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Capítulo 06 - Fundamentos e regras da magia

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 06 - Fundamentos e regras da magia

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

Após a recuperação, Edward arrumou sua postura, mas uma pergunta ficou em sua mente.

– Parysas, se você estiver sem esse colar, isso não vai impedi-lo de usar magia?

— Não seja por isso, caro amigo. – Ele contrapôs de forma amistosa. –Lembre-se que você disse para usar magia precisa-se de uma ligação entre os planos mágicos ou ao plano divino. No meu caso, eu tenho uma “ligação natural” com o plano mágico.

— “Ligação natural”?

– Algo que me escolheu para isso, um dom que poucos usuários de magia conseguem ter. – Parysas olhou vagamente para suas mãos. – E algo que eu nem ao menos sei o porquê eu tenho. – Finalizou com um fechar casual de seus olhos.

– Se você possui essa ligação com o mundo mágico porque carrega um colar? – Edward questionou ainda mais curioso.

– Não sei como esses poderes tiveram origem, mas tenho medo que ele um dia acabe, então carrego esse colar por garantia.

— Isso é uma boa ideia se posso dizer.

— Foi ideia da Sansa na verdade. — Afirmou Parysas, coçando a cabeça vagamente.

— Ela também possui tais habilidades? — perguntou Edward admirando o colar que usava.

— Sim, praticamente o mesmo caso aparentemente. — O paladino real desviou o olhar. – Mudando de assunto, existe uma outra forma de ligação com os planos mágicos.

— Uma outra?

— Sim, quando um Deus decide emprestar seu poder diretamente e por vontade própria a alguém, essa forma é conhecida como Milagre.

— O próprio deus decide?

— Bem, eu não posso falar muito, nunca nem presenciei tal evento, mas me baseio em relatos para falar sobre eles. – Parysas afirmou um pouco avoado. – Uma parte temporária do poder de um divino, os milagres dão habilidades mágicas mesmo para quem não tem fé ou o dom de manusear magias, pelo menos eu acho. Incrível não?

— Realmente. – Exclamou Edward com um brilho no olhar. – Com tanta coisa não sei nem ao menos por onde começar.

— Verdade, eu devia lhe ensinar o básico hoje. – Parysas afirmou animado. – Bem, para iniciarmos sente-se.

Edward dobrou as pernas no chão e ficou apenas olhando a figura de Parysas que andava de um lado para o outro enquanto falava.

— Tenho dois avisos antes de começarmos. – O tom sério de sua voz iniciou o verdadeiro treinamento dos dois. – Primeiramente você deve saber que todos podem invocar magias divinas se tiverem a concentração e os requisitos necessários, mas só os que possuem a fé no deus que está emprestando a energia da magia podem moldá-la e ou usá-la como bem entender, desde que não interfira em seus princípios como paladino ou com os princípios do Deus em questão, para magia branca e negra são outros quesitos.

— Então se por algum motivo eu perder a fé eu não vou conseguir usar magias... certo. — respondeu Edward enquanto refletia sobre o que havia sido dito.

— Na verdade é um pouco mais extremo do que isso. — Alertou Parysas rapidamente. — Quando a magia é invocada, mas não é moldada, ela entra em um estado de perda de controle. A energia da magia fica sem ter para onde ir e acaba explodindo, podendo ferir a quem a conjurou principalmente.

Edward se assustou com os dizeres do colega paladino e começa a tremer vagamente pensando que poderia morrer apenas treinando casualmente.

— O quê!? — ele perguntou assustado.

— Uma explosão de tamanho médio poderia até quebrar vários ossos ou arrancar um membro fora em alguns casos. — Acrescentou Parysas preocupando mais ainda o elfo. — Mas por agora não se preocupe com isso, somente com quem não possui fé isso ocorre. Em paladinos normalmente o máximo que pode acontecer é magia não ser invocada ou falhar no acumulo de energia.

Edward se acalmou após ouvir a explicação do amigo, suas mãos pararam de tremer e uma leve confiança desperta em seu peito.

— Qual o próximo aviso? — perguntou o paladino com rezando mentalmente para não ser algo tão ruim quanto o último aviso.

— A segunda coisa que você deve saber é que, como você não é acostumado ao uso de magias, as primeiras vezes que as utilizar, você vai sentir um cansaço enorme, junto com uma dor de cabeça forte. – Parysas afirmou de uma forma calma e serena. – Vai ser assim pelos primeiros meses. Isso se deve pelo constante foco de sua mente mantendo a magia e o sangue que você irá perder por ela necessitar de sua resistência física. Trate como um exercício muscular ou algo do tipo para entender melhor.

