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34º Mito - Único Caminho

Epopeia do Fim (EDF)

34º Mito - Único Caminho

Autor: Sora

Submundo.

Lilith estava sentada a beira do Rio Estige, ou Rio das Almas, onde todas as almas caem e vão com seu passaporte de ida apenas para o reino de Hades. Ela observava as almas de pessoas que acabaram de deixar seus corpos, flutuando pelo rio, indo para a porta de entrada do reino dos mortos.

— Pobrezinhos... – Murmurou a garota de cabelo vermelho com twintails, com um olhar de pena. Foi quando, uma mulher se aproximou por trás dela furtivamente.

— Olá, filha! – A mulher apertou, com as duas mãos, as partes laterais da barriga de Lilith, fazendo ela sentir um nervoso que a fez...

— KYAAAH!! – ...dar um pulo para trás, gritando – QUEM FO-!?! – Ela já foi com o punho cerrado, mas parou na hora que viu a responsável pela brincadeira. Perséfone, Deusa das Flores e Rainha do Submundo. Esposa de Hades, mãe de Lilith.

— Mãe...?! O que foi?! – Lilith se acalmou, suspirando, mas ainda falava com um tom mais rústico.

— Não é nada. Apenas quero passar um tempo com minha filha, que tal?!

— Mas precisava disso?! Sabe que eu não gosto...!

— Ok, desculpe, desculpe. Não foi a intenção...!

Lilith voltou a se sentar na beira do Rio das Almas, levemente fazendo bico. Perséfone a acompanhou e sentou do seu lado. As duas observavam o caminho das almas condenadas pelo rio.

O silêncio se estabeleceu ali por um certo momento. Só era possível ouvir as almas suplicando, enquanto eram arrastadas e sugadas para o reino de Hades. Foi quando Perséfone olhou para Lilith, depois para frente, e a chamou.

— Lilith?

— O que foi...? – Lilith olhou para sua mãe, que seguia olhando em direção reta.

— Você gosta de alguém?

Silêncio...

A pergunta de Perséfone foi tão inesperada e “do nada” que fez Lilith corar na hora e ficar sem reação. A deusa olhou para sua filha, com uma expressão sorridente. De repente, essa expressão mudou, como se Perséfone indagasse Lilith a responder. Mas ela seguia sorrindo, mesmo assim.

— Hein?! – Perséfone indagou ainda mais, com uma espécie de segunda pergunta.

— C-Como assim, g-gostar de alg-guém!?!?!

Lilith gaguejava de tão nervosa que estava. Mas Perséfone não entendia o motivo de sua filha estar tão assim, desse jeito, apenas por essa perguntinha curiosa e simples.

— Oras. Você sabe, ué! Gostar de alguém é quando a pessoa-!

— Eu sei o que é gostar de alguém! – Lilith interrompeu a explicação de sua mãe, com um grito, totalmente – ou quase – envergonhada.

— Hahaha! Filha, você não engana sua mãe! Você está toda vermelha! – Perséfone soltou uma leve risada.

Lilith queria morrer. Ela tentava esconder sua vergonha – sabe se lá o motivo – e manter-se normal, mas não conseguia.

— Aaaaah mãe!! Por que esse assunto do nada!?! Aliás, não vai perguntar sobre a nossa nova missão?!

— Ah, sei. Eu já sei o que vocês precisam fazer. Só que...

Com sucesso, senhorita Lilith! Perséfone ficou meio perplexa com isso e logo seu sorriso sumiu, alternando para uma expressão bem mais séria e preocupada. A garota de twintails vermelhos deixou de ficar corada como um tomate e mudou também sua expressão, sentindo a preocupação da deusa.

— O que houve? – A filha de Hades perguntou, olhando para sua mãe, que voltou a sorrir ao perceber a preocupação dela.

— Não é nada! – A deusa acariciou a cabeça de sua filha, que ficou com as bochechas rosadas, um ato acalentador.

— Você não está preocupada...? 

— E por que eu ficaria? Só de você estar junta deles já alivia minha preocupação!

Não parecia, mas Perséfone confiava muito nos amigos de Lilith, os Dez Apóstolos. Eram pessoas que protegiam Lilith, assim como ela os protegia também. Talvez essa seria a garantia dela de que tudo daria certo, de que eles passariam por esse desafio insano.

— Tem razão...

— Sabe, de todos ali, você e Damon são os que mais combinam! – Lilith, então, voltou a ficar corada. Talvez, dessa vez com razão.

— A-A-ATÉ VOCÊ MÃE!?! – O grito dela foi estremecedor e pôde ser escutado até mesmo por seu pai, que estava administrando a chegada das diversas almas pelo rio.

— Hm? Não sou a única que acha isso?! Hahahahaha! – A risada de Perséfone era leve e solta, o que deixava Lilith mais indefesa ainda.

— Não ria! – Sua voz deu uma vacilada e pareceu a de um bebê indefeso.

— Ok, ok, haha! Você fica mais forte perto dele, isso é fato!

Lilith estava no ápice da vergonha. Mas sua mãe tinha bastante da razão, Damon foi o primeiro amigo que sua filha teve na infância. O laço que os dois compartilhavam com certeza era maior e mais forte que com os demais. Não que isso fosse algo ruim, pelo contrário.

Apesar das constantes birras e brigas sem noção – e cômicas – dos dois, eles confiavam um ao outro como irmãos de sangue, ou até mais que isso...

— M-Mãe... 

— Não precisa ficar assim. Estou indo.

— ...

Lilith apenas ficou em silêncio, de cabeça baixa, sem olhar para a deusa, que se levantou. Ela foi andando para voltar a seus aposentos, quando parou e deu uma última fitada em sua filha, que seguia observando o rio.

— Até mais, filha. Trate de se preparar bastante para a missão nova!

Perséfone saiu e deixou Lilith ali, como estava. A garota parecia estar querendo entrar dentro de um casulo, de tão retraída que se encontrava. Ela encolheu suas pernas, ficando em posição fetal, escondendo parcialmente seu rosto sob os joelhos, cobertos por uma grande meia preta-transparente.

— Mais forte... – Ela murmurou para si mesma, com os fortes olhos vermelho-rubi brilhando.

 

***

 

— Irmão? O que houve?

— Hã?!

Casa de Damon e Daisy, Cidade de Olímpia. O irmão mais velho que olhava para o nada, ou para algo desconhecido, estava pensativo. Mas sua atenta irmã mais nova, o novo prodígio entre os deuses e semideuses o "acordou" de seu transe eterno, na sala de estar. Ela estava com duas pequenas xícaras de porcelana em suas mãos, com chá que a própria garotinha fez.

— Nada, nada demais! Foi mal. – Damon pegou uma das xícaras e deu um gole rápido.

— E então...?

— Está bom, como sempre. – Ele respondeu, com um sorriso.

— Obrigada! – Daisy então, sorrindo, tomou um gole de seu chá também. Damon deu mais um, e parou, olhando pensativo novamente para baixo.

— Ei, Daisy. 

— Hm? O que foi? – A garotinha notou o tom de voz diferente de seu irmão e o olhou, preocupada.

— Você sabe que como seu irmão mais velho, eu me preocupo com sua segurança. – Ele fava com um tom sério, olhando para a xícara.

— Eu sei, irmão. 

Parecia que Daisy estava acompanhando detalhadamente, o que fez Damon se livrar de explicações mais complexas. Sua irmã realmente havia tido um crescimento exponencial gigantesco. Ele então, se pôs a ir direto ao assunto.

— Se as Moiras e as Fúrias estão com os Imperadores da Escuridão, então eles também estão na Ilha da Criação.

— Uhum. – Ela apenas assentia, tomando seu chá.

— Lembra de quando eu disse que te contaria o que aconteceu na missão da floresta? Então, agora eu vou te contar algumas coisas que precisa saber antes de ter total certeza de que quer ir conosco.

Damon seguia com a expressão séria, mas parecia se aprofundar cada vez mais. Daisy estava da mesma forma. Para uma criança de apenas 11 anos de idade, manter esse nível de compostura era algo que ninguém, nem mesmo os deuses imaginariam. Ela então, apenas respondeu:

—Está bem...

— Estamos mais fortes agora. Mas antes disso eu pude enfrentar um deles, como eu já disse. Pra ser direto e sincero, na verdade foi líder.

Damon prosseguiu sem rodeios, enquanto Daisy escutava atentamente, absorvendo até os mínimos detalhes. A altíssima capacidade de observação e sensibilidade. Esse era seu dom.

— A diferença é gigantesca. Mesmo agora, não tenho total certeza se posso derrotá-lo. Elaine também perdeu a visão do olho esquerdo em uma batalha contra uma deles na última missão. – Daisy pôde perceber a hesitação e a dor nas últimas palavras de Damon.

— Então foi por isso...

— Sim. Eles são perigosos. Sua sede de sangue é o ápice da loucura. – Damon disse, ao lembrar de Keith e seus, no mínimo, dois primeiros encontros.

Mas ele também não pôde deixar de lembrar... daquele que realmente o deixava inquieto. Era algo, ou alguém, que estava dentro de si mesmo. Uma sensação que se aumentava e alastrava mais e mais, conforme o tempo passava. A sede de sangue era igual...

— Mesmo assim eu vou. – Daisy respondeu rapidamente. Damon olhou para ela, que estava com um olhar convicto e um sorriso inabalável. Ele então, esqueceu todos os problemas e pensamentos complicados e voltou a sorrir levemente.

— Se é assim então eu, seu irmão mais velho, irei dar a minha vida para te proteger. – Damon disse, como se fosse um juramento para Deus – Apenas não se esforce demais.

— Sim! – Daisy ficou animada. Damon terminou de tomar seu chá e se levantou da cadeira onde estava sentado.

— Então vamos descansar. Amanhã iremos partir...!

— Vamos, irmão!

Os dois deram as mãos e foram para o quarto, para descansar e se preparar para um dos dias mais loucos e insanos de suas vidas...

 

***

 

Monte Olimpo, mesmo dia, já perto das 23h30 da noite.

— Todos estão avisados e irão partir amanhã para a Ilha da Criação. Creio que Apolo irá transportá-los até lá.

— Muito bom...

Na sala do trono no Monte Olimpo, estavam Atena e seu pai, o Rei dos Deuses, Zeus. Os dois conversavam sobre as considerações e decisões finais para a missão da Ilha da Criação.

— Mais alguma coisa, meu pai?

— Não, por hoje está tudo encerrado. – Zeus mexia em sua longa barba que lembravam muito nuvens. Ou eram, não se sabia.

— Então, se me dá licença.

Atena se curvou, em reverência, se virou e foi andando até a porta gigante da sala principal de Zeus, que apenas observou. Assim que saiu da sala, ela viu seu irmão, Hermes, encostado em uma pilastra de braços cruzados.

Seu sorriso sarcástico podia ser detectado à milhas de distância. Atena observou por um tempo, sem demonstrar absolutamente nada. Ela não se dava bem com o Mensageiro dos Deuses, nem um pouco. E ele a atiçava exatamente por saber desse fato.

— O que faz aqui ainda? – Atena perguntou, com um semblante normal, porém com um tom de voz totalmente ríspido.

— Não é nada demais. Apenas vim me despedir de minha adorada irmãzinha. – O tom de Hermes era totalmente pintado em ironia e sarcasmo.

— Você e seu sarcasmo. Isso pode acabar se virando contra você... apenas um conselho. – Atena devolveu com um olhar cortante enquanto andava. Ela parou atrás dele.

— Ah, muito obrigado pelo conselho, minha adorada irmã. Estou grato. 

— Se o aceitou, vá para sua casa. 

— Ilha da Criação...

Atena parou. Uma veia pulou em sua cabeça, coisa rara de acontecer. Hermes sentiu a fúria de sua irmã mais velha quase explodindo e tratou de prosseguir:

 — É um lugar perigoso. Quem diria que vocês mandariam os novatos irem até o Templo de Láquesis. E ainda tem o Hecatônquiros...

— Não me tire do sério agora, Hermes. – Atena se virou se preparando para confrontá-lo, mas seu irmão tinha sumido.

— Bom, vamos ver até onde vai a capacidade deles... – A voz do deus ecoou no pátio, como se fosse falado na mente dela. Atena olhou por um tempo e continuou em frente, já mais calma agora.

 

***

 

Finalmente, o dia seguinte. Monte Olimpo, por volta de 11h20 da manhã. O sol iluminava a cidade e a montanha mais alta do mundo, sob o céu azul e limpo, com poucas nuvens. Não fazia tão calor, graças ao clima ameno de outono.

Os Dez Apóstolos estavam reunidos no pátio principal do Olimpo. Daisy estava com eles. Seria sua primeira missão oficial junto com seu irmão e seus amigos, e logo a mais difícil missão seria a sua primeira...

Além deles, ali estavam os deuses Apolo, Poseidon, Dionísio e Zeus – é claro –, além das deusas Atena, Perséfone, Afrodite e Ártemis.

Hermes também estava ali, encostado na parede, com seu sorriso de sempre. Outra deusa que ali estava também era Íris, a Deusa do Arco-íris, também conhecida como a Mensageira dos Deuses – apesar de Hermes ter a posição mais assegurada.

Mesmo assim, a deusa, que tinha longos cabelos alvos como a neve e um sorriso encantador, era companheira fiel dos demais deuses e detinha sua posição e respeito, por mais que não fosse filha de Zeus. Sua moradia era no Olimpo, mas ela não aparecia muito. Essa era uma das raras ocasiões que ela se mostrava e os Dez Apóstolos pouco a conheciam, com a exceção de Damon e Daisy.

Apolo estava preparado para transporta-los até a ilha. Várias carruagens do Sol apareceram e pararam ali, uma ao lado da outra. Damon olhou para Daisy, que devolveu com um sorriso confiante. Ele então tomou fôlego e se virou para todos os nove que ali estavam, devidamente preparados.

— Muito bem. Essa é a missão mais difícil que já tivemos. Temos adversários insanos no nosso caminho. Pode parecer impossível, eu sei... porém não iremos falhar, de jeito nenhum!

— Claro!

— Sim, sim.

Todos estavam calmos e tranquilos. Ambos cresceram, estavam mais fortes. Damon prosseguiu, fechando seus olhos.

— Mas, essa é a última chance. Se algum de vocês estiver com medo ou não estiver confiante e quiser abandonar a missão... a hora é agora. – Ele olhou para cada um com firmeza. Por mais que estivessem aflitos e soubessem que poderia ser uma viagem sem retorno...

Todos ali permaneceram.

— Fico contente em saber que todos estão nessa, como sempre. – Damon deu um leve sorriso. Todos devolveram. Ele então, deu seu último suspiro – Fúrias... Moiras... Imperadores da Escuridão... Iremos esmaga-los com tudo que temos. Nós iremos juntos e voltaremos juntos, sem exceções! E iremos concluir a missão com sucesso, retornando ao Olimpo clamando a vitória...! 

As palavras de Damon motivaram a todos que vibraram. Os deuses e Atena apenas observaram...

Estava para começar, a missão mais difícil de suas vidas...

Por Sora | 26/01/18 às 19:08 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Romance, Brasileira, Magia, Drama, Comédia, Shounen