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67º Mito - Prólogo das Estrelas

Epopeia do Fim (EDF)

67º Mito - Prólogo das Estrelas

Autor: Sora | QC: Amnésia

O que é uma estrela? Aqueles pequeninos pontos brilhantes e pulsantes que observamos no céu noturno. Parece uma resposta fácil de ser dada, mas isso envolve uma análise bem mais profunda do que se imagina.

Porém, antes de respondermos o que são estrelas, precisamos saber como elas nascem.

As estrelas nascem nas nebulosas, que são imensas nuvens de gás compostas basicamente de Hidrogênio e o Hélio, os elementos mais comuns no universo. Podem haver regiões da nebulosa com maior concentração de gases. Nessas regiões a força gravitacional é maior do que o normal, o que faz com que ela comece a se contrair. Quando um gás se contrai, ele esquenta – note por exemplo que, ao encher um pneu de bicicleta, a bomba fica quente porque o ar foi comprimido.

Por isso a temperatura desses gases vai aumentando. A temperatura final vai depender do tamanho dessa região mais densa.

Se não há massa suficiente, após a contração o objeto começa a se esfriar, e se torna o que chamamos de Anãs Marrons. Esse tipo de astro produz pouquíssima energia e são mais parecidos com planetas, como Júpiter, do que com as estrelas.

Se houver muito gás, a temperatura aumentará o suficiente para "acender" o combustível nuclear e iniciar a queima do Hidrogênio (fusão nuclear), liberando muita energia: nasce uma estrela!

Então, dito isso, estrelas são grandes e luminosas esfera de plasma, mantidas íntegras pela gravidade e pela pressão de radiação. E assim como nós, são vida.

Elas estão sempre lá. E não só no céu noturno, mas também no diurno. Sim, elas estão lá ainda! Porém, são ofuscadas pela estrela mais importante de todo o imenso universo para nós, seres vivos: o Sol.

E assim como todos nós, estrelas nascem, crescem e morrem.

Uma estrela evoluída e de tamanho mediano começa a lançar suas camadas externas como uma nebulosa planetária e, se o que sobrar for menor do que 1,4 massa solar, ela encolhe para se tornar um objeto relativamente pequeno – aproximadamente do tamanho da Terra – sem massa suficiente para que novas compressões ocorram, conhecido como Anã Branca.

A matéria elétron-degenerada no interior de uma Anã Branca não é mais o plasma, apesar de as estrelas serem geralmente descritas como esferas de plasma. As Anãs Brancas finalmente se tornam anãs negras após longos períodos de tempo.

Em estrelas maiores, a fusão continua até que o núcleo de ferro se torne tão grande – mais do que 1,4 massa solar – que ele não consiga mais suportar sua própria massa. Este núcleo repentinamente colapsa, à medida que seus elétrons são dirigidos contra seus prótons, formando nêutrons e neutrinos, numa explosão de emissão beta inversa, ou captura eletrônica.

A onda de choque formada por este colapso súbito faz o resto da estrela explodir em uma supernova. As supernovas são tão brilhantes que podem momentaneamente ofuscar toda a galáxia em que a estrela se encontra.

Estrelas são mais complexas do que imaginamos, não é verdade? São mais do que simples pontos brilhantes e pequenos no céu que observamos. São mais do que simplesmente um "astro com luz própria".

Uma das maravilhas mais fascinantes de nosso universo. Estrelas. Vidas.


***


Já experimentou olhar para o céu à noite? Já imaginou a sensação de ver o passado? Quando olhamos para o céu, nós o vemos, por mais incrível que seja, o passado está bem acima de nós.

As estrelas são o passado. Pense comigo. Se a luz de uma estrela demora 3000 anos luz para chegar até nossos olhos, nosso planeta, então concorda que o que vemos é apenas o passado? Afinal, a estrela pode ter morrido há 2000 anos. E mesmo assim, sua luz de 1000 anos antes de sua morte ainda chega aqui para nós.

Toda vez que você olha para o céu, você olha para o passado. Não importa se a luz de uma estrela chegue em 1 minuto-luz, ainda assim é o passado.

Imagine, ver uma estrela que já morreu a tantos anos, agora. Ver sua essência...

.............................

Se você me pergunta em que ano estamos?

Vejamos, deve ser o ano 105Ag. Ao todo, dado a criação cosmológica, estaríamos provavelmente no ano 6118. Não é uma estimativa 100% concreta, pois não se sabe ao certo quando o universo foi criado por Caos, e isso desperta dúvidas até hoje.

Afinal, a quanto tempo esse universo existe? Matemáticos e cientistas já buscaram essa resposta, mas nunca conseguiram encontrar uma, apenas pistas. Mas o caminho nunca foi totalmente traçado a ponto de chegar no fim. E então, se dá a teoria da probabilidade geral, e temos essa proximidade. 6118 anos desde que, supostamente, Caos criou o universo.

Silêncio...

Uma estrela nasceu. Mais uma.

— Onde... estou? — Pergunta aquela pequena estrela.

Tu estás em um mundo. Mundo esse que serás sua morada a partir de hoje, local de sua criação e seu nascimento. — Uma voz, um tanto que robótica, respondia, sem demais emoções.

A pequena estrela ainda não conseguia ver aquele mundo. Ela só podia ver a escuridão em sua frente e sua volta, não importa o quanto tentasse, nem se mexer ela conseguia.

— Quem... é você? — A pequena estrela perguntou.

Eu sou o universo. E é no universo, onde se encontras o mundo. — A voz sem emoções dá sua reposta – Eu sou eu, eu sou você. Vosso nome é Pleione.

O silêncio reverbera sobre o local negro e escuro. Onde seria aquele mundo? Como seria esse universo? Quem seria Pleione? Essas perguntas preenchiam os pensamentos da pequena estrela, mas ainda assim, havia uma pergunta que ela não tinha feito.

— Quem... sou eu?

Silêncio novamente. A voz sem emoções que antes respondia instantaneamente, agora se calou. Porém, isso só ocorreu por determinados segundos, até que ela falou.

Tu és uma estrela.

— Uma... estrela...?

Sim. Mas, tu não és uma estrela qualquer. Tu és a estrela mais brilhante deste céu.

— A mais brilhante...

Tu és a mãe do Zodíaco. Aquela que guardas as constelações e os aglomerados. Tu és especial...

A estrela, que até então só enxergava escuridão, começou a sentir calor. E uma luz se acendeu a sua frente, foi crescendo e ficando cada vez mais forte conforme os segundos passavam. A luz branca foi tomando tudo e deixando tudo mais claro, até que a estrela pôde ver...

Aquele mundo dentro do universo. O lugar onde ela ficaria, sua própria casa, a liberdade. Ela podia finalmente ver como era...

— Muito... lindo...

Sim. És um mundo realmente lindo. Mas, não serás assim para sempre.

— Mas, por que...? — A estrela perguntou, com um tom preocupado e entristecido.

Porque nenhum mundo és perfeito, assim como nenhum universo também. Todos os universos e todos os mundos tem suas imperfeições. O que levas às possibilidades.

— Possibilidades...? — Perguntou, confusa.

Um mundo perfeito só iria se defasar gradualmente, conforme o passar do tempo, concordas?

— Sim...

A perfeição leva ao colapso. O perfeito é uma utopia que jamais serás alcançada. E de tão utópico que isto é, acabas se tornando uma distopia. E no fim, a perfeição levarás a ruína e, uma vez que isto acontecer, nunca mais se erguerás novamente.

— E, a imperfeição...?

A imperfeição geras as possibilidades, como vós disse. Independente se colapsar ou não, diferente da perfeição, poderás se reerguer.

— Mas, por que isso...?

Porque... Se tu não souberes o que é "cair", nunca saberás o que é "se levantar".

Ou seja, se você não sabe o que é a derrota, você nunca irá persistir para conquistar a vitória. Se você não sabe o que é o desconhecido, nunca irá procurar desvendar coisas novas.

— Mas eu não entendo... Se você nascer sem nada, como irá saber sobre outras coisas...?

Mais uma vez, silêncio. De novo, a voz, o "universo", Pleione demorou a responder. E a estrela ficou ali, esperando a resposta que viria. E ela realmente veio. E, ainda sem emoção e com uma voz robótica, disse:

Quem nasce sem nada, pode se tornar o que quiseres.

A estrela ficou surpreendida.

Aqueles que nascem do poder, usarão da força. Aqueles que nascem da fraqueza, usarão da inteligência para vencer a força.

— ...

Aqueles que irão reescrever a história desse mundo e desse universo irão nascer sem nada. Para, então, tornarem-se tudo.

A lógica era complexa, mas simples. E então, a estrela começou a ver a formação de seu "mundo". E a voz sem emoção ficou mais fraca a cada momento.

Eles virão... em breve... até lá, tu vais-...

E então, dois olhos de cor azul-escuro se abrem no meio de uma fraca luz. O teto é coberto inteiramente por nebulosas, aglomerados, constelações e galáxias. Ao redor, várias decorações estelares que traziam um clima frio e denso no quarto.

A mulher de cabelos dourados se levanta da cama, ainda com pequenas lembranças de seu mais recente sonho...

Aquele mundo e aquele universo que ela presenciara estava em sua frente. O momento havia chegado. Essa é a história do nascimento de uma estrela.

Seu nome é Electra..


***


Ano 805Ag.

As Plêiades estão, nesse momento, observando a movimentação de todos os planetas desse universo. As incontáveis nebulosas, aglomerados e galáxias, além de outras estrelas, o Zodíaco. Tudo ali é observado pelas sete.

Mas, além disso, elas também estão fazendo outras tarefas...

A mulher de cabelos dourados, Electra, tem agora um olhar distante de tudo. Ela sonhou com aquilo há quase 100 anos, mas lembra daquelas palavras até hoje.

Ela era uma estrela. Electra, a primeira filha da Primordial Pleione e líder das Plêiades, a qual observava e controlava o Zodíaco. Ela estava pensando naquilo que sonhara a quase 100 anos, mais uma vez. Até que, um grito a chamou de volta para a Terra.

ELECTRAAAAAA!!!!!!!!

Hã?! – Electra se assustou e olhou para seu lado.

Você tá dormindo, por acaso?!

Ela viu uma pequena garota de cabelo curto, até o pescoço, de uma linda cor verde-claro brilhante. Sua vestimenta era típica de um ser florestal, também com adernos verdes e detalhes dourados. Afinal, ela era uma Silvânide, uma Elemental da Terra e da Floresta, uma das, possivelmente, três últimas de sua raça, Taigete.

Taigete...? O que houve? – Perguntou Electra, ainda retornando para o mundo real.

Parece que tem alguém fazendo nosso desafio das gemas estelares. Quer dizer que eles conseguiram, seja lá quem for, passar das Erínias, não é?!

Erínias, esse era o nome mitológico dado para as Fúrias.

O único modo de chegar até o desafio das gemas estelares das Plêiades era passar vivo pelos Hecatônquiros, a Prisão dos Condenados, lar e local das Fúrias. E isso era praticamente impossível... até esse momento.

Algumas pessoas conseguiram cortar caminho e passar para o Grande Abismo sem passar por nós, hmpf! Que injusto, não acha?! – Taigete fez bico ao cruzar os braços.

Ela era a mais nova das sete Plêiades, por isso tinha tanto aparência, como certas atitudes um pouco infantis. Mas Electra até que gostava disso nela.

Não se preocupe, Taigete. Volte para o que estava fazendo. – Disse Electra, se virando e indo em direção à porta de saída do templo.

Ei, Electrazinha, onde vai?!

Electra parou de andar e se virou para sua pequena irmã dando um sorriso. Apesar de serem de raças diferentes – Electra era apenas um ser Primordial com aparência humana e Taigete uma Silvânide – as duas eram irmãs, por motivos que nem as mesmas conhecem muito...

Vou recepcionar nossos convidados. – Respondeu a mais velha, olhando para frente com confiança.

Por Sora | 01/04/18 às 15:36 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Romance, Brasileira, Magia, Drama, Comédia, Shounen