Edward ficou pensativo sobre essas condições, não eram tão ruins se fôssemos ver de cima. Algo como “precisa primeiro se acostumar com o uso delas” era mais comum, aceitável e previsível do que “quase explodir se perder sua fé”.

— Para evitar isso é só treinar as invocando diariamente... — disse Edward pensando em voz alta.

— Exato! — respondeu Parysas animado. — Agora que sabe o básico, vamos para os elementos.

— Elementos, certo. — Concordou Edward mesmo não sabendo sobre o assunto.

— A magia em geral usa como base cinco elementos iniciais.

 Manifestando cada feitiço de forma básica, Parysas começou a explica-los.

– O Fogo, que se baseia no calor de chamas alheias ou na energia emanada do corpo, é mais efetivo ao dia do que a noite, serve para emanar energia em forma de chamas e molda-las vagamente. – Realizando uma pequena esfera de fogo flutuante, Parysas a jogou de um lado pro outro casualmente.

Após uma pequena pausa ele continuou.

– O Ar se baseia na circulação do vento e domínio do oxigênio, é recomendado para espadachins e pessoas que necessitam de ataques rápidos, pois pode aumentar a velocidade do usuário ou de sua arma. – Desfazendo a pequena esfera de fogo, Parysas invocou um tufão em miniatura que vaga a palma de sua mão de forma instável. – Inclusive é o que eu me baseio para meus ataques.

— Seria interessante vê-los depois.

— Depois eu lhe mostro. – Parysas afirmou de forma carismática e amistosa.

Desfazendo o tufão, Parysas se abaixa para pegar um pouco de terra molhada do chão.

– A terra se baseia no controle do solo, de pedras e minerais. – O pouco que estava em sua mão se forma como um espinho solido, abandonando o aspecto molhado que possuía. – Funciona melhor em campo ou fora de cidades. Devido à pouca presença de recursos é mais recomendável para quem usa Davi Golias e armas pesadas para que elas afetem a área de impacto no caso de um erro de posicionamento.

Parysas joga o espinho de terra no chão e em seguida foca no ambiente ao seu arredor, tirando dele uma esfera de agua do mesmo tamanho da de fogo que invocara antes.

– A água se baseia no manuseio de líquidos e umidade, podendo até ser retirada de ambientes úmidos em casos improvisados e estratégicos. Normalmente é usado por curandeiros para acelerar o fluxo sanguíneo de uma pessoa, fazendo-a se recuperar mais rápido, mas nas mãos certas pode ser usada para ataque facilmente ou até uma manipulação corpórea, também pode ser usada como forma solida em uma espécie de manipulação secundaria de gelo.

— Voltten diz que controlava vagamente a água e o fogo.

— Isso é bom, ele pode aprender feitiços de cura com facilidade.

— Isso pode vir a ser bom..

— Agora o último e mais importante elemento. – Parysas desfaz a esfera de agua, mas dessa vez não ilustrou nada. – A verdadeira Aura ou Energia. Normalmente usa-se o termo “aura” para se referir a inúmeras coisas referentes a magia, mas nesse caso é algo extremamente especifico. Ele não pode ser usado em magias divinas e a teoria de sua criação é uma enorme serie de esforço imposto para emular magias de deuses mortos. É o principal elemento usado em magia negra e branca, se baseando no domínio do universo e em suas propriedades, é dele que saem feitiços insanos e como: ler mentes, invocar espíritos, criar objetos de diferentes materiais, reforçar armas, enfim.

Parysas afirmou de uma forma levemente mais seria que o normal.

– Os que dominam esse elemento com maestria tendem a ser considerados por alguns como semideuses, mesmo sem poderes dos mesmos. Sem nenhum limite e quase sem nenhum requisito, essa é a força mais poderosa que se tem registro.

— Quase sem nenhum requisito... o que seria esse quase? — questionou Edward impressionado com tal poder.

— O único requisito é que o usuário que a usa deve estar vivo de certo modo. – Parysas afirmou de forma indiferente. – Mas é possível que nem a morte seja capaz de parar alguém assim.

— Então um profissional que controla a Aura é praticamente imortal? —perguntou Edward levemente arrepiado.

— Compreende o porquê usuários de magias brancas e negras serem tão temidos? — disse Parysas deixando seu sorriso de lado e ficando com um tom sério em sua voz. — Não é à toa que Yeshua e Lúcifer são os Deuses mais temidos no mundo como um todo.

Parysas recuperou o ânimo e reconstituiu seu bom humor, que era típico e começava a se tornar assustador para Edward, que sempre percebia as alterações de humor do amigo.

— Sansa seria mais forte que você então.

— Não exatamente. – Parysas afirmou de forma atrapalhada. – Ela é forte sim, mas eu diria que seu poder seja mais mental que físico e não tão direto.

– Compreendo...

– Por agora você deve pensar em qual elemento quer focar e depois qual magia do elemento quer se focar. Comece pensando no que você quer fazer como paladino.

— O que eu quero fazer? — se perguntou Edward pensativo, colocando seus dedos em seu queixo e contemplando o horizonte. — Fogo seria bom, mas por depender do sol pode ser um problema. O ar também viria a calhar, porém ele depende de uma espada e eu posso não estar apto a estar com uma a todo momento. Terra é descartável por envolver armas pesadas, e água é uma incógnita para mim, ela pode ser útil, mas Voltten já tem o controle desse elemento. Perderíamos possibilidades de possuir novas opções no futuro...

— Edward... – falou Parysas atrapalhando o pensamento do amigo que continuava a olhar para o nada por longos minutos. — Já se decidiu?

— Ainda não. Estou entre ar e fogo na verdade... – ele afirmou de forma vaga.

— São dois muitos bons. Quer me ver usando o ar para ter uma ideia? —sugeriu Parysas.

— Seria ótimo! — concordou Edward fazendo um “sim” com a cabeça. —Por favor.

Parysas se afastou do amigo e focou seus olhos em um boneco de treino que estava isolado do resto, quase fora da área de treino. O paladino sacou uma de suas seis espadas e respirou fundo por alguns segundos.

Sabes, senhor, que eu não sou o merecedor de sua bondade... —começou a orar o paladino real vagamente calmo.

Edward viu uma espécie de nuvem verde se formando nos pés de Parysas que continuava a encarar o boneco de treino. Fortes correntes de ar começam a puxar vagamente Edward na direção do amigo, mas não conseguem movê-lo devido ao seu peso. Mesmo assim ele as sente e apenas temia o que Parysas estava fazendo.

...Que não sou aquele que lutara pelo senhor... — toda a energia que Parysas acumulou recitando a oração explodiu semelhante às portas das celas que haviam sido abertas pelo poder mágico do paladino real anteriormente. Porém, diferente das portas que foram empurradas pelo ar, Parysas foi arremessado aos céus.

Os olhos de Edward não acreditavam no que viam, mas ele não podia negar o que estava a acontecendo.

A terra que fora puxada junto com Parysas caiu lentamente enquanto o paladino continuava mantendo seu foco no boneco feito com um saco de batatas.

A metros de diferença, Edward perguntou-se se isso era normal, enquanto via o amigo que em questão de segundos tinha levantando voo.

...Ou que morreria por você... – Parysas recitou essas palavras, enquanto arremessou sua espada com sua mão direita tal como se ela fosse uma lança, a arma perfurou em cheio o que seria o “peito” do boneco de treino que acabou por ganhar novos furos.

Edward percebeu o objeto que foi arremessado e quase decidiu intervir, ato esse que não realizou por medo.

.... Não sou um homem que pode se chamar de digno, — continuou a recitar, Parysas flutuando no céu quase limpo.

As espadas que antes estavam guardadas em suas determinadas bainhas localizadas na cintura do paladino real foram expelidas para fora e flutuavam junto com o mesmo na mais pura e divina representação de um guerreiro alado.

Mas meu coração visa o bem e minha espada a justiça... — com um leve apontar da palma de sua mão Parysas faz todas as espadas que estavam flutuando giraram, formando um círculo em volta de si.

Segundos após isso elas pararam e com um golpear no ar, surgiu de suas lâminas, enormes laminas verdes em formato de linhas que percorram os ares e atingiram o boneco de treino em questão de instantes.

O acontecimento tinha ocorrido em uma velocidade tamanha que Edward mal havia entendido o que aconteceu após a espada, que estava sendo manejada por Parysas, atingir o saco de batatas que agora, se resumia em vegetais cortados e trapos jogados no chão.

