CAPÍTULOS
OPÇÕES
Cor de Fundo
CONTROLE DE FONTE
HOME INDEX
59º Mito - Liberação de Arma Divina: Genkai

Epopeia do Fim (EDF)

59º Mito - Liberação de Arma Divina: Genkai

Autor: Sora | QC: Amnésia

— Está tudo bem mesmo?

— Já falei para não se preocupar, Ártemis tem seus próprios objetivos. Quero ver aonde eles irão chegar.

Estamos novamente no Monte Olimpo, Atena e Zeus estavam lado a lado. A deusa estava de pé, com as mãos cruzadas a frente de seu corpo. Zeus, sentado em seu trono, com o rosto apoiado em sua mão.

A Piscina da Vidência não chegava aos Hecatônquiros, por isso Zeus parecia estar entediado, sem poder ver a batalha contra as Fúrias. Sim, entediado, não preocupado...

— Entendo...

Assim que Atena respondeu, a porta da sala da Piscina da Vidência se abriu lentamente, chamando a atenção dos dois para a mesma. A deusa apenas sentiu um ar extremamente pesado entrar na sala de forma brusca. Quem entrava na sala era seu irmão mais velho, denunciando a causa do ar pesado e quente.

O Deus da Guerra em pessoa.

— A-Ares?! – Atena ficou nervosa só de ver o seu irmão que adentrava o local.

Seu cabelo que caía até os ombros, flamejante de uma cor puramente laranja e sua grande e volumosa armadura marrom destacavam seu ar arrogante que olhava para ela.

— Olá, irmã. – Seu sorriso amarelo dava medo até mesmo na deusa, que se opôs a falar algo. Sua voz era grossa, tal qual a de seu pai Zeus.

— O que quer aqui, meu filho? – E o Rei dos Deuses foi direto em sua pergunta, olhando perifericamente para o deus.

— Olá para você também, pai. – Ares respondeu de forma sarcástica, com uma pincelada de fúria.

Atena não conseguia esconder a insegurança. Ares tinha um ar forte em sua volta, que lembrava bastante o de Zeus e até o de Hades. Porém, ele era diferente... seu ar impetuoso era um ar com gosto e sabor de sangue fresco.

— Sei que não veio nos cumprimentar nem nada.

— Ok, serei direto. Me diga onde está a Caixa de Pandora.

Atena arregalou seus olhos com a pergunta. Não deu nem três segundos depois disso, e o céu de repente ficou nublado, começou a trovejar forte. A fúria de Zeus pôde ser sentida com a insolente pergunta de seu filho problemático. Mas por que tudo isso? Expliquemos.

O artefato que Ares abordou, a Caixa de Pandora. Um item forjado pelo Deus Forjador, Hefesto, que tem como chave a própria Pandora, também criada pelo deus, porém, que ganhou vida pelo mesmo diferente das duzentas chaves que ele tentara forjar antes dela. Após a Titanomaquia, Zeus guardou todos os Males do mundo dentro desta caixa.

Os Males são os resquícios negros da Titanomaquia. Eles são tudo de ruim e que possa macular esse mundo com sua desgraça: medo, insegurança, ódio, fúria, vingança. Entre outros.

— O que você quer dizer com isso?! – Ares não desgrudava os olhos do Pai dos Céus. Ela praticamente ignorava sua irmã, que agora nem conseguia esconder seu batimento cardíaco acelerado – Ares!

— Não é de seu interesse. – Ele respondeu de forma grossa, olhando friamente para Zeus. Além de Hades, esse era o segundo corajoso a desafiá-lo... – Diga-me, pai. Onde está a Caixa de Pando-?

— SILÊNCIO! – Um raio forte e estrondoso caiu e iluminou todo o céu é toda a terra de uma vez, interrompendo o deus, que deu uma leve recuada.

— Por que tanto alarde, meu pai? Apenas quero saber onde está.  – Ares não deixou sua expressão irônica no rosto.

— Realmente acha que vou confiar a localização a você? Não faça piadas de mau gosto, meu filho. – O clima que já estava pesado só pela presença de Ares, acaba de ficar mais ainda com essa situação. Atena finalmente conseguiu se segurar.

— Não vai me dizer não é...? Eu já esperava por isso, mas não custa tentar. Adeus. – Ares se virou e foi andando até a porta para se retirar. O Rei dos Deuses então o chamou.

— Espere. – Ares parou com o chamado de Zeus – Diga-me, Ares. Por que você quer a Caixa?

— Eu já disse, não? Apenas quero saber onde está. Nada mais.

“Que péssimo mentiroso...”, Atena que era uma mestre quando o assunto era mentir, sentiu-se enojada com a péssima atuação de Ares.

Claramente ele queria algo...

— Acha que vou acreditar nisso?

— Acredite no que quiser. – Após a resposta definitiva, Ares saiu. Atena voltou a respirar normalmente depois da tensão que passou.

— Por que ele...?

— Esqueça isso. Para tudo, há um propósito. Ele não viria apenas para saber onde ela está.

Zeus estava mais do que certo, Ares estava planejando algo nas entrelinhas, porém perguntar diretamente ao deus foi inesperado até para ele. Dada sua maluquice e arrogância, ele sempre quis o trono do Olimpo para si. Mas com a proibição que Zeus instaurou – a ordem de “não agressão entre os deuses”, que proíbe que os mesmos guerreiem entre si – Ares ficou mais maluco ainda.

— Ele sabe sobre mim. Ele sabe que eu sou a única, além do senhor, que conhece a localização da Caixa de Pandora. Ele tem um ódio profundo por isso.

— Sem necessidade. Você não é melhor do que ninguém. Nem ele. – Zeus respondeu secamente a afirmação de Atena.

— Ele colocou em sua cabeça que eu sou sua preferida. Que você não dispõe de informações valiosas para os outros. Ele sabe sobre seu medo...

— Se meu medo aflige ele, eu não posso fazer nada. Apenas faço isso pelo bem do Olimpo.

— Eu sei disso, pai. Mas, eu sinto que isso possa se tornar um grave problema no futuro...

— Não se preocupe. Está tudo sob controle. Mudando o assunto, como será que está a batalha deles?

— Se você usar um pouco mais de seu poder, poderá até mesmo ultrapassar o limite dos Hecatônquiros.

— Hm...

Zeus considerou a proposta de Atena. O poder da Piscina da Vidência era justamente alimentado por eles dois, mas principalmente por Zeus. A barreira dos Hecatônquiros poderia ser ultrapassada sem muitos problemas caso ele se esforçasse mais um pouquinho.

— Você está tão curioso quanto eu. – Atena retomou o humor e disse, com uma cara irônica.

— Não fale como se soubesse das coisas. Mas, como você está bem curiosa, vou fazer isso. – Também retrucando de forma irônica (uma surpresa para a deusa), Zeus reuniu um pouco de poder e ultrapassou o limite. E os dois olharam e viram que os onze estavam em um local diferente...

— Oh, as Fúrias estão bem furiosas mesmo.

— Estou rindo por dentro. – Atena respondeu sem expressar nada à piada de Zeus. Ambos estavam na prisão de Magma que uma das três criou.

— Dessa forma, eles podem ter baixas e-.

— Eles não terão baixas. – Convicta, Atena interrompeu Zeus e respondeu confiante sorrindo, enquanto olhava atentamente para a piscina.

— Para quem estava desesperada, você está bem calma e sensata agora.

— Apenas olhe, pai. O poder de meus irmãos... – A Deusa da Sabedoria sorria...

 

***

 

O magma inundava o local quase todo. Damon e os outros estavam em cima de plataformas estreitas de chão, com um rio mortal ao seu redor. Um deslize seria fatal. Tisífone estava na sua fênix, Megera estava com seus tentáculos presos a parede, Alecto flutuava como sempre. Mas nenhum dos onze poderia fazer isso que as três estão fazendo, ou seja...

— ISSO É TRAPAÇA, NÃO É?! – Gritou Damon à plenos pulmões. Eles tinham apenas as parcas terras para lutar. E isso era o pior dos cenários.

— Isso é uma ilusão...? – Elaine perguntou, só para ter certeza plena de que isso não era uma ilusão.

— Não sei. Está muito real para mim. Muito mais para uma TRAPAÇA! – E ele seguia resmungando enquanto se equilibrava com sua irmã em uma das plataformas.

— Esse é o real poder das Fúrias... as coisas estão ficando complicadas. – Murmurou Chloe para si, enquanto também se segurava pelas mãos com Julie.

O chão ia sendo engolido de pouco em pouco pelo magma, fazendo com que os onze tivessem que mudar de posição constantemente.

— Não podemos ficar aqui por muito tempo!

Eles não iriam conseguir lutar contra as três nesse mundo infestado de magma. Não havia espaço, não havia ar fresco, não havia condição alguma de vencer dentro desse lugar criado por Tisífone.

— Vocês estão falando demais. Vá, Daimon!

— Eu?! – Novamente Damon se confundiu quando Tisífone chamou por sua águia, os nomes eram muito parecidos. A fênix soltou uma rajada dourada pela boca. Mais forte do que quando era apenas uma águia – UAH!

Eles pularam para evitar o tiro. Ondas de magma subiram e depois caíram, formando mini ondas que faziam os poucos pedaços de terra subirem e descerem como pranchas de surfe, e os onze tinham que ter a proeza de se equilibrar neles.

— Temos que sair daqui logo!

— Vocês não vão! – Agora foi a vez de Megera pular e usar seus tentáculos para o ataque contra os onze. Ela escolheu sua vítima, Lilith, a que decepou seu braço restante – Vai pagar pelo meu segundo braço!

A Fúria foi com os quatro tentáculos de uma vez e Lilith só não foi gravemente ferida, porque uma onda de magma subiu com a onda de vento que Brandt provocou com seu machado, e fez Megera recuar na hora exata do ataque.

— Maldito seja!

— Não pensei que diria isso, mas obrigada magma! E Brandt também! – Lilith pulou para outro local se distanciando da Fúria, Brandt fez o mesmo.

Ali próximo, Damon colidiu sua Ryūken contra uma lâmina negra feita pelas mãos de Alecto enquanto protegia Daisy com seu braço esquerdo. Ela podia flutuar, o que facilitava ainda mais sua locomoção nesse espaço estreito e mortal de magma puro.

Alecto tinha a vantagem nesse combate.

— O que foi? Vocês não iriam nos vencer?!

— Ahaha, que engraçada. Nós vamos vencer, se você quer realmente saber! – Damon brandiu a espada e fez Alecto recuar com a força do impacto.

A situação deles era complicada demais. Damon sorria, porém, esse sorriso escondia a ansiedade e o nervosismo. Qualquer erro seria fatal ali.

“O que eu faço? Será que uso o Genkai aqui...?”

Damon pensava, mas não chegava a uma outra saída que não fosse essa. Porém, o Genkai só podia ser usado por dez minutos com o poder e treino atual que eles tinham. Depois disso, ficaria totalmente desgastado física e mentalmente, ainda por cima com seu reiki enfraquecido gradualmente.

— Julie! Não pode usar aquela magia de novo não!?! – Quem tentou achar outra solução foi Meade.

— Resposta: Não posso usar duas vezes seguidas. Tem um tempo até eu puder usar de novo. Essa é uma das desvantagens do Rule Breaker. – A garota de cabelo branco explicou com calma dada a situação.

— Merda...

— Então, acho que é minha vez de entrar em cena.

— Hã?!

Com a suave voz, todos pararam e observaram. O garoto de cabelo prateado, em um leve tom que lembra azul-claro pontiagudo, pulou de uma plataforma para outra maior e parou à frente dos outros dez.

— Silver...? – Damon olhou para ele, assim como os demais, duvidosos do que ele poderia fazer ali. As Fúrias o observaram.

— Será que água vence magma? – Silver murmurou tranquilamente, fitando os lados e o rio de magma abaixo de seus pés.

— Bom, tecnicamente, acho que não. – Grey respondeu meio receoso, escutando mesmo o murmúrio dele.

— Bem... vamos testar então. – O filho de Poseidon sacou a Lâmina do Oceano, Haumi.

— O que esse pirralho tá pensando, afinal?! – Megera já estava totalmente sem paciência. Alecto e Tisífone observavam.

Silver segurou firma a Haumi e a posicionou. Ele a fitou cuidadosamente, à frente de seus olhos. A lâmina azul com pequenas pérolas de decoração no centro. O ar atlântico que era exalado pela lâmina chegava até as Fúrias levemente, como uma valsa.

— Ei, posso tentar uma coisinha?!

— O que? – Alecto não perguntou no sentido de “o que você quer testar”, e sim o de “o que você falou?”. Mais ou menos isso.

— Conquistamos isso agora, então não sabemos o que acontece, mas vou tentar.

Foi quando todos – exceto as três Fúrias – ali perceberam o que Silver pretendia fazer.

— Silver! Você vai...?!

— Não se preocupe. Não podemos perder aqui e agora. É tudo ou nada. – Silver prosseguiu – Vamos testemunhar agora... O poder que nos foi libertado.

O silêncio pairou sobre o mundo de magma criado pelas Fúrias, deixando todos atônitos, até que Silver soltou um sorriso amargo e se virou para Damon.

— O que eu devo falar mesmo?

— VOCÊ ESQUECEU!?!

— Brincadeira, brincadeira. Foi só pra descontrair um pouco.

— S-Seu... FAÇA ISSO DE UMA VEZ!

— Sim...

Após a bronca de Damon, Silver acumulou seu reiki em sua volta. Era azul e frio, calmo e poderoso como as águas de Atlântida...

— O que ele está fazendo...?! – Tisífone se perguntou, aflita. Alecto e Megera abriram os olhos...

Do Olimpo, Atena ficou nervosa.

— Agora as coisas vão ficar divertidas. – Disse Zeus, olhando atentamente para a piscina, enquanto Atena estava o total oposto dele...

“Ele vai fazer aquilo! Eu sou muito burra! Fiz de tudo para meu pai não descobrir, e faço ele ultrapassar o limite para ver. Se bem que mesmo se eu não pedisse, ele ia fazer isso.  Agora ele vai descobrir!”

Atena controlava sua explosão interna e olhava para o Rei dos Deuses de canto periférico. Ela então tentou se acalmar ainda pensando consigo mesma.

“Fique calma, Atena. Ele não sabe que fui eu quem mandou as Musas fazerem isso. E elas nem fazem mais parte do Panteão Olímpico, ou seja, poderiam agir por sua própria vontade. Sim, essa é a melhor desculpa que posso encontrar agora!”

A deusa deu mais uma olhada para Zeus, que apesar de estar se divertindo, não demonstrava tal reação. Então a deusa voltou seu olhar para a piscina.

“Ele no mínimo ficará surpreso, isso é fato...”

E então, Silver apontou sua lâmina, sua Arma Divina, a Lâmina do Oceano, Haumi, para frente e gritou a solitária e imponente palavra-chave:

GENKAI!

.................................

Uma explosão de luz tomou forma, ofuscando os olhares de todos presentes na prisão de magma. As Fúrias ficaram sem enxergar por alguns segundos assim como Os Dez Apóstolos.

A luz que era branca, se tornou azul-claro e começou a se alastrar pelo local vermelho, como uma explosão eletromagnética de larga escala. E a luz azul-claro foi tomando tudo ali, como se engolisse a todos.

Zeus olhou bem para a piscina ao franzir sua testa e cerrar seus olhos brancos para entender o que tinha escutado e o que ele via...

— Ele disse... Genkai?!

Genkai, do japonês, romper limite. Zeus, com medo de que os Dez Apóstolos fossem dominados pelo gigantesco poder das Armas Divinas, as selou em uma forma mais convencional para ser melhor usada.

Para garantir sua segurança própria...

Ele tinha medo, como as Musas disseram a eles. E agora, esse selo – graças a elas – podia ser rompido.

E a verdadeira forma da Arma Divina, bem como seu verdadeiro poder, seriam revelados.

Atena pensou no que fazer ou no que falar, vendo a expressão clara de seu pai e resolveu fingir que também ficou impressionada.

— Não é possível...

E ela realmente fingia muito bem, até demais. Atena era a Deusa da Sabedoria afinal. Zeus não podia sequer duvidar da encenação da deusa, diferente de Ares, ela era mestre nisso. E vendo que seu pai caiu nisso, ela se segurou para não soltar uma risada de vitória.

O Rei dos Deuses, pai de todo o Panteão Grego, dono do trono do cosmos e Deus dos Céus, foi completamente enganado por sua filha. Se bem que, com certeza, essa não é a primeira vez que isso ocorre.

Retornando ao cenário da batalha, a luz se esvaiu com lentidão e foi revelando o local e os que estavam ali novamente. Quando todos abriram os olhos e puderam enxergar...

Silver estava com duas grandes lâminas azuis seguradas por suas duas mãos. Nelas, corria uma divisa branca-prateada no meio, levando até a fina e perigosa ponta afiadíssima. Delas saíam uma espécie de fumaça azul clara. As pérolas do cabo facilitavam o manuseio das duas lâminas com precisão e aderência.

— Incrível... – Daisy só podia dizer isso. Todos ali só poderiam falar essa palavra. Seus olhos estavam brilhando de tão arregalados.

— Então esse é o Genkai. Essa é... minha verdadeira Arma Divina..!

A verdadeira forma da Haumi eram duas lâminas: as Umihane, do japonês, Lâminas do Oceano.

A forma perfeita para Silver era essa. Era possível sentir a energia fluir no ar. O reiki de Silver provavelmente... não, certamente ultrapassou o nível Stigma e alcançou o Ômega. Todos sentiam com clareza esse reiki puro e tranquilo como as águas oceânicas...

— A lâmina se duplicou?!

— Isso não importa! Vamos matá-lo logo! – Alecto preparou suas garras em contraste a surpresa de Tisífone.

“Eu posso sentir. Realmente é um poder monstruoso e difícil de ser controlado. Treinar para controlar isso aqui vai ser um saco...”, Silver sorriu. Todos ainda estavam paralisados e atônitos com a situação. Quando Alecto, Megera e Tisífone pensaram em fazer algo... foram surpreendidas.

Silver flexionou suas pernas e, com um impulso fortíssimo que chegou até a destruir a plataforma onde estava, rapidamente pulou na frente de Alecto, que arregalou os olhos.

— Vamos tentar uma coisa legal...!

“Como ele-?!”, elas mal puderam esboçar uma reação. Silver cortou qualquer tipo de lamento delas quando disse lentamente...

Arte Secreta dos Deuses.

— O que?! – E quem reagiu dessa vez foi Damon e não as Fúrias.

“Se a Arte Secreta dos Deuses já é forte, qual será o poder com a Arma Divina liberada?!”, Atena ficou bastante interessada, tanto que seus olhos brilhavam refletidos na piscina. Zeus franziu a testa e olhou mais firmemente para a mesma.

Cólera de Poseidon!

Silver abriu os dois braços e um círculo se formou acima de sua cabeça, como uma auréola azul gigante com padrões geométricos complexos, e dela, uma onda de trovões azuis caíram em locais aleatórios e percorreram toda a área.

Uma esfera – também de cor azul-claro – se fez sobre os seus companheiros e os protegeu dos trovões. As Fúrias não tinham como escapar. Tisífone as protegeu com sua Fênix e tudo ficou praticamente invisível com uma explosão nova...

Quando Damon abriu os olhos, ele se viu de volta aos Hecatônquiros, já normalmente no chão junto com os demais. A realidade paralela de magma feita por Tisífone se foi completamente naquele instante.

A Arte Secreta dos Deuses em conjunto com a Arma Divina liberada pelo Genkai teve esse resultado. Um poder avassalador, a carta trunfo, o coringa que eles tinham em mãos agora!

— Voltamos...! – Damon exclamou, ainda impressionado com o que Silver havia feito.

Todos olhavam para os lados, tentando entender o que houve. Aparentemente a força da magia de Silver se sobrepôs à magia de realidade de Tisífone e a quebrou.

— Parece que eu consegui. – Silver se sentou à frente dos dez, ofegante – Realmente não dá pra administrar tanto poder assim de uma hora para outra... – As lâminas se tornaram uma só novamente e o filho de Poseidon se desgastou completamente – Minha estamina acabou. O resto é com vocês agora.

Algo estava errado. O máximo de tempo com o Genkai ativado seria de dez minutos, segundo Urânia. Nem se passou dois que Silver a usou e, mesmo assim, ele ficou com os efeitos colaterais como se tivesse usado por exatos dez minutos.

— Será que usar a Arte Secreta dos Deuses diminuiu drasticamente o tempo limite...? – Chloe pensou e formulou tal hipótese em sua cabeça.

E era bem plausível. O reiki utilizado para fazer a Arte Secreta dos Deuses é enorme, até mesmo se você não a domina completamente. Elaine foi um exemplo na batalha contra Bluebell e Grey também, contra Miles, além de Damon nas últimas vezes que usou.

— Bom trabalho, Silver, você abriu uma brecha nova para nós. Pode descansar agora.

— Claro... consigo nem levantar mais mesmo. – Silver disse, respirando fundo após o trabalho bem-feito e guardou sua lâmina.

— Foi por pouco, moleque! – A voz sombria e levemente duplicada chamou a atenção dos onze que olharam para cima. Alecto, Megera e Tisífone seguiam vivas e ilesas!

— Elas ainda estão...! – Lilith murmurou, sem nem conseguir completar a frase.

— Eu já esperava que elas iam se safar. – Silver respondeu – O poder ainda não está totalmente calibrado. É mais difícil manusear do que imaginei, mas meu plano até que deu certo. O Genkai meio que “remove” o domínio da Arte Secreta dos Deuses, por ser mais forte e liberar mais energia.

— Entendi. Você só queria nos tirar daquele lugar. – Chloe confirmou.

— Para ser exato, era uma dimensão paralela. Descobri isso porque a senhorita da fênix ali estava usando mais reiki que as demais.

— Tsc... – Tisífone estalou a língua, irritada.

— Bem feito, pirralho! Mas não pensem que acabou. Está apenas começando! – Alecto levantou sua mão, mas se lembrou que Julie bloqueou sua Maldição de Nêmesis com o Rule Breaker. – Droga!

— Com esse papinho clichê de “estamos só começando” ela esqueceu... – Chloe murmurou, enquanto suspirava frente à idiotice da Fúria.

— Então vamos ser mais práticos?!

Uma voz diferente chamou a atenção de todos, quando de repente, as três Fúrias foram violentamente atraídas para o solo, com a força da gravidade aumentada. Elas ficaram de joelhos, com olhos arregalados perante à situação que se encontravam. Parecia que uma barra de aço de uma tonelada estava as amassando contra o chão, que não aguentou e abriu um buraco central, que as afundou.

— Que pressão... é essa?!

— Não consigo... levantar! – Todos olhavam atônitos. Elaine principalmente, pelo simples motivo de que...

— Eu conheço essa técnica...!

No mesmo instante que ela disse aquilo, uma pessoa pousou à frente dos onze que olharam boquiabertos para aquela pessoa. Era uma garota de cabelo rosa com dois coques laterais, usava uma capa branca para proteger seu corpo e apoiava um gigantesco martelo nas costas, sorrindo. Porém, esse não era um sorriso violento e grotesco como anteriormente...

— Parece que cheguei na hora certa. Até que vocês aguentaram bastante, malditos. – A garota se levantou e, sem se virar, prosseguiu – Se deixassem acontecer algo com a Elaine, nem eu, nem a mãe dela iriamos perdoar vocês.

Ambos de boca aberta, olhos arregalados, e apenas dos onze, Elaine foi quem abriu um sorriso maravilhado, com seu olho direito, aquele que lhe restara, brilhando.

Porque, a própria responsável por ter destruído o seu olho esquerdo em uma batalha no País da Noite Eterna, estava na sua frente...

Exato, era ela.

— Aaah! Bellzinha!

A garota que é um dos membros dos vilões desse arco, os Imperadores da Escuridão. Ela se chama Bluebell – para Elaine, Bellzinha!

— Olá, Elaine. – E a garota respondeu, agora se virando, com um sorriso animado.


[Encurralando as Fúrias!! Bluebell regressa ao campo de batalha!!]

[Silver é o primeiro a "estrear" o Genkai e vence a dimensão de Megera!! E agora, a garota dos Imperadores da Escuridão cai dos céus e se une à batalha!!]


Continua no 60º Mito - "Mudança de Lado"

Por Sora | 19/03/18 às 21:13 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Romance, Brasileira, Magia, Drama, Comédia, Shounen