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Capítulo 12 - Uma Entrada Infernal e Calorosa

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 12 - Uma Entrada Infernal e Calorosa

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia Serafim)

O arqueiro voltou a sua leitura constante que lhe tomou seis dos sete dias alugados.

Com o passar da leitura, James recordou os fatos como feixes de memorias do que leu, pesquisou e explorou sobre em suas viagens passadas. Uma lenda que se teve início a tempos, mas que ele sabia exatamente do que se tratava.

Entre o início dos anos mil e o final dos cem, um ser vagava pelas Américas. Seu rosto ou nome eram inconsistentes, a única coisa que era lembrada por quem sobreviveu a seus ataques e aparições era sua armadura vermelha sangue, que expelia efeitos mágicos diversos como chamas ou explosões. Junto daquilo, um olhar maldito que camuflavam sua face em combate de uma forma quase que inexplicável.

Os primeiros relatos da aparição desse ser foram vistos na região noroeste do que seria o Alaska. Os que o viram diziam que ele vagava sem rumo, outros juravam que ele seguia um caminho, mas nenhum podia afirmar com certeza.

Teoricamente, como um lobo solitário, o Caçador cruzava reinos e campos de combate, aleatoriamente ele se envolvia em conflitos, sendo amaldiçoado por muitos e o motivo da morte dos deuses que o contrariavam.

Seu império de medo foi criado por meio de boatos e lendas.

Lendas envolvendo a morte de Drákomati e o aprisionamento de sua alma em uma faca feita com os dentes do próprio dragão.

Boatos que ele matou uma corte de nobres para roubar uma de suas escravas para seus usos.

E uma série de histórias de caráter sobre-humano.

Porém, no final dos anos cem, ele simplesmente sumiu do nada.

Seus relatos finais eram extremamente espaçados, como se ele estivesse parado de atuar no mundo até que ele simplesmente sumiu.

A lenda que nunca fora analisada de perto, simplesmente sumiu do nada, tendo como últimos relatos o leste da America.

O que poderia ter acontecido é uma incógnita, algumas teorias diziam que ele era imortal, outras que ele era um Deus louco buscando o isolamento planetário por meio da morte dos outros deuses.

Há quem diga que o mesmo se matou, outros que ele foi morto, outros que nem a morte o pararia.

O fato desses boatos terem acontecido perto de Artit foi de extrema importância para a moral e reputação dos Cavaleiros Negros, que viraram o clã dominante do lugar em poucos anos.

Logo a curiosidade de James veio à tona. De fato, aquele era seu principal objetivo naquele lugar. Toda migalha de informação era útil em sua mente, que tentava aos poucos montar o pão completo.

As conversas e as refeições feitas lhe fizeram ter um leve apego pela amizade da senhora, que estava pronta para se despedir dele depois da semana de aproveitamento.

O dia final chegou e James já havia arrumado sua mochila, arco e aljava.

Acordando mais cedo do que o normal e indo para a biblioteca, ele apoiou suas coisas em cima de uma cadeira de veludo e se sentando na outra, aproveitando ao máximo o último livro que iria ler naquele local.

– Apenas me deixe acabar esse. – Era essa a desculpa utilizada pelo homem, ao ser questionado pela mulher de idade.

A mesma havia aceitado.

A senhora atrás do balcão e o arqueiro na biblioteca, todos os outros hóspedes estavam fora e os guardas da cidade espalhados pela mesma.

Esse seria o cenário perfeito para o ataque que estava prestes a acontecer.

Um homem loiro com um chapéu de músico enfeitado com uma pena vermelha e preta, uma roupa branca com um colete de couro sujo de terra, calças verdes e sapatos velhos. Aparentemente um camponês normal aos olhos da sociedade.

Esse homem andava lentamente entre as pessoas que circulavam a área comercial de Monssolus com um olhar vidrado na porta da pousada que o fez ignorar e trombar nas crianças que corriam por lá. Elas foram as primeiras a visualizar seu olhar vazio e irritado, algo que as espantaram, naturalmente.

As pessoas que o encaravam brevemente correram com medo da aura de carnificina que era exalada, mas ninguém fez nada por medo, mesmo que aquele homem não tivesse feito nada de ilegal, ele dava uma sensação ruim para todos.

O erguer de sua mão fez a mesma produzir uma mistura grotesca de sangue e lama que se expandiu surrealmente.

Com um soco direto, ele quebrou a porta da pousada em pedaços de pedra que se espalharam por todo lugar, levantando poeira para todos os lados.

As pessoas que viram essa cena do lado de fora, entraram em pânico e começaram a gritar, fugindo o mais rápido que podiam. Em meio ao medo das pessoas, um homem se destacou ao longe por ser o primeiro a ir na contramão.

Seus músculos bem definidos e sua armadura de ferro negro que deixava os braços a mostra, contrastavam com seus vermelhos e curtos cabelos.

As suas orelhas pontudas denunciavam a sua raça élfica pura e sua pele cor de carvalho sua sub-raça.

Em sua cintura, uma afiada espada repousava e em suas costas, estava preso um objeto coberto por um pano vermelho que possuía a silhueta parecida a um espinho, medindo um pouco menos que seu próprio tamanho.

Enquanto as pessoas fugiam, ele andava lentamente de peito erguido e sem medo em direção a pousada. O que mais ficava aparente era seu brasão de cavalo na armadura, a marca registrada dos Cavaleiros Negros.

A senhora estava horrorizada e assustada com a invasão de seu estabelecimento, o cruzar de seus olhares, nocauteou sua alma.

James, pelo contrário, manteve a calma e raciocinou que não era o alvo do invasor. Afinal, não havia cometido nenhum crime e não tinha rixa com os povos da região, porém não pôde analisar a situação por completo.

Sua primeira teoria era que aquilo era um demônio, mesmo que sua intuição não o notificasse disso, como acontecia naturalmente. A segunda possibilidade era de um bruxo.

“A senhora é o alvo”. Conclui James, deixando o livro e colocando a mochila em suas costas.

A velha mulher se afastou e se abaixou, enquanto resistia a pressão do homem que havia quebrado a porta e desfazia a deformidade em sua mão, a deixando com um aspecto humano novamente.

O arqueiro se escorou na porta da biblioteca, ignorando o medo, posicionou a mochila em seus pés e, atrás dela, escondeu seu arco e aljava.

— A porta estava aberta. — James falou, ironizando a ação do homem.

Ao perceber a figura de James, a atenção foi focada completamente nele.

— Quem seria você? — Quando o ser abriu a boca, James reparou que seu interior era negro com rasgos vermelho escarlate, sua voz parecia ser a junção de várias pessoas falando e gritando em um tom baixo, como se aquilo não fosse um único ser. Certamente aquilo era um demônio.

— Eu? — Perguntou James, revisando o pequeno plano que havia bolado em sua mente. — Sou apenas um mochileiro que anda por aí.

— O mestre disse para pegar só o escolhido. — Falou o ser que, com um movimento básico, deforma novamente sua mão e se preparando para correr em direção a James em um ataque direto. — Posso fazer uma ou duas vítimas se eu quiser...

James sorriu de forma audaciosa, em um ato rápido, ele pegou sua mochila e jogou em direção ao inimigo que a rasgou com sua mão deformada em um ataque de garras.

Porém, aquilo tinha sido apenas uma distração para o verdadeiro ataque do arqueiro.

Com uma flechada que sucedeu o destruir da mochila, o ser se viu surpreendido pelo homem que lhe pegou desprevenido. O projétil atingiu sua testa, perfurando sua cabeça até metade do crânio que foi jogado para trás de relance.

O corpo do ser que invadiu a pousada caiu no chão sem movimento algum. James rapidamente pegou sua aljava e a colocou nas costas por segurança.

O homem de armadura que caminhava para a pousada, viu o exato momento que o corpo do demônio caiu para trás, ao mesmo tempo que viu de relance, a velha senhora teve um peso retirado da alma, em posição fetal se protegendo da luta que havia acontecido, ela se levantou.

Vários livros e sacos com diferentes especiarias de diferentes regiões estavam jogados ao chão, “decorando” o lugar.

Quando estava saindo da biblioteca, o arqueiro cruzou seu olhar com o do homem de armadura e logo reparou no brasão de uma cabeça de cavalo branco em seu peitoral preto, já sabendo que aquele era o brasão dos Cavaleiros Negros.

— Está atrasado. — Ironizou James, se colocando em uma postura mais informal.

— Porte de armas só é permitido com licença para o mesmo. — Reclamou o cavaleiro, estranhando o arqueiro enquanto olhava para o corpo caído. — Posso ver se você possui uma?

— Vocês Cavaleiros Negros são muito mal-agradecidos. — Resmungou James de forma excêntrica.

— Essa voz... — A velha senhora se levantou com medo de trás de seu balcão, empunhando uma faca de forma precária. Quando se levantou, ela se deparou com a face robusta e bem definida do cavaleiro que havia chegado — Aquiles, é você?

— Senhora Bellator!? — Perguntou Aquiles, espantado ao reconhecer a antiga Pico-de-Invasão. — O que está fazendo aqui?

— Essa pousada pertence a ela. — Respondeu James com tom irônico óbvio.

— É a sua pousada?

— Você não leu a placa em cima da porta? – Complementou o arqueiro.

— Aquiles deixe esse jovem. — Pediu Bellator com alivio em sua face e largando a faca.

– Mas Bellator, você poderia ter nos acionado para isso. – Aquiles afirmou receoso. – Não podemos dar moral para completos estranhos.

– Você demorou para chegar. – Ela afirmou com leves tossidas nervosas, era como se os tempos de paz que aquela pousada trouxera em sua vida devolvessem um soco de medo em um inimigo que, na sua situação atual, era invencível. — Ele me protegeu, não fez nada de errado, o real culpado é esse homem caído.

O bater de ferro de armaduras ecoaram pela rua quase vazia, aos poucos se expandindo e revelando dois guardas dos Cavaleiros Negros que vieram tratar da situação.

Entrando no local, eles pararam para analisar e logo reconheceram o elfo de braços expostos.

— Quem te irritou dessa vez, Aquiles? – Um dos dois guardas perguntou, se aproximando vagamente do elfo.

— Fique quieto! — Reclamou Aquiles, apontando o dedo para as devidas pessoas. — Esse cara que invadiu a casa e o outro ali que o matou.

Os dois guardas olharam para a figura de James que apenas segurava seu arco com uma das mãos e girava uma flecha com a outra confiante e calmo.

Irritado, Aquiles se aproximou do arqueiro que apenas guardou sua flecha.

— Você vem conosco! — Afirmou o cavaleiro, puxando James pelo braço. — Mesmo que tenha salvado Bellator, ainda não mostrou sua licença para possuir uma arma!

James não fez força e aceitou ter o braço puxado pelo cavaleiro, porém, enquanto Aquiles estava virado de costas, ele teve um vislumbre rápido do que aconteceria.

O homem, que tinha acabado de ter o crânio perfurado por uma flecha, se levantou em questão de segundos, expelindo uma energia demoníaca que afetou Bellator na hora, ao mesmo tempo, ele invocou a mesma deformidade em sua mão tão rápido quanto anteriormente.

O arqueiro não pensou duas vezes ao fazer suas ações.

Pegando Aquiles pela armadura e, com toda força que conseguia aplicar, James o arremessou para trás do balcão onde Bellator estava.

Com extrema dor no braço ele se recompôs do esforço exercido.

O homem com a mão deformada na mistura de lama e sangue viu a ação do arqueiro e começou a andar em sua direção visando vingança pelo ataque. Ao mesmo tempo, sua pele sugou a flecha para dentro de si como se estivesse a comendo.

Porém, parado pelas lâminas dos dois cavaleiros que se assustaram com a ação do inimigo, o caminhar do ser foi selado por ataques profissionais, mas que não causaram nem metade do dano que deveriam ter causado normalmente.

Os cortes feitos pelas armas de metal eram suficientes para rasgar a roupa e parte da pele do ser estranho, que esqueceu James e direcionou sua raiva para os dois guardas em instantes.

James pulou para trás do balcão em busca de proteção.

Ao concluir a ação, foi recepcionado por um soco surpresa em seu rosto vindo de Aquiles, que estava extremamente irritado.

— Porque diabos você me jogou aqui? — Perguntou o cavaleiro, preparando para dar um segundo soco.

— Aquilo não é humano! — Afirmou James, passando a mão em seu nariz que escorria um pequeno fio de sangue. — Achei que era apenas um bruxo, mas tenho certeza, aquilo é um demônio!

— Demônio? — Questionou Aquiles, desfazendo o punho fechado e desarmando o soco. – Faz sentido não morrer com uma flechada na cabeça, realmente...

— Aquilo é um ser do próprio inferno, se não matarmos ele agora ele vai matar Bellator! — Afirmou o arqueiro, formulando uma breve teoria enquanto se recuperava do soco.

— Como você sabe disso? – Questionou Aquiles, intrigado.

— Ele não hesitou em partir para cima de mim e muito menos se importa com os soldados que estão lutando com ele nesse momento. — Concluiu James, tirando de sua aljava em suas costas uma flecha e a colocando em seu arco. — Também ouvi mencionando algo de “Escolhido”, mas acho melhor ver isso depois.

— Então em resumo, eu só tenho que ir lá e cortar o crânio dele. — Disse Aquiles com orgulho e confiança, sacando sua espada. – Com isso eu consigo ganhar tempo.

— Você não tem amor pela sua vida!? — Reclamou James, impedindo a futura ação do cavaleiro. — Não vai ser cabível acumular tempo, o melhor é tentar matar aqui mesmo. Eu tinha um crucifixo e uma bíblia na minha mochila, precisaria de uns cinco segundos para pegá-los.

— E vai fazer o que? Esfregar ele contra a cara do demônio? — Debochou Aquiles, ainda com raiva do arqueiro.

— Sim e não. Preciso de sua ajuda.

— Nunca que eu ajudaria alguém como você! — Afirmou Aquiles, em um tom arrogante ao extremo.

— E deixaria o povo que você protege morrer por um orgulho babaca?

Aquiles pôs a cara para cima do balcão de forma sutil para não chamar atenção, ele viu seus colegas guardas quase morrendo para derrotar o demônio, que os golpeava com socos executados pela sua mão deformada imensamente poderosa.

— Qual é o plano? — Perguntou o cavaleiro, engolindo o orgulho e o transformando em confiança vagamente.

— Primeiro, o que diabos você está carregando em suas costas? — Perguntou James, apontando para o objeto coberto por um pano vermelho que era carregado por Aquiles.

— Isso? Isso é a minha arma secundária. — Tirando de suas costas e removendo o pano, Aquiles revelou uma lança de cavalaria modificada. Uma lança incrivelmente maior em todos os sentidos e visivelmente mais pesada, ao mesmo tempo era completamente branca como uma perola e com a aparência vaga de um dente canino gigante e afiado. — O nome dela é Dente de Dragão.

James raciocinou um pouco e perguntou impressionado.

— Ela é sua secundaria?

— A minha principal é a espada em minha cintura. — Respondeu Aquiles, orgulhoso de sua força.

Os neurônios do arqueiro logo o fizeram lembrar a técnica Davi Golias e com isso, o fato de apenas três dos seis capitães dos Cavaleiros negros usam essa técnica.

— Aquiles, qual sua patente nos Cavaleiros Negros?

O elfo sorriu orgulho.

— Capitão da Quarta Divisão e sucessor direto de Kaplar! — Respondeu o elfo, de forma extremamente profissional. – Aquiles Hyden!

Por Tisso | 28/04/20 às 18:09 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia