e grotesca, mais diferente e amedrontadora ainda das outras duas. Essa era a mais forte das três. Aquela que é conhecida como a “impetuosa”.

Medusa!

— Jigokuma... – Lilith falou bem baixo, para si mesma. Medusa só ouviu um murmúrio sem sentido, enquanto a garota de twintails vermelhos ficou parada.

— Hã?!

Em um movimento rápido, a foice de Lilith decepou o braço direito de Medusa. Sangue jorrou para os lados e tingiu o chão parcamente de um vermelho escuro. Como ela havia feito isso!?! Um ataque certeiro, sem ao menos demonstrar que ia fazê-lo. Não, nem é isso. Como ela não está petrificada ao ver Medusa e a atacar!?! A resposta viria logo na sequência.

 — SUA MALDITA HUMANA! COMO OUSA?!! – Gritou Medusa, super-nervosa com a perda precoce de seu braço. Era um grito grotesco, que perturbava os ouvidos.

— Oh, que déjà-vu. Há algumas semanas atrás eu ouvi as mesmas palavras de uma certa Sirena.

Lilith, de costas, se virou para Medusa, que arregalou seus olhos cinzas ao ver. A resposta era essa: Lilith atacou Medusa e estava de olhos fechados. Ela sorria.

— Maldita! Então foram vocês que derrotaram as Irmãs Rainhas? Eu não devia ter lhes subestimado...! Porém...! – Medusa disse, abrindo um sorriso, apesar de estar sem um braço.

— Porém...?

— Por que não está preocupada com seu parceiro?!

A pergunta com tom sarcástico de Medusa fez Lilith ficar sem reação por um momento. Realmente, onde estaria Damon? Ele disse que sentia algo estranho como ela, simplesmente a empurrou para o chão e... Cadê? Teria ele fugido, ou se escondido?

— Não preciso me preocupar com ele agora. Só você me interessa, e-!

Lilith paralisou totalmente ao ouvir um certo ruído peculiar. Ela ouviu aquele ruído e abriu os olhos lentamente, sem olhar para Medusa, que estava de olhos fechados rindo baixo. Era um som de... pedras. Pedras caindo ao chão, de pouco em pouco, como migalhas.

— Não me faça rir, garota!

Assim que Medusa abriu os olhos, Lilith os fechou rapidamente. Medusa então a atacou rapidamente, aproveitando o momento. Lilith esquivou, porém Medusa, como uma serpente, se rastejou rapidamente e derrubou Lilith com uma rasteira de sua cauda. Ela se levantou de forma rápida e se distanciou.

— Droga. Sua-!

Mais uma vez, Lilith parou sua exclamação. Pois ela, de repente tocou em algo com chapisco com seu braço direito.

— O que...?

Ela abriu novamente os olhos devagar e olhou para o lado direito, tentando não crer no que pensava. Mas a ficha caiu. Ela arregalou os olhos ao ver a cena. Seu coração começou a palpitar com mais velocidade e força que o normal. Sue solhos chegaram a tremer ao ver aquilo. Aquele som de pedra, aquela sensação de toque em chapisco...

Ela olhou para uma pessoa ao seu lado. Era Damon. Ele estava petrificado. Da cabeça aos pés.




Por Sora | 19/01/18 às 23:26 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Romance, Brasileira, Magia, Drama, Comédia, Shounen