Parysas caiu lentamente no chão semelhante a um anjo descendo de seu voo, suas espadas flutuavam magicamente de volta para suas bainhas, com a exceção da primeira que tinha sido arremessada no boneco.

...Justiça essa que eu praticarei com minhas próprias mãos e que serás espalhada por onde eu andar. E que assim seja feito vosso desejo, tanto nesse, quanto em outro mundo. — Recitou Parysas de uma forma tão rápida que fez parecer que estava contendo sua língua para falar. Após tal ato de cacofonia o paladino real recuperou o fôlego lentamente.

— Você nem chegou a terminar a oração... — disse Edward ao reparar no que Parysas acabara de recitar.

— Como? — perguntou o paladino real ainda sem ar.

— Você disse que os paladinos reuniam energias a partir de orações. – Edward afirmou sem palavras. – Como que você reuniu energias suficientes sem recitar a oração completa?

— Bem observado. — Elogiou Parysas acabando de recuperar o fôlego vagamente. —Imagine as orações como uma espécie de copo, e a energia como um líquido. Quando o líquido enche o copo a magia é invocada, o que eu faço seria algo como orar o necessário para que não falte líquido, mas ainda prefiro terminar a oração por respeito... entendeu?

— Bem... — Edward colocou a mão em seu queixo e começa a raciocinar. — Seria algo como não precisar recitar a oração completa porque você já reuniu as energias suficientes para a magia na metade dela.

— Exato! — confirmou Parysas impressionado. — Quando você desenvolver seus poderes provavelmente não vai precisar recitar sua oração completa, isso economiza uns minutos de concentração, mas você já se decidiu qual elemento quer se basear?

— Sim! — afirmou Edward se levantando confiante. — Acho que vou escolher fogo! Água já é dominada por Voltten, terra pode vir a ser ruim e ar depende muito de uma arma, Fogo eu acho que seria perfeito para mim.

— Ótimo! — respondeu Parysas animado. — Mas já pensou no que você quer fazer?

Edward teve um breve choque mental e acabou voltando a ficar pensativo. Parysas percebeu que o amigo não havia pensado no que queria fazer e apenas se dirigiu ao que já foi um boneco de treino e desgrudou sua espada e a guardou em sua bainha e após isso retornou para Edward.

— Acho que queria algo que proteja e que também sirva como magia ofensiva. — Sugeriu Edward ainda pensativo.

— Isso.... Isso é muito vago. — Contrariou Parysas de forma realista. — Pense em algo mais objetivo.

— “Mais objetivo” ... hum? — cochichou o paladino para si próprio enquanto pensava. — Acho que algo que não necessite de uma arma para funcionar totalmente, algo que não fosse muito complicado e não exija muito esforço, assim eu posso a conjurar várias vezes até me cansar eu suponho e que supostamente eu possa reunir todos seus usos em um ataque maior.

— Certo, algo mais versatil, irei procurar uns livros sobre magias de fogo hoje à noite. — disse Parysas olhando para o céu com a palma da mão aberta em cima de seus olhos tampando o brilho da estrela que não lhe atrapalha a visão. — Já deve ser meio-dia. O tempo voou hem?

— É mesmo. — Concordou Edward direcionando sua visão ao sol e sendo cegado por ele por breves instantes.

— Vamos fazer assim, por hoje você tenta conjurar uma pequena chama, não vai ser desperdício de tempo e pode vir a calhar. À noite descansaremos e, amanhã, lhe trarei uma lista de feitiços que se adequem ao que você pediu. Certo?

— Sim! — confirmou Edward totalmente disposto, mas logo ficando curioso. — Mas como irei iniciar essa tal chama?

— É simples, veja! — Parysas fez lentos movimentos com as mãos para demonstração. — Primeiro você une suas mãos como se fosse uma reza, após isso afaste as mãos normalmente, nisso recolha seu anelar e mindinho e tente aplicar o máximo de energia nas pontas dos dedos indicadores.

Edward seguiu passo-a-passo dos dizeres do amigo, mas não conseguiu resultado algum.

— Esse é um método simples para treinar o elemento fogo. Tente focar ao máximo e se esforçar em dobro. – Parysas comentou incentivando.

— Entendi. — falou Edward, repetindo o processo sem alcançar nenhum resultado.

— Talvez demore um pouco para isso acontecer. — falou Parysas após um breve suspiro. – Vamos lá, eu sei que você consegue!

Por Tisso | 07/04/20 às 15:35 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia