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48º Mito - Prólogo das Irmãs

Epopeia do Fim (EDF)

48º Mito - Prólogo das Irmãs

Autor: Sora

Certa vez, me fizeram uma simples e singela pergunta:

Você acredita em algo como ‘destino’?

Parece uma pergunta fácil de ser respondida, mas não é. 

Será que é plausível acreditar em destino? Aquilo que é geralmente concebido como uma sucessão inevitável de acontecimentos relacionadas a uma possível ‘ordem cósmica’?

Portanto, seguindo essa concepção, o destino conduz a vida de acordo com uma ordem natural, da qual nada pode escapar.

Sorte, maldição, fatalismo, magia, superstição.

Todas essas ‘crenças’ são situações com relações de casualidade que não podem se mostrar de forma racional ou empírica. Mas, se não pode se mostrar dessa forma, como poderia responder essas perguntas...?

 

Todas as nossas ações seriam premeditas pelo ‘destino’?

E as consequências também?

Será que tudo na vida é ‘obra do destino’?

Todos os acontecimentos, todos os fatos, tragédias e etc.?

Na vida, somos apenas marionetes, onde o destino seria o único e inevitável caminho?

Faço então a mesma pergunta que, certa vez, me fizeram: Você acredita em algo como ‘destino’?

 

***

 

As paredes do templo eram preenchidas pela cor dourada com detalhes prateados. A Roda da Fortuna girava incansavelmente, produzindo mais e mais Fios do Destino, enquanto duas mãos pequenas e simetricamente esculpidas para tal tarefa, tecia e criava os fios de cor tênue.

A pequena garota com seu quimono de cor rosa-claro florido, com uma faixa branca na cintura, parecia dançar sobre os incontáveis fios. Ela tinha um curtinho cabelo ruivo, sua pele alva como a neve.

Seus olhos tinham cor verde brilhante, como duas bonitas esmeraldas. Uma pequena faixa pintada em verde-claro se estendia por seus olhos.

A jovem garota – talvez com uns 1,57cm de altura – flutuava graciosamente. Ela era a líder de suas irmãs. A responsável por tecer os Fios do Destino.

Ela era Cloto.

— IRMÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃ!!!!!!! – O grito animado de uma mulher mais velha ecoou sobre a sala, mas não fez Cloto se virar para dar sua atenção. Porém, ela ainda assim ouvia.

A mulher flutuava, mas – sabe-se lá como – ela conseguiu tropeçar em um fio pendendo pela sala e capotou, batendo de cara no chão de forma engraçada. Mas isso não foi o suficiente para Cloto se virar ou ao menos rir.

Ela era maior que Cloto, usava um vestido igualmente de cor rosa-claro e florido como o quimono de sua irmã. Ela possuía olhos verdes também e a mesma faixa pequena pintada em verde-claro pelos olhos. Seu cabelo era volumoso como duas ondas para as laterais de cor ruiva.

Essa era Láquesis.

— POR QUE TEM EXATAMENTE UM FIO PENDENDO POR AQUI!?!

— O que foi, Láquesis? Não grite, está atrapalhando. Aliás, por que não está trabalhando?

Enquanto o trabalho de Cloto era tecer os Fios do Destino, o de Láquesis era fiá-los.

Em resumo, ela era quem decidia o destino dos seres-vivos.

— Irmã, você não sabe da última!

— Os Dez Apóstolos enfrentaram os Imperadores da Escuridão e agora chegaram às Musas, correto? – A seca e rápida resposta de Cloto fez o ânimo de Láquesis murchar feito um balão de hélio sendo esvaziado.

— Aaah... Assim não dá! Mas, teve algo que eu realmente não entendi!

— O que?

— O fato daquela Daisy ter encontrado o Museion antes. Não era para ser ela... – A revelação de Láquesis finalmente fez Cloto parar.

Láquesis estava controlando o destino tanto dos Dez Apóstolos como dos Imperadores da Escuridão por diversão própria.

Após decidirem a vitória dos deuses sobre os Titãs na Titanomaquia – chamada pelas três por ironia de ‘Grande Guerra’ – nada mais de interessante aconteceu. O tédio estremeceu sobre o Templo dos Destinos, principalmente sobre Láquesis.

Ela queria um passatempo. Queria novas emoções, como teve com a guerra que durou 10 anos. Era só isso.

Por isso ela está fazendo isso. Controlando a todos como suas marionetes de uma história já definida. Láquesis daria todos os desafios para os Dez Apóstolos e todos os benefícios para os Imperadores da Escuridão. E no fim, todos morreriam.

Simples. Era esse seu planinho para sua diversão própria. E esse seria o fim. Mas então, algo que nem mesmo ela esperava aconteceu.

— Como assim, Láquesis?

— Ué, quem era para encontrar o Museion primeiro era o próprio Damon. Mas foi Daisy quem encontrou.

Museion. O templo sagrado das Nove Musas, chamado também de Câmara das Musas.

— Hm... – Cloto suspirou. Diferente de Láquesis, ela já esperava por isso, de alguma forma...

— Você... acha que Átropos fez algo?!

— Eu não fiz nada, se você pensa assim.

Átropos, a última das irmãs apareceu atrás de Láquesis. Seu cabelo era grande que chegava quase a cintura, também de cor ruiva. Suas características – cor dos olhos e a faixa pintada – eram as mesmas de Cloto e Láquesis. Porém, elas eram escondidas por seu capuz negro.

Ela era a responsável por cortar os Fios do Destino. Era Átropos quem dava o fim à vida dos seres vivos.

Ela chegou por trás de Láquesis que a olhou com olhos cerrados, desconfiada.

— Ah, é mesmo? Então por que o destino que dei a eles, foi revirado assim, dessa forma?! – Láquesis perguntou, impaciente.

— Não faço a mínima ideia. – Respondeu Átropos, sacando sua pequena faca sem maiores enrolações.

Era como uma adaga que era usada para cortar os fios e dar o fim à vida dos seres vivos.

— Irmã... o que você acha disso?!

Cloto ficou em silêncio por um tempo, quando parou em um certo ponto e abaixou suas mãos, deixando de tocar os fios que paralisaram a Roda da Fortuna. Ela pensou um pouco com um momento de silêncio.

— Láquesis.

— S-Sim?!

— Você está controlando eles especialmente desde quando mesmo...?

— Hmmmm. Se não me engano, desde depois da missão deles no Deserto das Almas Perdidas. – Láquesis respondeu, fechando os olhos.

— Tudo até aqui aconteceu conforme você predisse?

— Sim...

— Então, essa é a primeira vez que algo assim acontece?

— Sim...

Após ter as suas perguntas respondidas diretamente, Cloto deu um leve sorriso, que nem suas irmãs puderam perceber. Ela então, finalmente se virou para as duas, que pararam e observaram sua irmã.

— Continue do jeito que está, Láquesis.

— Hein?! Como assim, Cloto?! Você sabe de algo?!

— Não, eu não sei. Por isso estou falando para que você prossiga assim, sem mudanças. – Tanto Láquesis quanto Átropos ficaram caladas. Cloto tinha a convicção firme em seu olhar esmeraldino.

— Cloto... o que está pensando?! – Perguntou Láquesis, desconfiada. Isso raramente acontecia com ela.

— Estou pensando que isso possa ficar mais interessante do que você previu, minha irmã... – Cloto se voltou novamente aos Fios do Destino – Não se preocupe. Voltem para seus trabalhos.

— ...

Em silêncio, sem contestar, Láquesis e Átropos voltaram para suas respectivas funções. Fiar e cortar os fios. Cloto seguia tecendo mais. Era quase indecifrável, mas era possível ver seu leve sorriso.

Láquesis olhou para os fios que ela tanto controlava de forma especial para sua diversão. A dúvida não saía de sua cabeça.

“Contornar o destino... Que interessante”

Cloto sorriu ao pensar nessa hipótese. E a prova era aquela.

Algo improvável aconteceu. A diversão de Láquesis agora começava a contagiá-la.

E o que aconteceria a partir de agora deixaria tudo mais impressionante...

 

***

 

— Esse destino será meu...

A noite caía pela Ilha da Criação. O céu estava rosado, já sendo tomado parcialmente por um tom mais escuro, as estrelas começavam a tomar forma e a pulsar com mais frenesi.

Os Hecatônquiros.

O gigante filho de Cronos com cem mãos e cinquenta cabeças. Um dia, ajudou Zeus e os deuses na Titanomaquia contra os Titãs; hoje, aprisionado pelas Fúrias e servindo de prisão para aqueles que são punidos por elas.

