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52º Mito - Caminho

Epopeia do Fim (EDF)

52º Mito - Caminho

Autor: Sora

— Antes de sair, vocês devem estar com fome. – Falou Calíope, levando os onze até uma pequena porta que a mesma abriu. E ambos brilharam os olhos – Mais um presentinho antes de vocês partirem.

— Podem comer à vontade!! – Tália foi quem falou para os onze, que obviamente não haviam tido uma refeição prestativa desde a hora que chegaram até a Ilha da Criação.

Antes de qualquer coisa, todos se sentaram à farta mesa com diversos tipos de comida, desde carnes até frutas.

— Ah, eu tô morto de fome mesmo! – Damon estava salivando ao ver aquilo tudo e já estava preparado para atacar, quando todos bateram as mãos contentes e disseram em conjunto:

— Obrigado pela comida!!

E então eles foram, como se não houvesse amanhã. Damon, Grey, Brandt e Arthur atacaram as coxas de frango e as demais carnes sem nenhuma piedade, assustando Chloe e Julie. Os quatro pareciam dragas comendo, com exceção de Silver e Meade, que eram mais comedidos, mas ainda assim também consumiam bastante.

— Cara...! Isso é muito...! Bom...! – Damon dizia alternando entre palavras e mastigadas enquanto sorria igual uma criança.

— Modos à mesa, sua peste. – Retrucou Lilith, que comia com modos, assim como Chloe e Julie que estavam ao seu lado.

Elaine já era mais extrovertida como seu primo e Daisy só não comia como Damon porque não tinha o mesmo poço na barriga como o irmão. Mas podemos conferir que existem onze traças naquela mesa comendo. E os quatro monstros – vulgos, Damon, Grey, Arthur e Brandt – seguiam atacando.

“Cara, quem vê esses dois normalmente nem imagina isso...”, pensava Meade enquanto ria mentalmente, ao olhar para como Arthur e Brandt eram ‘diferentes’ quando com fome.

— Ah! É que faz tempo que não como algo assim! Tá uma delícia! – Damon acabou com uma coxa de frango com só uma abocanhada, sobrando apenas o osso.

— Mas você não come em casa? – Tália perguntou, curiosa. Ele então acabou com outro pedaço inteiro de carne de porco e, com a boca levemente suja, respondeu.

— Nós não temos muito tempo para sair da cidade e caçar, e a Daisy não sabia lutar antes, então nunca tive tempo de fazer isso. E eu também não sei fazer comida, minha irmã que cuida dessas coisas...!

“Que irmão mais inútil...”, pensaram todas as garotas, exceto Daisy, que deu leves risadas.

— Podem aproveitar bastante. E caso queiram mai-.

— TEM MAIS?! – Damon e Grey gritaram juntos, sorrindo, interrompendo Calíope. Arthur e Brandt apenas olharam e as garotas recuaram com um susto.

— Claro que sim!


***


Após a grande refeição e alguns minutos de descanso, Calíope, junto com suas irmãs, os levou até a saída, pouco tempo depois de tudo. Ambos os onze estavam reunidos novamente no Museion.

Elaine recuperou suas memórias com sucesso, vencendo o desafio da Mnmotécnica e agora eles podiam liberar o verdadeiro poder de suas Armas Divinas que estava bloqueado por, no máximo, 10 minutos.

Genkai, romper o limite.

Eles ganhavam um impulso a mais na luta contra os Imperadores da Escuridão e na busca pelas Irmãs.

E agora, o encontro com as Nove Musas finalmente chega ao fim. Mas ainda à perguntas no ar...

 — Então, é aqui que nos despedimos! Mas prometemos ver vocês de novo algum dia! – Tália sorriu ao falar com todos.

— Foi uma visita bem rápida. Mas mesmo assim foi bem útil para todos nós! – Respondeu Chloe.

— Sim, sim, a comida estava maravilhosa! – Falou Damon, sorrindo enquanto dava leves batidinhas na barriga cheia.

— B-Bem... F-F-F-Foi um aprazer conhece-los! – Euterpe, do jeito tímido e inseguro de sempre, se curvou os agradecendo pela visita.

— O prazer foi todo nosso! – Daisy respondeu a Musa com um sorriso.

— É... Seu nome... É D-Daisy... Não é?

— Sim!

— Eu... Eu posso... Te chamar de... Daisinha...?

— Claro! – Daisy sorriu ainda mais, deixando Euterpe feliz.

— E vê se não fica pensando muito.

— Aaaaah! Pode parando! – Damon reclamou de Erato, que podia ler seu coração. Ela riu em desdém disso e ele ficou sem reação, olhando para o lado.

— Ei, você... – Tália falou – É o Grey, não é? – Ela perguntou para o filho de Apolo, que a olhou.

— Sou... – E ele respondeu, hesitante.

— Você realmente cresceu bastante. Até me ultrapassou, que inveja, hihi! – Ela disse, dando um sorriso. Todos olharam – Realmente puxou seu pai.

— Ei, espera aí... então você é...?

— GREEEEYZINHOOOOO! – Tália pulou no pescoço de Grey e o abraçou com força. Todos seguiam observando sem reação.

— Ei. Ei. Eeeeeeeeeiiiiiii!!! Você é, é a...?!

— Sim!

— MINHA MÃE?! – Ele apontou para Tália, que estava agarrada ao seu pescoço. Todos os demais seguiam com expressões incrédulas.

— Eu não te vejo desde quando você era pequenininho! Mas Zeus nos expulsou do Olimpo, então não pude te visitar... mas agora eu finalmente pude te rever! – Ela parecia uma atriz, alternando entre a felicidade e a tristeza em suas frases.

— Espera, eu ainda não creio... – Ele murmurou. Grey era uns sete centímetros maior que sua mãe, Tália.

— Não se preocupe. Podemos falar em outra hora. Agora vocês precisam completar uma missão, não é? – Ela desagarrou do pescoço de Grey e entrelaçou suas mãos detrás das costas. Ele apenas pôde ficar em silêncio.

— Então, como presente...  – Calíope estalou os dedos. Uma passagem se abriu entre as árvores ao lado do Museion – Sigam em frente e vocês chegarão às Plêiades. Elas revelarão a passagem para as Irmãs.

— Os Hecatônquiros... – Damon murmurou para si, pensando nos próximos desafios.

O Genkai provavelmente só iria poder ser usado uma vez nessa jornada. Eles teriam que escolher bem os momentos certos. Descomplicava, mas ainda seria muito difícil.

Agora, eles teriam pela frente elas: as Fúrias.

— Vocês chegaram até aqui, mas tenham cuidado. O caminho daqui para frente é mais complicado ainda. – Calíope alertou. Damon sorriu, deixando os pensamentos para trás.

— Hehe! Se não fosse assim, seria chato demais! Obrigado por tudo, Calíope. Tália e Euterpe também.

— Sim, sim!

— N-Não foi nada...

— Eu... – Grey murmurou, de frente para Tália, que o olhou. Ele então ergue seu indicador, e todo corado falou – Eu prometo que irei retornar! Então se prepare, porque tenho muitas perguntas para fazer! – Tália arregalou os olhos e ficou boquiaberta, mas depois deu um sorriso.

— Sim! Estarei esperando! – Ela respondeu. Grey então abaixou seu dedo e se virou.

— Até mais, mãe... – Ele murmurou e Tália abriu um sorriso mais largo.

— Até!

— Até algum dia. Vamos, pessoal! – Damon disse.

— SIM!

Os onze começaram a ir pelo caminho aberto por Calíope, que observou junto com suas irmãs a partida dos onze.

— Bye, bye! – Tália acenou com a mão direita. Eles então partiram.

— N-Nós vamos r-realmente vê-los de novo...? – Euterpe perguntou.

— Não sabemos. Mas, espero que sim. Algum dia... – Calíope respondeu, com um sorriso no rosto... ela sabia da missão deles ali. Sabia que era impossível. Porém, havia algo a mais nisso tudo. Algo que mudaria toda a história...

O vento calmo e frio bateu no local.

Enquanto todos seguiam em frente em direção aos Hecatônquiros, Damon olhava para baixo, com uma expressão séria.

— Quem diria que ela seria sua mãe, hein? – Silver, com um sorriso engraçado, cutucou Grey, que novamente corou.

— Cala a boca!

“Por que meu pai selou nossas armas...?”, ele se perguntou enquanto andava em frente com os seus amigos. E então, as palavras de Urânia preencheram novamente sua cabeça.

— Parece que Zeus deixou suas Armas Divinas ‘presas’ pois vocês são muito fortes e tem tendência a ficarem ainda mais. Ou seja, ele tem medo. Medo de ser... ultrapassado por vocês.

“Medo...? Mas por que?! É possível que ele...?”

— Irmão?

— Hã?! – O chamado de Daisy fez Damon voltar a si, com um susto.

— O que houve? – Ela perguntou. Ele não podia mentir, pois ela saberia. E então, ele deu um sorriso.

— Estava pensando em algumas coisas, não se preocupe.

— Hm... – Damon acariciou a cabeça de Daisy, como sempre fazia.

— Mas então, como foi o processo doido lá? – Damon resolveu esquecer um pouco esse papo mais sério e se voltou para Elaine, fazendo a pergunta.

— Foi uma coisa maluca de derrotar clones meus na minha mente. – Elaine falou, sorrindo desajeitadamente – Lilith e Grey também ajudaram, então foi mais fácil.

— Ohohohohoho! – Lilith riu como se fosse maior do que todos ali. Mas a risada foi especialmente para Damon, claro... – Era o que se esperar de alguém como eu, não é?!

— Eu esperava é que você iria piorar as coisas. – Lilith se aborreceu com a resposta de Damon, mas se segurou – Fiquei impressionado que ela conseguiu se recuperar com você lá.

— Seu...! – Lilith encarou Damon. Como sempre, os dois conseguiam arranjar uma discussão, não importa onde estivessem.

Mas então, como se já estivesse cansado disso, Damon, que tinha um turbilhão de perguntas não respondidas, um turbilhão de pensamentos duvidosos, e mais um turbilhão de outros assuntos que lhe deixava inquieto, lançou a pergunta:

— Aliás, por que você só implica comigo?!

— ?! – Lilith ficou sem resposta. Ela parou e sua expressão era a de uma pessoa que jogava um jogo e, de repente, o jogo deu um bug repentino.

— Hein? – Damon novamente reforçou, querendo a resposta. Foi quando:

— Isso é o que chamamos de...  – Meade se intrometeu entre os dois, era como se ele fosse para uma espécie de palco com um feixe de luz nele. E então, ele completou. – A-M-O-R.

De uma forma grotesca e engraçada, ele falou cada letra que formava a palavra “amor” com uma entonação irônica.

— QUE!?! – Damon e Lilith gritaram em coro, corados de vergonha.

— Meade... Você ficou maluco depois que ganhou o poder de liberar sua Arma é?! – Damon quase pegou Meade pelo colarinho. Sua expressão remetia a um demônio 100% irritado.

— Ué, eu só falei a verdade...! – Ele fechou os olhos, cruzando as mãos atrás de sua cabeça.

— Seu...!

— C-Cuidaaaaaado!

Alguns solados legionários acompanhados de um Rei Centauro apareceram na frente dos onze, quebrando totalmente o clima descontraído.

— Um Rei Centauro! Incrível!! – Mais impressionados do que outra coisa, todos arregalaram os olhos ao ver.

O Rei Centauro. Uma criatura mitológica com cabeça, braços e torço de um ser humano e corpo e pernas de cavalo. 

Ele tinha uma lança gigante em mãos e uma espécie de armadura de metal.

Aparentemente era a primeira vez que todos ali viam um desses na vida.

— Muito bem. Se possível não usem o Genkai ainda! Deixem para as batalhas futuras contra os Imperadores da Escuridão, Fúrias e Irmãs do Destino!

Todos sacaram as suas armas e fizeram como Damon falou. Não era plausível usar o trunfo que eles ganharam agora pouco e que eles não tinham poder suficiente para suportar por um bom tempo contra essas criaturas.

Era bom poupar para as batalhas mais importantes. Esse era o correto a se fazer.

 O centauro então ordenou que os legionários atacassem. E assim foi feito...

— Muito bem, vamos lá! – Damon e os Dez Apóstolos voltaram a batalhar, a caminho dos Hecatônquiros!

 

***

 

Da Piscina da Vidência, Zeus observava os onze em sua nova batalha contra as criaturas da Ilha. Os Hecatônquiros estavam próximos. Era questão de tempo até eles chegarem lá. Mas uma coisa incomodava o Rei dos Deuses...

— Hm... – Resmungou Zeus, acariciando sua longa barba branca.

— Pai?

Atena, a Deusa da Sabedoria estava ali com ele, observando o progresso dos onze, como sempre, desde o início.

Porém, diferente agora, ela não estava ali e só havia voltado à sala nesse exato momento.

— Que coisa estranha. Onde eles estavam agora pouco? – Atena percebeu a pergunta de seu pai e ficou em silêncio por um tempo.

— Sim, foi estranho. Por um momento eles sumiram da visão da Piscina da Vidência. Há poucos lugares onde ela não alcança. Isso é raro, porém normal. – Respondeu Atena, como se fosse qualquer coisa.

Zeus permaneceu em silêncio, deixado a deusa inquieta. Foi quando a mesma ouviu um pequeno alerta, como badalar fraco de um sino em seus ouvidos. Era um chamado para ela.

— Com licença, pai. Preciso atender a um chamado...

Ela foi até o lado de fora da sala de Zeus, que apenas a observou saindo. Atena chegou ao lado de fora, olhou para todos os lados, certificando-se de que não havia ninguém ali, fechou os olhos e se concentrou.

Foi como você esperava? – Perguntou uma voz feminina, por telepatia, indo bem direta ao ponto.

— Sim. Mas do jeito que Damon e eles são, provavelmente vai demorar até eles libertarem o verdadeiro poder. – Respondeu Atena, também pela mente – Mesmo assim, obrigada, Calíope. Meu pai não iria permitir isso de jeito nenhum. Isso deixa as coisas mais fáceis para eles.

A mulher com quem Atena conversava com o poder da mente era Calíope, uma das Nove Musas.

Mas ainda não temos garantias que, mesmo com o Genkai, eles consigam...

— Não se preocupe com isso. Tenha fé neles.

Você os mandou para uma missão impossível...

— Eu sei disso... Mas não se preocupe, tudo vai dar certo. Afinal, eles... – Atena parou na hora que iria terminar e pareceu se remoer por dentro.

Ah, e outra coisa, Atena. – Calíope prosseguiu, cortando ela, provavelmente sabendo sobre o que iria falar – Provavelmente, Damon vai começar a desconfiar sobre tudo...

Atena ficou em silêncio por um momento, se remoendo mais ainda após isso. Calíope, do outro lado, também fez o mesmo.

A verdade contada por Urânia foi bem inesperada, não só para Damon, mas para todos ali. E esse nem era o começo...

Só iria piorar.

— Sim, eu já sei disso. Estou preparada para lidar com ele. Não. Com eles. – Respondeu Atena, se autocorrigindo. 

Cuidado, Atena. Estaremos sempre aqui para ajudar você. E eles também...

— Eu sei, Calíope. Obrigada por tudo até agora. Qualquer coisa te contatarei imediatamente.

Não foi nada. Então, até mais... – Calíope respondeu.

Fale para ela que eles são muito legais! – Gritou Tália se intrometendo no último segundo, antes de Calíope se "desconectar".

E então, a conexão mental das duas foi desfeita e Atena pôde abrir os olhos novamente.

A deusa se voltou para a sala de Zeus no mesmo instante, abriu a porta e retornou.

— Desculpe a demora, pai...

— O que foi fazer?

— Ah, aparentemente era Hermes querendo encher minha paciência, mas mandei ele voltar na hora e o ignorei. – Disse Atena, sentando-se frente à Piscina da Vidência novamente.

Zeus ergueu uma sobrancelha. Se Atena era um mestre em algo, nisso era em mentir muito bem. A deusa era tão sábia que podia transformar seu jeito de falar e fazer a mentira soar verdade.

E isso era perigoso para quem estava ao redor dela. Uma arma prepotente da deusa, filha da própria Titânide da Sabedoria, Métis.

Sua lábia era incomparável. Ela podia enganar até mesmo o próprio Pai dos Céus sem ser desmascarada.

— Por falar nisso, Ártemis já foi?

— Já foi sim. E ela deve estar tendo trabalho... – Falou Atena ao esboçar um leve sorriso ao lembrar o objetivo de Ártemis naquele instante...

 

***

 

Panteão do Sol e da Lua.

— O que você quer dizer com isso?

— Você sabe! Por que acomodar uma inimiga em sua própria casa?! 

Duas vozes femininas ecoavam pela silenciosa sala do Panteão que neste momento estava iluminada apenas pelos parcos raios solares de um dia parcialmente nublado de outono. Uma deusa de cabelo escuro, quase que roxo, e uma garota de cabelo rosa com dois coques laterais.

Ártemis, a Deusa da Lua estava frente a frente com aquela que fez Elaine perder sua visão esquerda e que se rebelou contra os deuses.

A garota que faz parte dos Imperadores da Escuridão, Bluebell.

— Ué, e o que tem de mais? – Ártemis perguntou, indiferente, enquanto a garota estava quase explodindo.

— Você é doida?! Eu posso te matar a qualquer hora!!

— Hein? – A deusa olhou com olhos arregalados para Bluebell, e então – Pff! Haha!

— Hã?!

— Hahahahaha! – A risada da deusa fez Bluebell ficar sem graça – Você não pode me matar! Que confiança a sua! – Disse ainda aos risos.

— Grr...!

— Eu também, sei que você não vai fazer isso...

Dessa vez a expressão de Ártemis era como a de uma verdadeira mãe, deixando Bluebell sem reação alguma ao olhar aquilo. Porém, ela se controlou e estalou sua língua com raiva.

A ingenuidade de Ártemis era de tal porte para Bluebell, que chegava a dar nojo.

A garota sacou rapidamente seu martelo e o colocou sob o pescoço de Ártemis, que não se mexeu ou revidou.

Ela apenas continuou com seu sorriso acalentador de sempre, e isso dava pontadas de hesitação na garota à sua frente.

— Deusa ou não... Eu não tenho medo...!

Bluebell continuava com seu olhar cortante para a Deusa da Lua. Porém, Ártemis podia ver. Mesmo que fosse cortante, era um olhar que...

Não era sincero.

Parecia que Bluebell estava lutando contra algo internamente. Como se ela estivesse se segurando.

Bluebell estava mentindo para si mesma.

— Sabe... – A deusa prosseguiu – Elaine me falou muito sobre você.

Bluebell parou e arregalou seus olhos ao lembrar dela... Elaine. Aquela que a derrotou na Criméia. Aquela que perdeu a visão do seu olho esquerdo para sempre graças à um golpe baixo de Bluebell...

Aquela que, ainda assim, mesmo com essa perda gigante e dolorosa, a tratava como...

 — Ela não considera você uma inimiga agora. – Ártemis falava com sinceridade, não havia mentira ou manipulação em suas palavras. Ela ainda sorria. 

— O... que...? – Bluebell gaguejou, mas seguiu com seu martelo apontado para a deusa. Porém, agora, uma sensação de dúvida e inquietação percorreu todo o seu corpo.

— Para falar a verdade, ela queria ser muito sua amiga. Foi o que ela disse antes de ir para a sua missão!

Bluebell paralisou nesse momento. Um sentimento mais estranho que os anteriores, correu pelo seu corpo. E tudo se misturava em um só, fazendo ela até mesmo tremer de hesitação.

A garota de cabelo rosa amoleceu a tensão de seu braço e levemente o martelo se abaixou com ele, porém, seguindo apontado na direção da Deusa da Lua.

E novamente, era como se Bluebell lutasse contra algo dentro de si, negando aquilo com todas as suas forças.

— Amiga...?! – Ela estalou a língua – Não me importa! – E então, Ártemis foi mais a fundo.

— Na verdade você sempre quis ter uma amiga como ela...

Agora sim, pareceu que o coração de Bluebell palpitou mais forte. Ela finalmente arregalou totalmente os olhos por um sentimento que ela não tinha. Ou que ela não lembrava de ter.

— Isso não é verdade! Pare de falar como se soubesse tudo sobre mim!! – A garota segurou mais firme no martelo, quase que quebrando seu apoio com tamanha força que exercia.

— Então, por que não conversamos um pouco? Como duas pessoas de bem?! – Ártemis alargou o sorriso, fazendo Bluebell hesitar mais ainda com aquilo. Uma conversa...

— Tsc! – Após ficar em silêncio por uns dez segundos, ela voltou a estalar a língua e abaixou seu martelo – O que você quer afinal...?!

— Bluebell. – A deusa chamou o seu nome, fazendo uma gélida sensação percorrer sua espinha. E então – Por que está com os Imperadores da Escuridão? – A pergunta de Ártemis foi direta. Bluebell demorou para processar e para responder.

E quando Ártemis já estava desistindo e pensando em perguntar outra coisa, Bluebell murmurou como uma criança indefesa:

— Porque... – Ela abaixou sua cabeça, mas continuou, bem baixinho – Ele me salvou...

O progresso fez a deusa ficar pasma com a resposta. Foi bem repentino e inesperado, já que ela estava furiosa agora pouco, querendo ataca-la.

— “Ele”... Quem? – Ártemis perguntou tentando prosseguir com isso, convidando Bluebell para se sentar à sua frente.

E ela fez isso. Ártemis era quem estava mais inquieta agora, mas não demonstrava. Pelo jeito suas palavras realmente fizeram algum efeito, senão, provavelmente ela não estaria assim agora. E após se sentar, a garota disse:

— Keith.

Bluebell começou a se lembrar enquanto seguia cabisbaixa e mais séria. Um turbilhão de memórias dolorosas começou a preencher sua cabeça de forma frenética. Algo que ela trancava com todos os cadeados possíveis nela... Ártemis apenas a olhou, com um semblante mais sério.

— Vamos. Me conte. – Ela insistiu.

Bluebell refugou, mas resolveu deixar de enfrentar a deusa. Ela iria perder uma hora ou outra, não poderia vencer a simpatia e o calor que Ártemis transmitia a ela... e isso já estava acontecendo.

— Meus pais morreram... – Ela deu uma pequena pausa – ...quando eu tinha quatro anos... – Ela falou, ainda olhando para baixo.

Bluebell então começou a lembrar de sua difícil infância.


[Bluebell abre o jogo para Ártemis!! Novas revelações surgem!!]

[Os Dez Apóstolos terminam a visita com as Musas e seguem em frente!! Enquanto isso, na Cidade de Olímpia, a Deusa da Lua escutará uma breve história...]


Continua no 53º Mito: "Como a Escuridão Nasceu"

Por Sora | 05/03/18 às 13:43 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Romance, Brasileira, Magia, Drama, Comédia, Shounen