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Capítulo 20 - A Cidade Octógono

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 20 - A Cidade Octógono

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

A carruagem saltava levemente devido aos buracos na estrada de chão batido. O balançar era leve e momentâneo, mas foi o suficiente para que Crist acabasse acordando em meio a viajem.

Os olhos ainda sonolentos da criança identificam de forma embaçada a figura de seu pai.

Apoiando sua cabeça em seu colo, o paladino estava com seu elmo, deixando sua face cinzenta e dormente a mostra.

Em sua frente, as figuras enrustidas sonolentas de Sansa e Voltten a assustaram de imediato pelos adereços estranhos e por sua visão precária.

Um breve grito foi feito pela criança que assustou a todos os que estavam dormindo. Os magos deram um leve salto de pavor momentâneo, já Edward entrou automaticamente em um estado de alerta.

O paladino, ao ouvir o grito, tentou se levantar, mas acabou batendo a cabeça no teto da carruagem que aos poucos parou de andar.

— Estão todos bem!? — abrindo a porta da carruagem rapidamente, Parysas perguntou preocupado.

— Sim, sim, só foi a Crist que teve um pesadelo, nada demais. — respondeu Edward acalmando o amigo e a si mesmo lentamente.

— Acho que é melhor fazermos uma pausa. — Sugeriu o paladino real após ter se acalmado. – Já é quase hora do café mesmo.

Os quatro saíram de dentro da carruagem, Crist estava segurando na mão de Edward ainda com um leve medo.

A primeira coisa que lhes chamou a atenção é Varis no acento traseiro do veículo.

O ladino não havia acordado, mesmo com o grito da criança que assustou até Glans na parte da frente.

Edward caminhou lentamente para o corpo jogado do ladino que não aparentava perceber sua existência.

— Varis, acorda! — Gritou o elfo negro, empurrando levemente o colega de espécie.

— Hum? – perguntou Varis abrindo seu olho direito revelando o vermelho e o negro de sua íris élfica sonolenta. – Já chegamos?

— Não... – Edward disse. – Você está dormindo a quanto tempo?

— Quando saímos do reino? – questionou o ladino se levantando e andando para perto do resto de seu grupo, sendo acompanhado por Edward junto de Crist.

— Saímos ao nascer do sol. – respondeu o paladino mantendo uma certa distância do colega elfo.

Um acampamento improvisado foi feito por Sansa e Voltten que estenderam mantas e cobertas na planície de grama verde que compunha todo o senário a sua volta.

Caixas de comida foram pegas por Glans que abusava de sua força e as carregava para junto dos magos e dos elfos.

— Coloca uns trinta minutos depois disso. — respondeu Varis, assustando a todos ao seu redor que ouviram a conversa.

A falta de responsabilidade havia causado um choque de decepção tamanho que é visível na face de quase todos. Apenas Glans e Crist não mudaram suas expressões, o draconato por não captar o ocorrido na hora e a criança por não compreender a importância do fato.

— Você passou todo esse tempo dormindo? – questionou o paladino não desfazendo a cara de surpresa.

— Não foi minha culpa. — Contrapôs Varis, abrindo uma das caixas que Glans carregava com sua adaga. — Não fui eu que mudei o horário de nossa partida.

— Você ficou responsável pela nossa retaguarda! — reclamou Parysas tomando palavra. — E se focemos atacados?

— Bem... – o ladino pegou uma maça fresca dentro da caixa e a mordeu, olhando em sua volta logo em seguida. – Parece que não fomos.

— Você é louco por acaso!? – questionam os magos e os dois paladinos quase que simultaneamente.

Em meio a discussão uma pequena risada era escutada. Todos pararam de discutir vagamente e procuram a origem do barulho, surpreendentemente, ele vinha de Crist.

A criança estava rindo de tudo aquilo como se fosse uma piada planejada.

— Varis é engraçado. — disse a criança enquanto ria das ações feitas pelo ladino.

Um sorriso brotou na cara de Varis que encarou os paladinos por breves segundos.

— Melhor deixarmos isso para outra hora. — Sugeriu Parysas que ainda não acreditava na atitude do ladino.

Os panos estendidos na grama foram usados como uma espécie de lona para os sete que fizeram um piquenique com os suprimentos. Após a rápida refeição, as coisas foram recolhidas e o grupo se arrumou para seguir a viagem.

— Agora Glans e eu vamos dentro protegendo Crist, Varis e Edward atrás e Sansa e Voltten conduzem a carruagem. — disse Parysas, já abrindo a porta direita do veículo. – Vamos?

— Ei, eu fui atrás antes! — reclamou Varis.

— E dormiu em quanto vigiava. — Completou o paladino real se sentando no banco acolchoado da carruagem.

O ladino apenas deu um leve bufo de raiva, mas logo se aquietou e aceitou dividir o banco traseiro da carruagem com Edward. O paladino no final acabou por ter que aturar os comentários e piadas do ladino durante esse tempo.

Após um longo caminho percorrido, a carruagem subiu um enorme monte que parecia não pertencer ao lugar, algo como uma elevação monstruosa e artificial feita na terra.

As partes planas a sua volta não condiziam com os padrões de montes semelhantes. Os outros montes em sua volta pareciam um dia já pertencerem a uma cordilheira.

Era como se algo a tempos tivesse dizimado completamente uma concavidade central e aquilo fosse uma cratera em recuperação.

Em meio ao topo da suposta montanha, a visão privilegiada da capital ficou a vista de todos que a disfrutaram da enorme construção que ainda estava a quilômetros de distância.

Um anel de muros brancos, cada um com trinta metros de altura que formavam o tal octógono citado por Cérbero.

Com apenas suas maiores torres a mostra, o castelo da capital se mostrava, esbanjando sua grandiosidade e beleza tamanha.

— Incrível! — exclamou Edward se levantando junto de Varis para ver a linda imagem das muralhas de pedras brancas que se contrastavam com o dourado dos campos de trigo ao seu redor.

— Lar, doce lar! — murmurou Sansa com muita alegria e nostalgia ao ver seu lugar de nascença após tanto tempo.

— É, quanto tempo, não? — afirma Parysas olhando os muros pela janela da carruagem com o mesmo olhar e sorriso nostálgico de sua irmã. – Bem.... Vamos seguindo.

Na descida do morro, o paladino real respirou fundo de forma pensativa, logo após se viu confiante o suficiente para revelar uma estranha e peculiar verdade aos quatro recrutas que já haviam possuíam sua confiança. Com um leve toque na testa da criança, ele fez Crist cair de sono em segundos.

— Ei Voltten. — Chamou Parysas tomando o tom sério que já havia se acostumado a invocar devido aos acontecimentos atuais.

— Sim? — respondeu o mago com sua visão ainda focada nos muros.

— Lembra que você nos perguntou sobre o porquê de Argel estar em uma cidade aleatória no pais e não na capital?

— Hum? Sim..., mas isso já foi a quase quatro meses atrás, o porquê trouxe isso à tona novamente?

— Porque já confio em vocês o suficiente para contar o motivo.

O grupo se endireitou rapidamente e começou a prestar total atenção no paladino real.

— Crist, tampe os ouvidos! — ordenou Edward exaltado e preocupado com o psicológico de sua filha que teria medo de seus protetores atuais.

— Não precisa, eu já a fiz dormir. — Amenizou Parysas que havia previsto a atitude de um pai que o amigo tomaria.

Um suspiro leve emana da boca do paladino que se acalmou e voltou a escutar.

— Acredito eu que, todos aqui conhecem o Genocídio das Estrelas. – Parysas continuou. – Bem talvez Glans não saiba...

— Glans saber. — respondeu o draconato de forma rudimentar, mas vagamente intrigado.

— Eu expliquei alguns fatos históricos para ele. — Afirmou Sansa no mesmo tom de voz de seu irmão em quanto continuava a conduzir a carruagem.

— Ótimo, assim vai ficar mais fácil para que todos compreendam o que eu vou dizer. — falou Parysas engolindo lentamente o seco de sua garganta e continuando. — O palco dos principais eventos do massacre ocorreram na capital. O motivo desse nome foi o uso de uma estrela para destruir por completo o local anterior ao avanço dos Cavaleiros Negros.

Em questão de segundos Glans e Edward ficam extremamente confusos. Voltten aceitava aquilo aos poucos enquanto Varis nem deu a mínima para aquilo – afinal, ambos sabiam fragmentos daquela informação.

Mesmo sendo algo surrealmente impossível, o boato de que o solo de Civitas cedeu aos Cavaleiros Negros após um ataque de fogo imenso – nisso o boato de que aquilo era uma estrela fora criado.

Era quase impossível dizer se aquilo realmente aconteceu, os registros do que de fato aconteceu provavelmente estava soterrado a sete chaves nos confins dos cofres dos Cavaleiros Negros ou manipulados para que nunca fosse encontrada a verdade, restando apenas um punhado de lendas e rumores para as pessoas comuns, assim como o caçador.

Varis não sabia dizer se Parysas estava falando o que realmente aconteceu, omitindo a verdade como um blefe ou se ele também não sabia sobre a verdade e apenas passou uma informação alterada adiante.

— Continuando... – disse Parysas olhando friamente para a criança em seu colo. – Depois, como forma de agradecimento, Kaplar entregou essas terras a Argel que começou a governa-las. Porém, diversos ataques foram feitos a capital em um período relativamente curto. Ataques esses que eram evitados por Cérbero e Ortros, depois Sansa e eu nos juntamos a eles. Após uma grande discussão, fora decidido o afastamento do rei para um forte no sul do pais.

