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49º Mito - As Nove Musas

Epopeia do Fim (EDF)

49º Mito - As Nove Musas

Autor: Sora

— Então, qual de vocês passará pela extrema dor da recuperação de memória?

Estamos no Museion, o templo das Musas. Ali estão os Dez Apóstolos que acabaram de sair de uma intensa eclosão com os Imperadores da Escuridão.

Grey acabou com a raça de Miles com sua Arte Secreta dos Deuses. Elaine perdeu suas memórias.

À frente dos dois, duas das Nove Musas.

A primeira, a que recebeu os onze, com um lindo cabelo liso e sedoso de cor esmeralda brilhante, a líder de todas as nove divindades, Calíope da Eloquência.

A outra, com um olhar poderoso, cabelo de cor bronze e olhos da mesma cor, fisionomicamente igual a sua irmã mais velha, aquela que representa a História como um todo: Cilo.

Os olhos cor de bronze da Musa brilhavam enquanto olhavam para os onze que estavam ali, atrás de Calíope.

— O-O que...?! – Grey pegou na mão de Elaine, que recuava com medo. Os dois se olharam.

— Não fique com medo.

Ele sorria. Ela, por algum motivo, sentiu-se mais calma após as palavras de Grey. Ele então a trouxe até a frente de Cilo, passando pelos seus companheiros que abriam passagem.

— Aqui está ela. Você realmente trará suas memórias de volta? – Cilo a observou com intensidade e profundidade no olhar. Elaine parecia hipnotizada ao trocar olhares com a Musa.

— Não sei. Vai depender da força de vontade dela. – Cilo respondeu, se virando para os outros.

— O que?!

— Eu apenas vou dar o primeiro "impulso". O resto será com ela.

Cilo, então, voltou a olhar para Elaine, dessa vez se aproximando mais de seu rosto. A garota deu um passo para trás, ficando ainda mais hipnotizada.

Os olhos cor de bronze da Musa brilhavam, quase se tornando um dourado mais escuro. Cilo foi adentro nas memórias perdidas de Elaine. Ela então, deu um suspiro e se ergueu novamente.

— E então? – Calíope, sorrindo, perguntou.

— Entendi. Ela não perdeu de fato as memórias. – A revelação de Cilo fez todos ficarem impressionados, principalmente Grey.

— Como assim? – Mas foi Damon quem deu um passo à frente e perguntou.

— Seria correto dizer que elas estão aprisionadas. Como se houvesse um bloqueio.

— Aprisionadas... – Grey abaixou a cabeça e pensou.

— Muito bem, vou precisar que todos saiam. Só podem ficar no máximo dois aqui. – Cilo falou. Ou seja, Elaine e mais duas pessoas ficariam.

— Ok, eu fico. – Grey disse rapidamente, ficando ao lado de Elaine que o olhou.

— Bom, a outra pesso-.

— Eu vou ficar. – Lilith deu um passo à frente também, interrompendo Damon.

— Você?!

— Sim, afinal somos bastante amigas. Se ela precisar de ajuda, eu estarei aqui!

— Então, vamos fazer o que Cilo pediu. Ainda tenho algumas coisas para falar com vocês. – Disse Calíope, saindo junto com os outros. Damon olhou para trás antes de sair e disse:

— Ok. Boa sorte, Elaine. – Damon estendeu o punho. Elaine respondeu lentamente e tocou no punho dele com o seu – Você vai sair dessa! – Completou sorrindo.

— Isso pode demorar um pouco. Não voltem aqui até acabar o processo.  – Cilo terminou de avisar.

Calíope então levou todos para fora da sala. Apenas ficaram Lilith, Grey e Elaine, com Cilo...

A porta se fechou e o som reverberou-se pela sala infestada de livros inteira. Cilo preparou o palco para a recuperação de memória de Elaine.

Ela desenhou com uma espécie de pó branco um círculo com frases e padrões geométricos complexos. Elaine estava ao centro do círculo com Grey e Lilith do lado dela.

— Bom, vamos começar logo. Vocês dois, segurem as mãos dela. 

— Hm?! Assim?

Grey segurou a mão esquerda e Lilith a direita, ao mesmo tempo, Elaine não entendia nada. Cilo chegou à frente do círculo e estendeu sua mão direita na direção dos três. Ela fechou os olhos e começou a murmurar frases inaudíveis, como uma reza para Deus.

De repente, uma luz branca começou a sair do círculo e das frases e dos padrões geométricos.

— O que?!

Elaine se assustou, mas foi contida por Grey e Lilith que também estavam aflitos. Uma luz surgiu por de baixo de Elaine, e apenas dela. Então, um clarão que provavelmente quebrou a barreira do som, percorreu a sala inteira.

— AAAAAAAAAH!!! – A filha de Ártemis começou a gritar, olhando para cima, como se uma dor extrema invadisse seu corpo.

— O que é isso?! – Grey perguntou, preocupado. Apenas ela estava sendo afetada.

— O ciclo está começando! – Respondeu Cilo, enquanto se aproximava e estendia a mão sob a testa da filha de Ártemis. Ela tocou sua mão na testa de Elaine que havia parado de gritar, mas estava contorcida para cima, flutuando!

 — Ela vai entrar em um estado de transe total. Vocês dois fechem os olhos e se concentrem!

Grey e Lilith fizeram exatamente o que Cilo ordenou e fecharam os olhos. Elaine então voltou a gritar de dor.

Do lado de fora, os outros ouviram tudo que estava acontecendo, em frente à porta.

— Elinha... – Daisy murmurou, preocupada. Damon colocou sua mão sobre o ombro dela, dizendo silenciosamente que tudo ficaria bem.

— O que está acontecendo lá?

— O ciclo está prestes a começar. – Calíope respondeu à pergunta de Damon. Ela prosseguiu – Mnemotécnica. A técnica da estimulação de memórias.

Mnemotécnica, a habilidade passada à Cilo por sua mãe, a Titânide da Memória, Mnemósine, consistia em buscar as memórias perdidas ou bloqueadas – até mesmo corrompidas – de um ser vivo.

Cilo iria desfazer a magia de Miles e iria estimular a cognição de Elaine para, assim, libertar suas memórias bloqueadas. Porém, esse processo não seria tão simples. Era como um desafio para a própria Elaine.

— Não se preocupem. Deixem isso com Cilo. Vou levar vocês até o jardim. – Falou Calíope, seguindo em frente.

— Tem um jardim aqui? – Meade perguntou, surpreso. O local não aparentava ser tão grande e espaçoso do lado de fora.

— Sim. Algumas de minhas irmãs são donas dele, assim como Cilo é a dona daquela câmara. – A Musa explicou.

Todos seguiram em frente pelo corredor escuro, seguindo Calíope. Até que um forte raio de luz fez Damon e os outros colocarem a mão sobre o rosto graças à mudança repentina de iluminação.

Quando suas pupilas finalmente se acostumaram após alguns segundos, eles olharam melhor e arregalaram os olhos, impressionados.

— Bem-vindos ao Jardim das Musas.

Era um jardim muito bonito, os oito se sentiram no próprio Jardim das Hespérides, local dos Pomos de Ouro, ao olhar para o jardim dentro do Museion. Borboletas voavam, plantas e flores nasciam. Tudo era vivo ali.

No centro, havia uma espécie de fonte de água mais transparente e limpa que um cristal puro. A brisa leve que batia no jardim fazia as energias dos filhos dos deuses serem revigoradas. Era como o próprio paraíso.

— Aaaaaaah! Que lindo! – Os olhos de Daisy brilhavam.

— Realmente é incrível... – Murmurou Chloe – Quem iria imaginar que haveria algo assim mesmo na Ilha da Criação... – Ela completou, em seguida, Calíope sorriu.

Daisy começou a dar voltas pelo jardim, correndo e rodopiando feito uma criancinha. E em um de seus rodopios, ela bateu de frente com uma pessoa.

— Ai! – Daisy e mais uma pessoa remoeram em coro. A garotinha colocou a mão na cabeça e olhou para baixo.

— Q-Quem é v-você? – A voz trêmula, porém encantadora chamou a atenção de Daisy.

— Hã?

Ela levantou a cabeça e viu uma mulher igual à Calíope e Cilo. Porém, tanto seu longo e sedoso cabelo, quanto seus olhos eram de uma cor ciano brilhante. Muito linda, a garota que tinha uma roupa bem reveladora, se acuou e escondeu seu rosto por um momento.

— E-Eu...

— Essa é uma de minhas irmãs, Euterpe. – Calíope se aproximou das duas, seguida dos outros.

Essa linda garota, menor que Calíope, era Euterpe, Musa que representava a música.

— Irmã Calíope... Q-Quem são esses? – Euterpe perguntou com uma voz bem fininha e tímida.

— Eles são os Dez Apóstolos, nossos convidados de hoje.

— Mas... M-Mas só t-tem... O-Oi... to... – Euterpe estava nervosa e corada. Provavelmente de que era tímida. Provavelmente não, com certeza era.

— Ah, os outros três estão com Cilo.

— Irmã Cilo...? A-Alguém perdeu as m-memórias?

— Sim. Por isso ela vai ajudá-los. Enquanto isso estou mostrando o lugar para eles e os levando à Urânia.

“Urânia...?”, se perguntaram, ao mesmo tempo, Damon, Chloe e Silver.

— E-Entendi... – Euterpe olhou para baixo, dando um leve sorriso.

— Hmmm. – De repente, Damon estava perto. Do nada, ele com a mão direita sob o queixo se aproximou de Euterpe, a observando. Ela ficou vermelha e deu um pequeno salto para trás com a surpresa e o susto, escondendo o rosto.

— Err...! Eu...! – Ela balançava seu bonito corpo, procurando algo para falar. Agora ela estava totalmente vermelha como um tomate.

— Ei, é impressão minha ou vocês são exatamente iguais? – Damon quebrou o clima com a pergunta.

Essas paranoias loucas, porém, que fazem lógica e sentido do filho de Zeus retornaram agora. Calíope deu uma risada presa por sua mão que ficou à frente de sua boca.

— Como assim? – Chloe se aproximou, olhando para Euterpe, que só tentava se esconder mais e mais, em um lugar que não existia...

— Vejam só. As três que vimos até agora são totalmente iguais em aparência! – Damon formulou em sua mente, a imagem das três que viu até agora.

Calíope, Cilo e, agora, Euterpe. Ambas eram IGUAIS MESMO.

— A única diferença... – Damon apontou com a mão direita para Calíope e a esquerda para Euterpe – É A COR DOS SEUS CABELOS.

Todos paralisaram, Calíope e Euterpe ficaram sem palavras. Ambos os oito que ali estavam olharam frenética e repetidamente para as duas Musas que estavam lado a lado. Só mesmo esse garoto pra abordar assuntos assim e deixar todos com pane no cérebro.

— Se parar pra pensar... O de Calíope é esmeralda, Cilo é bronze e Euterpe é ciano. – Disse Chloe, acompanhando o raciocínio.

— Você acha, é? – Calíope alargou um sorriso, colocando sua mão direita sobre o rosto.

— Não só acho, como tenho certeza!

Damon cruzou os braços e fechou os olhos, Euterpe ficou olhando para ele, parada. Ele abriu um dos olhos e olhou para ela, que virou o rosto novamente, mais envergonhada ainda.

— Ei, essa sua irmã é bem estranha. – Sussurrou no ouvido de Calíope.

— Ela é bem tímida mesmo. – Sussurrou de volta para Damon. Ele olhou por um tempo e foi até mais próximo dela.

— Yo, meu nome é Damon! Prazer em conhece-la!

Euterpe ficou sem palavras. Ela tentou procurar, mas elas vieram lentamente.

— É... Eu... M-Meu no, me é E-Euterpe. P...

— Hm?! 

— P-P-Pra...

— O que foi?

— Pra-Praz... – Euterpe fechou os olhos e os forçou. Ela reuniu toda a sua coragem e finalmente foi falar – Prazer em-.

— GAH! – De repente, uma garota que veio por trás, atropelou Euterpe, as duas grunhiram juntas, e fez ela cair de cara no chão.  

— Senhora Euterpeeee!?! – Damon reagiu comicamente. A Musa, não respondeu – Ela morreu!?! Isso foi um assassinato!?!

Damon se virou para Calíope com uma expressão engraçada e apontou para Euterpe caída, aparentemente morta.

— Oh, foi?

A garota que atropelou Euterpe levantou-se do chão após o “assassinato” imposto pelo próprio Damon, passando a mão por sua curta saia, a limpando.

— Ohoho! Me desculpe Euterpe!

Ela estava rindo, coçando sua cabeça totalmente sem graça do ocorrido, até que parou e olhou pra Calíope. Damon estava com uma nova expressão em seu rosto, totalmente com olhos de peixe morto.

— Hã?

— OUTRA! – Ele apontou para a outra Musa, alguns poucos centímetros maior que Euterpe.

Seu cabelo e seus olhos eram ambos de cor dourado brilhante, que fez Daisy e até mesmo Chloe brilharem os olhos.

— Ah! – Ela levantou as mãos.

— Olá, Tália. – Calíope falou com sua irmã, que parecia brincar com os gestos para os oito ali.

— Ela também é sua irmã? – Silver, na inocência, perguntou.

— NÃO ESTÁ NA CARA?! A ÚNICA COISA QUE MUDOU É QUE O CABELO DELA É AMARELO!! – Damon bradou freneticamente, fazendo Silver rir.

— Amarelo não, dourado! Hahaha! – Tália, a Musa da comédia, corrigiu Damon e riu – Nós somos realmente parecidas, não é mesmo?!

— PARECIDAS? SÃO CLONES! CLONES!

— Ai... – Uma reclamação fina e graciosa de dor fez todos olharem para baixo. Euterpe havia revivido do assassinato de Tália!

— ELA ESTÁ VIVA!

— É claro que está! – Tália respondeu, ainda rindo. Ela então, estendeu sua mão – Ei, Euterpe, me desculpe.

— Tálinha... Isso doeu. – Euterpe se levantou com a ajuda de sua irmã, ainda com a mão na parte posterior da cabeça.

— Ela chama Calíope e Cilo de “irmã” e a Tália de “Tálinha”? – Silver perguntou. Esses garotos são curiosos demais com essas pequenas coisas...

— É porque Tália é a mais nova de nós nove. Ela realmente é um pouco atrapalhada assim mesmo, alguma hora qualquer ela pode matar vocês igual fez com a Euterpe, então atenção, hein?

“Matar...”, novamente, Damon, Chloe e Silver pensaram em conjunto, mas dessa vez, com os olhos revirados.

— Nnnh, não fale assim irmã! – Tália reclamou, agora com cara de choro. Damon coçou seu cabelo bagunçado e com pontas negras nas laterais.

— Então, o que viemos fazer aqui mesmo...? 

— Hm? Nada, ué. – Calíope sorriu ao responder à indireta irônica de Damon.

— O QUEEEE!?!?!?! – Damon, Silver e Chloe agora não se limitaram a apenas suas mentes e gritaram em coro.

— Hahaha, brincadeira, brincadeira. Tinha que ver a cara de vocês! – Calíope era mais “criançona” do que aparentava... e olha que Tália que era a Musa da Comédia...

— Vocês são bem diferentes do que eu imaginava. – Do que todos imaginavam na verdade.

— Bem, se você quer dizer que imaginava que éramos como os deuses olimpianos ou as Irmãs do Destino, então você realmente errou.

Calíope andou até uma pedra próxima, tranquilamente, seguida por Tália e Euterpe – ainda lamentando de dor – além dos seus convidados do dia, os Dez/Oito Apóstolos.

 — Mas nem todas de nós são assim.

Ela pôs sua mão direita sobre a pedra que denunciou uma luz circular de cor verde que se alastrou pelo local. E como mágica, abriu-se uma passagem do lado direito da pedra, que era uma escada que levava eles para o subterrâneo.

— Por favor, me sigam.

— Mas já estamos fazendo isso... – Meade finalmente murmurou algo e todos acenaram positivamente, prosseguindo para o subterrâneo do Museion.


[O encontro prossegue. Agora os Apóstolos vão para o subterrâneo!]

[Cilo usa a Mnemotécnica e inicia o processo da recuperação das memórias de Elaine!! Enquanto isso, o restante do grupo segue Calíope para outro objeitvo...]


Continua no capítulo 50: "As Nove Musas: Sequência"

Por Sora | 26/02/18 às 21:18 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Romance, Brasileira, Magia, Drama, Comédia, Shounen