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53º Mito - Como a Escuridão Nasceu

Epopeia do Fim (EDF)

53º Mito - Como a Escuridão Nasceu

Autor: Sora

-Alguns anos atrás, local desconhecido-

O local que nos encontramos agora, é uma prisão. Porém, não uma qualquer. Era uma prisão infantil.

Haviam inúmeras celas podres e malcuidadas pelo gigantesco e escuro corredor daquele local. Diversas crianças escravizadas, de idades na média de 8 para 12 anos de idade se encontravam presas ali. Feridas, com roupas rasgadas...

Bluebell estava em uma dessas celas, toda suja e machucada, presa pelas mãos e pernas por correntes de aço poderosas, difíceis de serem quebradas. Dava para ver a marca vermelha que as correntes causaram ao longo do tempo em seus pulsos e tornozelos.

Seus olhos cor de rosa não tinham mais luz alguma, pareciam um rosa-cinza. Afinal, a quanto tempo ela está ali? A quanto tempo está viva?

Eu fui escravizada pelos humanos que vocês criaram. Os humanos que vocês deram vida. Eu fiquei anos e anos trabalhando. Sofrendo, torturada, escravizada, junto de outras crianças que não tinham ninguém, assim como eu, que havia perdido meus pais. Tudo a troco de uma alimentação horrível. Tudo a troco de ficar mais um dia viva. Eu não aguentava mais. A cada dia que passava, eu ficava mais cansada.

Mesmo após a Titanomaquia, a Era Prateada dos Deuses ainda apresentava diversos problemas sociais pelo mundo todo. Escravidão era um dos métodos mais utilizados por poderosos donos de templos para adquirir matéria-prima e custo benefício para seus negócios.

Na cela, Bluebell não tinha luz alguma nos seus olhos, fundos e em trevas. Ela andava sem vida. Parecia que estava se movendo apenas por instinto. Quase como um robô...  

— Ande garota! – Gritou um homem, Ele espetou sua lança nas costas de Bluebell, que chiou de dor e prosseguiu andando em fila com outras crianças, presas pelas mãos.

Eu estava morta. A muito tempo, eu estava... Porém, naquele dia...

Ela seguiu andando até que uma explosão fez ela e o homem voarem. O homem acabou ficando desacordado com o impacto, junto dela. Bluebell ficou apenas alguns segundos desacordada, quando abriu seus olhos e viu o homem morto. A garotinha ficou assustada e, quando olhou para frente, viu um garoto, quase que de seu tamanho, de cabelo verde se aproximando.

— Você está a quanto tempo aqui? – Ele perguntou. Sua voz era acalentadora para ela. E, além dela, as outras crianças olharam assustadas para ele.

— ...?! – Bluebell olhou para Keith, mais jovem. Ele estava com uma espada normal em mãos, sorrindo graciosamente e prendendo a atenção da garota, que voltava a ter, mesmo que parcamente, um brilho em seus olhos cor-de-rosa.

Além dela, todas as crianças ficaram impressionadas. Outros homens vieram averiguar o que havia sido tal explosão, quando chegaram no local às pressas.

— O que foi isso?! – Assim que perguntou, o homem viu as crianças, o companheiro caído morto e Keith, que olhava para Bluebell – O QUE?!

Venham comigo. Irei tirar vocês daqui. – Keith estendeu sua mão para Bluebell chamando não só ela, mas todas as crianças que ali estavam. E o que impressionava nisso era que...

— É só uma criança insolente! Matem ele, agora! Não deixem ninguém fugir!

— Eu não faria isso se fosse vocês. – Alertou o garoto, olhando para os homens ainda sorrindo. Esse era um Keith diferente do presente...

Ele estalou os dedos, dando um sinal rápido. E então, mais três pessoas com um capuz negro atacaram os homens e os derrotaram rapidamente, sem dificuldades. As crianças ali estavam de olhos arregalados e boquiabertas...

E as outras pessoas/crianças que estavam com ele, já eram Hazel, Dirk e Dante, mais jovens!

— ... – Bluebell não tinha palavras para entender aquilo tudo. Ninguém tinha. Mas ela apenas se perguntava uma coisa naquele momento.

“Eles... eu posso ser... forte como eles...?”

