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Capítulo 07 - Viagem a negócios

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 07 - Viagem a negócios

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

Enquanto os dois paladinos aproveitavam o dia de sol para treinar e desenvolver suas habilidades mágicas, Sansa e Voltten aproveitaram o tempo para estudar a arte teórica de magias.

Com imensas pilhas de livros circulando, eles apenas leem concentradamente em uma das mesas que decorava a biblioteca real do castelo.

Sansa em um momento de cansaço desviou seus olhos lentamente para Voltten que estava com a cara tapada por um livro de capa marrom que estampava uma cruz e os dizeres A arte da religião. Os dedos do elfo o segurava na altura dos olhos enquanto seu longo braço se apoiava na mesa. Mas um detalhe incomodou Sansa.

O anel que havia sido dado a Voltten tinha sido colocado pelo mesmo em seu dedo anelar de sua mão direita, coisa que era comum entre casais. Informação essa que era conhecida pela maga.

Sansa, envergonhada, apenas questiona o ato do mago falando calmamente:

— Voltten...

O mago abaixou o livro deixando seu rosto distraído à mostra.

— Sim? — perguntou Voltten direcionando seu foco brevemente a Sansa.

— ...você gosta de mim? — questionou Sansa casualmente, sem pretensões ou segundas intenções, apenas uma pergunta pura e casual inicialmente.

Voltten ficou completamente sem reação, mesmo sendo um mago com um intelecto de extremamente grande, ele não entendeu o motivo da pergunta e começou a recapitular em sua memória, todos os momentos que os dois tiveram interação até agora, para conseguir alguma pista do porquê da pergunta.

Em sua memória, Voltten apenas lembrou de Parysas junto com Sansa, o conduzindo para seu quarto junto com Edward e Varis. Logo em seguida, o mago se escondeu propositalmente atrás do livro com vergonha.

Sansa observou o mago pensativo que ficou sem palavras após ouvir o que havia sido perguntado. Ela refletiu brevemente sobre o que havia falado e pensou no que a frase sozinha podia significar.

 “Hum...” pensou Sansa listando os significados. “Um interesse amoroso, uma pergunta descompromissada com segundas intenções, algo totalmente para segundas intenções. E de tantos outros significados eu escolhi justamente ‘Uma pergunta sobre seu dedo anelar’! Meu deus...”

— Bem... eu não diria que não gosto... – Voltten afirmou nervoso e envergonhado, ainda evitando contato visual.

— Quer dizer, você colocou meu anel mágico no seu dedo anelar, igual quando uma pessoa se casa. — respondeu Sansa tentando recuperar a postura.

— Ah! Isso foi proposital. – Voltten afirmou voltando vagamente a postura original e tentando abandonar a vergonha ao falar. — Caso algum dia for preso ou questionado por algum guarda, posso dar a desculpa de ser casado para manter o anel em meu dedo e continuar a conjurar magias...

— Então colocar ele aí foi um plano para nunca se separar dele? —perguntou Sansa voltando à normalidade aos poucos.

— Sim. – Voltten afirmou com mais firmeza. – Vou falar para Edward fazer o mesmo, ia ser um problema se nós não tivéssemos uma conexão com o mundo mágico, não?

— Sim, acho que você tem razão.

Os dois se aquietaram e voltaram a ler, ambos esconderam os rostos sem perceberem.

Porem no meio de tudo aquilo, Sansa se pós a pensar.

“Por um breve momento, me senti bem envergonhada. ” Pensou Sansa ao desviar novamente o olhar para Voltten, mas dessa vez não conseguindo ver nenhuma parte de seu rosto. “Ser criada apenas com meu irmão e Cérbero não fez muito bem para minha mente... Foco Sansa! Foco! Ainda não é o momento para isso... eu acho”.

Cerca de três horas após o despertar de Edward e Voltten Varis acordou, mas não em sua cama.

O ladino, com os olhos ainda sonolentos, despertou com uma enorme pancada em sua nuca. Ainda dormente, ele olhou ao redor para identificar o local que mudou de um quarto velho e empoeirado para o interior de uma carroça coberta.

