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50º Mito - As Nove Musas: Sequência

Epopeia do Fim (EDF)

50º Mito - As Nove Musas: Sequência

Autor: Sora

Os oito que estava ali – Lilith, Elaine e Grey estavam com Cilo em sua câmara – seguiram Calíope e suas duas irmãs, Tália e Euterpe, descendo as escadas de pedras que brilhavam no escuro, fitando toda a descida.

— Ei, vocês. – Tália, a Musa de cabelo dourado chamou – Não tem ninguém com vocês que tem um cabelo amarelo-escuro, espetadinho pra cima?

— Esse é o Grey, não é? O que tem ele? – Damon perguntou.  

— Ele não está com vocês...? – Ela murmurou ao perguntar, e o garoto olhou para Daisy, sem entender.

— Eles estão com a Cilo. Daqui a pouco você pode vê-lo. – Calíope respondeu por ele. Tália deu um leve sorriso.

— Entendi... finalmente vou poder revê-lo. – Ela disse, fazendo todos ficarem confusos.

— Na verdade, tem um propósito para que vocês tenham vindo até aqui. – Falou a Musa de cabelo esmeralda, mudando de assunto quando eles chegaram ao destino depois de uns dois minutos de descida e luzes se acenderam.

O que todos viram, foi uma sala inteiramente predominada pela cor rosa. Rosa não... era quase uma cor de magenta, uma sdas cores não-existentes no espectro! Ela é uma simples junção de vermelho e azul, com ausência do verde, formando sua cor complementar, próxima do rosa-violeta. Damon olhou ironicamente para Calíope, Tália e Euterpe – que se escondia atrás de sua irmã mais nova.

— Hã?! O que você acabou de dizer mesmo?!

— Bom, eu disse que nem todas são iguais. –Calíope sorriu, quando uma porta se abriu assim que ela falou. Todos olharam e perceberam alguém saindo da porta entre-aberta.

— Quem são vocês? – Uma outra mulher, do tamanho de Calíope – talvez até um pouco maior – se aproximou deles.

“Mais uma”, Damon pensou com uma expressão engraçada.

— Essa é a Erato. – Calíope a apresentou – Esses aqui são os Dez Apóstolos, como falei antes. – E fez o mesmo para a Musa.

Erato era a Musa da poesia lírica. Como já era esperado, era fisionomicamente idêntica à suas outras irmãs, com seu cabelo da mesma cor magenta do quarto que os rodeava, o que fez Daisy e Chloe novamente brilharem os olhos.

Até mesmo Silver e Meade ficaram impressionados com a viva e bela cor do cabelo de Erato. Brandt e Arthur estavam indiferentes, assim como Damon, que mantinha a expressão de “eu já esperava por isso, mesmo assim me impressiono”.

— Calíope... Euterpe e Tália também. – Erato disse, fitando as três, e depois, os seus convidados – Mas só tem oito...

“Déjà Vu!”, Damon e Chloe pensaram ao mesmo tempo, quebrando o clima.

— Ah, os outros três estão com Cilo.

“Realmente é um déjà vu!”, pensaram Damon e Chloe, novamente após a resposta de Calíope.

— Cilo? Alguém perdeu as memórias? – Erato perguntou diretamente.

“Só de ouvir o nome da Cilo elas já fazem a distinção de que alguém perdeu as memórias! Cruel demais!”, os dois pensaram novamente.

— Sim, por isso ela vai ajudá-los. Enquanto isso estou mostrando o lugar para eles e os levando à Urânia.

“Parem com isso!”, Damon e Chloe pensaram de novo, nervosos com tantas cenas repetidas.

— Então, é só para isso que vieram aqui? – Erato olhou para os oito cuidadosamente.

— E eu vou saber? – Damon respondeu, dando de ombros. 

“Agora outra de cabelo rosa apareceu...”, Damon pensou, olhando para o bonito cabelo da Musa da poesia.

— Na verdade, não é rosa. É magenta. – Todos, inclusive Damon, claro, arregalaram os olhos.

Damon se impressionou com a resposta de Erato a seu pensamento! Ele mudou totalmente sua expressão, chegando a sentir um calafrio percorrendo sua espinha.

— O que...?

— Erato pode ler seu coração. Ela pode deduzir o que você está pensando. – Calíope explicou, fazendo Damon ficar sem reação.

— Coração...? O certo não é ‘mente’?!

— Hm... – Erato começou a fuçar o corpo de Damon de forma repentina, o fazendo ficar sem graça e nervoso ao mesmo tempo.

— Ei! O que é isso?!

— Você é forte. Hum. Hum. – Erato balançou positivamente a cabeça duas vezes.

— Oh, falando nisso, o que vocês estão fazendo na Ilha da Criação?! – Dessa vez, foi Tália quem perguntou, curiosa.

— Bem, estamos procurando as Irmãs do Destino. – Chloe respondeu sem rodeios. Os olhos de Tália brilharam ainda mais em curiosidade.

— Sério, é?! Para que?!

— Isso não é de seu interesse, Tália. – Calíope colocou a mão no rosto de Tália, que ficou emburrada, e a moveu para trás.

— Isso não é justo, irmã Calíope!

— Calíope, você pretende fazer aquilo? – Erato parou de mexer no corpo de Damon e se virou para Calíope.

“Sua tarada!”, Damon pensou, abraçando seu próprio corpo, com uma cara engraçada.

— Não sou tarada, pirralho. – Erato fuzilou Damon com seu olhar e resposta. Ele engoliu seco, nervoso, se lembrando que ela podia ler sua mente... ou seu coração.

— Sim. – A Musa da Eloquência respondeu a última pergunta de Erato, com uma expressão mais séria no seu semblante. Sua irmã a respondeu mentalmente com um “entendi”.

— Err... "Aquilo" o que? – Damon perguntou, sem entender, após se recompor. Todos olharam para Calíope, que voltou a sorrir.

— Venham comigo. Vou levar vocês para conhecerem Melpômene e Urânia.

— Elas estão ocupadas, irmã. – Uma diferente voz a chamou. Calíope e os outros viraram para a esquerda. Ali estava uma mulher de cabelo lilás, também igual à Calíope, Cilo, Erato, etc.

“É uma atrás da outra!”, pensou Damon. Erato o fuzilou com o olhar de novo e ele recuou, parando de falar – ou melhor, pensar.

— Com o que? – Ela perguntou e depois se lembrou que era para apresenta-la primeiro – Ah, essa é Terpsícore pessoal, também minha irmã mais nova.

Terpsícore, a Musa da Dança, realmente parecia dançar enquanto caminhava graciosamente, fazendo jus à arte. Todos ficaram encantados com seus passos graciosos e detalhados, exceto claro por Arthur e Brandt, que olhavam sem indiferença.

— Elas estão aprontando algumas coisas. Se quiser ir lá... – Terpsícore não completou, mas Calíope entendeu o significado dessas reticências – Eu vou dar uma saída. Mas antes... – Terpsícore olhou para os oito – Parece que vocês mataram minhas filhas, não é...?

Todos engoliram seco ao mesmo tempo, ou melhor, aqueles que participaram das missão da Criméia. Sim, as filhas da Musa Terpsícore, eram as Sirenas – Irmãs Rainhas...!

— Ikh!

“F*deu! Agora a gente morre!”, Damon e os demais pensaram juntos e Erato prendeu uma risada olhando para a direita ao ver isso.

— Não se preocupem... elas eram um erro mesmo. Então, até mais. – Simples assim, ela disse sorrindo e o silêncio tomou a sala de cor magenta.

Terpsícore seguiu andando e saiu para o jardim rapidamente, sem ao menos falar com os oito convidados de Calíope após aquilo. Todos eles olharam para suas costas, banhadas pelos longos cabelos de cor lilás, subindo as escadas de pedra e sumindo na escuridão até o jardim.

— Que medo... – Murmurou Silver, ainda sem reação. Os outros também estavam da mesma forma.

“Pensei que iria pra cova...”, Damon suspirou mentalmente.

— Bom, então vamos lá. – Calíope seguiu em frente ao falar com os oito.

— Estou achando esse capítulo bem enrolado. – Damon, ainda tentando se recompor da ameaça-que-não-foi-uma-ameaça, falou.

— Nyahahaha! Que excêntrico! – Tália riu em desdém de sua frase. Ela era a Musa da Comédia, nada mais esperado que isso.

...

Os oito, junto com Calíope, Tália, Euterpe e Erato, seguiram em frente rumo ao seu destino no Museion – que por sinal, era enorme. Ambos passaram por um longo corredor escuro e chegaram até o fim dele em três minutos de caminhada.

— É ali na frente. – Calíope apontou para uma porta com um desenho representando o cosmos.

— Isso é...

Eles chegaram em frente à porta e Calíope tomou a frente. Ela olhou para todos, como se confirmasse algo, deu um sorriso e se voltou para a porta.

A Musa, com sua mão esquerda, empurrou levemente a porta que se abriu lentamente.

— Qual o propósito disso tudo mesmo? Na verdade, viemos aqui pra recuperar as memórias de Elaine... – Meade disse, demonstrando certa impaciência e cansaço.

— Na verdade, essas duas aqui querem ver vocês. Ou melhor, uma delas... – Calíope respondeu Meade, que deu de ombros.

— Hã? Elas sabiam que iríamos vir? – Damon ficou curioso, tentando observar o que tinha após a porta que lentamente era aberta.

— Bom, mais ou menos. Elas especulavam, mas não tinham total certeza. Porém, vocês vieram. Por que acha que eu recebi a Daisy assim que ela chegou? – Calíope disse, abrindo de vez a porta. Daisy deu um sorriso e todos concordaram com a lógica da Musa.

— Só tem vidente aqui... – Damon finalmente pôde ver. Mas antes de conseguir ver de verdade, Calíope ficou um pouco mais séria e disse:

— Não é bem assim. Apenas as Moiras conseguem prever o futuro. Ou melhor, o destino...

Moiras, ou Irmãs do Destino. Só elas podem prever o destino que todos irão tomar. Elas também podem controla-los. Ou seja, esse encontro com as Musas nada mais é do que obra delas. E, entendendo isso, a aflição voltou a tomar os filhos dos deuses.

Afinal, a partir do momento em que pisaram na Ilha da Criação, até mesmo antes dessa missão ser instituída, eles estavam na palma da mão delas. Se elas quisessem, poderiam mata-los rapidamente para impedi-los. Mas a grande questão era: por que ainda não fizeram isso?

— Então, se elas decidiram isso mesmo com vocês indo atrás delas, só pode significar uma coisa.

— E o que seria? – Damon olhou para Calíope, que devolveu o olhar. Todos observaram em silêncio, também curiosos para a resposta, que veio em seguida.

— Que elas viram algo em vocês e em tudo isso.

As palavras de Calíope não tinham um pingo de mentira ou controvérsia. Ela tinha certeza no que falava e Daisy podia confirmar isso. Então, primeiramente, aquela perguntinha lá de cima era meio que respondida.

Por que ainda não os mataram? Seria por isso? As Irmãs do Destino são seres primordiais, descendem da primeira linha de deuses existentes no cosmos. Elas realmente viram algo a mais neles que as deixassem curiosas o suficiente para não matar eles? Era quase que impossível que elas, sendo seres primordiais, fossem obcecadas por curiosidade a ponto de deixar eles vivos ainda.

Damon a encarou. E, praticamente respondida a primeira pergunta, se formulava uma outra. O que as Irmãs do Destino viram neles?

Damon sabia o motivo de não terem sido impostos à morte até aqui, foi como Atena disse. Por isso eles foram mandados à essa missão ao invés dos próprios deuses.

Mas então, o que elas viram exatamente além de algo com que elas podiam se divertir e subestimar, diferente do que seria com os deuses?

— Estou entrando. – Interrompendo todos esses pensamentos, Calíope abriu a porta finalmente. Urânia, Melpômene e Polimnia, as Musas da astronomia, da tragédia e da poesia sacra, respectivamente, estavam de costas – Acho que elas já acabaram.

Ao escutar Calíope, as duas se viraram para todos. Elas eram do tamanho de Calíope, sendo muito mais sérias do que as demais, até mesmo do que Terpsícore.

“Iguais...”, pensou Damon, dessa vez, sem surpresa. Erato apenas deu de ombros dessa vez.

Urânia tinha cabelo de cor azul escuro, Melpômene tinha cabelo de cor vermelho e Polimnia tinha cabelo de cor laranja vibrante. Essas eram as três últimas Musas a serem apresentadas. E o verdadeiro propósito de Calíope os levar ali...

— Onde estão os outros? – Melpômene perguntou. Seu olhar era como a tragédia em si, cabisbaixo...

O que fez muitos ali – inclusive Tália e Euterpe – terem fortes calafrios tensos no corpo. Mesmo as duas não conseguiam se acostumar com o olhar de sua irmã mais velha.

— Estão com Cilo. – Calíope manteve a postura de sempre e respondeu. E então, quem andou até o centro da sala foi... 

— Então, vamos começar apenas com esses...

A voz de Urânia era fina com um tom melodicamente suave e tocante, que prendia a tenção dos oito. Ela representava a astronomia, o cosmos. O universo inteiro era a sua própria arte e sua própria ciência.

O clima frio e aconchegante, porém, um pouco pesado pendia sobre suas palavras. Seus olhos de cor azul-escuro denotavam a imensidão do universo dentro deles. Era hipnotizante, porém calmo.

— Começar...? – Damon ficou curioso, enquanto uma gota de suor escorria por seu rosto.

“Afinal, começar o que?”, ele se perguntava, assim como seus companheiros.

Urânia deu um sorriso de canto...


[A visita com as Musas prossegue e uma revelação está prestes a ocorrer...]

[O sorriso da Musa da Astronomia predomina um mistério no ar!! Qual é o verdadeiro objetivo das Musas agora...?!]


Continua no capítulo 51: "Memórias Distantes"

Por Sora | 28/02/18 às 14:37 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Romance, Brasileira, Magia, Drama, Comédia, Shounen