Keith olhou para todas as crianças e deu um sorriso. “Eu vou tirar vocês daqui”, foi o que ele disse. E então, novamente estendeu sua mão para Bluebell e os demais, sorrindo e disse:

— Vamos lá. Juntem-se a nós...!

...

— Foi graças a ele que estou viva. Ele me salvou... nos salvou daquele inferno. Só que...

— Hm? – Ártemis estava vidrada no que Bluebell contava.

— Não éramos assim. Éramos como uma família. – A garota se lembrou de quando se juntou ao pequeno grupo de Keith com as demais crianças.

— Keith tinha um pequeno grupo de crianças que lutavam em prol do fim da escravidão infantil por Olímpia. E eu, junto com aquelas crianças escravizadas, nos juntamos a eles. – Bluebell seguiu contando – Treinamos. Aprendemos a lutar, a nos defender. Aprendemos de novo, a viver...

Ártemis seguia escutando tudo em silêncio...

— Encontramos mais lugares. Salvávamos mais crianças e também fizemos amizade com outras que queriam entrar para o grupo, como Leon e Iris. Claro que muitos saíram com o tempo. Porém sempre estivemos juntos. Não tínhamos pais nem irmãos. Éramos unidos. Sempre fomos...

— ...

— Porém, um dia... – Mais um flashback tomou conta da mente de Bluebell – Ele simplesmente ficou diferente.

— Diferente, como...?

— Uma aura assassina. – Ela respondeu rapidamente – Era como se... alguém tomasse o controle de seu corpo e sua mente. Seu olho esquerdo ficou de outra cor. Ele só falava em destruir isso e aquilo...

O clima pesado fez Ártemis voltar ao silêncio, apenas escutando tudo que Bluebell falava, cuidadosamente.

— Eu não sei o porquê, mas ele nunca mais foi o mesmo de sempre. E isso, por algum motivo mexeu conosco... Eu, Leon, Iris, Miles, Hazel, Dirk e Dante... Parece que aquela aura... aquela coisa dentro dele, despertou isso também em nós. E foi aí que os Imperadores da Escuridão nasceram...

Uma história dolorosa. Um passado difícil que os levou a esse presente inevitável. Os Imperadores da Escuridão. Bluebell. Keith... e os outros.

Ártemis pensou nisso tudo de uma vez e ligou os pontos. Ela entendia a dor que Bluebell sofria e sabe que sua filha Elaine, também viu isso. O olhar de Bluebell, por mais convencido que fosse, era um olhar pesado.

Um olhar triste.

— De todos ali, talvez eu, Leon e Iris não fomos tão afetados por isso. Sabíamos que isso ia acabar levando a consequências duras. Mas...

— Hã...? – Ártemis abriu um pouco sua boca ao ver Bluebell dando um sorriso de escárnio e pondo a mão em seu peito.

— Conforme o tempo passava, eu ia me acostumando com aquilo. E ficava curiosa. Eu queria ver se conseguiríamos realmente isso. – Ela falava de uma forma parecida com a Bluebell de antes, do Mar Egeu e da Criméia – Eu gostava disso, admito... eu adorava. Aquela vitória contra os dez no Mar Egeu; aquela batalha contra sua filha... tudo aquilo fazia eu me sentir viva, de alguma forma...

— Viu só? As coisas estão andando bem! – Enquanto Bluebell fitava sua própria mão, Ártemis cortou o clima pesado e bateu as mãos como um apreço, voltando a sorrir.

— Hã?!

— Você já até contou sua história para mim! E também sobre como vocês foram para o lado negro da força! – Ártemis abriu um sorriso largo, já Bluebell ficou corada, como nunca visto antes.

— N-Não fique se achando por causa disso! Ah, droga, por que estou fazendo isso?! – Ela coçou freneticamente o cabelo com as duas mãos – Primeiro dou uma dica pra sua filha e agora...!

— Hoho, uma dica, não é?! – Ártemis colocou a mão em frente a boca, rindo ironicamente, quando a garota ficou totalmente tomate.

— IIIIIIH! NÃO É O QUE ESTÁ PENSANDO!!!!! – O grito de Bluebell foi escutado por todo o bosque ao redor do panteão, chamando a atenção dos animais selvagens que ali habitavam e fazendo alguns pássaros decolarem em vôo.