— Mas que diabos? — afirmou Varis se sentando e acordando aos poucos completamente confuso.

Uma figura encostou no seu ombro, fazendo-o se jogar para frente, ele se virou rapidamente, deslizando sua mão esquerda para sua cintura procurando o punhal de uma adaga.

Mesmo com a visão um pouco embaçada, Varis reconheceu o homem que havia lhe encostado, o manto vermelho escuro dele é a única coisa que se tem visão o suficiente para discernir, seu rosto estava uma mistura de tons de pele com o preto de seu cabelo e de seus pelos faciais – que não eram grandes a ponto de se chamar de chamar aquilo de barba.

— Bom dia! — exclamou Cérbero após ver que o ladino havia acordado. — A propósito suas armas estão na mochila ao seu lado.

— Você de novo! — reclamou Varis virando sua cabeça e confirmando a existência da mochila dita pelo caçador. — Onde estamos?

— Artit. — Afirmou Cérbero voltando sua mão para a corda que era puxada pelo cavalo que carregava a carroça. — Mais especificamente em direção a capital.

— Artit? Esse não é o país dos Cavaleiros Negros?

— Sim.

— E porque estamos aqui? — perguntou o ladino vasculhando a mochila desconfiando.

— Serviço. — respondeu Cérbero ignorando as ações do elfo negro.

— Vou perguntar melhor já que não foi óbvio o suficiente. Porque eu estou aqui? — repetiu Varis indignado, conferindo a mochila e tendo certeza de que ela era sua.

— Edward está treinando magias com Parysas, Voltten deve estar lendo com Sansa, e você, como não tinha nada para fazer, veio comigo para um trabalho mundano ao invés de ser vigiado em uma sala fechada.

— Eu podia ficar treinando no castelo. — Reclamou Varis colocando suas armas em seus devidos lugares.

— Treinar o quê? O rei já falou para você. Treinamento é uma coisa que você não precisa no momento. – Cérbero afirmou de forma rápida. – E já que perda de tempo te ensinar magia quase. Foi por eliminação que você veio comigo.

– Como assim perda de tempo?! – Varis questionou irritado.

– Nem Parysas nem Sansa estariam dispostos a treinar alguém como você e minha “escola de pupilos” está fechada a quase uma década.

Varis suspirou de cansaço momentâneo, revoltado com os dizeres do caçador ele volta a deitar.

Olhando para o banco do interior da carroça, outra vez ele levantou levando uma pancada na cabeça devido a um pequeno salto do veículo.

— Ai! — reclamou o ladino desistindo de tentar dormir de novo. — A propósito o que vamos fazer em Artit?

— Bem.... Eu não tenho certeza, mas acho que vamos matar um peixe meio grande. — Cérbero afirmou meio animado com gírias que não são entendidas por Varis.

— Vamos pescar? — perguntou o elfo tentando entender o que tinha ouvido.

— Não, imbecil! — respondeu Cérbero de forma ignorante. — Vamos matar um demônio.

— Demônio? Tipo Lúcifer?

— Deixa de blefe inútil. Eu sei que do seu grupinho de elfos você é o mais vivido.

– Bem, isso é de fato verdade. – Varis concordou vagamente inquieto. – Mas que tipo de demônio?

– Isso temos que ver ainda, mas não se preocupe, mais que um nível cinco não vai ser... – Cérbero parou para pensar momentaneamente. – Eu acho.

– Eu não dou conta de um nível quatro direito... – Varis afirmou meio receoso.

– Pra tudo tem uma primeira vez, relaxa.

Ao olhar para o horizonte eles veem a montanha a poucos quilômetros. Ela era gigantesca, e podia ser vista facilmente aquela distância e se destaca de imediato sendo a única montanha no meio do nada.

Ela tinha um estranho formato cilíndrico que terminava em um pico, algo semelhante a um pequeno espinho gigantesco. Ele era rodeada por enormes e grossos muros em seu arredor.

