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Capítulo 21 - Um Banquete para novas Relações

Evalon: os Seis Lendários (E6L)

Capítulo 21 - Um Banquete para novas Relações

Autor: Tisso | Revisão: Matheus Freitas (Leia SZPS)

A porta grossa de madeira se abriu dando passagem a uma enorme mesa de jantar com diversos pratos. O cheiro de carne de carneiro assada e do álcool tomou conta das narinas de todos instantaneamente.

A comida estava sendo servida em finas e requintadas bandejas de prata reluzente. A mesa já possuía figuras sentadas em acentos próximos. As três pessoas presentes aproveitavam o banquete, todas eram distintas e diferentes do padrão de soldados locais.

A mais misteriosa delas era uma mulher coberta por uma manta roxa que deixava escapar um pouco de seu rosto, mostrando um pouco de sua incrível beleza. O cinza de sua pele denunciava sua raça, outro elfo negro, mas ela era surrealmente mais branca que o normal.

Um espécime raro que nunca sequer havia sido relatada na região antes, um elfo negro albino.

O segundo ser que lhes chamou a atenção, era não só um homem fisiculturista, mas também um Cavaleiro Negro.

Sua armadura, com o brasão de cavalo no peito, protegia apenas seu tronco e ombros, mas não seus braços. Os membros desprotegidos deixavam a mostra seus músculos surreais. Seus cabelos eram ruivos e curtos, um clássico corte militar. Suas orelhas a mostra denunciavam sua raça élfica, mas sua pele de carvalho sua ramificação.

Em suas costas havia um pano vermelho cobrindo algo que possuía a silhueta semelhante a um espinho um pouco menor que sua altura e, junto dela, uma espada embainhada em sua cintura.

Parysas e Sansa se surpreenderam ao reconhecer Aquiles, claro que para eles o Cavaleiro Negro não era uma pessoa imponente – afinal sozinho ele não conseguiria se comparar aos irmãos –, mas para Edward, Crist e Voltten ele parecia extremamente poderoso, Glans como sempre permaneceu isento de opinião, apenas contemplando o grupo. Já o ladino institivamente se escondeu atrás das silhuetas próximas ao ver o militar

O último homem se comportava completamente diferente dos ouros dois na mesa.

Ele comia aos poucos e sem fazer barulho praticamente, sempre com o uso de talheres e limpando sua boca com um lenço toda vez que a sujava, tudo da forma mais requintada e educada possível. Um verdadeiro cavalheiro.

Seu corpo era coberto por uma manta branca límpida, mas com remendos e poucas manchas de sujeira que pareciam não sair com uma simples lavada.

Sua cabeça a mostra deixa claro a falta de pelos total do homem – incluindo cílios e sobrancelhas. Sua face parecia pertencer a um senhor de trinta anos e seus olhos estavam atentos ao ponto dele ser o único a olhar para a porta segundos antes da revelação das pessoas.

— O lugar está melhor do que eu me lembrava. — Afirmou Parysas intrigado enquanto entrava na sala de refeições.

— Hum? – murmurou Aquiles deixando cair a grande coxa de carneiro de sua boca ao ver de perto Glans, o draconato de tamanhos surreais que tanto ouviu falar.

— Um draconato, não? – perguntou James vagamente surpreso, adicionando aquilo na lista de coisas estranhas que conseguiu ver de perto.

— Não se preocupem com os problemas políticos, isso tudo virá a ser discutido depois. — Afirmou Ortros, dando caminho para todos entrarem na sala. — Por agora comam. Vocês devem estar cansados da viagem, quando acabarem, me encontrem na sala do trono, de preferência todos de uma vez.

— Certo... — confirmou Parysas falando por todos que o acompanhavam.

As cadeiras da mesa foram ocupadas pelas pessoas que se posicionaram da forma que se sentiam mais confortáveis.

O draconato se sentou ao lado de Aquiles que se impressionou com a simples, mas surpreendente, existência do ser. Varis logo de cara reconhece a figura de capuz roxo e se posicionou ao seu lado de forma esguia.

— Como um draconato está vivo hoje em dia? – perguntou James em tom amigável com o intuito de iniciar uma conversa com os recém-chegados.

— Bem, na verdade tem um monte deles. — respondeu Voltten dando fluidez ao papo de forma amistosa. — Só não sabemos onde eles estão.

— Crist, abra a boca... – afirmou Edward enquanto brincava alimentando a filha com um pedaço cortado de carne de carneiro.

O ladino e a mulher encapuzada ficaram isolados no canto da mesa, não contribuindo em nada para a conversa.

Era como se os dois esperassem para ver quem atacava primeiro.

— Como vai minha mercenária favorita? — cochichou Varis, tomando um tom debochado e levemente cômico perante a mulher.

— Como vai a Cobra de Duas Cabeças? – a voz suave e fina da mulher lhe toma os ouvidos, mesmo em tom baixo e esguio.

— Essa é velha, mas é bom vela novamente, Sagita. Faz o que? Um mês? Tem feito algo de interessante recentemente?

— Fui contratada para ser baba do filho do chefe a uns dias.

— Legal, legal. — respondeu o ladino, sabendo para quem se tratava aquela mensagem. — A minha vida vai bem, por sinal.

— Esses aí sabem do que você fazia? — ela questionou fincando seu garfo em um de dois objetos que se assemelhavam a batatas marrons.

— Temos um paladino e uma criança no grupo, os maiorais devem saber, mas você acha que estariam tão tranquilos assim se soubessem? – questionou Varis, colocando seu garfo no prato da mulher e pegando o segundo objeto de forma rápida, o mordendo pela metade e o mastigando.

— Isso é testículo de carneiro. — Revelou a mulher jogando a comida de seu garfo para longe de uma forma ardilosa.

Um barulhento som de cuspida veio de Varis que se destacou no meio da refeição. Deixando todos o olhando curiosos para saber o que havia acontecido, o ladino apenas deu um leve sorriso, seguido de uma risada inconveniente.

Isso foi o suficiente para que todos perdessem o interesse nele e logo voltassem a suas refeições.

— Para te ensinar a não roubar de forma tão burra. — Debochou Sagita, disfarçando o leve riso com a mão na boca. – Você realmente enferrujou.

— Entendido, se isso te faz feliz. — respondeu Varis virando seu rosto e fazendo seus olhos vermelhos se cruzarem com as íris semelhantes da mulher.

Os dois elfos se encaram por breves segundos.

As bochechas rosadas de Sagita se contrastam com o cinza esbranquiçado de sua pele e dão a Varis o sinal para agir. Um breve impulsionar foi dado por parte de Varis que aproximou lentamente seu rosto em direção a face envergonhada de Sagita que ficou sem reação perante o ladino que pretendia beija-la.

O palpitar dos dois corações era acelerado, tanto da mulher, que ficou imóvel devido à pressão, quanto Varis, que agiu por puro e mero impulso, mas com suas decisões próprias. Ambos envergonhados, começam a fechar lentamente seus olhos até que o inevitável ocorresse.

Uma forte e fedorenta corrente de ar passou por entre as comidas da mesa e chegaram a Sagita, levantando seu capuz e o jogando para trás. Seu rosto é revelado por completo. Uma bela mulher de longos cabelos brancos, já conhecida por Varis, se revela.

Junto da corrente de ar, um estrondoso urro foi escutado, semelhante a uma pequena explosão de pólvora. O som ecoou pela sala deixando todos que estavam lá curiosos e todos os que sabiam sua origem enojados.

— Estranho.... Normalmente saia fogo, não? — retrucou James, fazendo uma leve piada sobre o arroto do draconiano.

— Acho que cordeiro não é uma boa pedida para você, Escamoso. — Disse Aquiles dando dois tapas leves nas costas do draconato, que se recompôs.

— Ah? Desculpa? – disse Glans, buscando em sua memória as etiquetas ainda não aprendidas por ele daquela sociedade.

— Pelo menos ele tem bom senso. — Reclamou Varis, afastando seu rosto do de Sagita e voltando a comer, lamentando o clima romântico que havia sido quebrado pelo inconveniente arroto. Sagita fez o mesmo.

O banquete foi feito, deixando as sobras junto com resquícios de carne entre os ossos dos esqueletos dos animais. Guiados por Parysas, eles começaram a seguir o corredor rumo a sala do trono, assim como havia pedido Ortros.