— Esse forte seria Kranbar? — concluiu Edward extremamente confuso.

— Sim. — respondeu Parysas — Depois disso Cérbero foi junto com o rei e Ortros ficou na capital como um sósia do rei original. Poucos são os não soldados que sabem desse fato. Melhor que saibam o mínimo do que aconteceu anteriormente para o bem da missão.

— Obrigado. — Agradeceu Voltten pensativo sobre a história contada pelo paladino real.

Após uma pequena discussão para tirar dúvidas, mas que no fim não serviu de nada, Parysas fez Crist acordar e aos poucos eles voltaram a normalidade.

Os campos dourados de trigo eram separados pela carruagem que se contrastava com a humilde plantação dos camponeses.

Dois enormes portões davam passagem para dentro do anel das muralhas que agora, próximos aos mesmos, aparentavam serem ainda maiores.

Maravilhados com tal estrutura, o grupo entrou na capital já sendo saldados pelos guardas que reconheceram a figura de Sansa que pilotava a carruagem.

As ruas eram movimentadas e com diversas raças as ocupando, tal como Monssolus. Porém, diferente da grande sede dos Cavaleiros Negros, as casas eram uma mistura de madeira bruta e talhada, com pequenos detalhes a pedra.

— Sem dúvida, isso realmente tem cara de capital. — Afirmou Varis em quanto relaxava seus músculos, os esticando e cruzando as pernas.

— De acordo. — Concordou Edward, descendo do veículo que tinha diminuído sua velocidade por causa da multidão.

O paladino começou a caminhar do lado da janela da carruagem, conferindo se Crist estava bem. A criança apenas se jogou da janela para abraçar o pai que a pegou de relance.

— Acho que ela também queria descer. — Afirmou Parysas em um leve tom cômico.

— Concordo.

Os dois começam a andar do lado do veículo que muitas vezes acaba ficando para trás devido ao fluxo de outras carruagens e carroças.

 Após uma hora de viagem, o grupo abandonou a carruagem e a deixou aos cuidados dos guardas que a levaram para os armazéns e estábulos reais.

Seu próximo caminho a trilhar era claro, a enorme escadaria que antecedia a entrada do castelo. A estrutura real era incrivelmente bonita, mas não era elegante como os muros da cidade. A construção gótica do castelo era ameaçadora e apresentava perigo, tal como uma masmorra.

 Os cansados e sonolentos ficaram para trás, quase caindo aos degraus duros de pedra, os fortes e dedicados arrumaram energias para atravessar a subida até a construção majestosa.

Varis estava a morrer quando chegara no final da escadaria.

Seu corpo meio dormente e nada preocupado com a situação nunca fora forçado aquele ponto naquelas condições, pelo menos, não que ele se lembrasse.

Impacientes, os seis companheiros do ladino, acompanhados por dois guardas, abriram a porta de madeira bruta do castelo, revelando um imenso e salão de entrada.

As figuras do paladino e da maga real foram imediatamente reconhecidas pelos guardas que protegiam e rondavam o lugar. Ambos são recepcionados na hora por quase todos os soldados.

Dois dos inúmeros cavaleiros conduziram o grupo pelos corredores bem decorados e reforçados da construção, chegando em uma enorme sala de pedra decorada aos montes com moveis de pedra talhada e tapeçarias. Em seu centro, uma enorme e larga escadaria em espiral para cima se destacava e tomara o foco de todos.

— Mais degraus? — perguntou Varis ainda cansado da subida anterior.

— Não será necessário subir. — respondeu uma voz familiar de cima das escadas, acompanhada pelo estouro de seus passos pesados.

A luz das tochas e do sol que atravessava algumas janelas do local, dão a visão perfeita do homem que havia respondido o ladino.

Roupas que misturavam vestes nobres e cotas de malha, rosto velho com uma robusta barba marrom e, como menor e mais minucioso detalhe, uma cicatriz do lado de seu olho esquerdo.

Assim como descrito por Cérbero, lá estava seu “gêmeo” Ortros.

— É bom velos novamente, Sansa e Parysas! — falou o homem calmamente ao se aproximar dos dois irmãos.

— Também é bom revelo, Senhor Ortros. — Os dois respondem quase que se curvando, pois, por pequenos segundos, confundiram o amigo com o verdadeiro rei.

— Disseram-nos que ele era idêntico ao rei, mas não imaginei tal semelhança. — Ressaltou Voltten a Edward, impressionado com a aparência de Ortros.

— Obrigado. — Agradeceu o falso rei, se virando para a entrada de um dos inúmeros corredores que a sala em questão dava passagem — Venham, sigam-me, vocês devem precisar descansar nem que seja por alguns minutos.

Sem questionamentos, todos do grupo o seguiram, deixando os soldados para trás e se focando apenas no irmão gêmeo do caçador.

Por Tisso | 26/05/20 às 17:40 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia