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33º Mito - O Verdadeiro Começo

Epopeia do Fim (EDF)

33º Mito - O Verdadeiro Começo

Autor: Sora

Mais tarde naquele dia, por volta já de 19h10 da noite.

Todos os deuses haviam se reunido na grande sala dourada do Monte Olimpo. Damon e Daisy estavam no pátio, iluminados pela luz alaranjada do Sol que já se punha. Não chovia mais, por sinal, e o céu estava praticamente aberto, sem muitas nuvens. Era possível ver a lua cheia bem ao alto, começando a brilhar.

 Daisy estava quase dormindo na poltrona onde estava, enquanto Damon olhava para o horizonte laranja. De longe, mas bem longe, era possível ver quatro cavalos, bem pequenos vistos dali, porém gigantes caso vistos de perto. Era uma das áreas que os Dez Apóstolos nunca frequentaram. Atrás dos cavalos, uma ilha e logo atrás, uma montanha gigante, quase que do tamanho do Olimpo, talvez até maior...

“O que é aquilo ao horizonte...?”

Ele olhou para trás e viu Daisy, quase dormindo. E depois, olhou para baixo e remeteu os momentos em que teve uma reação estranha, como se alguém tentasse dominar seu corpo. Isso era bem estranho.

“Tenho que descobrir o que é isso. Mas sinto que agora não é a hora.”

 Daisy dormia como um bebezinho, quase que babando. Damon riu e foi até ela. Ele cutucou sua bochecha duas vezes, de leve, com o dedo indicador. Ela então, acordou sonolenta.

— Te acordei? Foi mal...

— Não... tudo... bem... Uaaaah...! – Ela bocejou por alguns segundos e parou, imóvel, com os olhinhos quase se fechando novamente.

— Você está realmente cansada.

— Deve ser por causa... das magias que usei. Eu ainda não consigo usar elas perfeitamente... em sequência, como usei. Acho que um pouco de descanso é... o suficiente para eu me recuperar. – Daisy explicou de forma simples, porém pausada pelo sono.

— Entendi. Mas por que o velhote falou para ficarmos aqui enquanto todos foram embora...? 

— Não sei...vou tirar um cochilo... me acorde depois... – Daisy se deitou e caiu no sono rapidamente mais uma vez. O sol já estava praticamente sumindo e o céu ficava mais escuro.  

Enquanto isso...

Então, a Reunião dos Deuses começou.

— Diga, irmão, por que nos chamou aqui de novo? Planeja ter novos filhos com mortais como antes?! – O Deus do Submundo, Hades, falava sempre com seu tom de voz robusto e irritado de sempre. E agora tinha até sido sarcástico.

— Nada disso, tio Hades. – Atena respondeu pelo seu pai, tomando as atenções – Vosso pai os chamou aqui para discutir sobre assuntos relacionados aos acontecimentos recentes.

— E quais assuntos são esses? – Hermes, jogando uma moeda para cima, perguntou.

— Ártemis. Seu relatório.

— Sim, irmã. – Ártemis se levantou e andou até a frente de todos...

A reunião continuou até a noite cair totalmente. Agora, já eram 20h10. Uma hora de reunião mais ou menos. Daisy seguia dormindo, enquanto Damon seguia pensativo e preocupado. Ele teria que ser cuidadoso já não sabia se ainda poderia confiar tanto em si a partir de agora.

E sobrepondo o silêncio do hall, uma porta se abriu e Atena veio para onde Damon e Daisy estavam. Ele olhou e se levantou de onde estava sentado, um pequeno banco branco.

— Já acabaram?!

— Sim, todos foram embora.

— Ué. Não vi ninguém passando aqui... Ah, deuses... – Damon lembrou, de forma cômica, que não se pode entender os Deuses Olímpicos. Atena deu uma leve risada com isso. Daisy em seguida acordou, levantou e foi até os dois, esfregando o olho esquerdo, mais sonolenta do que antes.

— Olá, irmã... – Sua voz falhou, demonstrando que tinha acabado de acordar de seu segundo cochilo.

— Daisy? Estava dormindo ali?

— Sim, ela precisa recuperar as forças que usou na luta. Mas vocês não deixaram a gente ir pra casa, então ela dormiu aqui mesmo. – Disse Damon, com um fraco tom de reclamação, olhando para sua irmã mais nova, que parou ao seu lado.

— Foi por uma boa razão, Damon. Porque... sua próxima missão está decidida. – Atena percebeu que Damon estava na bronca com a situação e respondeu, deixando seu irmão curioso.