Dentro dos muros o inimaginável se provara possível com um esculpir de uma das partes inferiores da montanha que agora era sustentada por inúmeras torres de pedra que serviam como pilastra, nisso uma divisão notória entre o lado claro da cidade e o residente das sombras da montanha.

O lado claro era onde as pessoas de baixa renda e valor social moravam, em sua boa parte trabalhadores ou até mesmo guardas mundanos. Em contrapartida, a parte escura agregava os mais ricos e influentes moradores, além de possuir o portão de entrada para a fortaleza interna.

A cidade que agregava todas essas construções peculiares e arquiteturas estranhas era chamada de Monssolus, cidade que era protegida e governada pelos Cavaleiros Negros e adorada como capital e sua sede principal.

A carroça que levava Cérbero e Varis para de frente ao enorme portão de madeira grossa semelhante aos de outros reinos vistos pelos dois em épocas passadas. Uma saída paralela vagamente menor e mais discreta para evitar muita circulação de pessoas.

Ao verem o veículo parado, dois guardas foram conferir quem era o proprietário da carroça, já que aquela não era a rota de entrada padrão da cidade.

As armaduras em tom preto com o brasão de um cavalo a frente de um escudo estampado em tinta branca no peito. Eles estavam com um elmo que cobria completamente seus rostos.

Preocupado, Varis decidiu ir para dentro da carroça em tentativa de se esconder, ato que não fez a mínima relevância. Os guardas que marchavam rumo à carroça pararam a alguns metros ao ver o sorriso de Cérbero que os apavora deixando-os trêmulos.

— Pode entrar! — gritou um dos guardas que tem como resposta ao abrir do portão.

— Certo, vamos entrando! — disse Cérbero, batendo a rédea fazendo o cavalo andar e puxar a carroça consigo.

Varis, menos apreensivo e mais confiante, decide colocar sua cabeça para fora e visualizar a cidade que o encanta o deixando pasmo.

A visão da pedra lisa da montanha, que era cortada e sustentada por pilares de pedra, que abrigavam outros Cavaleiros Negros, o surpreendem ao máximo.

As casas eram feitas de pedra talhada, intensificando o aspecto rústico do lugar. As pessoas que por lá passavam, pareciam estar de bem com a vida e sem nenhuma preocupação.

As raças eram mistas ao extremo, não haviam restrições para cor, tamanho e aparência, todo tipo de pessoa circulava por lá, seja ela um elfo, humano, anão ou quiçá uma outra raça incomum.

— Monssolus, boa e velha. – Começou a explicar Cérbero chamando a atenção de Varis. — Construída a quarenta e cinco anos atrás pelo antigo líder dos Cavaleiros Negros, possui o maior poder bélico e os soldados mais fortes das Américas supostamente. Também é a sede do primeiro esquadrão dos Cavaleiros Negros que conta com quase vinte mil soldados, e da quarta divisão que conta com apenas um soldado.

— Apenas um? — questionou Varis ainda surpreso com o local.

— É, eu sei. É estranho. – disse Cérbero omitindo vagamente a complexidade dessa trivia.

— E isso tudo pode acabar com o cair da montanha nessa cidade. — Ironizou o ladino rapidamente.

—As pilastras são tantas que a falta de uma ou duas não causaria impacto... – Cerberos afirmou lentamente enquanto direcionava a carroça.        — Aliás, a montanha possui um castelo dentro dela.

— Hum? Espera, então você está dizendo que dentro dessa montanha tem um castelo? – Varis questionou surpreso e pondo a cabeça para fora da carroça para ver melhor as coisas.

— Bem... algo que pode ser considerado um castelo, ou um forte talvez. É nela a onde fica a sede dos Cavaleiros Negros. — explicou Cérbero calmamente. – Mas nós não vamos nele hoje.

— Não? Então aonde vamos?

— Uma loja de minérios, também temos que ver uma pessoa.

— Só isso? – Varis perguntou de forma pensativa voltando para dentro da carroça. – Pensei que íamos ver um demônio.

— É depois que a diversão começa garoto. – Afirmou Cérbero de forma minimamente questionável.

A carroça passou entre as ruas movimentadas pelos moradores da peculiar cidade, inúmeras lojas com vitrines chamativas roubaram a atenção de Varis por breves instantes.

Em poucos minutos, no distrito comercial que ficava no centro entre a parte clara e a escura da cidade.

— É aqui. – Afirmou Cerbero após parar a carroça.

Varis olhou para a loja a sua direita e viu um lugar modesto, feito de pedra igual a todas as construções da cidade. Sua vitrine era feita de inúmeros cartazes que se assemelhavam aos avisos de bandidos à solta, mas ao invés de pessoas os cartazes pediam minérios.

O elfo passou os olhos rapidamente por eles e leu palavras soltas como “Precisa-se”, “Carvão”, “Pó de ouro” e eteceteras. Ao entender do que se tratava Varis apenas olhou para Cérbero que já estava abrindo a porta da loja.

O ladino pensou momentaneamente em escapar, mas lembrou da noite anterior e descartou a ideia.

Ele desceu da carroça e abriu a porta da loja de minérios. Ao entrar, conseguiu a visão de Cérbero que já conversava com o atendente, um velho senhor com cabelos grisalhos e um robusto bigode branco.

Em uma ação rápida ele se dirigiu ao canto direito do cubículo que era dividido pelo balcão do atendente e se escora na parede.

— Quem é ele? — perguntou o velho senhor a Cérbero que já estava sacando um saco de dinheiro de dentro de sua roupa.

— Um novato. — respondeu o caçador tirando junto com o saco de moedas um papel velho. — Estou levando ele para uma missão de campo.

— Entendo, mas ele não é muito jovem para uma missão? — o senhor pegou o saco de moedas e em seguida começou a ler o que havia escrito na lista.

— Ele pode até ser jovem, mas deve ser melhor que um cavaleiro comum na média. — Cérbero olhou para Varis que aparentava estar com tedio de ter que esperar. — Pelo menos eu acho.

— 500 Gramas de prata, 350 gramas de vidro, 5 lascas medias de esmeralda ou diamante, 100 gramas de sal e uma pedra redonda. — Leu o senhor anotando o preço de tudo que havia sido listado. — Ganancioso como sempre, vai lhe custar cinco mil moedas.

Varis se impressionou, tanto pelo pedido quanto pelo valor do mesmo.

— No saco tem dez mil. — respondeu Cérbero rapidamente. — Pode ficar com o troco.

Varis se impressionou mais uma vez.

— E traga tudo dentro de um saco unico. — Acrescentou o caçador. — Não vou precisar separar eles mesmo.

— Certo, só um momento.

O senhor deu meia volta e saiu calmamente por uma porta que havia atrás do balcão.

— Dez mil! — exclamou Varis indignado. — Você gastou dez mil!

— Algum problema? — perguntou Cérbero sem se importar.

— Sim! Você gastou dez mil e ainda deu o troco para aquele velho!

— E...? — debochou Cérbero.

— E...? Você está perdendo dinheiro, você não vê?!

— Na verdade eu não ligo para o dinheiro. — explicou o caçador se virando para Varis de forma calma e serena. — Quando você for mais velho irá entender o quanto o apego com bens matérias é inútil.

Varis apenas se inquietou um pouco com a frase que, mesmo genérica, era de um bom cunho, logo ele decidiu ignorar o caçador.

— E além do mais, o dinheiro era do rei, não meu. – Finalizou Cerbero com um grande “não é problema meu”, cortando completamente a lógica da frase anterior. – Pra missões me dão a suposta quantia do que precisar comprar gastar, como nessa é uma missão simples, eu posso deixar o dinheiro de excesso para trás.

– Certo... – afirmou Varis com uma leve raiva da mentalidade de Cérbero.

 

Por Tisso | 09/04/20 às 11:50 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia