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55º Mito - Derrota

Epopeia do Fim (EDF)

55º Mito - Derrota

Autor: Sora | QC: Amnésia

A fumaça negra e densa formada pelos ataques impiedosos das Fúrias revelou uma silhueta ainda de pé. E lentamente revelou Damon, que estava todo queimado e machucado, sem camisa, sem forças... Seus olhos estavam quase que sem luz. Ele se forçava para ficar de pé naquele estado.

— Arf... G-. Arf... – Sua respiração estava ofegante demais, quando uma voz... preenchia sua mente toda.

“Mate...”

— Acho que acabou... – Alecto afirmou, sorrindo – Que tal, vamos fazer uma coisa melhor do que matá-lo.

“Me liberte”

— O que?

— Vamos levá-lo para a nossa Prisão dos Condenados e torturá-lo. Faz tempo que não me divirto assim...!

“Você é fraco no momento. Deixe-me acabar com elas por você”

— Sim, uma ótima ideia irmã!

“Se entregue... Para sua ira!”

— He! – Damon abriu um sorriso totalmente diferente, chamando a atenção das três Fúrias. Ele então apontou a Espada do Dragão para elas.

— O qu-?! – Um corte fatal acertou em Tisífone que arregalou seus olhos quando viu Damon, totalmente queimado e ferido abaixo dela, com um sorriso diabólico. Sua barriga estava aberta, sangue jorrou.

— Como el-?!

— HAHA! – Damon, com uma risada mais que demoníaca, desferiu um novo golpe, dessa vez em Alecto, que conseguiu desviar por pouco para o lado.

O golpe foi na direção do rosto da Fúria, que com um milésimo de segundo esquivou-se com um reflexo puro naquele instante.

— O que foi...?! Só isso?! – Damon ergueu o olhar pela primeira vez após se levantar. Seu olho esquerdo estava tomado pela cor vermelha, enquanto o direito seguia azul...

“Esse não é aquele mesmo pirralho!”

“É diferente!”

É outra pessoa!

As três pensaram ao mesmo tempo, freneticamente.

— Kyahahaha! Morram! – O novo ataque de Damon, de cima para baixo, abriu uma fenda enorme no chão e jogou as três para trás.

— Irmã, está bem?!

— Não se preocupe comigo! – As três Fúrias pararam e olharam para Damon, que sorria mais ainda. Porém...

“Saia...”

— Hã!?! – Damon ficou definitivamente alterado e as três observaram. No Olimpo e na Câmara de Tecer, todos estavam de olhos arregalados.

— Não me atrapalhe...! Fique quietinho... aí! – Ele falava para... si mesmo.

“Não...! Saia do controle do meu corpo!”

Eram realmente duas pessoas diferentes, como ele e Lilith suspeitavam.

— Fique... aí!

“Meu lugar é aí, não o seu...! DURMA DE UMA VEZ!”

Foi quando Damon teve um pequeno colapso e parou de cabeça baixa por alguns segundos, seu reiki se acalmou com aquela reação estranha. Ninguém entendia o que estava acontecendo, mas parece que ele retornou ao normal... A dúvida de todos ali era...

— O que foi isso...?! – A mesma de Tisífone, das outras Fúrias e de ambos que acompanhavam a batalha onde quer que estivessem.

Damon apontou a Ryūken para as três e um vento começou a cercá-lo repentinamente, como se fosse um pequeno ciclone se formando em sua volta. Seu reiki azul começou a ser visto pelas três e subiu seu corpo todo, com pequenas partículas mágicas de mesma cor flutuando ao seu redor.

“Que poder incrível...! Ele cresceu?!”

Arte Secreta dos Deuses... – O poder de Damon começou a se manifestar com mais violência após ele dizer...

— Ele vai usar! – Atena exclamou, sabendo o que era, ao mesmo tempo que se levantou fervorosa.

— Q-Que poder é esse?! Era pra ele estar sem forças depois de meu ataque...! – Tisífone chegava a gaguejar, assustada. Pela primeira vez ela e as suas duas irmãs tinham a mesma reação amedrontadas.

Mas, ainda assim...

— Realmente... – Murmurou Damon, já de volta ao normal, enquanto aumentava seu reiki – Não é tão poderoso em comparação de quando estou sem ferimentos profundos. Mas deve ser o suficiente...!

“Aquilo aconteceu de novo. Dessa vez foi pior, mas até que sou grato por isso”, pensou Damon, enquanto dava um leve sorriso de canto. Exato, essa ‘mini-possessão’ ainda desconhecida que Damon teve fez ele...

“Recuperar um pouco da energia!”, Atena chegou à breve conclusão.

Foi nesse momento que Alecto arregalou os olhos ao perceber o que vinha.

— Isso não é bom! Cuidado!

— Não há como fugir...! Isso acaba aqui, Fúrias! – Damon deu um passo para frente e moveu sua espada violentamente, para então – STELLAR BURST!

Damon brandiu a Ryūken, cortando o ar em horizontal, vindo de cima para baixo. Uma luz incandescente pairou sobre o local ao mesmo tempo e Alecto, Megera e Tisífone tentaram se defender, mas não havia como evitar o ataque dele.

“O alcance é enorme! Não dá para desviar!”, Alecto rangeu os dentes e apenas soltou algo que queimava seu peito...

— SEU MERDAAAAAAAAA!!!!

Não havia tempo, brecha ou local para as três escaparem. Só havia a singela possibilidade de receber a poderosa magia de frente. “Mesmo que não seja o suficiente para matar, se ao menos deixar elas bastante feridas...”, Damon pensava enquanto a Explosão Estelar estava caminhando para erradicar as três – ou feri-las mortalmente.

— Fortaleza de Plasma!

— O que?!

A voz masculina chegou rapidamente de cima e fez um muro enorme de plasma se erguer na frente das três. O ataque de Damon colidiu com o resistente muro e, após algum pequeno período de tempo, foi parado totalmente, deixando o mesmo muro um pouco derretido. Ele mal conseguia abrir o olho direito...

— P... Parou...?! – Atena gaguejava de tão abismada que estava.

A Arte Secreta dos Deuses de Damon foi completamente vencida. Tem a desculpa de não ter sido um ataque com toda a força pelos ferimentos dele, mas mesmo assim...

“Impossível...”

— Se fosse seu ataque com os 100% de sua força, com certeza essa magia não seria suficiente.

E então, o que se observou foi um garoto, que parou à frente das Fúrias e usou a defesa, que se desfez lentamente após cumprir seu objetivo. Ele tinha cabelo verde e bagunçado com pontas laterais, olho direito de cor castanho-escuro e esquerdo laranja-escuro e um mangual gigante em mãos, apoiado em seu ombro.

— Kei... th...

Damon, sem mais força alguma, balbuciou o nome de Keith, aquele que parou seu ataque com tranquilidade. Ele então começou a cair para trás e se lançou ao chão, derrotado completamente.

Ele, porém, não soltou a Ryūken. Damon chegou a exaustão total, seus ferimentos eram graves.

O filho de Zeus perdeu.

— Keith... – Alecto murmurou. Mesmo que ele tenha ‘salvado’ elas naquele momento, as mesmas não demonstravam felicidade.

— Mais um pouco e vocês ficariam bastante feridas. Sorte que cheguei rápido. – Ele guardou seu Mangual da Destruição: Hakai Zao.

— Maldito... você está com as Fúrias... – Damon seguia murmurando, enquanto olhava para cima.

— Você poderia se preocupar um pouco mais com você, não acha...? – Keith não olhou para ele diretamente, apenas pela visão periférica, vendo que sua mão direita estava queimada – Então você ainda não dominou essa magia e ainda a usou machucado. Eu retiro o que eu disse na Floresta Negra, Damon... – Ele andou até ele e o olhou de cima para baixo, com um sorriso assustador – Você é incrível...!

Damon nada pôde falar, a não ser permanecer em silêncio. Mesmo ferido daquele jeito, ele usou sua Arte Secreta dos Deuses. Que ainda assim, ele ainda não havia dominado desde aquela batalha de treinamento contra seu pai, Zeus. E ainda assim, Keith com um sorriso disse aquilo. Era meio contraditório, mas fazia seu sentido...

Uma sombra se aproximou, quando Keith olhou para o lado e viu Megera, se aproximando dele lentamente.

— Patético... – Ela murmurou, com um olhar cortante.

— Você me chama de patético... mas se não fosse por ele estaria toda morta no chão. – Damon sorriu enquanto a provocava, tentando mover sua mão direita, que mesmo mais queimada que a esquerda, segurava a Espada do Dragão.

— Ah, sim? – Megera colocou a mão ao ouvido direito, levantou um tentáculo e perfurou o peito esquerdo de Damon sem piedade, que gritou mais alto que podia ao cuspir sangue no chão...

— GAAAAAAAAAAAAAAH!!!!!

— É meu irmão! – Daisy correu mais rápido, acelerando o passo. Os dez seguiam retornando à toda velocidade para o local onde ele havia ficado para enfrentar as Fúrias sozinho.

“O que está havendo lá?”, pensou Meade, preocupado. Não só ele, mas todos tinham a mesma pergunta em mente.

Megera, não satisfeita, começou a pisar no buraco profundo feito por seu tentáculo, fazendo um pouco de sangue espirrar para os lados.

— AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!!!

— Isso é pelo meu braço, seu merdinha!

Ela não parava de pisar e rastejar em seu ferimento recém-aberto. Já doía mais que o braço, que também ainda estava aberto, quando a mesma viu e também pisou no outro ferimento. Com mais e mais força. Damon parou de gritar e apenas murmurava baixos sons de dor. Ele começou a perder os sentidos lentamente com aquilo, a endorfina em seu corpo começava a se espalhar fazendo a dor diminuir.

— Megera, pare com isso. – Ordenou Alecto, se virando para partir com Tisífone e Keith – Você vai ter tempo de sobra para fazer isso na prisão. Vamos pega-lo sair daqui de uma vez.

— Hmpf! Só porque você pediu... – Ela pegou Damon com um dos seus grandes tentáculos. Ele já estava desacordado após aquilo.

— Irmão...? – Murmurou Daisy, incrédula e tremulando os olhos, quando as Fúrias se viraram juntas de Keith.

— Hm?! Você voltou sozinha?! – Megera provocou ao ver que era a irmã mais nova de Damon – Também quer sofrer as mesmas consequências que ele, é?!

— Você adora isso, não é...? – Tisífone murmurou para si mesma.

— Dai...sy...? – Damon reuniu suas últimas forças para seguir acordado ao ver sua irmãzinha parada ali, com os olhos arregalados e o corpo tremendo. Após alguns segundos, os demais amigos chegaram.

— Todos voltaram...

— Isso é um pouco chato, admito. – Alecto respondeu sua irmã Tisífone, já se preparando para lutar.

Os olhos de Daisy eram olhos de uma pessoa que acaba de adquirir um trauma gigantesco. E assim como ela, todos se assustam ao ver a situação de Damon.

— Que horrível...! – Lilith pôs a mão sobre sua boca, com medo e se segurando para não perder o controle. Todos ali estavam perplexos, Arthur e Brandt ficaram sérios. Julie abriu levemente sua boca, assustada até, e Chloe, Grey, Silver, Meade e Elaine também tiveram a mesma reação de Lilith.

— Soltem... – Daisy murmurou, bem baixinho, quase que inaudível. A grande franja de seu longo cabelo cobria seus olhos, com sua cabeça um pouco baixa...

— O que?! Não escutei, pirralha! – Megera provocava mais...

— Soltem ele...

O reiki branco e puro de Daisy, como a neve, começou a crescer e a ficar em um nível assustador, fazendo até mesmo Keith ficar impressionado.

“Quem é essa?”, ele se perguntou, vendo que essa era a primeira vez que avistava Daisy, com um semblante mais sério.

— Ei, garota, fale mais alto! Não estou ouvindo!!

— EU DISSE PARA SOLTAR ELE!

Daisy, já com a mão direita, pegou a Lâmnia do Céu, Soraken, de forma violenta e partiu para o ataque com um impulso super-veloz. Mas Arthur deu um golpe em seu pescoço rapidamente, a fazendo ficar inconsciente e seu reiki se dissipar e retornar ao normal.

— Ir...mão... – Daisy adormeceu e a sua lâmina retornou à sua dimensão, sumindo e deixando partículas mágicas douradas ao ar. Arthur a segurou com a outra mão.

— Arthur? – Chloe se virou.

— Ele é o líder dos Imperadores da Escuridão! – Grey alertou, rangendo os dentes, quando todos observaram.

— Então ele se aliou às Fúrias? Que dor de cabeça. – Falou a sempre inexpressiva, porém, agora irritada Julie.

“Esse moleque é esperto... sabe que se deixasse a garota seguir em frente daquela forma...”, Alecto analisou Arthur, que segurava a desacordada Daisy e olhava para as três.

— Então... como vai ser...? – Após isso, Alecto abriu um sorriso e cerrou os olhos. Todos se encaravam ali.

“Isso pode ficar interessante...”, Keith voltou a abrir um leve sorriso.

— Ei, pirralhos! Se quiserem salvá-lo, venham até nós! Iremos estar esperando vocês de portas abertas... Nos Hecatônquiros...! – Gritou Megera, preparando seu punho direito para socar...

— O qu-?! – O chão. E então, a Fúria o fez, liberando uma densa cortina de fumaça, abrindo a brecha para os quatro escaparem.

— Damon!

— Tsc. – Julie sacou seu arco e o carregou, mas Arthur abriu a mão e a impediu.

— Se você atirar, pode matar o Damon. Deixe-os.

— Não há mesmo nada que possamos fazer agora? – Grey perguntou, apertando seu punho cerrado com extrema força.

— Não. – De forma seca, Arthur simplesmente respondeu.

— O que?!

— Os Imperadores da Escuridão também estão aliados a elas. Não podemos segui-los para um confronto de frente, Damon estaria vulnerável. – Silver dizia com calma, porém, Lilith percebeu. O quanto ele se segurava, cerrando os punhos com tanta força que parecia que iria faze-los sangrar.

Lilith só pôde aceitar isso, sem fazer nada. Com uma dor intensa, mais intensa ainda no coração, que nunca havia sentido antes...

— Precisaremos de um plano, que envolve diversos fatores. Salvar Damon, derrotar as Fúrias dentro de seus domínios... e ainda lidar com Keith e os Imperadores da Escuridão. – Também se segurando ao máximo, disse Chloe. Lilith mordeu seus lábios, fazendo uma gota de sangue pingar no chão. Era frustrabte...

E no fim, Damon foi derrotado e capturado pelas Fúrias e Keith...

E o desespero voltava à tona para os Dez Apóstolos...

 

***

 

— Elas pegaram ele... Mas a luta até que foi divertida, como planejei que fosse! Agora elas irão levá-los até os Hecatônquiros, e depois o que vai acontecer é-!

— Continue seu trabalho, Láquesis...!

Átropos interrompeu os planos e devaneios altos de Láquesis, que tecia o fio de Damon e das Fúrias, já planejando sua próxima jogada.

A Moira que tinha como trabalho cortar os Fios do Destino, olhava para o fio platina de Damon com brilho em seus olhos mortos. Láquesis viu a atenção de sua irmã presa ao fio do filho de Zeus por um momento e parou à frente dele, a encarando.

— Átropos, você não está pensando em cortar o fio dele, está?! Se tentar, eu vou te impedir, mas acho que você já sabe disso!

— Fique quieta e faça seu trabalho!

— Ele só não venceu porque você não quis, Láquesis. – Cloto entrou na conversa, suspirando enquanto fechava os olhos verdes.

— Claro! Quis dar um pouco mais de drama à essa história. Os acontecimentos estão se desdobrando de forma assustadoramente rápida, e vai ficar ainda melhor agora...!

Láquesis fez uma pausa pequena, o que fez Átropos se perguntar o que houve para ela parar daquele jeito, atípico da mesma.

— Láquesis?

— Oh, não é nada. Voltarei ao trabalho!

A Moira ficou estranha de repente e não só Átropos, mas também Cloto percebeu isso. Ela não podia culpá-la, pois mais uma vez, o destino que Láquesis deu a eles foi alterado de forma desconhecida.

Durante a batalha, Damon contrariou mais uma vez o destino. O destino que Láquesis deu a essa história foi que todos lutassem. O final seria o mesmo, porém, um pouco diferente do de agora. Damon seria capturado como atualmente, mas os demais também teriam danos consideráveis pela batalha. O mesmo para as Fúrias. E no fim, Damon lutou sozinho...

“Até quando Láquesis poderá controlar eles, eu me pergunto...”

Cloto só podia sorrir dessa situação inusitada. Cedo ou tarde eles chegariam, e então, o destino deles não estaria mais nas mãos de ninguém, a não ser a deles mesmos...

 

***

 

Já estava de noite novamente, mais um dia se passou na Ilha da Criação. Todavia, ninguém tem cabeça agora para lembrar exatamente a contagem certa de dias que eles estão em missão ali.

Damon foi capturado pelas Fúrias que estavam em parceria com os Imperadores da Escuridão restantes, mais exatamente com Keith. Era mais uma situação complicada. E o pior é que Damon foi capturado, só esse fato desmantela tudo.

Daisy seguia dormindo, passadas algumas horas após Arthur a deixar inconsciente. Os dez estavam descansando em um local aproximadamente a um quilômetro de distância da batalha de mais cedo.

Lilith ainda não aceitava o fato de terem deixado elas irem com Damon, ela estava inquieta e nervosa. Não só ela, mas todos ali estavam muito quietos.

A fogueira improvisada iluminava parcialmente o local. Alguns dormiam encostado em árvores ao redor, outros estavam de vigia para qualquer monstro ou inimigo que de repente aparecesse para atacar. Afinal, eles ainda estavam em território hostil.

Lilith tentava dormir, mas não conseguia parar de pensar nas milhares de maneiras na qual poderia evitar que aquilo acontecesse. Mas até ela mesmo sabia. Seria inútil.

Damon só ficou sozinho e as enfrentou para reduzir os danos e as possíveis perdas. Mesmo que todos enfrentassem as três ali e ganhassem a batalha, perderiam no mínimo quatro pessoas de seu lado, três sendo mais otimista.

Ele era o líder e agiu como tal. Servindo de isca para seus amigos escaparem e armarem um plano para derrotarem as Fúrias, esse era o objetivo de Damon, que incluía até as probabilidades de ser levado por elas para a Prisão dos Condenados. Seria fácil rastrear seu reiki com Chloe ou Daisy e chegar até lá para, então, vencerem.

Lilith sabia disso tudo, ela finalmente entendeu o ato de Damon. Mas mesmo assim, ela não conseguia aceitar...

Por que ele precisou carregar tudo isso sozinho...?

— Ficar nervosa não vai adiantar nada, Lilith. – Disse Meade de repente, mexendo na fogueira para mantê-la acesa.

Em dias normais de outono, a temperatura noturna da Ilha da Criação geralmente tocava a média de 6°C.

Não era tão absurdamente frio como a Criméia, mas era frio do mesmo jeito. Com o inverno batendo na porta, geralmente as temperaturas vão variando e diminuindo mais ainda. Por isso, manter a fogueira acesa é importante.

— Me deixe em paz. – Respondeu Lilith, que estava deitada com o apoio do corpo virado para a esquerda, de costas para Meade.

— Não é só você que está preocupada. Todos nós estamos. – Ele mexeu na fogueira que soltou pequenos estalos de fogo em reação.

— Então por que não ajudaram ele àquela hora?

— Você tem que entender que-.

— Pense na Daisy!

Meade parou, com mais estalos de fogo preenchendo o silêncio que o local tomou após as palavras de Lilith. Elaine e Julie já dormiam, assim como Brandt em um galho de árvore, Silver e Grey. Arthur era o vigias do momento, um pouco mais do alto.

— Eu sei o que ele pretendia. Sei que isso nos levará a vitória. Mas... – Lilith se lembrou de ver Daisy, quando viu Damon naquele estado deplorável – A Daisy não merecia ver aquilo. Apenas pense nos sentimentos de uma garotinha de 11 anos...!

Meade só pôde ficar em silêncio, olhando fixamente para a fogueira que os deixava aquecidos diante da queda de temperatura da noite na ilha.

— Você imagina o quanto isso é pesado para esses ombros tão pequenos suportarem...? Daisy é apenas uma criança ainda...!

— ...

— Desculpe. Só me deixe em paz...

Lilith estava com os olhos marejados, se segurando para não chorar e soltar todas as suas lamúrias ali. Meade apenas olhou para cima, vendo o céu estrelado, que nem fazia parecer que era uma noite de outono.

— Vamos salvá-lo. Não importa como. – Apenas isso. Meade disse apenas isso, como um murmúrio. E Lilith apenas escutou com o silêncio como sua resposta.

No tronco de uma árvore, mais acima, estava Arthur, sentado enquanto observava e vigiava os arredores.

— E então? – Ele perguntou ao nada, mas... Uma sombra apareceu em seu lado, de pé no tronco.

— Eu consigo sentir. Está muito fraco, mas é possível... – Chloe respondeu enquanto sentia o enfraquecido reiki de Damon – O que faremos...? – Ela olhou para ele, com seus olhos violetas.

— ... – Arthur apenas ficou em silêncio, olhando para frente.

..........................


[Damon perdeu e foi levado pelas Fúrias...]

[O pior cenário aconteceu e os Imperadores da Escuridão voltam à liderar a corrida!! Agora, os Apóstolos precisam de algum plano para salvar seu líder...]


Continua no 56º Mito: "Para o Resgate"

Por Sora | 12/03/18 às 12:30 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Romance, Brasileira, Magia, Drama, Comédia, Shounen