— O que? Mas já?! E vai ser o que agora?! – Damon tomou toda sua atenção para a Deusa da Sabedoria, que deu um sorriso e respondeu...

— Você deve conhecer... A Ilha da Criação.

Damon parou e olhou mais a fundo para ela, com intuito de confirmar o que ouvia. Ele não conseguiu proferir uma palavra sequer por uns cinco segundos, mas depois do leve período de silêncio, ele perguntou.

— O que tem ela? – Damon perguntou com expressão e voz sérias.

— É lá que habitam as Irmãs do Destino. – E a deusa novamente foi direta. Ela não tinha emoção em seu olhar, parecia sua filha, Julie.

— Irmãs do Destino... As Moiras?

— Exato. Elas têm a capacidade de controlar o destino de tudo e todos no mundo. Nem mesmo os deuses são superiores a elas.

— Nem os deuses? Ela também controla o destino deles? E de nós também?!

— Sim. Porém, isso pode ser afetado de forma drástica.

— Por que...?

Atena fez um pouco de silêncio e deixou Damon em êxtase. E então, com um olhar firme e que não demonstrava insegurança ou mentira alguma, ela disse uma simples frase que fez a espinha de Damon congelar.

— Elas estão aliadas aos Imperadores da Escuridão.

Damon paralisou. Um calafrio subiu por seu corpo. Se as Moiras, que chamaremos aqui de Irmãs do Destino, determinassem que o destino de todos fosse a morte, elas determinariam na hora, sem contestações. Até mesmo para os Deuses Olímpicos. Sua supremacia perante eles era vista, mesmo que Damon não as conhecesse. Elas tinham o mundo todo na palma de suas mãos, segundo o que Atena detalhou.

Após pensar nisso tudo, Damon parou. Ele então, indagou uma frase incompleta.

— E isso significa que...

— Você está acompanhando bem. Eles planejam mudar o destino do mundo e exterminar o Monte Olimpo. – Atena, como se lesse a mente de seu irmão, respondeu.

— Mas espera. Por que elas iriam se aliar com eles?!

Damon entendia a situação e a posição de Irmãs do Destino, eles, deuses e os Imperadores da Escuridão. Sua pergunta levou em consideração todas essas informações.

Sim, elas não batiam. Se as Irmãs do Destino têm o destino de todos os seres vivos, incluindo os deuses, em mãos, então elas também tinham sobre os imperadores.

Ou seja, o que Atena falou podia fazer sentido. Mudar o destino do mundo e exterminar o Monte Olimpo era mamão com açúcar para elas. Foram elas que beneficiaram os deuses e determinaram sua vitória na Titanomaquia. Acabar com eles seria tirar doce da boca de uma criança, nenhum obstáculo teria.

Mas por que os Imperadores da Escuridão estariam com elas?

— Não sabemos sobre isso ainda, afinal isso é apenas uma boa hipótese. Mas não é só isso – Atena prosseguia, enquanto Damon observava atento – A Ilha da Criação é um conjunto em todo. As Irmãs do Destino não são o único problema. Há também as Fúrias. 

— Fúrias...? 

— Os que ainda não são aliados a elas, pelo que parece, são as Plêiades e as Musas. 

— ...

Damon ficou em silêncio, sua cabeça dava voltas e se entrelaçava com tudo isso. Daisy olhava para ele, agora pouco sonolenta, mais acordada. Ela ouviu a conversa toda, mas não disse absolutamente nada.

“Não é possível que a missão será a que estou pensando”, Damon pensou consigo mesmo. Mas a confirmação veio logo após isso...

— Parece que você já entendeu. Então vou dar a ordem direta em nome do vosso pai, Zeus. – Atena fechou e abriu seus olhos, e proclamou – Damon, Daisy e os Dez Apóstolos.

— Hã!?! Espe-!

— Vocês têm a missão de irem até a Ilha da Criação e matarem as Irmãs do Destino, antes que elas alterem o destino de todos.

— O que!?! – Damon e até mesmo Daisy arregalaram os olhos. Isso era...

— Essa missão será a mais difícil que vocês já tiveram. Entã-.

— ESPERA, ESPERA, ESPERA! Por que a Daisy tem que ir!?!

“Espera aí! Como assim, Atena!?!”. Isso beira o ápice da loucura. Por vários quesitos.

Primeiro, como assim matar as Irmãs do Destino? Você está certo se estiver pensando: Sim, isso é impossível.

Elas controlam o destino de todos, inclusive dos deuses. Assim que souberem que eles pretendem ir até lá e mata-las, elas irão fazer isso primeiro, é óbvio. É um ato suicida.