Ao chegarem lá, foi reparada a semelhança em diversos detalhes do lugar com o salão do trono em Kranbar. O formato do trono, as cortinas com figuras de um gato que simbolizava Tac Nyan, tudo era de alguma forma semelhante. Parecia que o original havia servido de extrema base para fazer a cópia em Kranbar.

Ortros aparentava estar discutindo com um guarda enquanto lia alguns papéis sentado no trono, mas, ao reparar a presença das pessoas na corte, se levantou, deixando as folhas e o guarda de lado e se dirigindo ao grupo.

— Já acabaram? – perguntou o falso rei em um tom de bom humor vagamente distraído.

— Sim, já. — respondeu Parysas com seu típico sorriso positivo.

— Ótimo, agora vamos falar sobre o que é importante. — Disse Ortros voltando ao trono, retirando os papéis e os segurando em mãos.

Parysas começou a segui-lo junto com os outros.

— Vocês estão liberados por hoje, apenas peço a Edward que proteja Crist e peça ajuda caso for atacado, de preferência não saia do castelo. Também peço que Sagita vigie Varis por hoje, um adicional será pago por isso, tenha certeza.

— Espero que sim. — Resmungou a elfa negra albina, seguindo o ladino que já havia saído.

— Ei Glans, quero tentar uma coisa com você. — Afirmou Aquiles saindo da sala e levando com sigo o draconato que o seguiu por curiosidade, James também acompanhou pelo mesmo motivo.

— Voltten, quer ir ver a biblioteca? – perguntou Sansa apontando para um dos corredores da sala luxuosa.

— Claro! – confirmou o mago, já seguindo pelo caminho indicado.

— Senhor, gostaria de ver seu aposento e o de sua filha? — perguntou o guarda que anteriormente discutia com Ortros, mas que agora se dispunha a servi-los. Os mesmos o acompanham calmamente.

— Bem acho que vou indo também, — afirmou Parysas se virando para a porta de saída. — Queria rever como estava a igreja da cidade...

— Espere. — Interrompeu Ortros tomando uma atitude séria e abandonando a casualidade que antes o dominava. — Tenho uma notícia um pouco ruim para relatar e precisaria de sua ajuda para isso. Na realidade é muito ruim...

Parysas, que já tinha dado o primeiro passo rumo a saída, se virou para ouvir as palavras do falso rei com receio e medo.

— Além de Crist e Bellador, um terceiro desses “seres poderosos” foi registrado.

— Mais um!? – perguntou Parysas assustado, voltando para perto de Ortros em segundos. — Nem decidimos direito o que fazer com Crist e Bellador e nos aparece um terceiro?

— Sim eu sei, eu sei. – Afirmou Ortros enquanto segurava nos ombros do paladino real, tentando o acalmar. – Mas temos que nos preparar para sua chegada. Por algum motivo, a pessoa que me enviou a carta o registrando é da Inglaterra.

— Inglaterra!? – questionou o paladino real aumentando seu tom de voz preocupações. – Nem ao menos foi uma pessoa de um país próximo, mesmo com nossas aplicações magicas, uma viajem para a Inglaterra duraria dois meses no mínimo. – O paladino real começou a ranger os dentes enquanto direcionava seu olhar para o chão. – Fora o fato da Inglaterra ser reconhecida mundialmente como maior potência mágica. Se esses seres poderosos são de tamanha importância para chamar a atenção deles temos muitos problemas...

Em um tom de lamento o paladino afirmou perdendo-se em seus pensamentos.

— Eles estão vindo para cá e alegaram terem sido atacados por demônios também, então estão enviando alguém para lhe proteger. – Afirmou Ortros prosseguindo a explicação. – Não vamos ter que busca-lo, isso já é um grande alivio.

— Isso não parece tão ruim, falando desse modo. — respondeu Parysas se acalmando levemente e recompondo a postura. – Mas tem um outro problema, não?

— Sim... – disse Ortros mostrando seu lado lógico em ação. – Imagine, três desses seres que que são uma espécie de “chamariz de demônios” reunidos em um só lugar. A capital vai virar um cenário de guerra, caso não façamos algo.

Parysas encarou o que foi dito por Ortros com extremo receio e medo, mas ao mesmo tempo, tentava achar esperança em uma solução mágica milagrosa.

Em sua mente era só uma questão de tempo até que os demônios tentassem invadir o castelo. Mesmo com a capacidades dele, Sansa e Ortros, eles não conseguiriam parar grandes hordas de demônios de níveis desconhecidos.

Parysas começou a morder forte o lábio e a bater o pé no chão como sinal de nervoso.

— Se acalme. — Afirmou Ortros.

— Falar é fácil. — Resmungou Parysas, desviando sua educação e deixando ainda mais evidente sua preocupação.

— Andei revisando alguns feitiços e encantamentos. Acho eu, que descobri algo que pode nos auxiliar sobre isso. — falou Ortros, aflorando um breve sentimento de esperança no paladino real. – Podemos aplicar magias de imbuição para barrar a entrada de demônios em algumas partes, mas isso demandaria mais tempo do que temos, mas eu achei algo para suprir as necessidades.

— O que seria? – perguntou Parysas recuperando as esperanças vagamente encarando a lógica de Ortros.

— Lembra da Shield Bubble?

— Hum? – Parysas parou por alguns segundos para lembrar do que se tratava. – Aquela magia cristã de cúpula? 

— Sim, é isso que devemos fazer, nos proteger. – Ortros reproduziu um pequeno feixe da magia que criou uma bolha de humidade entre suas mãos. – Uma barreira magica feita com umidade que protege e anula energias demoníacas, é isso que vamos fazer, só que com uma bolha que cubra a cidade inteira.

— O que!? – gritou Parysas confuso e desacreditado com tal proposta.

— Sabia que falaria isso. — Alegou Ortros pensativo. – Mesmo sendo uma magia de baixo nível de dificuldade, quanto maior o tamanho que queremos, mais devemos gastar para mantê-la. Também teríamos que rever o seu caso de adaptação.

— Como iremos fazer tal loucura?

— Temos que unir forças, ou pelo menos tentar. Uma única pessoa não seria capaz de fazer tal proeza. – Ortros se calou por alguns segundos. – Eu esperava que Cérbero tivesse sido enviado, ao contrário de vocês.

— Era o que esperávamos também, mas não ocorreu. — respondeu Parysas com um leve desanimo ao falar.

— Bem, teremos que depender das capacidades magicas minhas, suas e de Sansa. – Ortros começou a organizar a defesa mentalmente. – Temos que preparar selos de proteção em lugares oportunos, dividir os guardas para regiões mais afastas do centro, conferir extensores de energia...

— Quando eles vão chegar? – Parysas questionou interrompendo Ortros vagamente.

O silencio foi instaurado por alguns segundos.

— Em menos de uma semana de acordo com a carta. – Ortros afirma de forma realista, já vendo a reação de desanimo de Parysas. – Eu já preparei algumas coisas, mas bem poucas.

— Acha que conseguiremos?

— Depende de nós no final de tudo.

— Sim... — Disse Parysas que se animou com um fio de esperança, mas tal sentimento se esvaiu com o lembrar de um fato. — Na verdade, parando para pensar, temos um problema a mais.

— Qual?

— Em Kranbar, fomos atacados por um demônio e por um humano.

— Sim, mencionaram algo em alguns registros, mas ainda não tive tempo de lê-los.

— Se houver mais humanos, eles atravessaram a barreira e tentaram atacar...

— ...E como estaremos ocupados com a bolha, eles conseguiram... — completou Ortros que tem como resposta ao confirmar de um movimento que Parysas realizara com a cabeça. — A magia ainda vai reduzir as capacidades deles em um nível alto, mas mesmo assim eu chuto que eles derrotariam hordas facilmente. Malditos demônios!

Os dois se puseram a pensar em uma solução.

— Acho que eu tenho uma ideia básica. — Afirmou Parysas. – Não é grande coisa, mas talvez seja uma estratégia válida.

— Diga.

Por Tisso | 28/05/20 às 17:14 | Ação, Aventura, Fantasia, Sobrenatural, Magia, Mitologia