— Hahahahaha! Você é muito divertida, sabia?!

Bluebell ficou sem palavras diante das gargalhadas da Deusa da Lua. Ela estava bastante envergonhada, parecia outra pessoa.

Não, na verdade, talvez essa seja a verdadeira Bluebell.

— Então até deuses riem assim... – Ela murmurou para si mesma, impressionada até.

— Hm?! Falou algo?! – Ártemis, enxugando uma pequena lágrima de tanto rir que se acumulava no canto de seu olho, perguntou.

— Não, não disse nada! – Ela cruzou os braços e respondeu, virando o rosto.

— Me diga, Bluebell. – A deusa então pigarreou e voltou ao habitual – Você quer salvar seu amigo? – A pergunta de Ártemis fez Bluebell ficar sem uma resposta, a induzindo a confirmar:

— Salvar...?!

— Sim, salvar. Bem, não seria só ele, mas como todos já estão atrás deles, você entendeu.

— Eu... – Bluebell olhava para cima, hesitando em responder.

— Ela com certeza vai te ajudar. – Ártemis disse, quebrando o silêncio mais uma vez.

— Ela...?

— Elaine realmente gosta de você, Bellzinha.

Ártemis sorriu. Bluebell abaixou sua cabeça e a imagem dela, Elaine, veio em sua mente de novo. Aquela batalha. Ela perdeu completamente e mesmo assim fez algo imperdoável.

Bluebell, essa garota de cabelo rosa radiante, que fez tantas coisas imperdoáveis. Tantos pecados a se pagar.

E mesmo com esse grande fardo nas costas, ela dá um leve sorriso, como se fosse libertada de correntes negras. Aliviada...

— “Bellzinha”, de novo... 

— Hm?

— Não sei porque, mas eu gosto quando me chamam assim. – Ela sorriu, ficando um pouco corada, precedida de Ártemis.

— Não é? Um apelido carinhoso... todos gostam de ter um.

A garota sorriu, olhando para o lado de fora. Ártemis se levantou.

“Elaine, não é? Realmente...”

 

***

 

— ATCHOO! 

— Você realmente está bem? Já é a quarta vez que você espirra em seguida...

E retornamos mais uma vez para a Ilha da Criação, a caminho dos Hecatônquiros. Os onze (Dez Apóstolos + Daisy) andavam tranquilamente pelo local rodeado por pequenas construções antigas.

Deixe-me explicar melhor a situação.

Enquanto Bluebell contava sua história e era convertida pela deusa Ártemis em seu panteão divino, tivemos um pequeno time skip aqui.

O que isso significa? Que a batalha contra os soldados legionários, o Rei Centauro e as demais criaturas que apareciam a frente deles foi concluída. E vejam só, nossos heróis seguem vivos, firmes e fortes.

Bem, talvez nem tanto...

— O que eu posso fazer...? Não dá para segurar... – Diz Elaine, após espirrar pela quarta vez seguida, segundo as informações de Meade.

— Será que você tem alergia ou algo do tipo? – Agora, Damon quem pergunta.

— Não, nunca aconteceu nada assim comigo... – Ela coçava seu nariz, um pouco vermelho devido a sucessão de espirros em sequência.

— Provavelmente alguém está falando dela. – Julie deduziu rapidamente, sem expressões, para variar.

— Quem será...? – Elaine coloca a mão sob o queixo e olha para cima, pensativa, ainda com o nariz vermelho e os olhos com lágrimas acumuladas nos cantos.

Ela passou pelos maiores perrengues de todos ali. Perdeu sua visão esquerda, perdeu temporariamente suas memórias, passou por um processo de recuperação complicado e agora alguém provavelmente falava dela, a fazendo espirrar diversas vezes. Sua vida, de longe, estava sendo a mais complicada dos onze.

— Vai saber...

— Deve ser sua mãe, não?

— Tomara que sim... – Elaine sorriu desajeitada, quando Damon, Daisy, Chloe, Brandt e Arthur tiveram uma sensação estranha simultaneamente, fazendo os mesmos pararem de andar.

— O qu-?

— Esperem. – Damon abriu seu braço direito à frente dos dez e olhou para frente, concentrado, antes que Elaine terminasse a pergunta automática.

— Hm? O que houve? – Lilith foi quem perguntou em seguida, curiosa.

— Você também sentiu, Damon? – Chloe não deixava de olhar para os lados. Arthur e Brandt faziam o mesmo processo, acompanhados em seguida por Meade.

— Sim... – Ele respondeu, hesitante – Tem algo perigoso por aqui.

Após as palavras de Damon, todos ficaram em alerta. Até Daisy sentiu isso, e Lilith e Elaine não...

Chloe concentrou-se para sentir algum reiki que poderia estar próximo. Silver e Grey prendiam suas atenções nas laterais. Arthur e Brandt ficaram na retaguarda, com Meade e Julie no centro.

Damon, Daisy, Chloe e Lilith ficaram mais à frente. Foi quando a terceira arregalou seus olhos, junto de Daisy.

Uma mulher sorriu ferozmente para si, e então pulou.

— EM CIMA! – As duas gritaram ao mesmo tempo, fazendo todos olharem.

Eram três no total, elas foram de encontro com os onze rapidamente. Todos reagiram no reflexo, evitaram o choque fortíssimo, que pareceu uma grande explosão e caíram para trás.

Uma enorme cortina de fumaça pairou sobre o local após o ataque repentino.

— O que foi isso?! – Lilith perguntou, agora mais nervosa do que antes.

Olhos arregalados e trêmulos, a aflição e a insegurança, seguidos do medo, correram o corpo da maioria dos onze. Era uma pressão estratosférica. Um reiki assustador...

— Ní... Nível... – Chloe balbuciou, assustada, enquanto ainda tremia.

— Ômega...! – Quem completou foi Daisy, da mesma forma.

Era um reiki de Nível Ômega, o nível mais poderoso dos semideuses, o último precedido pelo Nível Titã! Sentindo tal pressão insuportável e grotesca, uma gota de suor caiu pelo rosto de Damon.

— Ora, ora... vocês conseguiram esquivar mesmo sem nos ver. Impressionante! – A voz feminina, levemente duplicada, era assustadora, como a de um monstro, fazendo o corpo de todos gelarem.

“Que voz tenebrosa é essa?! E esse poder...!”, pensou Damon.

Bem longe dali, no Monte Olimpo, da Piscina da Vidência, Atena se levantou bruscamente.

— Não é possível! – Até mesmo a deusa ficou aflita e nervosa, coisa que raramente ocorria. Zeus franziu a tesa, observando com os olhos brancos mais cerrados.

— Quem diria... – Ele murmurou, enquanto Atena ainda estava nervosa. Então...

— Elas... elas são as...!

Cloto abriu os olhos do Templo dos Destinos ao ver o que estava ocorrendo. Láquesis e Átropos também perceberam. Da Câmara de Tecer, elas já sabiam sobre o que acontecia.

— Assim como eu planejei... – Ela deu um longo sorriso, satisfeita depois de ter premeditado aquele encontro.

— Foi como você predisse, Láquesis.

— Sim. Vamos dar a eles a melhor diversão possível. Assim como para nós! – Láquesis respondeu Cloto, sorrindo, enquanto tecia os fios dos Dez Apóstolos e mais três fios negros ao lado, brincando com eles...

Ela fez isso acontecer. Ela acaba de acelerar o processo. De tornar tudo mais insano ainda para todos...

— Vocês... – Murmurou Damon, com o olhar trêmulo – As Fúrias...!

— Como vocês vão?! Estão preparados para morrer?!

Alecto, Megera e Tisífone, as três Fúrias, apareceram repentinamente, quando o primeiro encontro com elas era esperado apenas para o Hecatônquiros. Elas sorriam, encarando os onze como se fossem apenas uma só presa...


[O pior obstáculo se antecipa!! Os Dez Apóstolos em rota de colisão!!]

[O passado de Bluebell e a criação dos Imperadores da Escuridão foi brevemente resumido. Enquanto isso, na Ilha da Criação, o desespero finalmente os alcança...!]


Continua no 54º Mito: "A Face do Desespero"

Por Sora | 07/03/18 às 12:51 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Romance, Brasileira, Magia, Drama, Comédia, Shounen