Segundo, Daisy. Uma pequena garotinha de apenas 11 anos. Não importa o quanto ela seja forte ou quanto seja um grande prodígio, leva-la é muito arriscado.

— Não posso? – Damon travou com a pergunta simples de Daisy. Atena sorriu sarcasticamente.

— Mas, Daisy...?

— Sabe que eu sempre quis ir em uma missão com vocês! Deixe-me ir! Eu posso lutar! – Os olhos de Daisy brilhavam. Nem parecia que estava dormindo agora pouco.

— Mas, espera um momento! – Damon exclamou – Atena, como iremos fazer isso?! Elas são superiores a deuses! Isso é algo impossível para nós mesmos!

— Sim, sabemos disso. – A resposta de Atena deixou Damon mais confuso ainda, ela seguia fria e calculista. Era inevitável que Damon lembrasse de Julie nesse momento.

— Mal conseguimos contra os Imperadores da Escuridão, que são só humanos normais até onde sabemos! – Ele seguiu – Olhe para a Elaine, ela perdeu a visão do olho esquerdo! E você diz que agora temos que matar seres que são mais fortes que os Deuses!?! Só pode ser piada, não é!?!

—... – Atena seguia em silêncio, enquanto Damon fazia suas ponderações.

— Claro que não aceito essa missão! Por que não vão vocês, afinal?! Teriam muito mais chances de fazer isso do que nós!

— É exatamente por isso... – Murmurou Atena, fazendo Damon se acalmar e ficar mais confuso ainda.

— O que?

— A razão de ter que ser vocês, é essa.

— Hã?! Como assim?! Eu ainda nã-!

Damon parou sua frase e arregalou os olhos ao perceber o motivo de Atena ter dito isso e dessa decisão ter sido tomada. Ele olhou para ela, com os olhos arregalados.

— Vejo que entendeu...

— Impossível... – Daisy olhou para o seu irmão, espantado. Atena continuou.

— Se fossem os deuses, teríamos mais chances, você acertou nesse ponto. Mas, graças a esse detalhe, elas não hesitariam em reagir.

Exatamente. As Irmãs do Destino saberiam que os deuses iriam para mata-las, e assim, elas acabariam dando um fim ao destino deles antes disso para se prevenir. Um game over certeiro. Mas, com os Dez Apóstolos, isso seria diferente.

As Irmãs do Destino decidiram a vitória dos deuses sobre os Titãs na Titanomaquia. Elas estavam entediadas desde então. E Atena sabia disso afinal...

Se fossem os Dez Apóstolos, para elas, não seria nenhum perigo a ser considerado. Ou seja, por mais que as chances fossem pequenas, ainda teriam chances. Essa era a diferença.

— Então, elas iriam nos subestimar, pensando que não seríamos páreo para sobreviver aos monstros e as Fúrias... E iriam nos deixar continuar?

— Esse é meu irmão! – Atena disse, dando uma tapinha em seu ombro.

— Mas, elas podem estar sabendo disso que estamos falando agora e podem agir diferente.

— Não se preocupe. Elas não estão. – Atena disse, sem falhar.

— Como sabe disso? Elas estão um nível acima até mesmo de vocês.

— Por isso, estamos aproveitando disso. – Disse Atena. Damon deu uma risada presa.

— Nossa, vocês pensaram em tudo, hein?!

— O destino do mundo todo e do Olimpo está em jogo. Precisamos de vocês agora. – Damon suspirou e olhou para cima, colocando as mãos na cintura.

— Aaaaah, que merda! Nessa hora queria estar dormindo tranquilamente, mas parece que não tem jeito...! Ok, iremos fazer isso. – Damon respondeu, com um sorriso de escárnio, porém com uma gota de suor escorrendo por seu rosto.

— Muito bem então! Ah, Daisy também vai, não é? – Atena fez a pergunta e o sorriso dele sumiu.

— Daisy...? – Damon olhou para ela pensativo e suspirou rapidamente – Ah... Está bem....

— Sério?!

— Sim, mas falamos sobre isso depois. Irmã, mais alguma coisa...?

— Não. Todos já devem estar avisados. Não precisa se preocupar. – Atena realmente planejou tudo com antecedência, como esperado da Deusa da Sabedoria. Lembrar disso de novo, fez Damon dar uma nova risada.

— Então vamos para casa nos preparar Daisy. Estamos a algumas horas de cometer o ato mais suicida de nossas vidas, portato vamos aproveita um pouco mais. – Ele falou com um novo sorriso de mais escárnio ainda.

— Siiiim! Mas não precisa falar assim, irmão!

E ali, por um momento, enquanto Damon e Daisy se preparavam para voltar para casa, Atena pareceu meio insegura. Ela abriu seus olhos de forma estranha e ficou um pouco boquiaberta, até que...

— Espere... – Ela esticou o braço direito levemente, como se tentasse alcança-los. Damon e Daisy se viraram ouvindo seu murmúrio.

— Hm? O que foi? – Atena deu uma recuada.

— Ah, esqueça. Não é nada demais... – Ela sorriu pra Damon e Daisy.

— Está bem então. Segure firme, irmãzinha...

— Sim!

Ele pegou Daisy no colo, como sempre fez, e pulou do Olimpo, como sempre fez também. Atena apenas olhou, com uma expressão preocupada. Esse era mesmo o certo a se fazer...?

— O que você está pensando, pai...? – A deusa perguntou ao ar, enquanto observava o horizonte já escurecido.

 

***

 

Panteão do Sol e da Lua. Por volta de 20h da noite.

— Estou entrando, Elaine.

Grey, o filho de Apolo, de cabelo loiro um pouco escuro entrou no quarto de Elaine, filha de Ártemis, sua prima, cabelo curto com dois giros na nuca, de cor azul, que estava sentada em uma cadeira de madeira, olhando para a lua da pequena janela dali. Ela o olhou e abriu um pequeno sorriso.

— Olá, Grey. Veio falar sobre a nova missão?

A pergunta dela fez Grey ficar surpreso. Bem, sua expressão dizia tudo, mas ainda assim foi uma surpresa.

Elaine e Grey, assim como todos os Dez Apóstolos já tinham sido notificados sobre a próxima missão, a mais difícil de suas vidas com toda a certeza. Após a conversa com Atena, Damon aceitou a loucura e os outros não podiam dar para trás, afinal o destino de tudo e todos – no Olimpo e no mundo – estava em jogo aqui.

Ele então suspirou e voltou-se a responder à pergunta de Elaine com outra pergunta:

— Você... tem certeza que quer ir?

 Seu tom claramente demonstrava preocupação. Não era o menos esperado, pelo contrário. Após a batalha na Criméia e as consequências que ela teve, era o pensamento normal a se ter nessa situação.

E essa seria uma missão quase que impossível de ser vencida, e isso eles sabiam muito bem. Logo após suas quatro primeiras grandes missões, essa vem em seguida. E da pior forma... afinal pela primeira vez, o mundo estava na mão desses dez.

— Por que essa pergunta, Grey?

O garoto hesitou em responder. Ele não sabia o que fazer, mas queria manter, de algum jeito, Elaine fora disso. Seria mais arriscado, mais perigoso, com menores chances de sucesso.

Ir até a Ilha da Criação, encarar monstros desconhecidos e fortes por eles até então, além de possivelmente enfrentar as temidas Fúrias e as Irmãs do Destino, além dos Imperadores da Escuridão, tudo ao mesmo tempo, na mesma missão. Um somatório cruel.

Teriam eles alguma, nem que seja pouca, chance de saírem vivos disso? Era isso que Grey pensava, e não só ele. Obviamente tudo isso passou pela cabeça de todos os outros. Mas...

— Não precisa se preocupar! Vamos conseguir completar essa missão juntos! – Elaine respondeu.

Grey olhou para ela. A confiança de Elaine, mesmo após perder a visão de seu olho esquerdo, era inabalável. Ela, mesmo que tenha vencido, perdeu muita coisa ali. Mas ainda assim, mantinha o sorriso no rosto. E talvez essa fosse a resposta que Grey, subconscientemente procurava.

Aquilo que Elaine tinha, que fortalecia sua confiança. Era isso que Grey precisava, para sorrir sarcasticamente para si mesmo, abaixando a cabeça. Sim. Por mais que fosse impossível, por mais que as chances fossem poucas, ainda assim...

— O que eu tenho na cabeça...? É claro que vamos! – Respondeu animado dessa vez, assim como ela. Esse Grey, um garoto que tem ganancia por desafios, que pode até ser assemelhado com Damon nessa parte. Elaine sorriu mais ainda de volta.

De fininho, atrás da fresta da porta um pouco entreaberta, Ártemis observava sorrindo. Porém a sua expressão logo se tornou de preocupação. Ela sabia também, mais do que eles, o perigo que os esperava...

Por Sora | 26/01/18 às 19:07 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Romance, Brasileira, Magia, Drama, Comédia, Shounen