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72º Mito - Desafios do Zodíaco: Adivinhação

Epopeia do Fim (EDF)

72º Mito - Desafios do Zodíaco: Adivinhação

Autor: Sora | QC: Amnésia

Monte Olimpo, sala da Piscina da Vidência.

— Isso sim foi inesperado. – Falou o Rei dos Deuses, Zeus, enquanto acariciava sua longa barba branca, que mais remetia a nuvens do céu.

Ali, sempre ao lado dele, estava Atena, a Deusa da Sabedoria, observando o progresso dos Dez Apóstolos na Ilha da Criação, agora no templo das Plêiades, o Stellarium. Neste exato momento ambos passam pelos Desafios do Zodíaco.

Em uma ocasião normal, a piscina não conseguiria captar o que acontece dentro do Stellarium, muito menos nos portais do zodíaco. Porém, como Zeus usou magia extra para ultrapassar até mesmo os Hecatônquiros, agora eles não têm obstáculos em sua visão.

E o que o deus e sua filha viam agora, era a manifestação das personificações...

— O que são essas personificações? Você sabe, pai? – Atena perguntou, fixando suas atenções no centro da piscina transparente.

— Não... – A resposta surpreendeu Atena – Eles são idênticos a eles. Mas nunca os vi na minha longa vida...

Atena engoliu seco. Se pensar logicamente, isso pode ser uma projeção da mente deles em forma física, como se as personificações fossem apenas formas lógicas.

E também tinha a hipótese de ser obra das Plêiades, mas ela sabia que não era isso. Pela primeira vez eles desvendavam o misterioso desafio imposto para abrir a passagem para o Palácio dos Destinos, jamais alcançado por alguém.

Como Electra disse, são desafios aleatórios. Ninguém sabe sobre o conteúdo dos mesmos, nem as Plêiades ou até mesmo as Irmãs do Destino.

Claro que ela podia estar blefando, mas Atena que era uma especialista nisso, conseguiria reconhecer um. Naquele momento ela falava apenas a verdade...

— Ira, luxúria, ganância, orgulho... de fato, se parar para pensar, humanos e até deuses tem essas coisas que não compreendemos bem... – Atena prosseguiu – Todavia, se cada um deles possui apenas uma coisa dessas, então...

— Então é algo que domina eles mais do que qualquer outra coisa. – Zeus completou e Atena olhou para ele.

Os Sete Pecados Capitais. Além disso, haviam mais, mais pecados, mais sensações, tais que são presentes em qualquer ser, seja mortal ou imortal, em ordens balanceadas.

Mas, ter apenas um desses em uma pessoa só era o ápice do que Atena conhecia, algo totalmente inusitado e inédito. Não dava para entender isso de forma plausível, a não ser de uma forma.

— Reencarnações...? – O murmúrio perdido de Atena fez Zeus erguer uma sobrancelha.

“Glouténi, Armonía e Písti, as personificações de gula, harmonia e fé de Elaine, Chloe e Daisy, respectivamente. Ambas as três abordaram que já foram humanas no passado. Mas que passado? Um passado tão distante que os deuses nem existiam ainda? Meu pai não tinha conhecimento disso, então só tinha essa resposta até aqui...”

“Eles são tão iguais...”

“Humanos passados...”

“Reencarnação astral?!”

— Devo estar pensando demais... – Atena disse, colocando a mão sobre sua cabeça após pensar nisso tudo tão freneticamente. Zeus apenas observou em silêncio.

“O fato é que, o que sabemos até aqui é que há uma história implícita nisso tudo.”

As próprias personificações afirmaram:

“Estamos com vocês desde que vocês nasceram”

“Já fomos humanos”

“E agora despertamos...”

Atena só chegava a uma conclusão: eles já existiram em alguma época...

“Só pode ser isso. A aparência, reencarnação, pensar nisso não seria absurdo algum. Mas por que na mente deles...?”

Muitas perguntas, inúmeras que a deusa tinha nesse exato momento. E não tinha repostas reveladoras sobre esse novo mistério que rondará o Monte Olimpo.

Ainda...

 

***

 

[Desafio do Zodíaco de Capricórnio]

 

Não vamos nos aprofundar nesse tema agora, tudo ao seu tempo. A hora ainda irá chegar...

Voltando a programação normal.

Portal do zodíaco onde Silver estava. À frente dele, também, sua personificação, idêntico a ele da cabeça aos pés, cabelo pontudo igual de cor dourada e olhos de cor verde escuro.

O filho de Poseidon olhou para o dorso de sua mão direita. Ali estava brilhando o símbolo da coinstelação de ‘Capricórnio’. Com sua personificação, a mesma situação.

— Ah... – Suspirou sua personificação – Somos exatamente iguais.

Silver ergueu uma sobrancelha, sem entender absolutamente nada. De fato, isso era verdade, mas o jeito que seu ‘outro eu’ disse levantou suspeitas.

“Não era para eu dizer isso...?”, Silver se perguntou.

— Quem é você? – Silver indagou.

— Ah, parece que voltei como uma aparente personificação. – As palavras dele faziam Silver ficar inquieto – bem, não tem por onde... eu sou sua inveja.

— Minha inveja...?

— Sim. Pode me chamar de Ζηλεύω.

Ζηλεύω (que se pronuncia Zilévo), a inveja de Silver, essa era sua personificação. Ele parecia meio sem interesse em Silver ou até mesmo no momento que presenciava. O garoto ficou em silêncio e apenas o observou.

— Serei direto. – Ele olhou para Zilévo – Seu desafio é o seguinte.

Silver ficou em silêncio, um ar de dúvida percorreu seu corpo. Zilévo suspirou, olhou para cima, se alongando e voltou sua atenção para o garoto.

E disse:

 — O que cai em pé e corre deitado?

Silêncio...

“CHARADAS?!” Silver ficou desesperado.

“Impossível, impossível, impossível, impossível! Eu não sou bom nessas coisas! Cadê a Julie e a Chloe quando eu preciso?!”, ele suava frio. Até que Zilévo abriu sua mão direita.

— Baam. 5 minutos.

— O que?!

— Você tem 5 minutos para responder, senão vai falhar.

Silver ficou mais nervoso ainda. Essas são as regras do jogo:

 

JOGO DA ADIVINHAÇÃO:

Regra #1 – O participante deverá responder perguntas em estilo de charadas para avançar pelas casas e chegar ao final.

Regra #2 – Há um total de vinte casas para serem passadas até chegar ao fim. Cada casa tem uma pergunta e um limite de tempo para resposta.

Regra #3 – Os limites de tempo variam entre 5 a 1 minutos. Caso não consiga responder antes do tempo terminar, você retrocede uma casa.

Regra #4 -  Caso erre a resposta, você perderá o jogo automaticamente.

 

As regras entraram como um turbilhão só na mente de Silver, que começou a suar frio ao analisar as mesmas. Zilévo seguia olhando para ele, sem vontade nenhuma em seu semblante.

“Droga, o que eu faço?!”, pensou Silver desesperado.

— Mais um minuto. – Disse Zilévo.

— O QUE?! ESPERE UM POUCO!

— 50 Segundos.

— ISSO AÍ ESTÁ MUITO RÁPIDO!

— 40 Segundos.

A contagem de Zilévo estava rápida até demais. O intuito era dar mais tensão para Silver, que se viu em um beco sem saída.

— Droga! Espere aí... – Ele olhou para baixo e pôs a mão na cabeça – Cai em pé e corre deitado. Cai em pé e corre deitado. Cai em pé e corre deitado...

A contagem já estava em vinte segundos, quando Silver, após raciocinar e pensar demais, achou a resposta.

— Já sei!

— Então, já tem a resposta?

— Sim, e ela é-!

Silver paralisou ao ver que, agora, Zilévo estava com um sorriso assustador no rosto. E então, com um novo turbilhão, veio em sua memória uma das regras.

 

Caso erre a resposta, você perder o jogo automaticamente.

 

Silver refugou. Era uma situação muito complicada. No fim, ele não tinha 100% de certeza se a resposta que encontrou estava certa e se errasse, falhava o desafio.

Falhar só na primeira casa era a pior coisa que ele poderia imaginar. Mas, após pensar mais um pouco a ponto de o tempo chegar a faltar 10 segundos, ele suspirou e disse:

— Ah, não importa, tenho que tentar! Então, a resposta é... – Zilévo ficou em silêncio. Silver respirou fundo, reuniu toda sua força e falou – O que cai em pé e corre deitado são: gotas de chuva!

Sua personificação permaneceu em silêncio por alguns segundos, fazendo Silver inclinar sua cabeça para o lado, em dúvida. A aflição percorreu seu corpo e o fez perguntar de novo.

— Não é...?

— Acertou.

— Ufa, que ótimo! – Silver deu um sorriso, quando uma luz apareceu em sua frente, o fazendo andar para a segunda casa.

— Próxima pergunta: o que entra na água e não se molha?

— Hein? TEM MAIS?! 

— Você não recebeu as regras não? – Zilévo suspirou e colocou a mão sobre os olhos, balançando a mesma negativamente.

 

O participante deverá responde perguntas em estilo de charadas para avançar pelas casas e chegar ao final.

Há um total de vinte casas para serem passadas até chegar ao fim. Cada casa tem uma pergunta e um limite de tempo para resposta.

 

Silver lembrou-se novamente das duas primeiras das quatro simples regras do jogo e isso fez ele suar mais frio ainda.

“O que entra na água e não se molha...? Que?!”

— 3 minutos.

“E O TEMPO TAMBÉM DIMINUIU? ALGUÉM ME AJUDE!”

O desespero de Silver só aumentava a cada instante.

................................

Silver e Zilévo seguiam com o desafio por um bom tempo. O filho de Poseidon atualmente se encontrava na casa de número 17, totalizando 29 jogadas completas. Ou seja, de 29 jogadas, Silver teve que voltar uma casa 6 vezes ao decorrer do jogo.

Com isso, adicionadas 6 voltas de casa mais 6 acertos após erros, totalizando 12 e somando com a casa atual, 17, temos o total exato de 29 jogadas até aqui.

E, uma coisa que Silver não sabia e que só veio até ele após a 25ª jogada, era a seguinte regra:

 

Regra #5 (Especial) – O total máximo de jogadas permitido é de 35.

 

Resumindo, Silver só tinha direito de errar uma vez até chegar ao fim, pois, ao chegar na casa 20, uma última pergunta é feita. E, caso ele vá direto até a 20 e acerte, fechará o jogo com um total de 33 jogadas.

Porém, caso erre e volte uma, terá de avançar de novo, então chegará à vigésima casa com 34 jogadas, sendo a trigésima-quinta a pergunta final. Ele só tinha o direito de mais um erro.

E agora...

— Resta um minuto.

Silver suava e usava toda a sua capacidade lógica e cerebral para responder essa charada. O último erro dele foi na casa 18, ou seja, ele retornou até a 17.

Sim, quando você passa por uma casa e retorna a ela por um erro, a pergunta muda, dificultando ainda mais o jogo. E atualmente, a pergunta da casa número 18, era: Resolva o enigma dos três pescadores.

E a sequência era: três pessoas vão pescar, dois pais e dois filhos. Como isso é possível?

Não eram mais charadas, agora as perguntas mudaram. A partir da 10ª casa, se transformaram em enigmas e raciocínios lógicos.

— Já tem a resposta?

— Sim...

— Então...?

Silver suspirou. Ele sabia que só tinha direito a mais um erro e levando em consideração que a pergunta da casa anterior muda, não havia escolha a não ser acertar.

— As três pessoas são o avô, o pai e o filho. O avô é um pai, assim como o outro pai de seu filho. E o pai e o filho, são filhos, sendo o pai do avô e o filho do pai.

Isso, 2 pais – Avô e pai – e 2 filhos – Pai e filho. Essa era a lógica por trás do enigma. Zilévo sorriu e a casa 18 voltou a se abrir para Silver.

— Então-.

— Eu também já sei a resposta dessa casa. – Disse Silver, interrompendo Zilévo – A regra se aplica a mudar a pergunta da casa anterior em caso de retorno, e não a mudar a pergunta da casa seguinte, a qual você errou.

Silver deu um sorriso que fez Zilévo ficar surpreso.

— Então, repito. – Começou Zilévo – Todas as minhas flores, menos duas, são rosas. Todas as minhas flores, menos duas, são tulipas. Todas as minhas flores, menos duas, são margaridas. Quantas flores eu tenho?

— À primeira vista, parece algo incrível para se responder com apenas 1 minuto e meio. Mas após ter um pouco mais de tempo para raciocinar, descobri que há duas respostas possíveis para esse enigma.

Zilévo deu um sorriso com o começo da explicação de Silver, que então, prosseguiu com convicção.

— A primeira: 3 flores. Uma rosa, uma margarida e uma tulipa, como você disse. Mas, como esse é um enigma criado para embolar sua mente, você perde a contagem de tão extenso que é. O que nos leva a segunda resposta. – Silver levantou os dois dedos da mão direita – Você tem 2 flores. Sendo que nenhuma delas é uma rosa, uma tulipa ou uma margarida. Das duas possibilidades, essa era a que você queria.

— Correto.

A casa 19 se abriu e Silver andou até ela. 31 rodadas completas após a gigantesca e até complexa resposta.

— Então, vamos para a penúltima pergunta... – Zilévo sorriu e disse – Dois homens estão jogando xadrez. Eles já jogaram 5 jogos e ganharam 3. Como isso é possível?

“Como assim...?”

— Três minutos. – Zilévo sorriu mais ainda, chegando a mostrar levemente seus dentes.

................................

Silver perdeu e retornou a casa 18, seu último erro possível. Agora a coisa complicava e ele não podia mais estourar o tempo. Ele só tinha mais três jogadas e precisava acertar a todas.

Após acertar a nova pergunta da casa 18, ele veio até a 19 com a mesma pergunta de antes. Porém, após pensar bastante, ele seguiu seu instinto e sua lógica para responder.

— Se dois homens jogam 5 partidas e ganham 3, isso é logicamente impossível.

— Sim, de fato. Então, ache a lógica por trás desse enigma. 1 minuto.

Silver estalou a língua. “Ah, que se dane. Não tenho mais nada a perder mesmo...”

— Então, a lógica seria que eles não estão jogando contra eles.

— Oh... – Zilévo estava se divertindo com aquilo. Sua expressão havia mudado com o passar do jogo.

— Não tem como jogar 5 e cada um dos dois ganhar 3. Então, eles não estão jogando contra si... né?

— Sim. Perfeito.

A última casa, a 20ª casa se abriu e Silver viu o fim próximo. Jogada de número 34. Sua última possível. Qual pergunta viria? Ele não podia errar de jeito algum.

— Então, última pergunta. – Uma gota de suor caiu pelo rosto de Silver.

“Sim, Zilévo, pode vir. Venha com sua última pergunta gigantesca e um tempo de só dez segundos para acertar...”, ele pensou, dando um sorriso torto, porém, Zilévo ficou sério e perguntou.

— Você me aceita?

— Hã?!

Silêncio total. Que pergunta foi essa afinal? Silver não entendeu nada e ficou de olhos arregalados e boquiaberto. Zilévo seguiu sério, fazendo o garoto retomar a compostura.

— Silver, você tem inveja. De tudo e de todos, assim como eu. – Silver ficou em silêncio com suas palavras – Por isso, você pode ficar mais forte.

— Mais forte...? – Silver perguntou. Zilévo estendeu sua mão direita até ele.

— Tenha inveja, Silver. Continue invejando os outros e a si mesmo. E prove o contrário a todos. Vença. – Silver olhou para Zilévo e deu um sorriso.

— Que coisa. Somos bem parecidos mesmo! – Silver pegou na mão de Zilévo – Aceito, Zilévo. Minha inveja...!

Zilévo deu um sorriso e o símbolo da constelação de ‘Capricórnio’ na mão dos dois começou a brilhar intensamente. Esse era o grande objetivo desse desafio. Silver aceitava sua própria inveja, na qual o mesmo renegava antes...

— Estou ansioso para isso, Silver. As coisas vão ficar interessantes daqui para frente.

— O que quer dizer com isso? – Zilévo deu um sorriso.

— Veja com os próprios olhos...

A luz envolveu os dois. E tudo desapareceu...


[Com muito sofrimento, Silver supera o pior dos desafios!!]

[As charadas de Zilévo, a 'inveja' de Silver são vencidas quase que no limite!! Agora restam apenas dois desafios...]


Continua no 73º Mito - "Desafios do Zodíaco: Os Dois Últimos"

Por Sora | 04/04/18 às 14:29 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Romance, Brasileira, Magia, Drama, Comédia, Shounen