Quem senta sob o luar em formação, no alto de uma grande construção de pedra dentro dessa prisão em forma de labirinto é um garoto de cabelo verde escuro, bagunçado com pontas cuneiformes nas laterais.

Ele segurava uma peça de xadrez feita de pedra, o ‘rei’. Ele brincava com a peça em suas mãos, sorrindo como um maníaco faminto por sangue...

Esse era Keith, líder dos Imperadores da Escuridão.

— Xeque... – Ele apontou a peça do ‘rei’ e a colocou de frente para a lua em sua visão.

Xeque. Quer dizer que o ‘rei inimigo’ está em perigo, uma ameaça real que leva ao fim da partida: o ‘xeque-mate’. Keith estava com o ‘xeque’ em suas mãos.

Ele se aliou às Fúrias, aquelas que punem os mortais, as melhores aliadas que ele podia conseguir, para assim, dominar o destino. Dominar as Irmãs do Destino...

Esse era seu objetivo.

— Keith, retornamos. – Keith não se virou. A voz feminina deleitou-se sobre suas costas informando o retorno dos três.

Uma tinha cabelo vermelho em dois tons. Superiormente, um vermelho radiante, nas quedas até os peitos e por trás, amarrados de forma bem fina, um vermelho mais escuro, seus olhos eram igualmente vermelhos.

Ao lado direito dela, um garoto de cabelo grande e volumoso, totalmente cinza, seus olhos apresentavam a cor marrom, quase que semelhante a cor do barro.

E do lado esquerdo, um outro garoto com cabelo bagunçado de cor roxo bem chamativo até, seus olhos apresentavam uma cor verde bem clara, que combinava com seu sorriso descontraído.

Hazel, Dante e Dirk, respectivamente, os últimos três que “sobraram” dos Imperadores da Escuridão.

— Hm.. E onde está o outro? – Keith, ainda brincando com o ‘rei’ em sua mão, perguntou.

— Miles foi derrotado. Pelo que parece, ele não sobreviveu. – Dante respondeu e Keith, mesmo assim, seguiu sorrindo.

— Ah, é mesmo? Que pena... – Ele se levantou, ainda de costas para os três – As baixas foram... inesperadas, digamos assim. Que bom que conseguimos trazer as Fúrias para nosso lado.

— ... – Os três apenas puderam observar e escutar em silêncio. Pela primeira vez, eles não demonstravam nada além de ansiedade. Eles estavam estranhos e inquietos.

Algo anormal para ambos, visto os acontecimentos até aqui.

— Vamos continuar. Mas, antes eu irei fazer uma coisa...

...

Depois de alguns minutos – 15 para ser mais preciso – Keith, Hazel, Dirk e Dante chegaram à morada das Fúrias, mais precisamente, o local de descanso de Alecto.

— O que você quer a essa hora, Keith? Já te demos a passagem para o Palácio dos Destinos sem precisar passar pelas Plêiades. – Alecto disse, com um tom de irritação.

A Fúria era assustadora, seu vestido negro que fazia pequenas ‘nuvens’ aos pés, cobrindo-os totalmente, demonstrava o terror que era ficar em sua presença.

— Alecto, eu sei disso. – Keith soou irônico e isso fez Alecto pular uma veia na testa.

— Keith. Estamos aliados e tal. Mas isso não te dá o direito de falar desse jeito perante a mim...! – Alecto cerrou os olhos. Dirk chegou a recuar com essa ação.

— Eu irei para as Irmãs em breve. Mas antes, quero pedir algo a você... não, a vocês três. – Keith afirmou, fazendo Alecto voltar ao normal.

— E o que seria?

— Preciso que reúna elas.

— Desembucha, pirralho. O que você quer?!

Keith abriu um sorriso tão maléfico quanto insano e isso fez os três atrás dele sentirem o ar diferente e pesado emanando. Alecto, porém, apenas achou isso interessante. Ela olhou séria para ele, que apenas respondeu.

— Eu cansei de brincar. Está na hora de pôr um fim nesse carrossel...! – Disse Keith, com seu sorriso assustador. Seus olhos, um de cor castanho-escuro e outro de cor laranja-escuro, brilhavam...

Por Sora | 26/02/18 às 21:12 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Romance, Brasileira, Magia, Drama, Comédia, Shounen