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Capítulo 107 - A Caminho do Fim

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 107 - A Caminho do Fim

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

O inimigo estava lá, metros a sua frente, ele possuía uma quantidade anormal de bombas em sua capa volumosa. James rapidamente deduziu seu raciocínio.

Para um caçador, Klaus leu a situação com um livro infantil. A artilharia perfeita de James era uma grande ameaça para quem lutava de forma corpo-a-corpo se tentasse uma investida quase certeza que resultaria em uma falha.

A única solução que havia chegado era em uma saraivada de bombas que tentariam sugar o máximo do tempo do arqueiro a ponto de que os dois ficassem corpo-a-corpo, assim favorecendo o caçador.

A largada foi dada e James caminhou para trás enquanto focava sua mira em Klaus, realizando o primeiro tiro depois de dez segundos, como de praxe, ele foi certeiro. Apesar da armadura de couro do caçador ter anulado o real dano, ela ainda fez um corte considerável na pele do mesmo que reagiu em um movimento rápido sem esboçar a mínima dor sequer.

Como um movimento complementar, ele arremessou duas bombas de estilhaço na direção de James, que já havia preparado a segunda flecha, logo redirecionou sua mira para uma das bombas.

Em pleno ar, os projéteis colidiram e a pólvora misturada com estilhaços explodiram com o impacto da flecha, isolando a segunda bomba que explodiu logo em seguida.

Aquilo havia ocorrido metros à frente de James, que não foi afetado assim como Klaus. De forma calculista, James fez o mesmo que fez na primeira luta, realizando uma saraivada surreal de flechas que só acabou quando Klaus obteve cobertura.

Era notório a diferença de Klaus para os outros competidores. Enquanto os inimigos anteriores de James viraram quase que peneiras vivas, Klaus foi sagaz e rápido, conseguindo desviar das flechas, tendo apenas alguns ferimentos.

Em cobertura, Klaus arremessou sua bomba de óleo inflamável que foi atingida assim como as bombas flamejantes, resultando em poças de fogo que, mesmo letais, cobriam uma área ínfima. O caçador aos poucos começou a ouvir os passos do arqueiro que se movia friamente, tentando achar a brecha nas coberturas.

Klaus se revelava com uma certa constância para atirar as bombas, mas nenhuma o atingiu, foi só em um momento de sacrifício que ele obteve um resultado. Deixando seu antebraço mais exposto, ele teve a atenção de James tomada pelo membro que foi perfurado pela flecha certeira do arqueiro.

O caçador se recolheu com as esperanças que suas bombas fizessem efeito, mas o que ele obteve foi um som de cerâmica quebrando junto da explosão adiantada. James não só havia o atacado, ele conseguiu se defender com perfeição tamanha que causou arrepios em Klaus.

Ele tirou a flecha do braço sentindo o sangue esguichar e escorrer, junto disso a dor e a leve perda de movimentos, não havia sido tão crítico, mas os nervos deliravam perante aquilo.

Klaus respirou fundo enquanto tirava seu colar, símbolo de seu clã. Um pingente de duas faces, assim como uma moeda, uma possuindo uma figura humana e a outra a de um lobo. Sua fé no divino morto foi revivida como resquícios de conhecimentos passados.

Ele vasculhou suas bombas, separando todas para uma distração. Isolados de todas as coisas, ele guardou seus dois tubos de ensaio com líquidos rosados e uma bomba de fumaça.

Foi um arremesso em massa, todas as bombas estavam sendo jogadas sem estratégia alguma. Em alguns minutos, poças de fogo, nevoas brancas e até mesmo a estática para desestabilizar magias haviam infestado o local.

James havia cogitado que a estratégia de Klaus era acabar com seu estoque de flechas, mas aquilo era falho ao extremo. Mesmo que na teoria funcionasse, James não entrava em um combate com poucas dezenas de projeteis e, logo contornaria a situação como se não fosse nada.

Quando as bombas cessaram, Klaus revelou sua silhueta entre a pouca fumaça. Ele estava sem sua armadura de couro e segurava em suas mãos uma bomba de fumaça e um dos tubos de ensaio.

James não disparou inicialmente por receio, mas reagiu quando ele viu o braço fazendo força para quebrar a bomba enquanto levava o tubo de ensaio para sua boca.

O líquido já estava a sendo engolido pelo caçador de forma inconsciente enquanto a névoa subia, seu olho direito estava sendo penetrado pelo projétil de James, que acertou de forma quase perfeita seu alvo.

Quando o corpo caiu para trás, a névoa branca o engoliu por completo como uma nuvem que o corroía. Os sons de dor e agonia vindos de Klaus vieram aos montes enquanto James observava curioso.

“Desculpa aí amigo, o plano era manter você vivo, mas casos extremos exigem situações extremas” James murmurou mentalmente enquanto armava uma nova flecha por precaução.

Os sons de dor e desespero aos poucos se modificavam para sons bestiais animalescos. Seguido daqueles sons, ossos quebrando e se atrofiando os acompanharam de forma horrenda.

Aos poucos, os granidos humanos foram substituídos por grunhidos caninos, cessando em alguns segundos.

O suor frio escorreu pela testa do arqueiro, que manteve seu olhar focado a onde o corpo havia caindo. Vendo no mesmo local, uma silhueta surrealmente bizarra se levantou em meio a nevoa branca – sendo atingida pelas flechas do arqueiro que não hesitou em atacar.

Para tentar impedir, ele arremessou a bomba de Varis que o parou por alguns segundos, mas sem sucesso em pará-lo.

Aos poucos o ser meio homem, meio lobo se revelou.

O gatilho de memória do arqueiro já identificou na hora do que se tratava. Mesmo não tendo ideia dos métodos usados para alcançar tal resultado, aquele ser era um licantropo, uma espécie de linhagem lendária que poderia se transformar em uma criatura meio lobo em períodos de lua cheia – necessidade essa que foi burlada pela poção.

James não sabia se ficava espantado, com medo ou ignorava todas as dúvidas. Independente dos sentimentos, ele não parou de atacar em nenhum momento, nem mesmo com o ser lendário indo em sua direção.

Porém, diferentes das flechas anteriores, essas não faziam efeito, isso quando conseguiam perfurar seu couro de lobo resistente. Klaus correu de forma quadrúpede na direção de James como um verdadeiro animal. O arqueiro viu, em segundos, as garras de seu oponente se aproximando de seu corpo e rapidamente ele jogou o próprio arco no chão.

– Eu desisto! – Ele gritou engolindo a saliva de forma seca, enquanto fazia um pequeno teste no desespero.

De forma brusca, Klaus parou há meio metro na frente de James, adquirindo a pose bípede novamente.

Vendo de perto, a criatura era bizarramente assustadora. Do peito até o pescoço formava uma juba de pelos negros. Sua pele era escura, fria, musculosa e coberta de pelos. Suas garras eram tão afiadas quanto espadas, o mesmo com seus dentes. Sua cabeça se atrofiou tanto ao ponto de parecer que arrancaram o crânio e costuraram uma cabeça frontal de um lobo atroz no lugar.

James conseguiu ver com perfeição o olho estourado de Klaus expelindo sangue enquanto se normalizava – quase em uma regeneração mágica –, junto disso, ele sentiu o calor da respiração de licantropo lhe amedrontava. Estático e com medo, mas tentando continuar com a postura, James permaneceu em pé a encará-lo.

Quando foi dada a vitória para Klaus, o mesmo se virou de costas enquanto voltava a forma humana com diversas modificações em sua pele, ossos, musculatura e afins. Seu olho estava estancado e aparentava se recuperar, mas ainda era uma ferida exposta com uma casca que o protegia.

Após alguns minutos caminhando o caçador vomitou sangue até não conseguir mais, era como se seus órgãos estivessem rejeitando a poção. Logo James foi recolhido por Voltten, Faufautua e Pulu que o arrastaram da arena.

O arqueiro seguiu caminhando sem reações até que parou por alguns segundos.

– Pulu, você poderia me emprestar seu chapéu? – O arqueiro pediu de forma estática e sem emoções.

– Hum? – Todos murmuraram de forma confusa.

– Claro... – O jovem concordou, passando seu chapéu avantajado de cor bronze.

O arqueiro pegou o chapéu e envolveu sua face dentro dele. Em um urro tamanho, ele gritou de desespero por quase vinte segundos ininterruptos. Logo após ele entregou o chapéu ao amigo.

– O que diabos foi aquilo? – Ele perguntou de forma estranha.

– Eu tenho algumas teorias. – Voltten se sobrepôs de forma calma. – Eu já estudei umas criaturas únicas e tenho teoria que...

– Foi uma pergunta retórica, eu sei que aquilo é um licantropo! – James respondeu de forma imediata. – Eu pergunto como um licantropo estaria aqui, nesse exato momento e porque eu fui colocado para lutar contra ele?! Eu não sobrevivo a um ataque dele!

– Bem, ele estar aqui é algo meio irrelevante. – Faufautua apontou para si mesma. – Semideusa, relíquia mágica num golem, você é um homúnculo, seu amigo é um draconato...

– Se parar para pensar, a coisa que faz mais sentido no grupo é mais da metade dele ser constituído de elfos. – Voltten afirmou envergonhado e com um pé atrás.

– Sermos estranhos e eu uma aberração não me tira o direito de achar os outros estranhos! – James afirmou ainda arrepiado. Matheus Freitas: Bom ponto James, você é sempre muito lúcido.

– Aqui seu arco. – Pulu entregou a arma para James.

– Oh, obrigado. – Ele agradeceu rapidamente.

– Pelo menos agora temos uma vaga noção do que estamos enfrentando. – Faufautua afirmou tentando ser positiva. – Ele perdeu a visão em um dos olhos e aquele sangue mostra que ele não é um dos melhores, mas talvez seja falta de prática.

Seguindo para a saída da estrutura da arena eles continuaram a conversar.

– Pelo visto, vamos ter que excluir Pulu na possibilidade de defesa do local. – Voltten afirmou pensativo. – A ideia de Varis no ataque e sequestro é sólida, mas ela era melhor tendo todo a equipe toda, pelo menos agora podemos definir as posições.

– Acha que ele vai saber ao certo o que fazer? – Pulu questionou receoso.

– Ele é um estrategista de assassinato. – Faufautua afirmou com um leve arrepio. – A Interfectores Del Amine pode ser facilmente ser classificado como um dos maiores grupos criminosos, se ele tem todas as noções de estratégia, estamos em boas mãos.

– Apesar dessas mãos serem conhecidas por estelionato, falsificação, roubo, assassinato e afins? – James questionou.

– Bem, as estratégias funcionavam, pelo menos. – Voltten afirmou de forma vaga.

– Já é o suficiente. – Faufautua completou.

Recolhendo todos os pontos e os transformando em pedras coloridas, o ladino estava posicionando todas as peças como num jogo de xadrez ou shogi. Mesmo sem entender ao certo, todos o observavam sem fazer o mínimo barulho.

– Certo, vai servir. – Ele afirmou finalizando o posicionamento e reunindo todos.

– Qual é o plano? – Edward perguntou, encarado o mapa com pedras em lugares peculiares.

– Primeiro vamos rever os fatos. – Varis afirmou de forma minuciosa. – O evento vai ocorrer às oito da noite e vai ter a duração mínima de vinte minutos, eu suponho. Parte da cidade da cidade vai estar nele.

Todos direcionaram a visão para Pulu, o mesmo ficou envergonhado.

– Eu posso conseguir mais tempo se for necessário. – Ele respondeu sem jeito.

– O tempo da sua luta vai ser irrelevante. – Varis afirmou de forma direta. – Quando o ganhador da luta for decidido, vai ser o momento chave. Nele a plateia vai ao delírio, o barulho e caos dominaram por completo, exigindo que os guardas dividam seu foco em múltiplos lugares, assim os confundindo.

– É aí que temos os ataques? – Faufautua questionou intrigada.

– Exato, nisso temos três variáveis de ataque. – Voltten apontou para três pedras agrupadas, uma verde água, uma vermelha e outra branca. – Voltten, Faufautua e James, vocês ficam na artilharia. Voltten com bolas de fogo e Faufautua com o pacificador.

Desviando a mão, ele apontou para as duas pedras nos cantos.

– Aqui é onde Glans e Vector vão ficar. – Varis afirmou, apontando para uma pedra normal e outra vermelha escura. – Os dois vão se encarregar de proteger o público e aguentar os ataques dos membros. Consegue comandá-lo para ele atacar apenas um tipo de inimigo Io?

– Vai ser um pouco complicado, mas eu acho que consigo. – A gnoma afirmou pensativa. Matheus Freitas: Eu estou perdido, desde quando a Io ficou tão íntima para participar do sequestro da princesa? Misericórdia, e se ela resolve dedar todo mundo? Gente, pensem direito nisso aí...

– Planejou uma coisa no quesito da invocação? – James perguntou receoso.

– Não é algo que eu consiga prever, mas acho que direcionarmos cinco ou seis pessoas vai servir. – Varis afirmou direcionando seu foco para Edward. – Edward, você vai ser meu intermediário.

– Hum?

– Se colocarmos em direções, a família real vai entrar pelo leste da arena, Voltten, Faufautua e James vão estar servindo de artilharia ao sul, Victor e Glans no noroeste e sudeste. – Varis pegou uma pedra verde e uma roxa, colocando em seus locais respectivos. – Se necessário, você vai me fornecer cobertura no norte enquanto eu vou esperar pelo nordeste. Se eu precisar, você corre na minha direção, caso contrário você corre na direção de Glans e Vector.

– Uma pergunta. – Voltten sobrepôs de forma pensativa. – Onde Aquiles entra nisso tudo?

Todos olham para o cavaleiro de maneira intrigada.

– Tem certeza que planeja continuar com o seu plano? – Varis questionou de forma direta.

– Absoluta. – Ele respondeu.

– Certo... – Varis retirou uma pedra marrom de seus bolsos e a colocou na saída oeste da arena.

– Junto de Klaus? – Edward questionou.

– A proposta é não matar ele. – Aquiles começou a explicar. – Eu vou fazer ele usar alguns selos de cura após ser derrotado, precisamos de alguma segurança se algum dos membros invadir pela entrada dos competidores.

– Curar o inimigo não é uma boa ideia... – Io comentou confusa. Matheus Freitas: Inimigo? Io, o que fazes aí???

– A teoria é pedir a ajuda dele quando Pulu já tiver ganhado. – Faufautua afirmou seguindo com o plano.

– E o que garante a vitória? – James murmurou.

– O Êxtase Real. – Pulu afirmou de forma ingênua.

– A mesma arma que derrotou Glans. – Faufautua continuou. – Se ele conseguiu derrotar um draconato ele derrota um licantropo.

– Faz sentido ver por esse lado... – Edward murmurou.

– Se Pulu perder, vamos ter que sequestrar a princesa dos sequestradores. – Varis afirmou de maneira fria. – Porém, o mesmo pode ocorrer se ele ganhar.

– Pessimismo não ajuda. – Aquiles respondeu de forma calma. – Agora que temos todas as cartas em jogo vai ser mais fácil, Klaus não tem mais truques, Pulu tem o Êxtase Real e o grupo como um todo tem uma estratégia de defesa quase perfeita. Não vejo tantos problemas. Matheus Freitas: Eu vejo Io como um problema, além de várias outras coisas, a própria trupe dos problemas é um grande... problema. ‘-‘

– Falar isso vai trazer azar... – Faufautua afirmou desconfiada. – Mas eu estou com você.

– Acho que todos estamos. – Voltten concordou.

– Hora de terminar o trabalho que enrolamos seis anos, não é mesmo Edward? – Varis afirmou de forma irônica.

– Hum! – O paladino murmurou levemente incomodado.

– Estar pronto! – Glans afirmou animado.

– Acho que todos estamos então. – James retrucou de forma receosa.

– Decorem suas pedras meus caros, amanhã vai ser um dia lendário. – Varis afirmou animado.  

Por Tisso | 06/04/21 às 19:33 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia